Meu querido general

1 Capítulo único (Oneshot)


Notas iniciais
Eu não sou boa pra escrever oneshots. Elas sempre acabam sendo muito longas ou confusas, mas eu escrevi com carinho, então espero que agrade vocês ♥ É um casal que eu amo muito, e espero que gostem também! Qualquer erro de português ou qualquer coisa que tenha passado, pode me falar por mensagem que eu arrumo na hora! Boa leitura, espero que gostem!

Demacia e Noxus eram facções distintas que, por lutarem por diferentes ideais, cruzaram-se em campo de batalha, criando uma rivalidade sem igual. As terras à leste de Demacia tornaram-se um eterno campo de batalha, um local que ambos os exércitos buscavam dominar. Demacia lutava por seus ideais, para manter justiça e a paz, embora não se possa manter a paz sem guerra. Noxus? Não... Noxus não lutava por besteiras como a paz ou a justiça. A facção noxiana lutava para saciar a sua necessidade de demonstrar poder. Queriam dominar todas as terras existentes até que não sobrasse um único reino que ousasse impor-se à Noxus, e não teriam piedade com aqueles que cruzassem seu caminho.

— General, todos os preparativos estão prontos. Deveríamos partir?

— Agrupe as tropas e ordene que todos se dirijam ao acampamento. Eu já tenho um novo destino em mente. – Retrucou, sorrindo com malícia.

— Sim, senhor. – O soldado retirou-se rapidamente após reverenciar seu general.

“A mão de Noxus”. Era este o título atribuído à um dos pilares do poder Noxiano, Darius. Um homem frio e desinteressado, incapaz de demonstrar piedade em campo de batalha e sempre fazendo o necessário para que Noxus triunfasse sobre todos os que cruzassem seu caminho. Recusava-se a seguir ordens, embora acatasse opiniões de seu velho amigo Swain, um homem que jamais media palavras ou ações para impor suas ideias, e que com isso, conquistou certo respeito de Darius, além de também ser um dos três pilares do poder noxiano.

Darius, em sua infância, era um garoto órfão que vagava pelas fronteiras na companhia de seu irmão Draven e de sua colega Quilletta. Fora recrutado pelo exército noxiano ainda jovem, por Cyrus, graças à uma das travessuras de seu irmão, que tentou matá-lo. Pensavam que tudo estava acabado para eles, porém Cyrus enxergou potencial naquelas crianças, e pensou consigo mesmo que talvez seriam eles que extrairiam todo o potencial que Noxus possuía, trazendo assim, glória. Suas preces foram ouvidas quando Darius, alguns anos depois, tomou o lugar do antigo general ao assassiná-lo após perceber uma certa covardia em suas ordens, tomando seu lugar.

“Determinação, astúcia, visão... Os três pilares da força, eu os aprendi com você.”

— O quê? – Darius bateu a mão na mesa, ofegante. Teria vagado por alguns momentos e aqueles pensamentos o invadiram, atormentando-o.

— Há algo de errado? – Um dos soldados intervém.

Darius olha ao seu redor, percebendo a situação. Estava no acampamento explicando a estratégia do dia seguinte, e sem perceber, permitiu-se ser invadido por fantasmas de seu passado. Deu um longo suspiro e abriu novamente o mapa que já estava enrolado em suas mãos, colocando-o acima da mesa.

— Não é nada. Prestem atenção, nós vamos invadir essas fronteiras antes que descubram sobre o acampamento. – Conseguiu manter sua postura e terminar o seu último trabalho do dia sem mais problemas.

Ver tanto sangue derramado não deveria ser mais um problema para ele, embora em sua mente, soubesse que não era o sangue que o incomodava, e sim a data. Pensou consigo mesmo que deveria manter-se firme apesar de tudo, pois era isso que significava servir à Noxus. Um homem fraco não é capaz de lutar pela bandeira noxiana, e Darius tinha a certeza absoluta de que não era um homem fraco, e jamais seria.

Naquela noite, sentindo-se incapaz de dormir sem ser atormentado por seus fantasmas do passado, decidiu ficar de guarda. Vagou durante toda a noite ao redor do acampamento, sem deixar que nada escapasse de seu campo de visão, inclusive chegou a golpear o ar duas ou três vezes graças ao barulho das asas dos pássaros e alguns animais silvestres que escondiam-se entre as árvores.

— Você enlouqueceu de vez. Bom, eu sempre sabia que um dia a ficha de que você não nasceu tão bonito quanto eu ia cair. – A voz de seu irmão Draven o surpreendeu, fazendo-o levantar a guarda e apontar-lhe seu machado. – Opa, calma aí.

Darius recuou o machado, retrucando o irmão com uma cara de desgosto. Estava sem paciência para suas gracinhas hoje.

— O que você quer? Não deveria estar dormindo ou preparando as suas tropas para a missão de amanhã?

— Você quer beber? – Draven ignorou a questão, levantando duas canecas cheias.

O general franziu o cenho e continuou a caminhar, deixando as tolices de seu irmão de lado.

— Espera aí, espera aí. – Draven o alcançou, parando-o ao colocar uma mão em seu ombro esquerdo. Ele então abaixou as canecas e continuou, cabisbaixo. – Eu pensei que sei lá... Talvez, assim como eu, você também não conseguisse dormir hoje.

Após pensar por alguns segundos, Darius finalmente sorriu de canto e aceitou a proposta de ter o irmão como companhia, apesar de realmente não poder aceitar a bebida, visto que deveria estar em sua melhor condição possível para amanhã. Conversaram por algumas horas até que finalmente chegasse o soldado que cobriria o próximo turno, tomando a posição de Darius, que se dirigiu até a barraca principal do acampamento, na companhia de Draven.

— Não se esqueça de organizar seu exército de acordo com a estratégia. Acordamos em quatro horas.

— Você não muda nunca... – Draven sorriu. – Tudo bem, então. Boa noite.

Darius deitou-se em seu saco de dormir após retirar todas as suas armaduras e colocar o seu machado de lado, porém, como sempre, era incapaz de dormir sem manter sua guarda alta. Mesmo adormecido estava sempre atento à tudo o que ocorria ao seu redor. Sua mente queria negar, porém sabia em seu coração que a conversa que teve com seu irmão o auxiliou a finalmente conseguir descansar. Pela manhã, acordou com o canto dos pássaros ao redor do acampamento, e apesar de ainda ser muito cedo para colocar o plano em funcionamento, estava renovado e pronto para a batalha após vestir sua armadura.

— Bom dia, general. Os preparativos estão prontos, como requisitado.

— Ainda é cedo. Devemos aguardar até o momento marcado para começar a invasão. – Ele retruca, recebendo um aceno afirmativo em retorno.

A invasão se inicia assim que é chegada a hora. O exército noxiano marcha sobre as terras ao leste de Demacia, aniquilando sem piedade todo e qualquer soldado inimigo.

— Tá fácil demais. – Draven sorria enquanto esquartejava os inimigos com seus machados giratórios, como em um show de malabarismo mórbido.

Darius permanecia pensativo. Apesar de Draven sempre debochar durante a batalha, aquelas palavras agora realmente faziam sentido, e o general pegou-se pensando se era algum tipo de armadilha.

Enquanto o exército noxiano estava fora, Demacia também colocava seus planos em ação. Os Iluminadores (esquadrão secreto demaciano, especializados no uso de magia) se infiltravam na fortaleza principal de Noxus, buscando roubar documentos confidenciais que possuíam todas as informações do exército inimigo. Luxanna Stemmaguarda era a líder da missão, encarregada de adentrar o castelo enquanto os outros permaneciam do lado de fora para dar-lhe cobertura.

Lux era uma garota extrovertida que tinha como objetivo viver a vida do modo que mais lhe agradasse. Não gostava muito de receber ordens, apesar de segui-las quando realmente necessário, visto que era uma Stemmaguarda – Um título doado àqueles que têm como função principal proteger o rei de Demacia – e ainda possuía uma função em combate. Como em Demacia a magia era vista como algo ruim, Lux tentou escondê-la por toda a sua infância, porém não conseguiu se segurar graças à sua personalidade ousada, e portanto, acabou por ser descoberta e teve que se decidir entre deixar Demacia para sempre ou aprender mais sobre a sua magia e tornar-se um membro dos Iluminadores. A decisão não foi muito difícil, e após algum tempo, ela estava até mesmo contente de ter encontrado o seu local em Demacia.

— Tudo bem, Kahina me disse que eu deveria procurar por uma enorme porta de vidro. Hmm... Porta de vidro, porta de vidro... – Murmurava consigo mesma enquanto caminhava em círculos.

— Você também está escutando vozes? – Dois soldados conversavam entre si enquanto caminhavam em direção à Lux, que se escondeu rapidamente atrás de uma estátua. – Quem está ai?

“Ok, Lux, pensamento positivo!” – Pensou.

Sem que os soldados pudessem reagir, foram cegados por um poderoso feixe de luz, e atingidos fortemente em suas cabeças com um bastão, desmaiando.

— Ajuda se eu pedir desculpa? – Ela murmura sorridente enquanto arrastava os soldados com dificuldade, visando escondê-los para não levantar suspeitas. – Fiquem aí, rapidinho, Demacia precisa de mim! – Ela termina, e se retira em busca da porta de vidro.

Após caminhar sorrateiramente por dois largos corredores, ela finalmente deparou-se com uma enorme porta espelhada, que revelava o seu reflexo e o de tudo que estava ao seu redor. Lux sorriu com sua conquista e então afastou-se para que pudesse conjurar uma magia capaz de abrir aquela porta. Olhou para ambos os lados e percebeu que não havia sinal de vida, portanto juntou toda a sua força em um raio de luz poderoso e o lançou em direção à porta espelhada. O que Lux não sabia é que aquela não era uma simples porta espelhada, e sim uma porta refletora de magia, e consequentemente, sua magia lançada com toda a sua força, fora refletida, atingindo-a e deixando-a inconsciente, estirada no chão da principal fortaleza noxiana.

Não tão distante dali, os soldados de Noxus marchavam de volta à sua terra. Darius não conseguia deixar de pensar que tudo acontecera muito facilmente, e embora confiasse em sua força, não estava seguro de que esta era a razão de sua vitória de hoje.

— Hoje você não está proibido de beber, certo? – Draven apoiou seu braço no ombro do irmão, que se incomodou com o excesso de proximidade.

— Adianta recusar? – Indagou sem esperanças.

— Não. – Retrucou Draven, sorridente.

— Preciso relatar ao Swain sobre hoje, vocês vão na frente. – Ele se retira em direção à fortaleza noxiana, ainda pensativo.

Não era uma armadilha... Estariam finalmente percebendo sua insignificância perante Noxus e desistindo? – Pensou enquanto caminhava. Era inegável o seu cansaço naquele dia, inclusive mentalmente.

— Glória à Noxus, general! – Darius fora recebido por dois soldados que guardavam a frente do castelo.

— Ah, sim... Descansar. – Retrucou e adentrou rapidamente o local.

Vagando pelos corredores em direção à sede do exército noxiano, Darius se depara com dois homens escondidos atrás de uma estátua. Confuso, retirou-os de lá e percebeu que estavam nocauteados. Jogou-os de volta ao chão após chamá-los de inúteis, e então continuou seu trajeto sorrateiramente, fazendo o mínimo de barulho possível ao caminhar com sua guarda alta. Chegou até o final da parede e, bruscamente, revelou-se com o seu machado em frente à seu corpo, visando defender quaisquer possível ataque inimigo. Ao invés disso, deparou-se com uma garota ao chão. Aproximou-se cuidadosamente e utilizou seu pé direito para virá-la para cima, pois pretendia observar sua face. Ao fazê-lo, seus olhos arregalaram, e Darius afastou-se com o coração acelerado.

— Q-Quill?!

Espantou-se com a semelhança daquela garota com sua amiga de infância, e também seu primeiro amor, Quilletta. Sabia que era impossível que fossem a mesma pessoa. Quilletta morreu sangrando em seus braços, e Darius fora capaz de ouvir seu último suspiro bem à sua frente enquanto a segurava fortemente. Apesar de tudo, o seu cansaço e a data não o auxiliavam em nada para que pudesse pensar corretamente. Por ser o aniversário de morte de seu primeiro amor, muitas memórias vinham à tona, e inclusive, seus cabelos dourados cobrindo seu rosto após sua morte, na mesma posição em que se encontrava a garota à sua frente naquele momento.

— Eu só posso ter enlouquecido. – Murmurou enquanto corria em direção à sua casa, carregando a garota em suas costas, coberta por sua capa vermelha.

Passou normalmente pelos guardas da porta principal sem permitir que lhe fizessem perguntas sobre o que estaria escondido abaixo daquele tecido. Afinal, era o general, e não precisaria explicar-se para meros soldados. Chegou rapidamente em sua casa que não era longe dali e colocou cautelosamente a invasora adormecida em uma poltrona, prendendo suas mãos com algemas de um metal especial que não permitia o uso de magia quando tocado. Sentou-se na poltrona à frente e permaneceu por alguns minutos observando-a dormir, e finalmente chegou à conclusão de que realmente havia enlouquecido.

— Que droga estou fazendo? – Sussurrou, afagando os cabelos emaranhados.

Assustou-se ao ouvir três batidas em sua porta e levantou-se apressado. Há tempos não temia algo, porém naquele momento, sentia medo e não sabia o porquê. Olhou uma última vez para a garota e trancou-a em seu quarto, colocando-a em sua cama antes de se dirigir até a porta. Segurou a maçaneta receoso, porém girou-a mesmo assim, permitindo que sua visita adentrasse a casa.

— Draven? – Indagou surpreso.

— Eu te vi! Não adianta tentar me enganar. – Bufou enquanto batia os pés.

— Eu não preciso disso. Posso simplesmente matá-lo caso abra o bico. – Retrucou com um sorriso de canto, enquanto observava o pescoço do irmão.

Draven passou a mão por seu pescoço e engoliu seco, porém deu um longo suspiro logo após e sentou-se na poltrona em que Lux estava anteriormente.

— Se não queria beber conosco era só falar, não precisava sair correndo daquele jeito depois de cumprir suas obrigações no forte.

Darius cruzou os braços e encarou o irmão com uma expressão séria.

— Ainda não relatei os acontecimentos de hoje. Além disso, diferente de você, sou um homem ocupado que não tem tempo para encontros no bar ou shows de assassinatos na prisão. – Deu três passos em direção à Draven e abaixou seu tronco para que ficassem cara-a-cara. – Divirta-se por nós dois. – Terminou, sinalizando para que Draven se retirasse ao apontar em direção à porta.

À contragosto, Draven levantou-se da poltrona e dirigiu-se até a porta, porém sem perder a chance de retrucar as provocações do irmão antes de retirar-se.

— Babaca. – Disse com um sorriso, e então saiu sem mais delongas.

Darius suspirou e trancou a porta, fechando as cortinas também. Sabia que em algum momento Swain viria procurar por ele, curioso para saber o motivo de não se encontrarem após sua volta. Por não confiar em ninguém para fazer-lhe comida, Darius estava acostumado a cozinhar, e modéstia à parte, era seguro quanto à sua habilidade culinária. Cortou os tomates para o molho em uma velocidade incrível, pois afinal, sua habilidade em cortar as coisas –ou as pessoas– não poderia ser desperdiçada. Aguardou a água ferver e jogou o sal grosso antes de jogar os fios de macarrão, com o intuito de acrescentar mais sabor à massa. Salsinha, açúcar, sal, manjericão. Jogou tudo na frigideira junto aos tomates, e em alguns minutos tudo estava nos conformes, pronto para consumo.

Sentou-se à mesa de jantar com seu prato, e antes que pudesse abocanhar aquela garfada cheia e apetitosa que havia preparado, ouviu um ruído vindo da direção de seu quarto, que chamou-lhe a atenção, fazendo-o levantar-se para averiguar. Abriu a porta em um único giro, revelando sua prisioneira debatendo-se ao chão, tentando soltar-se de suas algemas. O general encostou no batente da porta para continuar observando aquela situação, que para ele, era cômica. Não conseguia evitar de sorrir enquanto a encarava, embora não saiba o motivo de apreciar tanto tudo aquilo.

— Precisa de ajuda? – Ele decide finalmente intervir, aproximando-se de Lux.

Retirou o lenço da boca de sua prisioneira que não se conteve ao reclamar da situação.

— Ei, você! O que pensa que está fazendo comigo? Eu não sei quem você é, mas saiba que quando eu me soltar, você será punido, seu mal elemento! Saiba que eu deveria simplesmente acabar com Mmfff... – Ela é interrompida por Darius, que coloca novamente o lenço em sua boca para impedi-la de prosseguir com seu discurso tedioso.

Ele a segura em seus braços, colocando-a novamente em sua cama.

— Você fala muito, invasora. Se eu não estivesse enlouquecendo você provavelmente já estaria morta há muito tempo. – Retrucou com uma expressão cansada. Darius observou o braço da garota que, graças ao tecido rasgado em sua manga, revelava um símbolo bem conhecido em campo de batalha. – Uma Stemmaguarda?

Os olhos de Lux se arregalaram com a continuação da fala de Darius, e então ela se encolheu naquela cama, afastando-se dele. Ele sentou-se em seu recamier para pé de cama, encarando-a intrigado.

— Todos os Stemmaguarda são tagarelas assim?

Lux bufou incomodada com a situação. Como poderia responder-lhe se estava amordaçada? Aquele sentimento de impotência a irritava mais do que qualquer coisa.

Darius riu e retirou-se para buscar o seu prato de comida, que já não estava tão quente, sentando-se à frente de Lux enquanto comia. Cruzou as pernas e abocanhou uma garfada satisfatória. Aquela visão provocou uma sensação de fome em Lux, fazendo com que seu estômago grunhisse, chamando a atenção de Darius. Ele se levantou e aproximou-se de Lux, observando-a cautelosamente. Suspirou e colocou o seu prato de lado para sentá-la em sua cama, e então pegou-o novamente, retirando o tecido dos lábios de sua prisioneira.

— Isso... – Lux observava o prato à sua frente, e então olhava para Darius logo depois com uma expressão pidona.

Darius fez o mesmo, observando a sua refeição e olhando para a garota à sua frente. Enrolou um pouco da massa no garfo e colocou na frente da face de Lux, que comeu com vontade, visto que estava faminta. O general não conseguiu evitar um sorriso abafado com tudo aquilo. Jamais imaginou que alimentaria alguém daquele modo, porém lá estava ele, um homem solitário e impiedoso alimentando uma jovem demaciana em sua própria cama.

— Isso é delicioso! – Ela sorriu, encantada com o sabor. – Aliás, qual o seu nome? – Indagou, encarando Darius com aqueles olhos enormes e brilhantes.

Ele se afastou, sentando-se novamente e colocando o prato no criado-mudo ao seu lado.

— Diferente de você, eu não sou do tipo que dá informações para o inimigo.

— Eu não sou sua inimiga. Quer dizer, eu sou, mas não agora. Nesse momento eu sou sua prisioneira, você tem medo de que eu fuja?

— Você estava desmaiada em frente à uma porta refletora de magia, o que implica que você é dependente disso. Sem seus poderes duvido muito que possa fugir. – Ele retruca, com um sorriso triunfante. – Além disso, pelo que eu saiba, demacianos não são fãs de magia, então porque temos uma Stemmaguarda feiticeira?

— Isso... Por quê quer saber? Você nem ao menos se importa. – Lux murmurou em resposta, cabisbaixa.

— Tem razão, não me importo. – Darius levantou-se e retirou sua camisa, deixando seu peitoral à mostra.

Lux sentiu o coração acelerar e as bochechas ruborescerem. Afinal, estava sozinha com um homem à noite, em seu quarto, e o mesmo estava prestes à ficar desnudo.

— O-o que pensa que está fazendo? – Indagou gaguejando, sem nem ao menos conseguir encará-lo.

Darius a observou com cautela e riu de sua expressão tímida.

— Não se preocupe, você não tem essa sorte.

— Como?

— Apesar de solitário, tenho meus princípios, e dormir com uma criança com certeza não está entre eles. – Ele retrucou, dirigindo-se até o banheiro para uma ducha.

— Criança? – Lux sussurrou para si mesma, sentindo seu corpo esquentar de vergonha com o papel de boba que havia feito há pouco.

Ao sair do banho enrolado apenas em uma toalha, o general deparou-se com a garota tentando retirar as algemas, visivelmente incomodada. Encostou-se na parede para observá-la, visando descobrir suas intenções, porém Lux percebeu a sua presença e o encarou com tristeza em seu olhar.

— Não seria possível retirar as algemas? – Ela se debatia, demonstrando o desconforto que elas causavam em seus braços. Afinal, já faziam horas desde que seus braços estavam na mesma posição, e além de doloridos, já estavam ficando dormentes.

— Muito engraçado.

— Eu já entendi que você quer me manter presa e incapaz de utilizar magia, mas eu não aguento mais ficar na mesma posição por tanto tempo. – Ela retrucou, com lágrimas nos cantos de seus olhos.

Ele permaneceu pensativo por um tempo até finalmente recordar-se de outra opção, apesar de não ter certeza sobre aquilo. Dirigiu-se até o seu armário, e após mexer em algumas coisas, finalmente encontrou o que procurava.

— Nesse caso, isso deve servir. – Darius balançou o item em suas mãos, fazendo com que Lux se surpreendesse. Era uma coleira ajustável feita com o mesmo metal das algemas.

Lux aceitou à contragosto, simplesmente por não ter a opção de escolha. Percebeu que o homem já seria benevolente demais por apenas compreender seu desconforto mesmo que fosse uma prisioneira sem poder algum ali.

Darius se aproximou, ainda utilizando apenas uma toalha, e colocou a coleira ao redor do pescoço de Lux. Seus olhares se cruzaram naquele momento, enquanto ela permanecia sentada na cama e ele em pé à sua frente, ainda segurando as correntes. O tempo pareceu parar naquele momento, inclusive para o frio general, que não compreendeu bem o motivo de seu coração ter falhado em uma batida. O mesmo para Luxanna, sentindo seu rosto e corpo esquentarem com o excesso de proximidade entre os dois, que inclusive, era muito. Afinal, entre seu rosto e o corpo nu daquele homem, encontrava-se apenas uma fina toalha branca.

— A-as algemas... – Ela quebrou aquele silêncio infinito, gaguejando enquanto desviava o olhar.

— Ah, sim... Certo. – Darius buscou as chaves na gaveta de sua escrivaninha e abriu as algemas, prendendo a coleira de Lux na cabeceira de sua cama.

— Obrigada...

Ignorando o agradecimento, ele se dirigiu até o seu armário para pegar algumas roupas, e então caminhou até a porta do quarto.

— Darius. – Disse antes de sair. – Você queria saber o meu nome.

— Darius... “Mão de Noxus”? Espera, AQUELE “Mão de Noxus”? – Indagou surpresa.

— Bem, sim... Este é um dos apelidos que adquiri em combate.

Cabisbaixa, ela sorriu de canto antes de levantar sua cabeça e olhar diretamente nos olhos do general.

— O título e essa cara carrancuda não combinam com você, sabe.

— Não abuse da sorte. – Ele se retira, batendo fortemente a porta.

— Você poderia ao menos ter perguntado o meu nome também. – Lux sussurrou antes de cair no sono.

Na sala, após vestir o seu suéter e calça, Darius encontrava-se incapaz de dormir. Caminhou em círculos por alguns minutos, como se estivesse de guarda em meio à um acampamento de batalha, visando acalmar-se, porém sem sucesso. A noite estava fria lá fora, e aquela garoa serena o deixava ainda mais inquieto, portanto decidiu distrair-se ao encher uma caneca com cerveja e virá-la de uma só vez. Não era suficiente para fazê-lo se livrar daquela sensação. Encheu-a novamente e bebeu. Ainda não era o bastante. Continuou daquele modo até não aguentar mais e adormecer no sofá de couro, completamente desconfortável e gelado.

Os raios de sol pela manhã o incomodavam. Tentou revirar-se inúmeras vezes para evitar a claridade, porém simplesmente desistiu e levantou-se para finalmente fechar as cortinas. Voltou para o sofá sentindo o seu corpo cansado e indisposto, graças à sua incrível façanha de permanecer deitado por horas dormindo em um sofá de couro durante o frio e ainda beber até não se aguentar mais de pé. Deitou-se novamente, colocando uma almofada abaixo de sua cabeça e cobrindo o seu corpo com uma manta que havia providenciado na noite anterior e esquecido de utilizá-la. Sua cabeça latejava com a dor da ressaca, e sua péssima noite de sono não o auxiliava em nada.

— Darius! – Uma voz familiar alcançava seus ouvidos, junto à batidas em sua porta.

O general não se incomodou em levantar. Estava exausto e sem vontade alguma de ouvir o sermão daquele homem. As batidas continuavam, e estava cada vez mais difícil ignorá-las, então ele simplesmente arremessou a almofada até o outro lado do cômodo e levantou-se à contragosto para abrir a porta.

— Ah, finalmente. Ainda dormindo à essa hora? Raro vê-lo tão... Indisposto, velho amigo.

— Swain. – Ele retruca, esfregando os cabelos emaranhados enquanto boceja.

— Dormindo no sofá após beber? – Swain indaga, observando a bagunça do local. Não era costume de Darius fazer algo como aquilo, e portanto, estava estranhando-o. Normalmente ele dormiria confortavelmente em sua cama feita especialmente para ele, de um tecido raríssimo e extremamente caro, encontrado apenas nos confins de Ionia.

Darius limpa a garganta e retira as coisas da sala, colocando a caneca e garrafas vazias na bancada de mármore de sua cozinha e o cobertor dobrado ao lado de Swain.

— Me dê um segundo. – Ele se dirige ao seu quarto sorrateiramente, fechando a porta.

Adentrou o banheiro para escovar os dentes e jogar uma água no rosto, sentando-se ao lado de Lux logo após. Colocou sua mão direita na boca da garota adormecida, que acordou assustada com aquilo.

— Não faça nenhum ruído enquanto esse homem estiver aqui. É para o seu próprio bem. – Ele sussurra em seu ouvido.

Lux assentiu afirmativamente com a cabeça mesmo sem entender, e Darius afastou-se após cobri-la um pouco mais. Saiu do quarto e sentou-se ao lado de Swain, que o aguardava para uma conversa.

— E então? – O anfitrião confrontou Swain, que mantinha a postura intacta, com as pernas cruzadas.

— Não vai me oferecer nem ao menos um copo d’água? – Ele encara Darius, que suspira. – Bem, não faz mal.

— É sobre o relatório, não? – O general se endireitou na poltrona, colocando os cotovelos sobre os joelhos e as mãos abaixo do queixo. – Draven invadiu a fronte com suas tropas e fui logo atrás com meus homens. Uma batalha fácil. Muito fácil...

— Uma armadilha?

— Foi o meu primeiro pensamento, porém chegamos em segurança e nada aconteceu após nosso retorno.

— Isso é realmente estranho.

Darius hesitou por um momento, porém sabia que deveria contá-lo sobre o ocorrido, apesar de não sentir obrigação em contar sobre sua “visitante”.

— Cheguei à conclusão de que os demacianos organizaram uma invasão para roubar o forte.

— Conte-me mais.

— Meu exército marchava de volta à cidade quando percebi um estranho movimento dos pássaros ao redor. Aquela espécie só se espanta com o uso de magia, então logo percebi ao chegar na fronteira. À caminho de sua sala encontrei dois soldados inúteis desmaiados atrás de uma das estátuas, implicando que alguém havia passado por lá, e com certeza, não era um aliado.

— Interessante. Isso é tudo?

— Temo que estejam atrás dos documentos confidenciais sobre o exército.

— É algo valioso, realmente. – Swain se levantou para abrir a janela, permitindo a entrada de um corvo que pousa em seu antebraço. – Muito bem, velho amigo, é o suficiente. Sabia que poderia contar com você.

— O que quer dizer? – Darius franziu o cenho, incomodado com a ironia no tom de voz daquele homem.

— Sobre a invasão... Já haviam me relatado sobre, e obviamente, os dois incompetentes já estão mortos. – Ele encara o general, com um sorriso malicioso. – Você não me parecia muito bem hoje, então precisei ter a certeza de que não esqueceria nenhum detalhe.

Darius sabia o que aquelas palavras significavam. Era um teste. Um teste para provar sua lealdade à Noxus e sanidade mental, visto que estava fazendo coisas que não eram de seu feitio ultimamente.

— Não se esqueça de que não sigo ordens, Swain. – Ele se levanta, aproximando-se. – Faço as coisas do meu jeito. O relatório é apenas uma cortesia.

Swain sorriu de canto, e o corvo voou para fora com a aproximação de Darius.

— Uma cortesia muito útil, se me permite dizer. Além de ser um dos três pilares, você ainda é o meu braço esquerdo, Darius. Tanto você quanto eu sabemos o motivo de nos entendermos tão bem.

— Somos apenas dois homens com o mesmo propósito, nada mais.

— Noxus triunfa apenas por termos o mesmo propósito, “Mão de Noxus”, não se esqueça. – Swain caminha lentamente até a porta, fechando-a após sua saída.

Darius finalmente conseguiu respirar, embora soubesse que não poderia abaixar sua guarda ainda. Aquele corvo misterioso continuava em sua janela, dando-lhe a impressão de estar sendo observado à todo o tempo. Decidiu não demonstrar hesitação e foi até a cozinha para preparar o café da manhã. Colocou quatro ovos na frigideira e temperou, mexendo-os para que se tornassem ovos mexidos. Pegou então uma garrafa de vidro com leite fresco que estava na geladeira e trancou-se em seu quarto com a frigideira, dois garfos e a garrafa de leite.

— Ele já se foi? – Lux indaga, esfregando os olhos enquanto se acomoda sentada no colchão.

Darius assentiu e sentou-se ao lado dela, entregando-lhe um garfo. Seu gesto a surpreendeu, dando-a uma sensação calorosa por dentro. Empatia pelo inimigo? Ela se recusava a aceitar, porém não conseguia odiá-lo apesar de tudo.

— Está tudo bem? – Ela coloca a mão acima da dele, fazendo-o encará-la com estranheza.

— Que tipo de prisioneiro pergunta ao carcereiro sobre seu humor? – Retruca, afastando sua mão.

— O tipo que não tem mais ninguém pra conversar. Eu estou completamente entediada aqui, então o que custa conversar comigo um pouquinho? – Murmurou Lux, fazendo biquinho enquanto enchia suas bochechas com uma grande garfada de ovos mexidos.

Darius bebe um gole do leite, ignorando-a. Porém, quando estava prestes à tomar outro gole, Lux puxa a garrafa de sua mão e bebe toda a garrafa de uma única vez.

— Você... – Ele a observa incomodado, no entanto, após vê-la limpando os lábios com o antebraço, libera uma risada.

— Ah, então você sabe rir! – Lux também sorri, porém fica cabisbaixa logo após. – E-eu preciso de um favor...

— Um favor? – O general questiona, intrigado, colocando a garrafa e a frigideira de lado.

— Sim. Bem, eu estou aqui há muito tempo. Muuuuuito tempo, sabe? Tipo, já é o segundo dia.

— Não irei libertá-la.

— Não é isso! – Ela exclama. – Ahn... Eu preciso... Ir ao banheiro. – Termina timidamente sua frase, percebendo todo o seu corpo esquentar.

— O que?

— Eu deveria utilizar a sua cama, então?

Darius suspira, e se levanta. Retirou as correntes da cabeceira de sua cama e guiou Lux até o banheiro, porém sem largar a coleira.

— Você não pode olhar! Você COM CERTEZA NÃO PODE OLHAR!

— Não estou interessado. Seja rápida.

Lux olhou para ambos os lados, porém era incapaz de fazer qualquer coisa com aquele homem ali, de costas para ela em sua frente.

— Você precisa sair! Eu não vou conseguir com você aqui.

Incomodado com toda aquela situação, o general afastou-se ainda mais, ficando do lado de fora, porém sem fechar a porta. Sentia-se como em um passeio na rua enquanto aguardava o seu animal de estimação fazer suas necessidades. Ouviu Lux suspirar aliviada e não conseguiu evitar o riso abafado, apesar de escondê-lo quando ela finalmente aparece.

— Um banho seria pedir muito, não é? – Ela murmurou, desanimada, com um sorriso fraco de canto.

— Ei, Darius! – Antes que ele pudesse responder, a conversa é interrompida por Draven, que batia fortemente na porta principal da casa.

— Esse imbecil... – Ele atrela as correntes novamente à sua cama. – Fique aqui.

— Não é como se eu tivesse escolha de qualquer forma.

Darius fecha a porta de seu quarto e permite a entrada de seu irmão na casa.

— O que você quer?

— Estou de ressaca. Me deixe ficar aqui hoje para fugir das minhas obrigações.

O anfitrião pretendia recusar, no entanto lembrou-se do pedido de Lux e pensou que poderia utilizar seu irmão para auxiliá-lo com isto.

— Um favor em troca de outro. – Ele sorri, sentando-se ao lado de Draven.

— Que tipo de favor? Você precisa que eu mate alguém? Eu não estou em minhas melhores condições hoje, mas tudo bem.

— Hoje não.

— O que é, então?

— Eu preciso que você vá para a cidade e compre algumas roupas femininas.

Draven o encarou abismado.

— Espera, deixa eu ver se eu entendi bem. Você está me pedindo pra sair daqui com a sua carteira e comprar roupas pra... Mulher?

— Exatamente.

Draven não conseguiu mais segurar o riso ao ver a imagem de seu irmão utilizando um vestido. Gargalhou tanto que algumas lágrimas escorreram de seus olhos.

— Eu sempre te achei estranho, mas não sabia que era disso que você gostava, hahaha.

— Ela provavelmente vai precisar de uma escova de dentes também, não? – Murmurou para si mesmo, ignorando a zombaria de seu irmão.

— “Ela”?

— Se você abrir o bico a única coisa que preciso fazer e cortar a sua garganta, então acho que o melhor a se fazer é te mostrar para que entenda o motivo de tudo isso. – Ele se levanta, sinalizando para que Draven o acompanhe.

Ao abrir a porta do quarto, ambos se deparam com Lux esparramada na cama, entediada.

— Que droga é essa? – Draven indaga, confuso.

— Não sou uma “droga”. Eu tenho um nome! – Lux retruca.

Darius se propôs a contar tudo para Draven, desde o momento que a encontrou até o dia de hoje, quando Swain o visitou pela manhã. Draven observou Lux, que recuava à cada passo que ficavam mais próximos, até não sobrar mais espaço para se afastar.

— Mas elas realmente se parecem, não? Eu até consigo entender, apesar de achar loucura.

— Sim, confesso que me surpreendeu.

— Ei, eu estou aqui, sabiam? Parem de me ignorar! – Lux exclamou, inconformada com a falta de tato de ambos.

— Tudo bem, então. Me dê a carteira. – Draven diz, simpatizando com a loucura do irmão.

— O que? Você não tem vergonha de roubar uma pessoa em sua própria casa? Todos os noxianos são sem noção assim? – Ela se debatia, tentando chamar a atenção de ambos.

— Fique quieta, criança. Não atrapalhe o assunto dos adultos, isso é para o seu próprio bem. – Draven a retruca.

— Eu não tenho medo de você!

— Eu imagino que não, mesmo. Se você consegue aguentar a cara feia do meu irmão todos os dias, ver um cara bonito como eu deve ser colírio para os seus olhos. – Ele sorri, e Darius lhe retorna com um tapa em sua cabeça. – Isso doeu, imbecil. Eu estou de ressaca ainda.

— Isso não é problema meu.

— É isso que eu ganho por te ajudar, tsc. – Saiu irritado em direção à cidade para comprar as coisas que Darius havia lhe requisitado.

— Quem era? Ele se parece muito com você.

— Meu irmão, Draven.

— Ah, você tem um irmão? Eu também tenho um irmão! – Ela se recorda de seu irmão e entristece rapidamente. – Embora ele provavelmente não se importe mais comigo.

Darius sentou-se à frente de Lux, aguardando para que ela lhe contasse a história. Era orgulhoso demais para perguntar-lhe diretamente.

— Nos afastamos há algum tempo, quando ele se tornou extremamente necessário para o exército demaciano. Eu raramente o via, e quando nos encontrávamos, era tudo muito superficial. – Ela suspirou. – Nesse quesito, vocês até que se parecem um pouco.

— Não me compare à um demaciano fraco.

— Ele não é fraco! O meu irmão é incrível. Ele treinou muito pra alcançar o que tem hoje, e é admirável.

— Que seja. – Ele se levantou, cansado daquele falatório.

Em Demacia, uma reunião entre os Iluminadores fora convocada, e além deles, o irmão mais velho de Luxanna, Garen, que havia sido informado por um dos companheiros de Lux sobre sua morte.

— Nós deveríamos formar um plano de invasão consistente. – Kahina inicia.

— Sabemos que está irritada, Kahina. Lux era nossa aliada, porém não podemos iniciar uma busca por vingança. Isso só gera um ciclo insaciável de sede de sangue.

— Sede de sangue é o sobrenome de Noxus. – Garen intervém. – Vocês sabem quem foi o responsável por isso?

— Posso estar enganada, mas... Enquanto permanecia de guarda, vi o Mão de Noxus adentrar a fortaleza.

— Como ele era, Kahina?

— Um homem alto, cabelos negros e um fio branco, com uma feição carrancuda e uma cicatriz em seu olho. Dava-me calafrios apenas por observar o tanto de sangue esparramado naquele enorme machado em suas mãos.

— Não há dúvidas. É o Darius. – Garen afirma, com uma expressão vingativa. – Você tem certeza sobre a morte de Lux, é... Qual o seu nome? Você é novo aqui, não?

— Sim. Pode me chamar de Kalahar. – O homem limpa a garganta. – Estou certo de que vi o Mão de Noxus matá-la com suas próprias mãos, sim.

— Devemos preparar a invasão, Kahina. Minha irmã merece justiça!

— Isso pode demorar algum tempo.

— Não importa. – Ele se retira, com um semblante sombrio, colocando sua enorme espada em suas costas.

Em Noxus, Draven já havia comprado o necessário para que Lux ficasse confortável por alguns dias e estava à caminho da casa de seu irmão, que o aguardava sentado em seu sofá.

— Boa tarde. – Uma voz familiar o faz arrepiar.

— Swain? À que devo a grande honra de sua presença?

— Um senso de humor admirável, ao contrário de seu irmão. Não pode um velho homem aleijado caminhar por seu próprio país?

— Estamos todos velhos, meu amigo. – Draven sorri de canto, tentando disfarçar sua pressa.

— Realmente, um fato desagradável. – Swain observa as sacolas na mão de Draven. – Que você é exibido eu já sabia, porém não estava atualizado sobre seu interesse em moda feminina.

O carrasco engole seco e observa as sacolas em sua mão, levantando-as. Soltou um riso abafado para fingir ter achado alguma graça nas palavras de Swain, e então entrou no jogo, retrucando:

— Quando se é um homem tão bonito, você deve estar sempre preparado para visitas, não é mesmo? – Ele termina, dando uma piscadela para Swain, que ri com sua afirmação.

— Bem, então devo estar tomando o seu tempo. Até mesmo eu sei o momento em que minha presença é indesejada. – Ele se retira, caminhando lentamente.

Jericho Swain não era um homem tolo, e Draven sabia disso. Ele sabia que Swain não o questionaria mais se dissesse alguma besteira, porém estava certo de que o homem não acreditara em uma única palavra. Era óbvio que estava indo para a casa de seu irmão, e toda aquela mercadoria suspeita tornava as coisas ainda mais complicadas. Apesar disso, Draven continuou sua trajetória, e chegou rapidamente na casa de Darius, que o aguardava.

— Sua carteira. – Ele entregou-a para o irmão e jogou-se no sofá, colocando os braços atrás da cabeça. – Encontrei o Swain no caminho.

— Não importa. O máximo que ele pode pensar é que vamos dar uma festa e não o convidamos.

Ambos dão risada em uníssono, e Darius se retira para entregar os novos pertences de Lux. Ao abrir a porta, ela o recebe com um sorriso cansado.

— Ei, sobre antes... – Ela hesita. – Me desculpe. Acho que me empolguei um pouco ao falar sobre meu irmão e acabei te incomodando novamente, não é?

— Isso é para você. – Ele a ignora, entregando-lhe as sacolas com roupas e objetos de higiene pessoal que havia pedido para Draven.

Lux abre as sacolas e o agradece de coração, com um sorriso irradiante que faz o gelo que cerca o coração daquele homem derreter um pouco.

— Será que eu poderia tomar um banho? Você pode fazer o mesmo que antes, é só não... Não olhar. – Lux murmura, cabisbaixa.

— Pensei já ter deixado claro que não estou interessado. – Ele limpa a garganta e desatrela as correntes de sua cama. – Vamos?

Lux assentiu e foram juntos até o toalete. Ela o encarou como se suplicasse para que fechasse os olhos, e ele simplesmente o fez, para mostrar seu desinteresse em seu corpo infantil. A falta de esforço daquele homem a incomodava. Como poderia ser tão indiferente enquanto seu coração parecia prestes à explodir a qualquer momento por simplesmente ficar nua em sua presença, mesmo que de olhos fechados? Indignada, ela decidiu pregar-lhe uma peça.

— V-você já pode abrir os olhos.

— Certo. – O general abre seus olhos, deparando-se com sua prisioneira completamente nua à sua frente. – Pensei que estivesse atrás dos vidros negros. Devo fechar os olhos novamente?

— O que? Não, está tudo bem. – Ela retruca, com a voz trêmula devido ao vexame que passava, e então adentra o chuveiro.

Como poderia ser tão tola à ponto de pensar que um homem sanguinário como aquele teria quaisquer reação apenas por vê-la nua? Era óbvio que tinham diferentes percepções sobre aquilo. Ela era uma garota inexperiente que tinha como principal objetivo de vida aproveitar cada momento ao máximo, sem prender-se à convicções de terceiros, e ele, um general com uma sede de sangue insaciável que não mede esforços para conseguir tudo o que quer. Um homem assim provavelmente já teria dormido com tantas mulheres que nem ao menos se importava com algo que, para ele, teria se tornado banal.

O que Lux realmente não sabia era que a sua pequena provocação teria sim mexido com aquele homem frio. Seu coração falhou inúmeras batidas ao vê-la daquele modo tão próxima à ele, embora jamais fosse admitir que estava perdendo a compostura por uma garota que havia conhecido há apenas dois dias, e que para piorar, era uma inimiga. Seria seu remorso por não ter feito nada por Quilletta tão grande assim? Estaria simplesmente tentando apaziguar seu sentimento de culpa ao cuidar daquela jovem de aparência semelhante ao seu primeiro amor? Ele não estava certo sobre mais nada.

— Como uma garota tão jovem tem uma cicatriz tão profunda? – Darius indaga, intrigado com a cicatriz que havia visto no abdome de Lux.

— Está interessado? – Ela o provoca.

— Não conte se não quiser.

— Espera, eu vou contar! Você é muito chato. – Ela ri.

— Talvez.

— Já faz muito tempo. Eu cavalgava à noite nas montanhas gélidas quando meu cavalo escorregou, nos derrubando. O cavalo quebrou a perna da frente, porém eu jamais conseguiria sacrificá-lo, então permaneci ali, fazendo-lhe companhia enquanto esperava por ajuda.

— Então é uma cicatriz feita em queda?

— A cicatriz veio logo após, quando alguns lobos famintos vieram atrás da carne de meu cavalo ensanguentado. Após ser perfurada pela garra de um deles, meu corpo agiu instintivamente, libertando meus poderes. Foi nesse dia, também, que descobri sobre minha magia.

— Qualquer pessoa teria sacrificado o cavalo.

— Eu não sou “qualquer pessoa”. Jamais conseguiria sacrificar um animal que me acompanha desde minha infância.

— Certo.

— Você poderia me passar uma toalha, por favor?

Darius se levanta para entregá-la uma toalha, e logo após, Lux retira-se do chuveiro para vestir-se.

— O que vocês estão fazendo aí dentro pra demorar tanto assim? – Draven abre bruscamente a porta do toalete, deparando-se com Lux envolta em apenas uma toalha, e seu irmão segurando-a com aquelas correntes enquanto permanecia de olhos fechados.

— O que acha que estamos fazendo, Draven? – O general suspira com a idiotice do irmão.

— De qualquer forma, não interessa. Eu encontrei esse bastão irado jogado lá na sala e queria saber se posso ficar com ele. – Draven o ignora, retirando um cetro prateado com adereços dourados nas pontas. Era majestoso, e iluminava o ambiente.

Darius retira o cetro da mão do irmão e olha para Lux, que estava aguardando os dois se decidirem para que pudesse vestir-se.

— O cetro veio com o pacote.

— Então é da mocinha? É... Qual é mesmo o seu nome, garota?

— Eu não sou uma “mocinha”. Nós provavelmente temos no máximo dez anos de diferença.

— Você sabe que a visão não ajuda muito, não é? – Draven a provoca, fazendo-a compreender o seu lugar. Estava apenas de toalha entre dois homens enormes, e aquela certamente não era uma situação confortável.

— O nome dela é Luxanna Stemmaguarda. – Darius retruca, surpreendendo-a.

— C-como você...

— “Eu sou Luxanna Stemmaguarda, e em nome de Demacia, eu vou te punir!” – Retrucou, imitando a voz da garota. – Você disse isto enquanto dormia.

Lux não sabia aonde esconder o seu rosto. Era muito constrangedor tê-lo zombando dela daquele modo, ainda mais nua e acorrentada por uma coleira que ele possuía em suas mãos. Porém seu coração palpitou aliviado ao relembrar-se da noite anterior, quando dormiu entristecida por Darius não ter lhe perguntado o seu nome. Pensou que ele provavelmente teria voltado para este propósito e acabou tendo uma resposta inusitada. Para ela, era inevitável pensar na reação do general enquanto a observava conversar adormecida, e então, sorriu alegre, abraçando-o involuntariamente.

— Opa, eu deveria deixá-los à sós? – Draven zombou do irmão, que afastou Lux colocando a mão em sua testa e retirando-a de perto.

— Pra você, irmão. – Ele coloca a corrente na mão de Draven e se retira do local, deixando-os para trás.

Sentou-se em seu sofá sem fome ou vontade para preparar o jantar. Há tempos que não se sentia assim tão confuso e perdido, sem saber o que fazer. Desde a morte de Quilletta, havia se tornado um homem cruel e desapegado, porém em apenas dois dias essa demaciana estava bagunçando tudo o que ele pensava saber sobre si mesmo.

— Ela está entregue, acorrentada à sua cama.

— Certo.

Draven dirigiu-se até a cozinha para pegar duas canecas e uma garrafa de cerveja artesanal que estava na geladeira. Sentou-se ao lado do irmão e ofereceu-lhe uma das canecas, que fora aceita sem hesitação.

— Ela faz falta, não é?

Darius arrumou-se no sofá, colocando os cotovelos acima dos joelhos e segurando a caneca em uma das mãos.

— Confesso que tivemos bons momentos, mas Quilletta fez sua escolha. Ela não suportou o peso que é carregar o sangue de Noxus, e sucumbiu ao ser esmagada por ele.

— Ela nos conhece melhor do que nós mesmos. Tenho certeza de que se ela estivesse aqui, você não teria essa cara de imbecil quando olha para aquela garotinha.

— Tsc. Você tem sorte de eu estar de bom humor. – Tomou um gole de sua bebida e acomodou-se no sofá. – Aliás, você vive naquele lugar executando os encarcerados. Sabe como funciona “aquilo”?

— Se está falando da coleira, sim, eu sei. Ela foi projetada há muitos anos por um zaunita que queria manter a própria mulher sendo controlada por ele à todo o tempo. A sua forma original é a de um colar comum para que ninguém desconfie de sua verdadeira função.

— Você consegue?

— Tem certeza de que confia nela o suficiente? Ela pode tentar fugir ou te matar enquanto dorme se deixá-la livre por aí.

— Você está certo, ela pode TENTAR. E quando digo “tentar”, quer dizer que ela provavelmente já estaria morta antes mesmo de pensar em algo assim. Ela me parece astuta o suficiente, ao menos para saber que não sobreviveria em território inimigo sozinha.

— Não tem como te preocupar, não é mesmo? – Draven se levanta, colocando sua bebida na mesinha de centro, e então se dirige até Lux, que se surpreende com a extrema aproximação.

— O que você quer?

— Ordens do general ali. – Ele ri, apontando para Darius, que o encara com desdém enquanto bebia.

Apesar de não saber o motivo, Lux confiava em Darius, independentemente de suas posições inimigas. Simplesmente assentiu e levantou o pescoço para que Draven pudesse averiguar a ferramenta. Após alguns segundos ela abriu os olhos, observando que a corrente já não estava mais lá, e em seu lugar, havia um simples e belo colar de metal.

— Isso é sério? Eu estou livre para caminhar pela casa? – Ela se levanta rapidamente, com a felicidade estampada em seu rosto.

— Irei alertá-la uma única vez: Não faça nada estúpido. – Darius retruca.

Lux correu para sentar-se ao lado de Darius no sofá, utilizando do mesmo cobertor que ele para abrigar-se do frio.

— Ela é ousada do jeito que você gosta. – Draven zomba da situação, deixando-o desconfortável.

— Já estou começando a me arrepender de minha decisão.

— Está muuuuito frio, olha só! – Ela aperta as bochechas do general com suas mãos geladas, deixando-o com biquinho, e se afasta logo após para esfregar suas mãos e coloca-las no cobertor novamente.

Lux pegou a caneca de Darius e tascou-lhe um gole da cerveja gelada. Nunca havia bebido antes pois sua família jamais permitiria. Embora ali fosse a prisioneira, sentia-se mais livre do que em sua própria casa. Acomodou-se ali mesmo para descansar, apoiando-se no braço forte, porém aconchegante de Darius.
— Obrigada por confiar em mim. — Ela murmurou.
— Eu não confio. Qualquer movimento incerto e considere seu pescoço cortado.
— Não sou do tipo que segue ordens. — Retrucou com um sorriso.
— Não é uma ordem, mas sim um conselho.
— Nesse caso, devo acatá-lo?
— É uma boa opção.
Ela achou graça daquilo tudo. Como poderia estar sentada no sofá da casa de um dos três pilares do poder noxiano, e ainda por cima inebriada pelo perfume natural de seu corpo? Sentiu-se tão aconchegada nos braços daquele homem que, apesar de não conhecê-lo há muito tempo, permitiu-se ser descuidada e adormecer ali mesmo, sem preocupações em sua cabeça. Talvez aquela fosse a primeira noite de sua vida em que se sentia realmente segura enquanto adormecida em um sono profundo.

No dia seguinte, Darius fora convocado para uma invasão à oeste de Ionia, e com sua saída, já começava a ter calafrios imaginando Draven e Lux livres em sua casa enquanto estava fora por duas semanas.
— Tente voltar vivo. -Draven ri.
— Não terei problemas com isso, embora já não possa dizer o mesmo dos que cruzarem meu caminho.
— Você não tem graça nenhuma. — Ele retruca, sentando-se no sofá.
Antes que o general pudesse partir, sentiu um calor em suas costas, e quando virou para averiguar, percebeu Lux abraçando-o por trás, com a cabeça encostada em sua armadura.
— Tome cuidado. — Ela murmura, e então se afasta para observá-lo com uma expressão terna e carinhosa.
Aqueles olhos azuis enormes e brilhantes mexiam com a cabeça daquele homem desinteressado. Esse era apenas o terceiro dia, e em apenas três dias, Lux conseguiu fazer com que Darius esquecesse da existência de Quilletta. Naquele momento em que seus olhos se encontraram, ele temia sucumbir ao seu desejo de tocá-la, portanto simplesmente virou as costas e saiu, rumo à Ionia. Encontrou suas tropas na fronteira, já aguardando por sua chegada e marchou até seu destino.
Aquelas duas semanas não demoraram enquanto cortava a garganta de seus inimigos, derramando rios de sangue aos seus pés. Sentia que estava em sua melhor forma após conhecer aquela jovem demaciana que iluminou sua casa em alguns poucos dias que esteve lá, e ao cortar seu último adversário, sorriu por saber que agora estaria finalmente voltando para casa, após tanto tempo. Era estranha a sensação de ter um motivo para realmente querer voltar para casa, mas não o desagradava.

Longe dali, em Demacia, duas semanas haviam se passado, e o plano de invasão estava completo.
— Reúna os iluminadores, Kahina.
— Certo. E quanto às linhas de frente, Garen?
— Deixe todos os outros preparativos comigo. Nós aplicaremos a justiça em Noxus pela manhã.
Kahina não conseguia evitar de sentir que Garen estava se perdendo nas sombras, controlado por um sentimento vingativo disfarçado de “justiça”.

De volta à Noxus, Darius teria acabado de chegar no país, e após seu desentendimento com Swain, não sentiu-se na obrigação de entregar-lhe um relatório. Ademais, embora não quisesse admitir para si mesmo, estava ansioso para encontrar sua prisioneira. Antes mesmo que pudesse adentrar sua casa, fora surpreendido por Lux e Draven que chegaram em suas costas.
— Vocês? Espera... Vocês estavam fora da casa?
— Eu levei a mocinha aqui pra assistir um dos meus shows. — Draven riu com a expressão de Lux e Darius.
— Que nojo! Como aquilo faz tanto sucesso?
— Você não sabe apreciar a verdadeira arte, Lux.
— “Lux”? — Darius indaga, estranhando a proximidade dos dois.
— Luxanna é muito trabalhoso. — Draven coloca os braços atrás da cabeça e olha para Lux. — Você viu a transformação que fizemos?
Darius a encara, percebendo uma modificação em suas vestimentas. Ela utilizava uma armadura noxiana, vermelha e prateada, com o brasão de Noxus grafado em todo o seu entorno. A admiração fora tanta, que acabou por deixar as palavras saírem involuntariamente.
— Lhe cai muito bem.
— O-obrigada... — Ela estava sem palavras, jamais esperaria um elogio vindo daquele homem.
O general apenas limpou a garganta e adentrou a casa, seguido por Lux e Draven. Sentou-se no sofá e cruzou as pernas, colocando os braços no encosto e a cabeça para trás. Estava exausto, porém aliviado por estar de volta.
— Draven já está indo, preciso terminar algumas execuções. — Ele ri antes de sair, deixando-os à sós.
— Ele sempre teve essa mania de dirigir-se à si mesmo com a terceira pessoa?
— Sim, ele sempre foi estupido assim.
Lux caminhou até a parte de trás do sofá, ficando atrás de Darius. Ao abrir os olhos, ele deparou-se com aqueles olhos azuis encarando-o de cima, enquanto continuava com sua cabeça deitada no sofá.
— Está cansado?
— Um pouco.
— Tudo bem. Se endireite no sofá.
— Para quê?
— Vai logo, só confie em mim dessa vez.
— Eu deveria?
— Você me deixou duas semanas sozinha com seu irmão na sua própria casa.
— Touché. — Ele sorriu e endireitou-se no sofá como Lux havia requisitado. — Pronto, satisfeita?
— Muito! — Retrucou sorridente, colocando suas mãos nos ombros de Darius e massageando-os. — Isso é bom?
— Consegue colocar mais força?
— Mais força? Ok! — Ela apertou ainda mais aqueles ombros fortes, fazendo movimentos circulares com seus polegares, visando mantê-lo relaxado. — E agora?
— Muito melhor.
Aquelas palavras teriam melhorado o dia da pequena demaciana, que ansiava pelo reconhecimento daquele general grosseiro e carrancudo. Não estava satisfeita em apenas tocá-lo nos ombros, portanto desceu as mãos, entrelaçando-as ao redor do pescoço de Darius, fechando em um abraço caloroso.
— Eu fiquei tão preocupada pensando que você poderia não voltar. — Sussurrou no ouvido do general, com lágrimas escorrendo por todo o seu rosto. — Você é meu carcereiro e inimigo, então porque nao consigo parar de pensar em você o tempo todo?
Darius permaneceu sem reação. Não sabia responder àquela pergunta, pois também estava com a mesma dúvida. Culpou-se à todo o momento por duas semanas, enquanto tudo o que conseguia pensar em meio à uma guerra era naqueles olhos de um azul profundo que o fizeram perder a noção do tempo antes de partir.
— Ah, que se foda. Só vou mandar o Draven me internar mais tarde. — Ele levantou-se bruscamente, pegando Lux em seus braços e jogando-a no sofá. Colocou-se acima dela, sem permitir que ela sinta o peso de seu corpo, pois tinha a noção de que era quase o dobro de seu tamanho e a beijou com vontade, sem hesitar. Afastou-se por um momento para averiguar a expressão de Lux, que para ele, não estava nada mal. Corada e ofegante, ela parecia implorar por mais, e seu corpo exalava desejo.
— É ainda melhor do que eu esperava. — Ela murmurou.
Darius não se conteve e encostou seus lábios nos dela novamente, com ainda mais desejo. Deslizou suas mãos pelo rosto de Lux, descendo até seus seios para acariciá-los. Afastou-se e retirou sua armadura, jogando-a no chão para causar um estrondo. Lux, apesar de acanhada, fez o mesmo, guiada por sua luxúria e vontade de ser tocada pelo homem que fazia seu coração acelerar.
Foram alguns longos minutos até que finalmente se livraram de toda aquela roupa, permanecendo apenas com suas roupas íntimas. Lux apreciava o corpo de Darius, que possuía inúmeras cicatrizes de batalha, e por algum motivo, aquelas marcas a deixavam ainda mais atraída. Tomou a iniciativa para entrelaçar seus braços no pescoço de seu parceiro e puxá-lo para si, juntando seus corpos.
— Eu estou... Quente. — Ela suspirou, ofegante.
— Deixe-me ajudá-la com isso, então. — Darius retrucou, descendo com seus lábios ao beijar desde o pescoço até a virilha de Lux, retirando sua calcinha com pressa e jogando-a no chão, para continuar o serviço. Passou dois dedos na intimidade de sua parceira, arrancando-lhe um suspiro de prazer, que o fez sorrir. Continuou a provocá-la até que implorasse para ser tocada.
— Vem aqui. — Ele a sentou no sofá e abriu suas pernas, colocando seu rosto em meio às coxas trêmulas de Lux. Passou sua língua cuidadosamente entre os lábios inferiores da moça, acelerando os movimentos à medida que ela arqueava suas costas de prazer.
— E-eu quero você. -Lux suplicou, ofegante.
— Então faça por merecer. — Ele sorri maliciosamente e se levanta, ficando completamente nu à frente de Lux.
A jovem rapidamente compreendeu o que deveria fazer, e não achou nada desagradável. Estava ansiosa para poder fazê-lo sentir-se bem, assim como ele fazia por ela. Segurou o membro rígido que estava em sua frente e passou sua língua por toda sua extensão, colocando-o em sua boca logo após, com movimentos de ida e volta, arrancando alguns gemidos de seu amado general. A sensação de tê-lo sob controle era muito agradável.
— Tudo bem, você mereceu. — Darius se aproxima e a segura em seu colo, jogando-a no sofá. Colocou-se logo acima e abriu as pernas da moça, penetrando-a lentamente.
Repentinamente, ela se afasta e algumas gotas de sangue mancham o tecido, fazendo-o recuar.
— Isso dói. — Ela sussurra, colocando as mãos em sua boca enquanto algumas lágrimas se acumulavam nos cantos de seus olhos.
— O que aconteceu? Você está bem?
— Me desculpe, eu deveria ter dito antes... — Lux fica cabisbaixa. — É a primeira vez que sou tocada por alguém. — Ela murmurou, e levantou sua cabeça para observar a reação de Darius.


O general suspirou aliviado, aproximando-se novamente para sussurrar no ouvido de Lux:
— Deixe-me fazer as honras, nesse caso.


Aquela voz rouca e grossa em seu ouvido arrepiou até o seu último fio de cabelo. Estava com tanta vontade de senti-lo novamente, e tão lubrificada que a ardência não demorou a passar. Deitou-se novamente para deixá-lo fazer o serviço, que não era nada desagradável, apesar do acontecimento anterior. Seus corpos uniram-se em um, entre beijos e movimentos desesperados que nunca pareciam ser suficientes para saciar toda aquela vontade que tinham um pelo outro. Após uma hora inteira de carícias, Darius fez questão de terminar o serviço dentro dos lábios de Lux, que não foi contra a ideia, apesar de correr para o banheiro logo após para não ser obrigada a engolir o líquido viscoso.

— Tudo certo aí? – Ele zombava enquanto a via lavar o rosto.

— O gosto disso é horrível, mas... Como é você, eu não me importo.

Satisfeito, o general aproximou-se de Lux, abraçando-a por trás, ainda desnudo assim como ela. Beijou o topo de sua cabeça e a levou para o chuveiro, para que tomassem um banho juntos. Passaram uma tarde inesquecível para ambos, inclusive com o fato de que Lux não descansaria até que Darius a permitisse cozinhar para ele. Dado por vencido, ele simplesmente aceitou o seu destino e comeu aquela péssima refeição como se fosse a melhor que já havia saboreado. Dormiram abraçados naquela grande cama, à qual Lux estava atrelada anteriormente, e na manhã seguinte, haviam combinado de encontrar Draven na cidade para que pudessem mostrar o local à ela.

— Você está realmente animada com o fato de caminhar na cidade, não? –Darius indaga, observando Luxanna que já estava pronta, vestida com as armaduras noxianas que Draven havia providenciado para ela anteriormente.

Ela assentiu, contente com o fato de finalmente conseguir manter uma conversa adequada com aquele homem, e acima de tudo, saírem juntos como um casal, apesar da presença de Draven.

— Vamos! – Lux entrelaçou seus braços no de Darius e arrastou-o para fora assim que terminou de vestir sua armadura também.

— É um risco muito alto andarmos juntos assim. – Ele afastou-se, deixando-a chateada. – Não pense que não quero ficar próximo à você, é apenas uma precaução.

À contragosto, ela decidiu aceitar. Não queria causar problemas para ele, e apenas o fato de receber uma explicação já a deixava nas nuvens.

— Bom dia, pombinhos. – Draven riu ao observá-los caminhando juntos.

— Quem é aquele cara com o corvo? – Lux questionou, deixando os irmãos com a guarda alta. –O que foi?

— Swain... – Darius murmurou.

Draven aproximou-se de Lux, colocando o machado ao redor de seu pescoço.

— Não olhe agora, mas também tem um exército demaciano vindo logo ali. – Ele apontou para as montanhas. Um exército marchava em direção à Noxus.

— Retire o colar dela. – Darius sussurrou para o irmão.

— O que? Se Swain nos vir libertando o inimigo vamos ter alguns problemas.

— Eu já pensei em tudo, apenas faça o que digo. Finja que tentou cortar o pescoço e foi atrapalhado pelo colar. – Ele se vira para Lux, olhando diretamente em seus olhos, com a tristeza revelada em seu semblante. – Assim que Draven retirar o metal de seu corpo, você será capaz de utilizar magia. Finja que nos enganou e corra em direção ao exército de seu país.

— Eu não quero ir para casa. – Ela murmurou, entre lágrimas.

— Você não tem escolha. Lembre-se que caso desobedeça minhas ordens, tirarei sua vida com minhas próprias mãos.

Ambos sabiam que cada palavra que Darius dizia era mentira, mas era para mantê-la segura. Dessa vez, ele não cometeria o mesmo erro. Não teria a mulher que ama ensanguentada em seus braços, dando seu último suspiro.

— Agora, Draven. – Ele ordenou.

Draven seguiu à risca o plano, estilhaçando o colar com seu machado. Lux conjurou uma prisão de luz para acorrentar os irmãos, e correu para os braços de Garen.

— Nós temos que sair daqui, Garen! – Ela exclamou.

— Você está viva? – Ele a abraçou com força, com lágrimas em seus olhos. – Não podemos recuar agora.

— Nós precisamos! Não há tempo, é uma armadilha. – Lux rapidamente lembrou-se de suas vestimentas e utilizou-as para completar sua mentira. – Eu estava infiltrada entre eles, olhe minha armadura.

— O brasão de Noxus...

— Ali em baixo, você vê? Eu estava entre o Mão de Noxus e Jericho Swain, os dois pilares do poder noxiano. – Ela continua, esforçando-se para fazê-lo recuar. – Confie em mim, por favor. Não podemos derramar o sangue de demacianos em vão.

Garen pensou por algum momento, e proferiu o comando para que seu exército recuasse.

— Confio em você. Vamos para casa, Lux. – Ele a abraça.

— Era uma armadilha, Swain. – Darius afirma, relembrando-se do relatório daquele dia.

— Um espião infiltrado que utiliza magia. – Swain retruca, pensativo, e então auxilia os irmãos, retirando a prisão de Lux. – Entretanto, é um vexame cair em algo como isto, Darius.

— Nem me fale. – Draven suspira.

— Deixarei passar, apenas por serem vocês dois. Não existe um homem mais noxiano do que o “Mão de Noxus”, não é mesmo? – Ele ri. – Vão para casa e voltem amanhã para discutirmos sobre o uso de magia entre o exército demaciano.

Darius e Draven assentiram e saíram em direção à casa do general, que mesmo sabendo que não poderia, não se conteve ao parar e olhar para trás. Observou-a de longe, e surpreendeu-se ao saber que ela fazia o mesmo. Estavam distantes, porém sabiam que seus olhares cruzavam-se ali, e utilizaram dessa pequena brecha para uma breve despedida em seus pensamentos.

— “Sou grato à você por me libertar de meus fantasmas do passado, Stemmaguarda. Espero que nos encontremos novamente em uma próxima vida, em melhores circunstâncias. Muito obrigado, e até mais.”

“As minhas lembranças com você estarão gravadas eternamente em minha memória e corpo, Darius. Você é o primeiro, e provavelmente o último homem por quem já me apaixonei. Graças à você, consegui ter uma nova visão sobre a vida, e como vivê-la. Serei incapaz de esquecê-lo até mesmo após a minha morte. Até mais, meu querido general.” – Ela termina, entre lágrimas.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ ME DESCULPEM QUALQUER COISA! E obrigadinhaaaaaaa por ler :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!