Meu querido diário
42 O impacto de um encontro
Notas iniciais

Era inevitável, sempre que a Maria ficava assim, instantaneamente imaginava que estava acontecendo algo com o Cebola, e ela não queria me contar para n]ao me magoar, me dividia então entre a dúvida cruel, e o respeito de não tocar no assunto para não deixá-la desconfortável.
Por fim decidi que era melhor esquecer, até porque qualquer coisa que tivesse acontecido com o Cebola com certeza naquela altura do campeonato, não teria nada a ver comigo.
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Sábado finalmente havia chegado, chequei impacientemente o relógio pela quarta vez seguida, minhas pernas já começavam a sentir o efeito da minha impaciência, faltavam apenas algumas horas para a colação de grau e o Titi não chegava de jeito nenhum.
Me olhei no espelho novamente ansiosa, analisei com um meio sorriso o resultado de duas horas inteiras de produção, meu vestido longo de frente única, possuía uma leve abertura na lateral da perna direita que revelava delicadamente a sandália dourada de salto fino escolhida para combinar com minhas jóias. No cabelo, fiz um babyless levemente armado, e a maquiagem clara em tons de rosa e dourado.
Com um susto, ouvi a porta da sala se abrir e para meu alivio alguns segundos depois apareceram as pessoas que eu mais desejava ver naquele momento entrando em meu quarto. Magali, Titi e meu pai sorriram ao analisarem o conjunto da obra.
— Ual amiga, você está linda – Ela correu para me abraçar.
— Você também Maga, agora entendi por que demoraram tanto! – Respondi sorrindo.
— O salão estava lotado, tive que esperar mais de uma hora, desculpa – Ela pediu encabulada.
— Não tem problema amiga, a culpa também foi minha, segurei a cabeleireira um bom tempo. – Conclui animada.
— Hoje é seu dia, você não tem culpa de nada – Ela sorriu me abraçando – Ainda bem que veio na frente se arrumar.
— Verdade, senão iríamos nos atrasar – Respondi aflita.
— Por isso já fui pronta, só para fazer o cabelo e a make – Ela conclui se ajeitando em frente ao espelho.
— Vamos agora papai? – Perguntei para ele que concordou imediatamente.
— A Aninha já está pronta Timóteo? – Ele questionou voltando a atenção para o Titi.
— Já, está esperando lá na frente, ela mora pertinho do colégio – Ele respondeu arrumando o cabelo.
— Então bora – Conclui correndo para o carro.
Meu pai e o Titi estavam igualmente lindos, trajavam esporte fino, calça Jeans, camisa, sapatênis e blazer.
A Magali vestia um modelo curto, um pouco acima das coxas, tubinho de cor vinho, com um sapato preto de salto alto, e o cabelo envolvido numa trança escamada.
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Fomos o caminho inteiro conversando com a mamãe via skype, ela se emocionou ao nos ver arrumados e eu e a Maga nos seguramos o máximo que conseguimos para não borrararmos toda a maquiagem.
Em um pouco mais de quinze minutos, senti o carro parar em frente a entrada do auditório do colégio, desliguei a conversa, respirei fundo, e desci do carro acompanhada dos outros três.
Havia marcado de encontrar o pessoal perto do palco, mas de cara já achei a Maria, ela estava parada em frente às duas portas enormes que davam para entrada do salão olhando para os lados, com um sorriso carreguei a Maga até ela para apresentá-las.
— Maria, arrasou! – Comentei quando a vi com um modelo tomara que caia justo ao corpo lilás, da cor que escolhemos para toda a turma – Essa é a Magali.
— Olha quem fala né?! – Ela me abraçou sorrindo – Ah, então você é a famosa amiga de Ribeirão?
— Oi, sou sim, e você é a famosa amiga do Limoeiro, prazer – Elas se cumprimentaram rindo.
— Hey, não falo taaaaanto de vocês assim não – Brinquei – Mas o que faz parada aqui na frente? Por que não entra? Os meninos devem estar nos procurando – Perguntei ainda sorrindo.
— Ah... Estou esperando meus pais – Ela respondeu um pouco sem jeito.
— Quer que a gente espere junto? – Magali perguntou educadamente.
— Er... O Cebola que foi buscá-los – Ela concluiu rápido – E eles acabaram de chegar.
Virei em câmera lenta, cortando com meus cabelos esvoaçantes o vento gélido do anoitecer, a tempo de o ver saindo do carro, e vir caminhando em nossa direção.
Não tive tempo de recuar, e nem de sair correndo, somente fiquei lá, estática, imóvel.
Senti lentamente as coisas ao redor sumirem, e meus olhos focarem somente ele que num ato inocente ergueu a cabeça juntamente aos pais para procurar a localização da irmã, mas imediatamente teve a atenção desviada, nossos olhares se cruzaram, e um mix de sensações inexplicáveis invadiu meu peito, uma vontade de chorar engasgou em minha garganta e a única coisa que eu quis foi correr até ele e beijá-lo.
Alguma coisa me dizia que ele sentiu a mesma vontade, mas entre nós um muro invisível se erguia impossibilitando que qualquer passo a mais fosse possível.
— Ah, você é a irmã do Cebola? – Magali perguntou para a Maria em um quase sussurro.
— Sou, e eu temo toda vez que eles se encontram, você também vê o que vejo?! É como se fosse uma eletricidade, mais forte que os limites impostos pela escola – Ela respondeu preocupada. – Tenho medo de eles acabarem se prejudicando de alguma forma.
— Vamos entrar Mo? – Magali questionou em bom tom para que não houvesse duvidas sobre eu ter escutado ou não.
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— Amiga, vem – Ela me puxou por um dos braços.
A segui sem olhar para trás, mas na hora tive certeza que se a festa continuasse do jeito que tinha começado, seria melhor eu preparar bem o meu emocional.
Entramos e contrapondo meu pensamento inicial imediatamente gostamos do que vimos, o salão estava todo decorado com fitilhos prateados, brincando com a capa das cadeiras enfileiras da mesma cor. Um som ambiente, e alguns quitutes e bebidas perambulavam pelo salão nas mãos dos garçons.
— Até que para somente uma colação de grau, ficou bonito né? – Comentei com a Magali que caminhava ao meu lado.
— Sim, está lindinho, tem até comidinhas – Ela comentou rindo.
— Bom, olha o papai ali com o Titi e a Aninha, vou levar vocês até os seus lugares, e depois preciso colocar a beca, jajá começa a formatura – Conclui caminhando em direção a eles.
Conversei mais um pouco com os quatro, que pegaram um lugar consideravelmente bom entre as cadeiras estrategicamente dispostas, e corri para ajustar a beca junto com a turma.
Assim que a vesti, ouvi o anuncio de chamada dos professores e alunos até o palco, e as cadeiras da frente, caminhei rapidamente olhando para minha cintura tentando estilizar de alguma forma a roupa recém colocada para que não ficasse tão folgada. Dei mais alguns passos em direção ao local e então avistei o Cebola novamente, dessa vez percebi que ele já me olhava, ficou um pouco sem graça quando encontrei com seu olhar, estava mais lindo do que todas as vezes na vida que nos encontramos, vestia um blazer preto riscado de giz, com uma calça jeans escura e uma camisa por baixo, podia jurar que várias meninas do meu ano o olhavam, mas não importava, naquele momento o foco dele era meu.
Desejei do fundo do coração que apenas algumas horas não fizessem diferença na minha idade, afinal eu já me sentia com 18, depois da meia noite iríamos somente concretizar o fato. Talvez se eu esperasse até depois da entrega dos diplomas, poderíamos nos casar e ficarmos juntos para sempre, afinal não seria mais sua aluna, e estava prestes a ser maior de idade.
— Hey, se não é a garota mais linda da festa, finalmente te encontrei ó Julieta – Com um susto ouvi a voz do Fabinho cortando o ar, e separando a força que emitia nosso encontro de olhares.
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