Midas
3 Capítulo 03
Capítulo 03
Bella sentia o sangue tomar seu rosto, sabia que estava mais vermelha do que um tomate maduro por estar recebendo aqueles aplausos. Ela olhava para plateia reconhecendo quase todas as pessoas que estavam ali, ela retribuiu ao carinho sorrindo, eles sabiam o quanto ela tinha lutado para finalmente conseguir que aquele lugar estivesse pronto.
Isabella Swan foi quase que diariamente ao escritório durante por mais de um mês tentando ser atendida pelo CEO da corporação, apesar de saber que seus motivos eram os mais nobres possíveis ela não conseguia com que Ângela, a assistente executiva do empresário, marca-se um horário. Bella conhecia a má fama do empresário, ouvirá muitas vezes o quanto arrogante e frio ele era, mas algo dentro dela dizia que Edward Masen era a pessoa que estava precisando, seus instintos lhe diziam que a Masen’s era sua melhor chance para conseguir fazer a ala infantil, já tinha conseguido que os diretores do hospital sede-se o espaço; tinha mobilizado muitos voluntários e alguns dos melhores profissionais da área médica e psicológica que se dispuseram a trabalhar no projeto, alguns deles até mesmo gratuitamente, mas ela precisava de dinheiro para reformar o local e equipa-lo. No então, agora olhando a sua volta se sentia totalmente recompensada, mais uma vez tudo tinha valido a pena.
Bella como sempre gostou de ser chamada, sempre foi uma pessoa forte, persistente e corajosa, nunca deixou que as dificuldades da vida a abatesse, seus pais lhe ensinaram a jamais desistir de nada e nem ninguém, porque no final sempre valia a pena. Ela era a pessoa mais doce e amável que alguém poderia conhecer, não havia quem não se rendesse ao seu sorriso verdadeiro ou seu rosto corado, mas também sabia ser feroz para defender aquilo que acreditava ou as pessoas que amava. Quem a visse jamais imaginaria que aquela pessoa que irradiava alegria, que sabia ser grata a tudo e todos, como poucos, e nunca negou ajuda a ninguém já tinha sofrido tanto na vida.
Ainda muito pequena perdeu tudo na vida aos oito anos de idade, quando seus pais sofreram um acidente de carro fatal e morreram. Como era apenas uma criança tudo foi muito confuso, ela ainda era muito nova para entender o porquê seus pais nunca apareceram na escola para leva-la para tomar sorvete, como havia prometido naquela manhã ou o porquê sua professora chorava tanto e a abraçava dizendo que tudo ficaria bem, a pequena menina entendeu menos ainda quando aquelas pessoas que nunca tinha visto antes a tiraram da sua casa e lhe levaram para uma casa grande e desconhecida cheia de crianças. Com o tempo ela foi entendendo o que realmente tinha acontecido, a dor pela terrível perda e aquele lugar tão diferente da sua casa a deixava com medo, mesmo muito triste ainda tentava ser a mocinha corajosa, como seu pai lhe chamava, quando ia para o seu quarto fugindo de algum sonho ruim.
Nos primeiros dias Bella passava a maior parte do tempo na cozinha do orfanato, as outras crianças riam dela e a perturbavam por ser nova ali, por isso ela preferia passar o dia ao lado da senhora Carmem que sempre tinha um cookie fresquinho para lhe dar. Um dia depois de chorar muito ao ouvir das crianças mais velhas dizer que seus pais não a amavam e por isso haviam a deixado ali, a pequena menina acabou dormindo debaixo de uma grande árvore que ficava no jardim da casa. Bella acordou quando a tia Sue uma senhora bondosa que cuidava de todas as crianças no orfanato, lhe pegou no colo e a levou para dentro, depois de saber o que tinha acontecido ela lhe explicou que a verdade era que seus pais a amavam muito, mas como eles eram pessoas maravilhosas Deus os tinha escolhido para ficar ao seu lado no céu, e que de lá eles ainda cuidavam e a protegeriam. A menina sorriu e lhe beijou o rosto em agradecimento, em sua inocência infantil realmente acreditou nas doces palavras daquela amável senhora, conhecia seus pais e não existiam melhores pessoas no mundo do que Charlie e Renée Swan.
A menina tinha sido criada em um lar repleto de amor e carinho, seus pais lhe passaram os melhores valores e sentimentos que um ser humano pode ter. Charles Swan foi um dos melhores médicos cardiologista do estado de Washington, mas que apesar disso resolveu ficar longe das grandes cidades e do dinheiro que a profissão poderia lhe trazer e escolheu viver em Forks, uma cidade pequena que proporcionava para ele e sua família uma vida segura e confortável, dedicou boa parte da sua vida profissional em ajudar aos mais necessitados, e isso o manteve longe dos grandes hospitais e consultórios luxuosos que ocupariam todo o seu tempo. Charlie sempre priorizou aqueles que realmente precisavam dele e o seu tempo com sua família, para ele não existia nada mais importante do sua amada esposa e a pequena Bella. Renée Swan foi uma professora de literatura que levava muito a sério o papel de ensinar as crianças e os adolescentes o valor de um bom livro, era uma apaixonada pelos escritores clássicos, Jane Austen, Cervantes, Maquiavel e seu grande amor William Shakespeare, e passou essa paixão para sua filha, desde muito nova a pequena Bella sempre era vista carregando seus livros por ai, antes mesmo de aprender a lê-los. Ela era a mistura perfeita do casal, tinha herdado da mãe a beleza, a pele branca, os lábios vermelhos e os lindos olhos verdes, e é claro o amor incondicional aos livros; já do pai fisicamente tinha apenas a cor chocolate dos cabelos castanhos, no entanto a menina a tinha praticamente a mesma personalidade do seu pai, sua bondade e a vontade de ajudar ao próximo. Mesmo os perdendo tão cedo, Bella não esquecerá nenhum dos seus ensinamentos, muito de tudo o que ela era e tinha conseguido conquistar devia a eles.
Edward ainda estava atordoado pelo turbilhão de coisas que passavam por sua cabeça naquele momento. Nunca tinha desejado nada, tudo o que quis recebeu, quando criança nunca precisou ansiar pela manhã de Natal, afinal sempre teve todos os brinquedos que quis sem ter que esperar por datas comemorativas para ganha-los, mas ele sentia essa sensação agora correr por seu corpo ao se aproximar da jovem que permanecia distraída ao lado do ao púlpito.
A presença imponente do senhor Masen trouxe Bella de volta das suas lembranças, ela acompanhou os passos do empresário em sua direção, com extrema elegância fechava seu terno, era muito quente como ele andava em sua direção lentamente sem tirar os olhos dela, forma predatória com que a olhava a deixou desconfortável principalmente por seu corpo respondia de forma estranha, sentia com se fogo estivesse correndo em suas veias.
— Obrigada pelas palavras senhorita Swan – disse Edward ao microfone. Como a jovem não havia retornado a tribuna eles ficaram próximos, assim o empresário pode desfrutar do seu cheiro delicioso, era a mistura de vários elementos que o tornava único e espetacular. Edward puxou o ar em seus pulmões deixando que aquela fragrância lhe impregnar antes de começar o seu discurso. – É uma honra para corporação Masen poder colaborar com uma causa tão nobre como essa...
Vinte minutos depois era Edward que recebia os aplausos da plateia, sua mente estava tão longe que apenas leu as palavras do discurso sem realmente prestar atenção no que falava. Apertou a mão do doutor Cullen, que lhe levou até onde ficava uma placa de inauguração que ele pode ler o nome Masen em bronze. Depois do termino da cerimônia ainda teve que apertar mais algumas mãos de uns puxa sacos que estavam por ali, mas seus olhos ainda estavam em cima da figura delicada da assistente social que conversava de forma muito carinhosa com a mesma senhora elegante de antes.
— Não quero mais lhe prender aqui, senhor Masen. Sei que é um homem muito ocupado, mas não podia deixar de lhe agradecer mais uma vez. – disse Carlisle.
— Você não está me prendo senhor Cullen, achei o evento muito interessante, estou pensando inclusive em continuar a ajudar, com certeza deve haver algo que possa contribuir – disse sempre usando o duplo sentido em suas frases. Realmente Edward tinha encontrado algo mais do interessante ali, e é claro não tardou em oferecer seu dinheiro para poder consegui-lo logo.
— Nossa fico feliz em ouvir sua generosa oferta, talvez o senhor não tenha noção do quanto o seu gesto será importante para famílias, inclusive a minha. – disse o médico sorrindo na direção das duas mulheres que tinham seus movimentos acompanhados pelo empresário, o que ele não deixou passar despercebido.
— Sua família? – perguntou confuso Edward, querendo o máximo de informação que pudesse a respeito de Isabella, e pela maneira intima aquele médico olhava para ela, ele poderia se muito útil nisso.
— Sim, essa é uma causa muito próxima ao coração de todos da minha família, por isso tanto minha esposa Esme como minha Bella estão muito envolvidas nesse projeto. Inclusive elas com certeza poderão lhe informar qual a melhor forma do senhor nos ajudar.
— Bella?
— Desculpe a confusão senhor Masen, estava me referindo a Isabella Swan, nossa assistente social, mas nos sempre a chamamos pelo apelido, ela prefere assim. Se o senhor tivesse mais tempo eu as apresentaria a você. – disse gentilmente sem perceber que essa era a verdadeira intensão do empresário.
— Pra mim seria um honra, tenho muito tempo disponível. Como lhe falei anteriormente tenho muito interesse em conhecer mais sobre o projeto. – disse Edward malicioso, arrumando seu terno. – Vamos?
— Com licença meninas, gostaria de apresentar o Edward Masen, como vocês já sabem. Bem Edward, essas são mulheres da minha vida, minha amada esposa Esme Cullen e Isabella Swan.
— É um prazer conhece-la senhora Cullen – disse galante o empresário lhe beijando a mão da elegante senhora.
— O prazer é todo meu senhor Masen. Fico feliz em ter a oportunidade de agradecer pessoalmente pela sua grande generosidade em nos ajudar, não é mesmo Bella?
— Sim tia Esme, é um prazer finalmente conhece-lo senhor Masen. Apesar de ter ido muitas vezes a sua empresa nunca tinha conseguido marcar um horário, mas isso não impediu que o senhor nos ajudasse, e como lhe disse antes hoje o senhor está realizando um sonho meu, então muito obrigada por isso. – disse Bella de uma vez com medo de que sua voz não saísse com clareza. Tinha algo naquele homem que mexia muito com ela, o jeito que seus olhos nunca deixavam os seus a fazia sentir nua.
Edward analisou cada palavra dita por aquela linda mulher, ele não acreditava em ninguém, mas algo dentro dele o fazia ter certeza aquelas palavras que saiu daqueles lábios e nos sentimentos que viu estampado em seus olhos verdes, eram os mais verdadeiros e puros que já tinha visto.
— Isabella – disse experimentando a sensação de dizer seu nome, ele era tão lindo quanto à dona, Edward mal esperava a hora de gemê-lo em seu ouvido quando tivesse duro dentro daquela mulher. Sem desconectar o seu olhar do dela, ele apenas lhe tomou a mão e a beijou, mas diferente de quando fez com a senhora Cullen, o empresário agora pressionou seus lábios demoradamente e com força sob a pele da assistente social. – O prazer é todo meu. Folgo em saber que mesmo sem saber realizei um sonho seu, espero que agora que a conheço, possa realizar mais alguns.
Bella sentiu uma corrente elétrica cruzar seu corpo, ela não sabia dizer se eram pelas intensas palavras que ele havia dito que pareceram ser realmente verdadeiras ou pelo contato da boca dele com sua pele. E aquele contato que mesmo parecendo tão inocente, era tão intimo eles ficaram presos um no olhar do outro, mais uma vez.
A mente de Edward funcionava rápido, os convidaria para um almoço com a desculpa de poderem discutir mais sobre o projeto. Ele queria prolongar ao máximo aquele encontro, precisava saber mais sobre Isabella, precisava sentir mais da porra daquele cheiro maravilhoso e se possível tocar muito mais naquela pele macia. Quando ia fazer o convite, foi interrompido pela voz enjoativa de Rosalie Hale.
— Vamos Ed, ainda temos que almoçar antes de você voltar para a empresa – Edward olhou com surpresa para Rosalie, mas que mudou muito para um olhar frio e raivoso assim que ela entrelaçou seu braço como uma jiboia. Enquanto em sua cabeça gritava perguntas com: de onde o caralho daquela maldita mulher tinha surgido? Como ela ousa me chamar daquela forma ridícula, forçando uma intimidade inexistente, principalmente na frente de Isabella? Suas mãos formigavam querendo esmagar aquela puta arrogante.
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