Midas
30 Capítulo 30
Capítulo 30
Várias pessoas desfrutavam dos famosos encantos do Central Park, naquela linda manhã de sábado, como já era de costume, afinal esse era um dos pontos mais frequentados da cidade. No meio dos atletas de fim de semana, que se exercitavam de tantas maneiras, uns correndo sozinhos, outros em grupos ou somente na companhia de seus cachorros; turistas de todos os lugares do mundo, que tiravam milhares de fotos tendo o belíssimo parque como cenário; estava Emmett, que corria feliz sendo acompanhado de perto pelo grande e animado cachorro caramelo.
Quatro mulheres que também desfrutavam de um delicioso piquenique naquela ensolarada manhã, acompanhavam sorridentes a cada movimento do pequeno garoto, que não parava correr de um lado para o outro, com suas perninhas curtas, meio desengonçado e demostrando uma clara falta de equilíbrio, que o fazia cair de vez em quando na grama quando Will conseguia facilmente alcança-lo, o fazendo gargalhar alto, o que resultava com que Bella, Esme, Sue e Leah gargalhassem junto, um ato natural, pois era impossível ver uma cena como aquela e não se derreter pela evidente felicidade daquele lindo garoto.
Naquele sábado Bella tinha ido buscar o seu pequeno cowboy para que eles pudessem aproveitar juntos o seu dia de folga, fazendo alguma das coisas que tinham combinado quando Emmett ainda estava no hospital, infelizmente somente os dois iriam, já que Edward irá ficar preso no escritório o dia todo resolvendo uns problemas. Pelo menos essa era a ideia original, no entanto isso logo mudou quando ela comentou por telefone com Leah quais eram os seus planos para aquele sábado, e não demorou muito para que Sue e Esme se oferecessem para acompanha-los naquele divertido passeio, prometendo levar todo tipo de guloseimas para fazerem um delicioso piquenique.
Desde que tinham chegado ao parque que Emmett não tinha conseguido ficar parado mais de alguns minutos, nem mesmo a enorme tolha estendida no gramado contendo muitas das suas comidas favoritas o tinha parado de brincar. A única pessoa que ainda conseguia fazê-lo tomar água e um pouco de hidratar suco foi Bella, que sempre estava preocupada com as necessidades do serelepe menino. Quem acompanha-se a interação deles, acreditaria que se tratava de mãe e filho, pois ela acompanhava atentamente as suas brincadeiras, e quando o pequeno garoto caia ela estava ao seu lado quase que imediatamente, mesmo que as risadas eram os únicos sons que Emmett fazia.
— Bella, olha eu! Olha o que eu sabo fazer, olha! – gritou Emmett para chamar a atenção da morena para o seu movimento, que era uma tentativa de fazer uma estrela, como a dos meninos mais velhos que brincavam perto dele, mas que tinha ficado mais parecido com uma cambalhota, mesmo assim ele recebeu muitas palmas como incentivo, o que o deixou mais do animado para tentar novamente.
— Nossa Emm, você é muito bom, quase um verdadeiro acrobata! – gritou Leah sem se importar com a grande quantidade de comida que tinha na boca, alisando sua linda barriga que agora já deixava evidente sua gravidez.
— Obigada! – agradeceu Emmett, mesmo sem saber o que significava ser um acrobata, antes de continuar a se divertir com seus pulos e giros engraçados.
— Cuidado Emm! – pediu Bella mais uma vez, e exatamente como aconteceu com todos os outros avisos esse foi imediatamente deixado de lado para que ele pudesse continuar com a sua brincadeira.
— Deixa o menino ser feliz Bella, olha como ele está lindo com aquelas bochechas gordinhas e vermelhas e todo suado – disse Leah pegando mais um pedaço de bolo – Nunca o viu se divertir tanto, no entanto estou preocupada com Will, o pobrezinho está morto, olha! – apontou para o cachorro que estava deitado e com a língua para fora, com um jeito de que estava para lá de ofegante, perto de Emmett que agora rolava literalmente pela grama.
— Leah tem razão Bella, não precisa sair correndo a cada vez que Emm tropeçar ou cair, minha querida, ele está apenas se divertindo ao testar seus limites, crianças são assim mesmo. – disse Esme rindo dos sobressaltos que ela dava a cada desequilíbrio do pequeno menino, o quê a fazia lembrar-se de quando a morena era criança e vivia cheia de machucados e hematomas, por ser tão desajeitada quanto ele.
— Isso mesmo, você e Leah podem ser adultas responsáveis agora, mas quando eram criança fizeram com que Esme, seus tios e eu ganhássemos muitos fios de cabelo branco pelas coisas que aprontavam na companhia de Jack, Alice e Seth. – acusou Sue rindo das caras indignadas que elas fizeram. – Nem precisa me olhar com essas caras, vocês podem até esquecido, mas nos com certeza lembraremos os sustos e das suas traquinagens pelo resto dos nossos dias.
— Mãe! A senhora sabe que eu sempre fui um anjo, não posso fazer nada se sempre fui uma criança ingênua e estive cercada de mais-influências. – disse Leah apontando para Bella, se defendendo da acusação, ganhando um olhar reprovador da amiga.
— Leah, minha filha, você é a prova que as meninas podem ser tão traquinas quanto os meninos, porque dos meus três filhos você com certeza foi a que me deu mais trabalho. – afirmou Sue, fazendo Esme e Bella gargalharem dela e sua linda cara irritada pela afirmação nada doce que sua mãe fazia sobre sua infância.
— Eu sei que você tem razão tia Sue, mas ainda é difícil para mim não me preocupar tanto com Emmett, afinal acompanho o caso dele desde primeiro dia que chegou ao hospital. Passei tanto tempo o vendo tão frágil, e tê-lo aqui tão saudável quanto nos tanto desejamos, ainda me parece irreal, agora tenho que tomar cuidado para não sufoca-lo com os meus cuidados em excesso, né. – explica Bella olhando para o doce menino ajoelhado na grama, enquanto tinha seus braços ao redor do pescoço do seu cachorro, que continuavam com o olhar cansado.
— Não precisa explicar minha querida, isso é o seu instinto materno gritando dentro de você, para nos mães, os filhos serão frágeis demais para enfrentar o mundo, o que nos faz querer estar ao lado deles, a cada momento, para que assim nos certificarmos que apenas coisas boas aconteçam com os nossos pequenos. – disse Esme recebendo um olhar confuso da morena por suas palavras, afinal era a primeira que ela tinha se referido a Bella como uma mãe. – Bella não é segredo para ninguém que já estive ao lado de vocês dois, que existe algo muito maior, você aquele pequeno e corajoso menino com uma verdadeira mãe.
— Bella desde que era pequena sempre demonstrou uma preocupação em ajudar o próximo que era natural, algo impressionante, principalmente você ainda sendo tão criança, e tendo passado por tanta amargura na vida. Durante anos acompanhei você naquele orfanato cuidando de todos que estavam ao seu redor, e fico feliz em afirmar que essa sua linda atitude só cresceu à medida que ficava mais velha. Por isso acho que você ter se tornado uma brilhante assistente social não é uma surpresa para ninguém, porque esse não é o seu trabalho é apenas uma extensão que quem você realmente é. – afirmou Sue orgulhosa, tocando com carinho as mãos de Bella, que tinha um rosto vermelho e olhos marejados pela emoção daquela declaração – Mas a maneira que você ama, protege, cuida de Emmett é algo que só uma mãe poderia fazer exatamente como Esme disse tão sabiamente.
— Não tem como negar isso, mesmo me forçando a lembrar que Emmett tem sua família, uma avó que o ama e faz tudo por ele. Sempre o amei como se tivesse saído de mim, como se ele sempre tivesse me pertencido. Você não tem ideia de quantas vezes já ensaiei uma conversa com dona Marie sobre a possibilidade de adota-lo. – confessou Bella com a voz embargada.
— E o quê está lhe impedindo Bella? – perguntou Leah.
— Não sei, sempre esteve em meus planos fazer isso quando Emmett saísse do hospital, pois não existiria nenhum vínculo profissional, o que poderia atrapalhar o processo de adoção – explicou Bella, tentando colocar em palavras a confusão que vinha sentindo – Mas agora eu tenho Edward e...
— E você tem medo de que ele não aceite Emmett na vida que vocês estão começando juntos, não pelo menos como filho de vocês. – Esme disse às palavras que Bella estava tão temerosa em pronunciar.
— É isso mesmo, e me sinto a pior das pessoas por ter pensamentos como esse. – disse Bella com a sua angustiada por falar sobre um assunto que a vem consumindo por tanto tempo, mas ao mesmo tempo era bom por para fora tudo aquilo – Ao mesmo tempo em que a entrada de Edward em minha vida mudou, e muito, meus planos, tenho coisas dentro de mim que são definitivas, uma delas é a vontade de ser a mãe de daquele doce menino. E por mais que eu tenha certeza do amor que Edward sente por mim e da sua vontade de construir um futuro ao meu lado, e que ele é louco pelo Emmett, não sei se assumir uma responsabilidade dessas está em seus planos. – Bella deixou lágrimas caírem por seus olhos assim que terminou de externar suas piores dúvidas e medos. – Nos nunca falamos seriamente sobre ter filhos, o que dirá adotar uma criança.
— Imagino o quanto deve estar sendo difícil para você amar aquele belo homem, ser correspondida da mesma forma, se sentir feliz por estar preste a casar com ele, realizando seus sonhos de mulher apaixonada, principalmente quando que o seu antigo sonho de ter Emmett com seu filho, parece se chocar contra tudo isso – disse Esme a reconfortando. – Mas ignorar essa situação por mais tempo não resolverá nada.
— Bella, olhe para mim. – pediu Sue, passando carinhosamente as mãos pelo seu rosto molhado, tentando enxuga-lo, mesmo que o seu estivesse da mesma forma – Você tem que resolver essa situação o mais rápido possível, pois dá para ver o quanto essa dúvida está lhe matando, para isso você precisa ter uma conversa sincera com Edward, e contar exatamente como se sente, para que juntos possam decidir como será o futuro de vocês.
— Tia Sue, nos vimos isso acontecer muitas vezes no orfanato, sempre havia pessoas que facilmente abriam suas carteiras para ajudar as crianças, mas somente poucos conseguiam amar alguém que não tem o seu sangue como um filho. O que eu faço se Edward disser que não conseguirá ver Emmett como seu filho? – perguntou Bella. – Como poderei ser capaz de escolher entre eles?
— Eu te digo o quê faremos. Se Edward se atrever a fazer uma merda dessas, nos chamamos os homens dessa família para chutar aquele traseiro gostoso e milionário dele, até que ele recupere o bom senso – afirmou Leah zangada, fazendo com aquelas quatro mulheres que tinham seus rostos molhados pela conversa emocional que estavam tendo, sorrissem um pouco da sua loucura.
— Deixando de lado as violentas ideias da minha filha, e voltando a falar sério, acredito que seus medos tem fundamento, principalmente por tudo o que você viu e viveu naquele orfanato, mas também acredito que Edward vem nos surpreendendo positivamente a cada dia, não custa continuar acreditando que ele é por dentre é tão bonito quanto é por fora, certo?
— Isso mesmo querida, estamos falando o mesmo homem que disse que casamento não fazia parte dos seus planos, e que agora depois de lhe pedir em casamento de uma maneira mais do que romântica...
— E cara!!! – disse Leah interrompendo o bonito discurso de Esme, novamente ganhado olhares reprovadores – O quê? Quantas mulheres vocês conhecem que foram levadas a umas das joalherias mais caras do mundo e que puderam escolher o que quisesse?
— Continuando... e que agora está tão envolvido e animado quanto Alice com os detalhes do casamento de vocês. Bella o importante agora é que ouça seu coração e sua mente, pense no que deseja e nas consequências que suas decisões trarão para sua vida, porque saber que está fazendo o certo mesmo que não seja o fácil, ajuda a enfrentar os percalços que a vida nos traz. – aconselhou Esme.
— Só tenho medo de tomar uma decisão, pois isso pode significar perder alguém que não é imprescindível para minha vida – afirmou Bella.
— Apesar das lindas palavras da tia Esme, ainda acho que um bom chute no traseiro fará com que Edward consiga enxergar mais claramente o melhor caminho a seguir. – lembrou Leah a sua brilhante sugestão.
— Senhor Jesus, nunca vi uma grávida ameaçar chutar tantos traseiros como você Leah, rezo todos os dias para que Deus faça que minha neta venha com o temperamento do pai, porque o mundo não conseguirá sobreviver a duas Leah Black – gracejou Sue, feliz por conseguir ver pelo menos um pequeno sorriso no rosto de Bella.
— Bella, você viu como eu e o Will bincando de Toy Story? – perguntou Emmett se jogando em cima da morena que o recebeu de braços aberto, interrompendo de vez o assunto. – Eu era o Woddy e o Will era o cavalo dele, Bala no Alvo, você viu?
— Vi, e sabe o que eu vi também? Que o senhor ainda não comeu nada do que as tias Sue e Esme trouxeram para o nosso piquenique, se você não se apressar a tia Leah vai comer tudo – disse Bella o sentando no seu colo, no intuito de conseguir fazê-lo descansar um pouco.
— Muito engraçado Bella, estou grávida, agora que sou mãe, preciso cuidar muito bem da minha bebezinha – disse Leah com um enorme bico, acariciando sua barriga.
— O quê tá gavida? – perguntou Emmett enquanto bebi o copo de suco de uva servido por Bella. O pequeno cowboy estava na fase das milhões de perguntas, agora tudo facilmente virava o seu interrogatório.
— Significa que dentro da barriga da tia Leah tem um bebê, e quando chegar o momento certo, nos vamos ganhar uma linda menina, com quem você poderá brincar muito, inclusive. – explicou dá melhor forma possível, mas pela cara confusa de Emmett ele não tinha entendido muita coisa.
— Ahhh tá! E o quê é uma mãe? – continuou Emmett o seu interrogatório, sem desconfiar o quanto sua inocente pergunta tinha mexido com as mulheres que o olhavam com os olhos marejados. Não era justo ou natural que uma criança tão pequena não soubesse o que era uma mãe, mas infelizmente essa era a realidade de Emmett e de muitas outras crianças no mundo.
— Mãe é uma pessoa que cuida da gente, dando comida, banho, colocando para dormir; ela também nos ensina sobre tudo; ela conta as melhores histórias e sempre tem ótimas brincadeiras; quando uma criança fica doente ela fica ali do seu lado para que ele melhore o mais rápido possível; e o mais importante elas tem os beijos e braços mais gostosos do mundo – explicou Bella embalando o pequeno menino que estava aconchegado em seu colo, quase dormindo, mas que ainda tinha mais algumas perguntas para fazer.
— E poquê elas fazem isso?
— Porque Emmett, toda mãe ama o seu filho, não existe nada mais importante para uma mãe do que a felicidade do seu filho. – afirmou Bella emocionada.
— As mães são legais, ningual a você né Bella. Poque as mães amam os filhos ningual você me ama, né? – disse Emm quase adormecido.
— Sim Emm, as mães amam seus filhos, igualzinho eu amo você. – afirmou Bella o apertando em seus braços, enquanto era observada por Esme, Sue e Leah, que choravam ao ver aquela linda cena.
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