Meus Últimos Dias
3 De volta em casa
Notas iniciais
Eu estava deitada em um tipo de esteira. O Dr. Leagher havia dito pra eu ficar bem quieta. A esteira começou a se mover indo em direção a um túnel de metal. Haviam algumas telas ao lado do túnel onde um outro médico mexia em alguns botões, configurando a máquina. Quando a esteira me levou pra dentro túnel, luzes florescentes se acenderam ao meu redor, simultaneamente, e eu fechei os olhos com força para evitar a claridade forte.
Por um bom tempo ouvi apenas um zumbido produzido pela própria máquina e a voz distante dos médicos falando em termos técnicos que eu não conseguia entender. Tentei esquecer o que acontecia ao meu redor e me manter calma. Enfim o zumbido parou e vi através das pálpebras, as luzes se apagarem. Abri os olhos. A esteira se moveu novamente me tirando de dentro do túnel. Um médico presente na sala me ajudou a descer da esteira enquanto o Dr. Leagher observava as telas.
— Esse foi o último, Chloe – disse se voltando pra mim. — Vá se trocar, Marta já tem a sua alta.
— Dr. Noel – chamei, antes que ele saísse da sala. Eu estava assustada, todos aqueles exames pareciam sérios demais. — O senhor acha que eu tenho alguma coisa grave, não é?
Ele me olhou com um brilho amigável nos olhos castanhos. Tinha uma expressão triste mas receptiva. Tive a impressão que ele não tinha suspeitas agradáveis sobre o que eu tinha.
— Não se preocupe, Chloe, seja otimista – tentou me acalmar. — Você vai ficar bem.
Fui para o quarto em que estava anteriormente e troquei a bata branca que tive que usar para fazer os exames, pela roupa que tinha usado na escola. Mamãe logo entrou no quarto. Ela estava silenciosa, talvez Noel tivesse dito a ela algo que não disse a mim. Tentei afastar esse pensamento, não adiantava de nada ficar imaginando coisas, nem me preocupando com algo que não podia saber.
Peguei minha bolsa e segui mamãe pra fora do hospital. Tudo que eu queria era esquecer o que tinha acontecido ali.
…
Quando cheguei em casa decidi ir até a casa de Amber. Mamãe já havia ligado pra ela pra avisar que eu estava bem, mas eu queria ir lá para me distrair um pouco. A possibilidade de eu ter alguma doença estava corroendo meus pensamentos, não conseguia tirar isso da cabeça.
Os resultados dos exames só estariam prontos em uma semana, e eu precisava parar de pensar nisso, não podia pirar agora.
Depois que tomei banho e vesti uma roupa mais confortável fui avisar mamãe que iria até Amber. Ela estava na cozinha, já preparando o jantar.
— Mãe? — chamei. Ela virou em minha direção, parecia um pouco distraída. — Eu vou até a casa de Amber.
— Mas, querida, você precisa descansar um pouco, o Dr. Leagher disse que você precisa ficar em repouso...
— Eu já dormi no hospital e não estou cansada. Preciso falar com a Amber – expliquei.
— Certo — disse ela. — Mas tenha cuidado, não se canse muito, ok?
— Prometo – falei. — Mãe, você contou o que aconteceu pro pai?
— Claro, Chloe. Ele ficou muito preocupado, mas não tinha como sair do trabalho. Você sabe.
— Certo. Eu já vou – falei, e segui em direção a porta de saída.
Claro que eu queria que papai estivesse lá. Eu sabia que meu pai me amava e fazia de tudo pra passar o maior tempo possível comigo, mas ele levava o trabalho muito a sério e tentava dar o máximo de si em tudo que fazia. Disso eu não podia reclamar, afinal tudo que tínhamos provinha do empenho do meu pai no trabalho.
Segui pela rua em direção a casa de Amber. Ela morava na mesma rua que eu, apenas dois quarteirões a direita. Em menos de cinco minutos cheguei a grande casa dos Phillip. Alex estava em frente a casa, ele parecia estar concertando alguma coisa no carro e... quase desmaiei de novo! Ele estava sem camisa!
Me aproximei e quando ele me viu veio correndo em minha direção.
— Chloe! — disse ele surpreso.
Alex me abraçou forte, me levantando alguns centímetros do chão. Então ele me colocou no chão e pegou na minha mão.
— Que bom que você está bem, eu estava tão preocupado!
Eu o encarava, sem saber o que dizer. Ver Alex daquele jeito, meio que me distraía bastante! Parecia que meu cérebro tinha virado sorvete.
— Chloe! — Amber vinha correndo em minha direção. Ela também me abraçou calorosamente. — Como você está se sentindo?

— Ahh... Eu estou bem agora – falei, finalmente conseguindo pensar.
— Sinto muito, foi tudo culpa minha... — disse cabisbaixa.
— O quê? Não, não pense nem por um segundo que foi sua culpa, Amber. Era um trabalho em dupla, alguém tinha que fazer aquilo – tranquilizei-a. — Além do mais, eu estou bem!
Ela me abraçou novamente.
— Vamos lá pra cima — disse ela, e eu a segui em direção à entrada.
— Você ainda vai poder ir comigo amanhã? — perguntou Alex, e nem se eu quisesse conseguiria dizer não pra aqueles olhos.
— Não perderia por nada!
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