Midas

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado a nandapandora, que me surpreendeu com uma linda recomendação. Muito obrigada

Capítulo 20

Edward despertou sonolento, sentindo falta do calor e a macieis corpo de Bella, no entanto quando rolou na cama a sua procura, encontrou somente o lugar vazio e a gelada temperatura dos lençóis denunciando que ela tinha se levando há algum tempo. Depois de se dar conta que tinha sido deixado sozinho na sua enorme cama, pela segunda noite consecutiva, Edward levantou-se vestindo sua calça de moletom confortável e saiu à busca de sua namorada fujona.

Desceu as escadas do seu luxuoso tríplex, procurando por algo que indicasse a presença dela pelos cômodos que passou, no entanto encontrou somente Will, dormindo em uma posição muito estranha, em sua enorme almofada em um canto da grande sala de estar. Quando ia seguir para cozinha, o balanço de longos cabelos castanhos chamou sua atenção. Ao se aproximar da porta de vidro que dava acesso a grande varanda de seu apartamento, encontrou sentada no confortável sofá que ficava ali, exatamente pessoa que procurava.

Edward ficou parado por alguns minutos observando Bella levar a boca uma caneca fumegante, enquanto usava uma grossa manta para se proteger do frio da madrugada de Manhattan, com um olhar perdido direcionado ao Central Park.

— O quê você faz acorda há essa hora no meio desse frio? – perguntou Edward chamando sua atenção ao se aproximar dela, sentando ao seu lado e envolvendo seu corpo em um abraço protetor debaixo da manta – Com que está acontecendo Bella? Há dois dias que você não vem se alimentando direito, sempre calada e com pensamentos distantes, além do fato de não estar conseguindo dormir, pois vi rolar na cama a noite toda.

— Desculpe-me por não deixa-lo dormir – disse Bella, lhe lançando um olhar culpado.

— Não estou reclamando, estou preocupado. – afirmou Edward, apertando ela mais em seus braços, como se pudesse escondê-la de toda aquela tristeza que estava estampada em seus lindos olhos – Bella, desde que Carlisle marcou a cirurgia de Emmett que você vem se isolando de todos, inclusive de mim. Sei que está com medo de todos os riscos que esse procedimento envolve, mas Carlisle deixou claro que eles estão tomando todos os cuidados possíveis para que aquele pequeno cowboy consiga passar bem por tudo isso, para finalmente poder sair daquele hospital e viver a vida que ele merece.

— Eu sei, e confio neles e em suas decisões, mas estou com muito medo. – confessou Bella escondendo seu rosto no peito quente do namorado, sentindo suas lágrimas correr por seu rosto. – Não pude evitar me envolver emocionalmente no caso do Emmett, desde que o vi pela primeira vez que eu amo aquele lindo menino, como se ele fosse meu. Quando Carlisle explicou sobre o seu tratamento, que sonho com o dia que Emmett aquele maldito tumor diminuísse para que eles pudessem operá-lo, mas agora que o momento chegou eu estou apavorada. Não posso perdê-lo Edward, eu simplesmente não aguentaria perdê-lo também.

— Ei, isso não vai acontecer, você está me ouvindo. Ouvimos de toda a equipe médica que Emmett pronto para a cirurgia, o que faz com que os prognósticos sejam os melhores, ele vai superar mais esse obstáculo como vem superando todos os outros, mas para isso ele precisa do apoio da sua força e confiança. – afirmou Edward segurando o seu rosto delicado, tendo enxugar as lágrimas da namorada que caiam sem parar – Não existe ninguém no mundo que seja mais forte, determinado e confiante do que você. Por favor, me diga o quê está acontecendo? Por que esse semblante tão triste, se você esperou tanto tempo por esse dia?

— Eu já estive nessa citação antes, vi essa maldita doença tirar de mim uma pessoa que eu amava tanto, por isso estou com muito medo de que a história se repita. – disse Bella olhando para o homem que segurava seu rosto com todo carinho, vendo estampado em seu rosto além de toda a preocupação por ela, uma clara confusão que aquela confissão trouxe. Bella respirou fundo e decidiu contar com Edward a parte da sua história que por ainda fazê-la sofrer tanto, era tão difícil compartilhar – Quando meus pais morreram, e me sentia tão sozinha, mesmo morando em um orfanato cheio de crianças, e tendo o apoio de Sue e as pessoas que trabalhavam lá, e que cuidavam de mim com tanto carinho. O problema era que infelizmente as crianças de lá não me receberam tão bem, o que é compreensível afinal eu era mais uma que disputaria a atenção dos casais que frequentavam o orfanato. Então tentando fugir dessa rejeição e me sentir menos só, passei a ocupar meus dias ajudando as tias do orfanato na cozinha e com outras tarefas, o quê fez com que meus dias melhorassem, mas aquela sensação de conforto não durava muito, pois elas tinham que voltar para suas casas, cuidar de suas próprias famílias, era nesse momento que eu voltava a ficar sozinha.

Edward ouvia com atenção o relato da infância solitária de Bella, lembrando-se da própria. Ele conhecia a sensação de acordar no meio da noite com medo de um sonho ruim ou sentindo alguma dor, e mesmo tendo a casa cheia de empregados e seus pais dormindo ali próximo, sabendo que não viria ninguém lhe consolar ou cuidar dele.

— Com o passar do tempo, passei a ajudar com na adaptação das crianças que chegavam ao orfanato, foi assim que conheci Bree, então tudo mudou para mim, porque nos duas encontramos uma na outra a cura de toda a rejeição e solidão das nossas vidas. Bree tinha sido adotada, mas o casal desistiu da sua adoção quando descobriram que ela tinha câncer. Ainda me lembro de ouvir Sue gritar poucas e boas para aquelas pessoas frívolas, nunca tinha vista ela tão zangada. Quando vi Sue chorar dizendo que não entendia aquele tipo de comportamento, que não entrava em sua cabeça como alguém poderia dar as costas a uma criança doente, que precisava de tanta ajuda e não tinha ninguém no mundo, fui até o quarto de Bree, e a encontrei encolhida na cama chorando. Ela era tão pequena e frágil e estava tão sozinha quanto eu, então me deitei ao seu lado e prometi a ela que tudo ficaria bem e que nos sempre estaríamos juntas. E a partir daquele momento nos tornamos inseparável, mesmo quando Bree tinha que ficar internada no hospital por conta do tratamento que fazia contra o câncer do tipo neuroblastoma, que era um tumor de células do sistema nervoso periféricos. Billy já trabalhava com Carlisle na época, a pedido de Sue, conversou com ele, assim que ouviu sobre o caso de Bree se dispôs imediatamente a ajudar. Apesar de todas as dificuldades financeiras ela teve acesso ao melhor tratamento possível, e mesmo que a doença estivesse em um estágio bem avançado eles conseguiram que o tumor regredisse um pouco. Aquela pequena e frágil menina foi a melhor pessoa que já conheci na vida, mesmo passando por tanta coisa difícil, nunca perdeu a esperança e nem a alegria, foi com ela que aprendi a ser forte e nunca desistir, tenho uma eterna divida de gratidão com ela. Bree me deu mais do que amor e amizade, ela me deu uma família, por conta do grande envolvimento de Carlisle no seu tratamento, nos conhecemos Esme e Alice, que passaram a ser presença constante no hospital e no orfanato. Meus dias solidão tinham ficado para traz, pois além dela agora eu tinha os Cullen e os Black em minha vida, passei de órfã a irmã, amiga, sobrinha e até filha. Por causa de todos eles tive as melhores experiências que uma criança poderia ter, fomos à praia, ao cinema, ao circo, ao parque, festas de pijamas e comemoramos muitos aniversários. Quando estávamos juntas era como se aquela maldita doença desaparecesse, mas infelizmente Bree piorou, ela teve que ser internada no hospital e dessa fez ficou lá por muito tempo, se transformando em sua casa. Ela recebeu a visita e o apoio de todos, Billy e Carlisle passavam lá antes de começar e terminar seus turnos; Sue e Esme se revezavam, para que ela sempre uma delas ao seu lado; perdi as contas de quantas confusões Jake, Alice, Bree e eu, nos metemos por contas das nossas brincadeiras dentro daquele hospital. Todos os dias depois da escola, eu ia para lá, nos conversávamos durante horas sobre tudo, trazia notícias de todos do orfanato, assistíamos filmes e brincávamos quando ela não estava muito cansada. No entanto Bree começou a ficar mais cansada todos os dias, passando a maior parte do tempo dormindo, apesar de ser apenas uma criança, sentia que as coisas não estavam tão bem como os adultos insistiam em afirmar. Em uma tarde em que Bree estava se sentindo melhor, nos conversamos durante horas, e me disse tudo o que queria fazer quando saísse do hospital. Minha melhor amiga queria que seu quarto fosse bem colorido e alegre, queria uma festa de aniversário com muitos doces e um bolo bem grande, queria estudar para cuidar de todas as crianças doentes como ela, mas Bree não conseguiu realizar nada disso porque morrendo durante aquela noite. Ver Emmett passar por tudo isso, é como estar revivendo todo aquele sofrimento novamente, ele é tão pequeno, inteligente, cheio de vida, e saber que existe a maldita chance perdê-lo também, me deixa apavorada.

As últimas palavras do relato de Bella foram sussurradas, era como se elas a machucassem, causando-lhe uma dor absurda. Agora Edward conseguia entender o porquê de toda empatia, amor e dedicação daquela linda mulher com aquelas famílias que sofriam e tinham suas vidas modificadas pelo câncer; entendeu da onde veio à ideia de cada pedacinho da ala infantil que ela tinha lutado tanto para conseguir realizar, sua Bella queria evitar que outras crianças tivessem o meu destino de Bree.

Apesar de Edward conhecer a maior daquela história, ficou chocado com a quantidade de dor que Bella tinha enfrentado em sua vida. Analisando cada palavra dita naquela noite fria por ela, Edward conseguiu perceber que diferente dele Bella conseguiu transformar toda aquela dor, perda e dificuldade em suas vitórias importantes que mudou a vida de muitas pessoas para melhor e nas muitas qualidades que ele tanto amava e admirava nela.

Ele, Edward Masen, o Midas do mundo dos negócios, o homem arrogante e frio, que nunca tinha derramado uma lágrima sequer, nem mesmo no enterro dos seus próprios pais, estava chorado ao olhar para a forte mulher em seus braços, que hoje mais parecia uma criança assuntada. Edward desejou que Bella nunca mais tivesse que sentir nada menos do que felicidade, ele trocaria toda a sua fortuna e poder, sem pensar duas vezes, pela felicidade eterna da mulher da sua vida.

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Edward a tinha deixado chorar por muito tempo em seus braços, até que finalmente o cansaço lhe venceu e Bella conseguiu dormir algumas horas, rezou para que esse tempo tivesse sido o suficiente para acalma-la um pouco, mas vendo como a linda mulher calada ao seu lado, mordia seus lábios vermelhos, e como seus dedos se retorciam, sinais claros do seu nervosismo, entendeu que não tinha obtido muito sucesso.

Bella estava sentada ao lado de Edward, enquanto ele dirigia para do hospital. A música suave que preenchia o silêncio do ambiente, algo incomum, porque entre eles sempre existiam assuntos intermináveis. No entanto aquela era uma situação atípica, pois hoje aconteceria a cirurgia de Emmett. Mesmo Bella tentando lutar contrata, seus pensamentos negativos e as lembranças sofridas; usando o apoio e todo carinho que Edward estava lhe dando, parecia ser uma missão quase impossível, depois de falar sobre seu passado, revivendo aqueles momentos difíceis o nervosismo e o medo de que tudo voltasse a acontecer, tinham tomado conta dela.

O casal chegou ao hospital, seguindo de mãos dadas e ainda em silêncio o caminho que levava ao quarto do pequeno cowboy. Edward sentia quanto gelada e suada estava à mão de Bella, ele já estava dividido entre proteger de tudo e todos, a mulher que amava com loucura, ou fazer a coisa certa. Se deixasse seu extinto protetor falar mais alto, Edward levaria Bella para longe, onde tudo seria perfeito, bonito e fácil, um lugar onde não houvesse dor ou perdas, mas o que o impedia era saber que dentro daquele quarto existia um menino que precisava desesperadamente da presença dela para conseguir vencer mais esse desafio.

— Bella, nunca conheci uma pessoa mais forte, segura e determinada do que você, essas são só algumas das suas qualidades que me fez amá-la. Emmett e dona Marie só conseguiram chegar até aqui porque você os fez acreditar Bella, todos os dias, que tudo daria certo, vejo o quanto de esperança você dá as pessoas a sua volta. Então, por favor, não esmoreça agora, pois todos nós precisamos dessa sua força. – sussurrou Edward, em seu ouvido, ao abraça-la antes de entrarem no quarto. – Eu amo você, por favor, não tenha medo, você não está e nunca mais estará sozinha no mundo.

Notas finais
Oi lindinhas... Primeiro queria agradecer a todos os comentários do último capítulo, me diverti muito com as reações de vcs. Sei que sou repetitiva, mas é impossível não afirmar que é por conta dessa participação de vocês que continuo escrevendo. Sobre esse capítulo, acredito que vcs não devam ter gostado, e confesso que foi difícil de escrever, mas para mim era necessário, porque ele trouxe a história de Bella, do ponto de vista dela. Espero que continuem comentando Bjosss