Meu verdadeiro Mundo

3 Capítulo 2: Pior não fica


Notas iniciais
Olá leitores :3 Mias um capítulo fresquinho para vocês ou não, na verdade estão todos prontos para serem postados e estou com um "medinho" de postar todos de uma vez e ainda assim ficar sem vocês. :( Boa leitura rebeldes!

Capítulo 2: Pior não fica

Entramos e cada uma foi para um dos blocos designados para as provas, eu fiquei no primeiro, subi as escadas verdes e amarelas, passei a mão pelo corrimão de concreto com medo de pegar no de ferro que descascava a tinta verde e deixava à mostra a ferrugem, não queria sujar as mãos (pelo menos não antes das provas, acho que deu para notar que “sou” a pessoa mais limpinha do mundo), joguei minha mochila na primeira carteira que vi, (como sou supernormal), mudei de lugar antes de começar as provas, mas fiquei sentada com uma mesa que impõe o terror na sala, ela tinha os pés curvados para o lado de fora e alguém sempre tropeçava neles e era motivo de riso. Durante o período da manhã, os terceiros anos ficavam no primeiro bloco e os segundos anos ficavam no segundo e terceiro bloco. Minha sorte é 100% gente boa comigo, talvez o karma de uma vida passada e o azar de todo ser humano se entrelaçassem com o meu destino, mas a turma continuava a mesma do primeiro ano com a adição de umas “maçãs podres”, éramos a última turma da escola, não só em comportamento, somos uns pestinhas, mas no terceiro bloco era pior.

Matemática, sociologia e educação física, ótimo. Abri minha bolsinha cinza com zíper vermelho, peguei a minha lapiseira que não valia nada com a bundinha frouxa, uma caneta e borracha. (Você consegue, hein!). Depois de quase uma hora, eu já havia terminado. Fiquei com medo de olhar a prova de matemática e tentar fazer de novo aquilo que eu não sabia. Ele ensinou sobre seno, cosseno e tangente, do nada ele vem com “Um avião faz uma curva de 30°, qual sua velocidade?”, (que vá para o inferno essa droga de avião), consegui fazer as quatro primeiras questões, já em sociologia eu tinha quase certeza de que iria conseguir algo bom, tinha lido e relido as explicações emboladas no meu caderno sobre o que era política e como se organizava o estado e educação física era sobre Handebol, (Perfeito!) Tirei 3 em matemática, 5 em sociologia e 7 em educação física. As provas valem 8 pontos no primeiro bimestre, ao menos foi bem, posso até tomar sorvete e celebrar (exceto por matemática, pois nunca me dei bem com números, foi melhor do que da última vez).

Não quis conversar depois que acabei a prova, sabendo que Thaís a ex representante de turma já tinha acabado, assim como o gorducho e ordinário Moisés do outro lado da sala e o Phellipe o bonitão funkeiro sentado atrás dele, me encolhi na cadeira pensando se terminaria de ler o livro ou escutaria música com meus fones furtados de um cara no posto de saúde (eu conto essa história depois, talvez, se eu lembrar). Com a voz baixa tentei chamar o professor, e saiu como um sussurro rouco.

— Posso ler? – arqueei minhas sobrancelhas, gesticulando com as mãos, mas ele veio caminhando do fundo da sala até mim, parou diante da minha mesa e ajeitou os óculos sobre o nariz, minhas bochechas arderam com a atenção, se abaixou e eu repeti. – Posso ler? – ele sorriu e disse que sim, me entregou a lista de chamada. Olhei para ele e depois para o papel já assinado (Depois de um tempo ele deve ter percebido que minha burrice era fato).

— Entregue aqui ao lado, por favor. – levantei-me e sorri sem graça, respirei fundo quando sai da sala. Sinceramente a pressão da prova tinha me deixado bem dolorida, meus ombros estavam tensos e os braços gelados, mesmo com as blusas meus dedos pareciam estar congelados. Joguei os cabelos por cima dos ombros e sai andando pelo corredor, ao invés de parar na sala ao lado como o homem havia pedido, fui até a sala da supervisão que era depois daquela onde a outra metade da minha turma estava, esperando ansiosos pela lista de chamada para darem no pé.

— Onde eu levo... essa lista? – perguntei a uma senhora que estava abaixada pegando papeis no chão. Ela me olhou e depois abaixou o rosto para os papeis na sua mão. – A lista de chamada. – pensei, era do lado, mas ele não falou que era a supervisão, então era mesmo a sala ao lado. (Cacete!) – Deixa para lá. – abanei com a mão e sai da sala, a tempo de escutar ela falando, “ali do lado”. (Como eu sou anta!?) O professor estava na porta, me esperando com as mãos estendidas, olhei para dentro da sala e vi Josué, um garoto com olhos grandes e cílios longos, lembrava o Stuart Little. Ele definitivamente ainda era meu tipo (um tipo muiiiito melhorado), mais alto do que eu (os altos sempre me atraem, fica a dica), musculoso e bem cuidado, com uma voz que fazia qualquer uma derreter por dentro com um simples “Bom dia”.

Voltei para a minha sala, desta vez trocando olhares cumplices com Thaís que estava preparada para começar a falar da prova, mas quem disse a primeira coisa foi eu.

— Só consegui fazer quatro questões de matemática. – ela abriu a boca em um “O” e sorriu com o aparelho móvel em seus dentes certinhos.

— Eu também. – foi minha vez de ficar surpresa, logo tivemos que nos calar. Fiquei sem saber o que fazer, olhei para fora pela porta, não havia nada de interessante e fiquei olhando as folhas se agitarem nas arvores e o mato alto e verdejante do terreno fedido.

— Posso? – o professor apontava para minha prova, assenti e ele destacou só o gabarito, meu peito se apertou e eu queria dar uma conferida, mas já era tarde. Depois de quase metade da sala sem seus gabaritos fui para a parte de trás da minha fila e me sentei com Arthur na cadeira dele, me escorando em seus ombros.

— Como você foi? – perguntei, já sabendo a resposta. “Eu me fodi”.

— Eu me fodi. – previsível, sorri e olhei para Victória atrás de nós e ao lado dela, na outra fila, estava Matheus, escorado rebeldemente na parede, com uma das pernas dobradas na cadeira, olhando para a turma que começava a se agitar. Victória comparava nossas provas, tentando ver se tinha tirado o mesmo que eu ou se ela tinha acertado algumas a mais. Eu estava sentada na beira da cadeira, com 1/3 da minha bunda ocupando espaço, estava começando a doer.

— A de matemática foi linda, não consegui fazer muitas questões, e você, Vi? – olhei para ela, que colocava as mechas da sua franja curta atrás da orelha, ou pelo menos tentava. Ela sorriu para mim com os olhos doces e gentis, cor de mel.

— Acho que não fui tão mal, eu acho. – senti a preocupação profunda em sua voz, segurei sua mão sobre a minha prova e depois a soltei suspirando. Arthur segurou a minha e tomei um susto, mas não demonstrei. Qualquer movimento brusco e ele poderia soltar minha mão que parecia pequenina junto a dele e eu não sentiria mais seu calor.

— Que mão gelada. – ele falou esfregou a sua na minha, eu dei uma risadinha e me remexi desconfortável.

— Minha bunda está doendo. – levantei-me e Victória também o fez, caminhou até a mesa do lado e foi falar com Thaís e outra garota que discutiam sobre quais contas eram as certas.

— Senta aqui. – dando um sorrisinho malicioso ele apontou para o seu colo. – Tem que ser com cuidado para não machucar o garotão. – dei uma gargalhada que parecia histérica e neguei com a cabeça, sentando no lugar da Victória, mas logo levantando, parecia estar ainda mais frio longe dele.

— Se ajeita ai, moço. Quero sentar com você. Anda, coloca as pernas para dentro. – dei batidinhas no seu joelho e ele fez careta e me obedeceu (bom menino!). Me sentei junto com ele, com 2/3 da minha bunda na cadeira, ele não pareceu se importar. – Estou com frio. – olhei para ele de soslaio, pensei que fosse me abraçar pelos ombros. O que fez foi totalmente novo, levantou meus braços e envolveu meu tronco com os seus, senti como se o ar fosse sugado de meus pulmões e não consegui esconder minhas emoções ou sentimentos, seja o que for, que estava brotando em mim.

— Ainda está com frio? – a voz dele pareceu estar tão perto, tão firme, que quando respondi, quis rir de mim mesma.

— Não. – a voz saiu fina e percebi que tinha prendido a respiração, seus braços me deixaram, voltei a sentir com frio, apoiei minha cabeça em seus ombros, escorregando um pouco da cadeira e esticando minhas pernas. – Senti sua falta. – falei baixinho, talvez ele tenha escutado ou não, não fazia diferença. Ele foi roubado de mim e não demorou muito, tivemos que sair da sala, ele ia para a biblioteca e eu também. Esperamos por Nádia perto dos enormes degraus amarelos que pareciam ser uma arquibancada com uma arvore com o tronco grosso e descascado no último degrau, acima da arquibancada havia um enorme retângulo com grama, cercado por arbustos recém cortados. Subimos as escadas vizinhas aos degraus amarelos, dessa vez eu passei a mão sobre o corrimão e fomos para a última sala, meu peito se apertou quando vi Arthur ir para trás da única prateleira que proibia a visão das câmeras da escola, impedia que eu visse qualquer coisa que os pombinhos fizessem. Foi então que o ouvi dizer “Oi, Amanda. Oi...” Tinha outra pessoa com a Amanda dele, uma amiga dela. Que seja. Fiquei nervosa subitamente e me sentei em uma das cadeiras que mais pareciam uma espreguiçadeira.

Notas finais
E ai o que acharam? A Mia é realmente uma peça, mas eu não duvido que vocês (meninos ou meninas) já tenham passado por momentos parecidos ou passam, onde o CRUSH já está com outra, ou não conhece você ou é seu amigo. Tempos difíceis meu amores.