Milésima Canção de Amor
25 Simples desejo!
Notas iniciais
Que tal abrir a porta do dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...
Batidas na porta despertam Quinn. Ela apanha o celular na cabeceira da cama e sorri. 9h42min. O horário das tradicionais ligações de domingo. As sonoras gargalhadas de Mercedes indicam que logo seria a sua vez de atender ao telefone. Desde o episodio da gravidez e o tempo no acolhedor lar da família Jones, Quinn se tornou tão querida quanto os filhos de sangue. E o telefonema dominical só ressaltava essa condição. Depois de conversar com Mercedes, a senhora Jones fazia questão de trocar algumas palavras com a loira. Velhos hábitos nunca deveriam morrer. Cuidadosamente, a jovem se desvencilha do abraço do namorado e ruma para atender a porta. A companheira de apartamento lhe cumprimenta rapidamente, entrega o celular e retorna para a cozinha para terminar de preparar o café da manhã.
Quinn se acomoda na beira da cama. A movimentação e o falatório interrompem o sono do rapaz, que sorri ao encontrar a namorada trajando a gasta camisa do Flamengo. Daniel passa a mão pelos desgrenhados cachos e beija a bochecha da namorada desejando bom dia. Ela sorri e aponta para o celular. O estrangeiro entende o recado e caminha para fora do recinto a fim de conceder certa privacidade para a namorada. Os barulhos oriundos da cozinha chamam a atenção do recém-acordado, que cumprimenta Sam Evans e se apressa em abraçar a querida amiga. A negra solicita o auxilio dos rapazes para arrumar a mesa e servir a primeira refeição daquele domingo.
O interfone toca e o trio estranha a previsível chegada de Noah Puckerman tão cedo. Logo Matt solicita permissão para a entrada da dupla no respectivo prédio. Reencontrar Matt Rutherford no Instituto Tecnológico de Columbus foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para os calouros Noah Puckerman e Daniel Aragão. O antigo integrante do New Directions estava no segundo ano de Educação Fisica e jogava na equipe universitária de basquete. Imediatamente, a dupla se converteu em trio e os problemas financeiros para se manter na capital do estado foram reduzidos drasticamente com a mudança do veterano para o modesto apartamento nas proximidades da instituição. Puck cursava o quarto semestre de Tecnologia Automotiva e se dividia entre os treinos do time de futebol americano e o emprego em uma oficina de restauração de veículos. O brasileiro cursava Eletrônica, porém ainda sonhava com o futuro nas pistas de atletismo e a possibilidade de se transferir no fim da temporada para a Universidade Estadual de Ohio e, evidentemente, para os Buckeyes, a terceira melhor equipe de atletismo do país. O desempenho na segunda divisão da Liga Universitária havia despertado o interesse de olheiros e a troca poderia ocorrer com o encerramento do semestre letivo.
Columbus, a capital de Ohio, havia se tornado uma espécie de segunda casa para o Glee Club liderado por Will Schuester. Inicialmente, apenas Quinn e Finn haviam se instalado na metrópole, com objetivos bastante distintos. Em épocas alternadas, Dan e Puck se mudaram para a Zona Leste da capital em função das vagas obtidas no Instituto. Mercedes e Tina chegaram há quase um ano e desde então, a negra e a loira dividiam um apartamento nos arredores do campus. Mercedes era caloura de Artes Visuais e diariamente cruzavam com a aspirante a jornalista. Sam Evans era visita corriqueira. O rapaz se transformou em uma promessa do futebol americano depois da temporada impecável no último ano na Escola Willian Mckinley. O título estadual consagrou o jovem quarterback e lhe rendeu uma vaga na Universidade de Cincinnati e, posteriormente, poderia culminar em sua entrada na Cincinnati Reds, time de futebol americano profissional.
Na noite de sexta-feira, a atual líder da Liga Universitária, equipe defendida por Sam, havia massacrado o razoável time de Columbus, antigamente integrada por Finn Hudson. Recentemente, o grandalhão havia conseguido a desejada transferência para uma faculdade de Nova Iorque e dividia o apartamento com Mike Chang para estar mais perto da namorada, Rachel Berry. Curiosamente, o meio-irmão de Kurt não pode se mudar diretamente para o endereço da pequena notável pela chegada inesperada de Santana Lopez, que resolveu jogar para o alto os dois anos de Direito para tentar iniciar uma carreira musical. Ironicamente, os adolescentes que mal se aturavam nos primeiros ensaios acabaram se procurando nos momentos de ensaiar vôos mais ousados.
A porta é aberta e a expressão facial de Puck expressa a irritação pelas escassas horas de sono. Matt abraça a amiga e explica que após a partida dos casais da festa no campus da Universidade de Ohio, as investidas do judeu foram frustradas e a alternativa encontrada fora afogar as magoas em incontáveis drinques de tequila. A ressaca devia estar terrível. O rapaz encara a dupla de negros com ar irritado e balbucia palavras desconexas. A face do bad boy se ilumina ao avistar a mesa farta do café. O próximo gesto é ocupar uma cadeira e apanhar um pedaço do apetitoso bolo de chocolate. Mercedes revira os olhos para a atitude infantil do visitante e chama pela irmã. Quinn aparece em seguida e acena para os meninos. Imediatamente, busca pelo assento mais próximo do namorado.
_ Sara pediu para mandar um abraço para você, caso nos encontrássemos. – a loira sorri pela ingenuidade da Senhora Jones.
_ Ela não faz ideia de que eu e o Sam temos dormido aqui, né? – a moça confirma segurando a risada. Automaticamente, o braço livre ocupa os ombros da namorada. Puck desfaz a carranca mal humorada e solicita a programação para o domingo.
_ Honestamente, eu pretendia ficar de bobeira o dia inteiro aproveitando o meu quarterback! – declara a negra ganhando um selinho do atleta.
_ Às vezes, ser amigos de vocês é um saco. – reclama Noah pelo excesso de romance, as garotas lhe direcionam olhares mortíferos – A comida grátis faz o esforço valer a pena. – o encrenqueiro chia após ser estapeado por Matt.
_ Eu concordo com a Mercedes. Também estava pensando em ficar em casa e relaxar neste domingo. A semana vai ser cheia de provas e relatórios do meu estágio... – explica Quinn recebendo o apoio do namorado.
Puck reluta, entretanto, é voto vencido. Até mesmo Matt gostaria de sossegar e descansar em pleno domingo. Quinn e Dan se responsabilizam pela louça, enquanto o outro casal trata de retirar a mesa. Matt e Puck se apressam em escolher o seriado a ser assistido naquele resto de manhã. A opção se fixa em Two And a Half Man e as risadas não tardam em preencher o apartamento. O celular da negra apita em função do recebimento de uma mensagem de texto. Tina se desculpava pela impossibilidade de aceitar o convite para o almoço, contudo, confirmava a visita para a primeira hora da tarde. Menos mal. A preguiça da moça em sair dos braços do namorado estava tremendamente gigantesca e a ideia de preparar o almoço não parecia promissora. Com a indisposição feminina em comandar o fogão, Matt se entusiasma em poder preparar uma refeição com inúmeros ingredientes. A diversidade de alimentos na casa dos rapazes era mínima. Seria mais um domingo tipicamente tranqüilo em Columbus, seria se em menos de duas horas, o apartamento não estivesse revirado e completamente tomado pelos integrantes da época de Glee Club a fim de comemorar o noivado Finchel.
Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Rachel desgrudou do noivo para circular entre os amigos, enquanto Finn se deliciava com partidas de videogame. Ela pode estudar com mais propriedade a silhueta da antiga arquiinimiga. A gargalhada é inevitável pela lembrança tão distante dos tolos confrontos em função do antigo quarterback dos Titãs. A sintonia entre Quinn e Daniel era incontestável. O rapaz contava as últimas disputas para Tina e Mike, ao passo que a loira permanecia com os braços contornando a cintura do brasileiro. A estudante de teatro se aproxima e solta a pergunta bombástica para os casais.
_ E vocês quando vão tornam oficial?
_ Moramos em estados diferentes, Rachel. – explica a asiática.
_ Cidades diferentes. – Sam embarca nas justificativas e os olhares se voltam para a o único casal que compartilhava do mesmo endereço.
_ Nem adianta, ta bom? Se você e o Hudson quiseram apressar as coisas, não pensem que nós vamos seguir o exemplo... Até porque... Nós já passamos por isso, lembra? – recorda o estrangeiro bem humorado se referindo ao conturbado pedido de casamento anos atrás _ Nada vai acontecer até 2016. – brinca o rapaz assustando a namorada.
_ Como assim? O que vai acontecer em 2016? – questiona a loira.
_ Não acredito! Nós já temos tudo planejado para Rio 2016, não é Mike? – dançarino concorda, a anfitrião continua confusa _ Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, Quinn! Eu pretendo cobrir os jogos para algum veiculo de comunicação e o Mike vai aproveitar o mês no Brasil para se aprimorar como dançarino. Mas, seria sensacional se você consegue o índice para os Jogos Olímpicos, Dan! Eu quero uma exclusiva, Ligeirinho! – descontrai a estudante de jornalismo, sendo abraçada pelo simpático namorado.
_ Ótimo sonho para alguém que preferia viver um dia de cada vez. – confronta a judia.
_ É, sonhar não custa nada, né? Era impossível passar quatro anos no Glee Club e não começar a acreditar que as coisas podem se tornar realidade.
_ Posso saber com o que mais você sonha, estrangeiro? – Quinn interroga o namorado.
_ Me profissionalizar como atleta... Algumas medalhas... Olimpíadas... Acordar todos os dias com a visão do mar. O que você acha de morar no Rio de Janeiro, branquinha?
_ Achei que nada fosse acontecer até 2016. – o imigrante beija o rosto da moça.
_ Sim, mas, nada impede que você se acostume com a ideia, não é? – ela sorri e indica que Puck estava chamando pelo namorado para participar do pequeno torneio de videogame. Velhos hábitos nunca deveriam mudar.
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Há mais de uma semana que acordar se tornara a melhor parte do seu dia. Normalmente, Daniel já havia saido há horas para o bendito surfe. Desde que Matt, Puck e Sam pisaram na praia do Arpoador passavam mais tempo no mar do que em terra firme. As sutis batidas na porta e a risada estridente denunciam as visitas. Mercedes e Tina sempre surgiam naquele mesmo horário para arrancá-la do quarto. Tina estava mais entusiasmada do que o normal com a camera em mãos, contando detalhadamente o espetaculo que a roda de capoeira proporcionara. Mercedes gargalhou diversas vezes ao narrar as trapalhadas que Noah havia protagonizado ao tentar se entrosar no esporte.
Daniel podia adorar o mar, contudo, Quinn se encantou pela experiência de apenas caminhar pela beira-mar. Era incrível a sensação de tranqüilidade que simples passos poderiam render. Por isso, a loira preferiu gastar o tempo da reunião do namorado andando pela praia. O Rio de Janeiro definitivamente era a Cidade Maravilhosa e, mesmo que ele jamais tornou a tocar no assunto, a estudante de fisioterapia não acharia nenhum absurdo se estabelecer na pátria do estrangeiro. Ela suspira e observa o vai e vem das ondas com tamanho interesse que nem percebe a aproximação dele.
_ O que faz Quinn Fabray perdida na orla do Rio de Janeiro? – a voz do namorado lhe arranca das próprias reflexões ao sentar-se na areia ao seu lado.
_ Não to perdida, só sai para andar um pouco. Você sabe que caminhar se tornou a minha mania desde o acidente. Eu não canso de admirar essa paisagem!
_ É, eu sei... Mas, precisava ser tão longe? – ele brinca e passa o braço sobre os ombros dela – To te procurando a quase meia-hora... E bom, o pessoal tava preocupado... – ela sorri de volta e o rapaz acha justo bagunçar os próprios cachos. Ele sempre faz isso.
A loira não sabe absolutamente o motivo que lhe fez se afastar dos amigos e buscar pela calmaria da beira-mar, porém, suspeita que o gesto dele traduza toda a confusão. Quinn compreende que o carioca está temeroso pelo que precisa dizer e, consequentemente, pelo o que deve ouvir como resposta. É curioso que com o passar dos anos, os dois tenham experimentado diversos instantes como aquele e, geralmente, as coisas não acabavam bem. Quando ela lhe pediu em casamento, quando ela disse que não poderiam ficar juntos... Quando ele prometeu não deixa-la ir... Quando ele planejou segui-la a faculdade...Quando ela terminou tudo depois do acidente... Quando ele terminou tudo no último dia das férias de verão... De alguma forma, o fim sempre esteve presente na relação Quinnel, todavia, o caminho dava duas voltas e religava as suas vidas em um momento seguinte. O problema é que aquele primeiro momento nunca era agradável.
_ Tenho que responder na segunda-feira... Os diretores do Vasco da Gama me ofereceram um contrato como atleta profissional. Honestamente, não sei...Porque aqueles seis meses longe quase nos separaram e não quero passar por isso de novo.
_ Eu te amo por isso, mas, não posso sequer considerar que você abra mão desta oportunidade, Daniel. – ela beija o rosto dele.
_ O que você sugere? Eu não posso simplesmente pedir que você se mude para o Brasil!
_ Por que não? – ele a encara intrigado – Eu tinha 16 anos, quando pedi para passar o resto da minha vida com você, estrangeiro... E nada mudou desde então.
No retorno para a pousada, ele pergunta mais de dez vezes se a jovem tinha certeza de sua decisão. Ela precisa lidar com a costumeira superproteção de Mercedes, a surpresa desmedida de Tina, a confusão estampada no rosto de Puck, o silêncio intrigante de Matt e o estranho encorajamento nas palavras de Sam. A questão é que Sam Evans também alimentava o desejo de se estabelecer como esportista profissional e desta forma, era o mais próximo de compreender a chance única oferecida ao amigo. A novidade desembarca em Nova Iorque através de Mike Chang e provoca uma tremenda discussão no apartamento de Rachel, Santana, Blaine e Kurt.
Daniel não retorna para os Estados Unidos e aguardaria para que a namorada encerrasse o último semestre de aulas presenciais para a mudança definitiva. Quinn tem suas duvidas escancaradas ao retornar para Lima e confrontar a mãe e a irmã com a repentina mudança. Se o simples relacionamento quase decretou o rompimento familiar, a opção em se estabelecer em outro país era entendida como ruína pessoal. Judy Fabray sabia bem a filha que tinha, especialmente, após a superação do trágico acidente. De nada adiantaria apontar as possibilidades perdidas em função do desejo inesperado em aceitar o mero estagio em uma ONG no Rio de Janeiro. Seria perda de tempo, por isso, Judy se limitou a acidez tradicional. Já Frannie não se entregou tão facilmente e “Você perdeu o juízo” foi a frase mais amena que a irmã lhe direcionou. Puck puxa uma cadeira e pede um suco qualquer a garçonete sem deixar de exibir o seu sorriso mais cafageste. Quinn revira os olhos e volta a se concentrar no artigo cienfitico a ser concluído.
_ Então, o que a Santidade Profana soltou sobre sua ideia fixa de morar na América do Sul? – debocha o eterno bad boy com relação a discussão com Santana, Brittany e Rachel a respeito de sua mudança para o Rio de Janeiro.
_ Santidade Profana? Onde você ouviu isso? – a jovem gargalha – Eu agradeci a preocupação, mas, não importa o que digam. Já tomei a minha decisão. – ela abandona as folhas e torna a encarar o cara que ainda mantinha o moicano intacto.
_ Eu sempre soube que você seria a pessoa que deixaria Lima e acabaria em algum lugar glamouroso e ensolarado como Los Angeles, Toronto ou o Rio de Janeiro. Você ainda vai fazer algo grandioso, Quinn Fabray, e não precisa de ninguém para lhe mostrar o caminho. – não existe qualquer rastro de ironia no tom de Noah Puckerman.
_ Uau! Eu não esperava por isso... Obrigada mesmo, Puck. – ela corresponde ao sorriso.
_ Foi a primeira vista, não é? Essa vontade de nunca mais sair do Rio de Janeiro também me bateu. Quem sabe não nos encontramos por lá em breve? No Brasil, há muitas equipes de futebol americano recrutando atletas universitários daqui, sabia?
_ Acho que vou sentir saudades das suas idiotices, Noah Puckerman. E sério, algum dia você pretende desistir desse moicano ridículo? – ela arruína o penteado do jogador.
_ Ei! Nunca mais diga isso... E, bom, deu certo com você, não deu? – ela estapeia o braço dele – Depois destes anos, eu vou sentir mesmo a sua falta, Quinn Fabray.
Antes de viajar, a loira volta a Lima apenas para se despedir apropriadamente de Will e Emma Schuester. O professor de espanhol reconhece que sentia falta do afilhado praticamente destruindo o apartamento e que esperava por uma visita em breve do casal. Ser enxergada como adulta pelo maestro fez bem à loira. Bom, ela estava soltando as últimas amarras familiares e aprendendo a caminhar com as próprias forças. É, ela estava certa do que faria ao cruzar a área de desembarque do aeroporto de Columbus. Mercedes, Sam e Puck ainda acenam e ela lhes dá as costas. As horas do vôo servem para refletir sobre o quão longe a história do quase casal chegara. Era engraçado pensar na primeira impressão que Daniel Aragão lhe causou há seis anos. Cabisbaixo, introspectivo, irritadiço e praticamente invisível. A falta de paciência e a ausência de humor nas primeiras monitorias. As olheiras e o cansaço relatado nas primeiras conversas amigáveis e o irresistível sotaque revelado nos primeiros versos. Agora, ela poderia reconhecer que se fascinara com o estrangeiro a primeira vista. E era certeiro considerar que o amor rompera definitivamente as barreiras ao sentir aquele abraço. Os mesmos braços que lhe recepcionam no desembarque no Rio de Janeiro.
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Como não se apaixonar pelo país ou pelo povo brasileiro? Especialmente, por aquele brasileiro que observava surfar na esplendida manhã de domingo. A jovem só encontrava coragem para se levantar horas mais tarde. Ele se dividia entre a praia, o mar, as rodas de capoeiras e a obrigatória obsessão em recebê-la na orla com um abraço estupidamente gelado. O que a garota do interior de Ohio poderia desejar mais? Honestamente, Quinn havia recusado uma tentadora proposta de estagio em uma academia bem sucedida em Columbus em função de um convite despretensioso realizado por um professor para a vaga em uma ONG na Cidade Maravilhosa. A experiência de seis meses em solo brasileiro se tornou irrecusável ao conhecer os detalhes do projeto e a proximidade com complexo esportivo do Vasco da Gama, onde Daniel treinava atualmente. O rapaz praticamente salta os últimos degraus, apanha a chave nos bolsos da calça jeans, confere o horário – muito atrasado! – abre a porta do pequeno apartamento e joga a mochila sobre a mesa de jantar. Definitivamente, ele estava exausto e não sabia se já tinha se sentindo assim antes.
_ Quinn, cheguei! – ele grita ainda da cozinha.
_ No quarto! – ela fala simplesmente.
_ Olha, você não vai acreditar... Eu... – ele perde a linha de raciocinio ao visualizar os rostos de Tina e Mercedes na tela do computador – Boa noite, garotas! – o carioca suspira cansado e se deixa cair na beirada da cama.
_ Ei! É bom ver que o meu homem continua tão gato! – brinca a negra.
_ E o que você tava dizendo? Por acaso, já ta sabendo? – ele nega – Puck? Acho que ele quer oficializar, mas, Puck e Matt foram sondados para jogar futebol americano ali no Brasil na próxima temporada, não é demais? – explica a asiática.
_ Sério? Eu... Ah! Agora faz sentido... Puck me encheu de perguntas sobre o nível dos clubes cariocas... Seria demais ter mais gente por aqui... Os planos para 2016 ainda estão confirmados, certo Tina? – a aspirante a jornalista confirma. Daniel se despede temporariamente, ruma para tomar uma ducha e se sente o cara mais sortudo do mundo minutos após cair na cama ao lado da namorada. Quarta-feira? Dia de jogo do Flamengo! Ele liga a televisão no canal da respectiva partida e coloca na opção mudo.
_ Por que tirou o volume? – ela cochicha para o namorado estirado ao seu lado.
_ Tem jogo daqui a pouco, mas não quero atrapalhar a sua conversa. – o carioca boceja, coça os olhos e tenta se concentrar na televisão.
Quinn beija de leve a bochecha do rapaz, que lhe sorri em resposta antes de voltar a mirar a programação esportiva. Tina e Mercedes tiram sarro da ceninha Quinnel e ainda ocupam a amiga por longos minutos narrando as últimas peripécias da faculdade e curiosas sobre a adaptação ao Rio de Janeiro. A loira desliga o notebook, se alonga, confere a hora e não contem o sorriso ao flagrá-lo ressonando. Daniel deveria estar muito cansado para cair no sono pouco antes do adorado jogo de futebol. Ela chacolha o jovem, que ainda resmunga algo sem sentido para somente depois voltar a consciência.
_ O treino foi tão puxado? – ele acena positivamente e tenta afastar o sono – Então, você queria me contar algo?
_ Ah, sim... Isso é incrivel! Não é oficial...Nem vale como marca de classificação... Só que eu consegui correr abaixo do índice olímpico! Você acredita nisso? Isso é demais.
_ Dan, eu... Eu to tão orgulhosa! – ela abraça calorsamente o namorado – Você ta vivendo o seu sonho!
_ Quase! – ele esclarece sorridente e aceita o beijo antes de concluir – Tenho que melhorar muito ainda para 2016.
_ Posso te fazer uma pergunta? — ele dá de ombros — Você pensa muito sobre isso?
_ O que? As Olimpíadas do Rio? – ele desarruma os cachos em sinal de confusao.
_ Não, sobre o futuro...
_ É, às vezes. — o rapaz responde simplesmente.
_ E eu faço parte disso? — ela dispara e o carioca arqueja a sobrancelha contrariado.
_ Basicamente, você é o meu futuro, Quinn. — Daniel solta com o semblante risonho e a loira lhe encara de volta.
_ Uau... Você vai se dar tão bem por isso... — ele gargalha e passa o braço pelos ombros dela — Quer falar mais sobre isso?
_ Bom... Às vezes, eu acho que podiamos nos mudar para o Arpoador, sabe? Quando eu tiver o contrato renovado... Podemos achar uma casa não tão longe para nos atolar no trânsito, mas que dê para alcançar a praia com uma corrida... Você poderia fazer aquela especialização e conciliar com o emprego no clube ou abrir algo próprio... E eu poderia fazer o reforço muscular em casa mesmo... Daria para me execitar na areia, na água... Seria ótimo, não é? Eu adoraria ter crescido num lugar assim.
_ Parece ótimo! Só me soou estranha essa última parte... Crescer? Você pensa nisso?
_ Eu penso em passar a minha vida do seu lado...E isso, essa coisa de filho... Acho que está no pacote, não é? — ele brinca.
_ Yeah... Como eu poderia não te amar depois disso?
_ Isso quer dizer que podemos considerar assistir ao jogo de domingo no estádio?
_ Não força a barra, Daniel! Você acha que eu desistiria de um fim de semana de praia para ver um jogo qualquer de futebol?
_ Não é um jogo qualquer, é a semifinal do Campeonato Carioca, Quinn! Além disso, poderíamos aproveitar que ficamos no Centro e irmos ao Show da Vanessa da Mata, dançar um pouco, perder completamente a hora no domingo e depois dar uma volta no estádio, o que acha?
_ Eu posso cogitar a hipótese, se você me trouxer uma rodada de pipoca!
_ Por que eu? Qual a dificuldade de preparar você mesma?
_ Por que eu teria que levantar desta cama e não tem chance disto acontecer agora!
_ Você só pode ta brincando com a minha cara, Fabray! – ele resmunga em tom levemente zangado ao se dirigir para a cozinha. Ela sempre vencia esse joguinho.
A loira se acomoda mais apropriadamente na cama, escuta o namorado cantarolando uma música e antes que possa identificá-la as pipocas começam a estourar. Ela ajeita rapidamente os cobertores, aumenta o volume da televisão e concorda com ele a respeito de antecipar as compras da semana. Os armários estavam praticamente vazios. Daniel reaparece com uma bacia lotada de pipoca do seu sabor preferido e corre para alcançar a cama antes do apito inicial da partida. Ela ri da pressa descabida e se delicia com a refeição totalmente fora de hora. As atenções dele se voltam para o jogo de futebol, não sem antes trazer a namorada para mais perto. Algo tão típico, tão seu. Parecia certo, entretanto, significava mais. Quinn Fabray sabia disso. Já não parecia certo estar no Rio de Janeiro ns braços do estrangeiro que acostumou a manter sempre dentro de suas vistas. Não, não era certo. Simplesmente, era real.
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem
Notas finais
E acho que o Brasil seria um lugar bem bacana para os dois construírem as vidas juntos. E fica a dica de que outros personagens poderiam aparecer na nossa terrinha. Eu fico por aqui e agradeço sempre a sua leitura. Até a próxima!
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