Meus Pesadelos

1 Pesadelos as vezes podem ser reais.


Estava no meu bairro favorito a Liberdade, parecia um dia normal, me senti convidada a entrar na igreja dos enforcados, aquela próxima a estação, não sei se por sugestão ao nome, quando entrei pude ver a igreja cheia, algumas pessoas estranhas vestiam uma roupa preta pesada que não definia sua silhueta, suas cabeças brancas, raspadas, a pele diferente como se fossem velhas, as orelhas levemente pontudas nas pontas, seus olhos pareciam de bichos com uma certa loucura no olhar, traziam um sorriso exagerado onde podia se ver seus dentes sujos e afiados como presas, suas mãos unidas em um aperto próximo ao peito como quem faz uma oração, olhavam atentos para o púlpito a frente, ao seus lados pessoas que pareciam normais, vestiam trapos velhos, eram de vários tipos e origens, os que eu pude notar com maior precisão foi um homem negro, uma ruiva de cabelos esvoaçantes mais a frente, a minha esquerda uma oriental de cabeça baixa e pouco a frente uma criança de cabelos loiros, tinham expressões vazias traziam em volta de seus pescoços, cordas com nó que iam de seu pescoço até o teto, passando por um pequeno mecanismo em volta do desenho de cristo sendo crucificado sobre o teto indo para os braços do homem ao púlpito, ele que por sua vez parecia maior dos que estavam sentado suas vestes de frente eram brancas, limpas com alguns bordados e adornos dourados tinha em si um semblante que tentava transmitir paz e seriedade, ele falava palavras que eu não podia entender seus lábios se mexiam de forma lenta segurando um grande livro velho, onde a cada virar de pagina pelos seus braços pude ver que a corda se mexia e puxava aos que estavam sentados com as cordas sobre o pescoço.

Ele não olhava para igreja, seu olhar era vazio, atrás de si uma pessoa coberta por um véu preto deixando a vista apenas parte dos olhos que olhavam diretamente para mim mas era como se não me visse ali, e seus lábios que se mexiam de forma constante, sussurrando aos ombros do homem ao púlpito suas mãos encostavam ao homem a frente, suas mãos o sujavam um liquido viscoso preto escorria, se espalhando por suas vestes tornando ela negra aos poucos lentamente.

Atrás deles uma grande cruz apoiada sobre as paredes com pequeno corpo, uma garotinha crucificada, não podia reconhecer seu rosto, tinha o mesmo abaixado, com os cabelos o cobrindo junto com o sangue que escorria de sua cabeça pela coroa de espinhos que usava, suas mãos presas aos pregos como Jesus, faziam com que gotas de sangue caiam sobre o chão da igreja, tentei me aproximar sentia um peso sobre meu corpo como quem me puxasse para fora conforme tentava me aproximar, um cheiro pesado de vela e sangue dificultava a passagem de ar pelos meus pulmões. Caminhei mais um pouco me aproximando ao máximo do homem ao púlpito tentando chegar até a criança sobre a cruz, pude olhar para traz a igreja estava completamente cheia seu chão estava vermelho pelo sangue que estava espalhado por todo o salão, insistir em chegar até a pequena garotinha que continuava de cabeça baixa sobre a cruz, tentei tocar seus pés, quando uma gargalhada se espalhou pela igreja toda, ecoando sobre minha cabeça, uma gargalhada estridente, barulhenta, fazendo com que aquelas coisas sentadas se agitassem, mexendo seus corpos em um movimento repetitivo curvando seu corpo para frente e para traz, aumentando seu sorriso e aumentando ainda mais os olhos, urros saiam de suas bocas transformando aquilo em algo ainda mais assustador, tentei mais uma vez tocar a criança crucificada que por sua vez levou seus olhos até mim, e então pude ver seu rosto, era parecido com o meu, os mesmos olhos, a mesma expressão, porem um vazio nítido, o olhar opaco com pequenos filetes de sangue descendo sobre o rosto mas ainda pude reconhecer que era o mesmo que o meu, era como ver uma visão distorcida de mim mesma.

Um súbito medo começou a me preencher, soltei seus pés do primeiro prego quando pude ouvir seu urro de dor, tentei me pendurar um pouco mais para alcançar os braços, enquanto ela urrava de dor agitando a igreja inteira, quando já estava próxima de um dos braços senti uma fisgada prender meu pé, uma lança vindo do vulto negro que tentava me puxar de volta ao chão, insisti em continuar subindo para libertar a garotinha presa que gritava de dor.

Continuei subindo quando senti uma segunda fisgada pela lança machucando feio meu pé me fazendo escorregar e sentir suas mãos tocarem meus tornozelo suas mãos queimavam minha pele com fúria, senti uma dor consumir soltando um grito ainda maior do que os barulhos feitos aos presentes na igreja, me segurei novamente em uma parte lateral da cruz para continuar a subir tentando me soltar das mãos do vulto negro abaixo de mim, quando consegui me soltar chegando ao braço esquerdo da pequena criança puxei o segundo prego de sua mão liberando a o que a fez gritar ainda mais, pude ver o buraco vazado sobre a mão esquerda coberta de sangue, tentei pegar seu rosto para que me escutasse, mas não saia nenhuma voz, aos poucos seus gritos de dor foram silenciando o que parecia acalmar toda a igreja, sua cabeça se virou para mim, pude olhar diretamente em seus olhos um sorriso se formou devagar, ela fez um sinal para que me aproximasse, então senti sua mão úmida pelo sangue desenhar o sinal de uma cruz sobre minha testa em seguida deslizando até a nuca para me puxar para mais perto, senti seus pequenos lábios tocarem minha testa, o que causava um contraste pelo frio de sua pele, então senti o empurrão me fazendo cair de onde estava pendurada para salva-la, senti a queda amortecida, mas não tocava ao chão, sentia meu corpo balançar flutuando sobre a igreja, sentia meu pescoço apertar de forma esmagadora, o ar já não entrava mais, não conseguia me soltar, o meu corpo já estava desistindo quando pude ver os outros corpos que antes estavam nos bancos agora estavam flutuando ao meu lado, em um leve balançar doce, senti meus olhos pesarem, a falta do ar parecia não incomodar mais, pude ver uma última vez a garotinha voltando ao seu lugar, presa aos pregos na cruz, vi seu olhar uma última vez que parecia sorrir para mim, e então me deixei fechar os olhos, deixando a escuridão me acompanhar, abri meus olhos e me vi sentada dentre os bancos da igreja, uma corda grossa em volta do meu pescoço subindo indo em direção ao teto como havia visto antes, pude ver que tudo estava assim como quando cheguei, e então olhei ao meu lado pude ver um deles sorrir para mim com seus dentes afiados, tocando minha mão para que as unisse junto ao peito como a que ele fazia, quando senti uma lagrima escorrer, eu abri os olhos, e pude ver que não passava de um pesadelo.

Notas finais
espero que gostem comentem enfim sejam felizes =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.