Notas iniciais
Oi gente. Era esse capítulo ter sido postado mais cedo, porém tive alguns imprevistos. Enfim, ai está o capítulo. Galera, comentem, por favor, por favor, por favor!

Oceano- Djavan

Assim que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim

Tobias

Burro. Burro. Burro.

Como eu pude falar todas aquelas coisas pra Tris? Eu só fazia merda mesmo. Acabei estragando tudo. O pior, foi que quando cheguei em casa, minha mãe me entregou o convite da festa, então eu me senti pior ainda.

Bom, na festa, eu investi repetidamente na tentativa de falar com Tris, mas o que sempre acontecia era que ela me deixava sozinho, ou a Christina me xingava e mandava eu me situar.

Mas eu resolvi, que iria melhorar as coisas. Seria cuidadoso para que Tris não me pegasse em situações nas quais eu não pudesse me explicar. Não iria me embebedar pra esquecer de tudo. Não.

Eu traria meu lado profissional a toda e seria racional e paciente. E ao pensar em profissional, as palavras de Eric me vieram a mente.

"- São novos tempos, em novos lugares, então precisaremos de novos funcionários nesses novos lugares. Por isso, não se assustem se daqui alguns meses vocês receberem uma carta os intimando a se mudarem."

Eu fiquei temeroso em relação aquilo. Eu não queria me mudar, não queria que algum de meus colegas se mudassem. Eu não queria que ela se mudasse.

– Sabe, você deveria se levantar. Nada se resolve sozinho. — Disse minha mãe entrando no quarto. Não me importei nem em me levantar e fechar as cortinas quando minha mãe as abriu. Estava muto ocupado me lamentando.

– Não quero e não vou sair desse quarto hoje. — Disse me enrolando no cobertor.

– Tobias, pelo amor de Deus, você está parecendo um adolescente fresco que levou o seu primeiro pé na bunda. Você fez merda sim, e vocês terminaram, mas você é adulto e deve agir como tal. — Minha mãe puxou com violência o cobertor que cobria meu corpo.

– Eu me sinto um idiota, eu sou um verdadeiro idiota. — Eu disse me levantando e pegando minhas roupas lentamente.

– Não é não. Agora você vai tomar um banho e se isso te alivia, eu vou ir lá na Tris confirmar a história de que eu sou sua mãe e pronto. Você não pode se abater. — Disse minha mãe me entregando uma toalha limpa.

Enfim, de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Tirei a minha roupa e liguei a água fria. Isso me despertou totalmente.

Minha mãe tinha razão, eu era um adulto e tinha que agir como um. Mas eu não iria desistir de Tris. Eu a conquistaria, não como fiz da primeira vez. Não sendo um cafajeste e apenas namorando-a por causa dos nossos repetidos encontros ocasionais.

As pessoas só reparam no valor das outras pessoas quando as perdem. Isso aconteceu comigo. Eu estava acostumado a pensar que Tris sempre estaria disponível pra mim quando eu precisasse. Porém eu estava enganado. Por isso eu agia daquele jeito cafajeste. Quando eu percebi que ira perdê-la e pensei que não suportaria, dei um jeito de mudar de atitudes, mas aí, tinha que vir essa maldita proposta e que acarretou uma serie de acontecimentos nada legais.

Agora aqui estou eu. Tentando me animar para mais um dia e vou me empenhar em Tris. Eu sei que as férias não serão pra sempre e que daqui a algumas semanas teríamos trabalho e depois tudo seria mais difícil.

– Tobias, sai desse banheiro ou você vai derreter. — Disse minha mãe interrompendo minha linha de pensamento.

Sequei-me, coloquei uma roupa confortável e desci.

Minha mãe estava na cozinha, um prato de ovos mexidos e bacon estava em cima da mesa, especialmente para mim. Sorri.

– Parece que finalmente decidiu alguma coisa. -Disse minha mãe sorrindo para mim e se sentando na minha frente.

– Nós vamos na casa de Tris e você vai explicar pra ela. — Eu disse entre uma garfada e outra.

– Você sabe que isso não vai fazer ela te perdoar né? — Perguntou minha mãe enquanto me observava comer. Assenti com a cabeça.

– Sei sim, só que vai amenizar as coisas. — Eu disse e dei um mini sorriso.

Depois de comer, peguei as chaves do carro e fui com minha mãe em direção a casa de Tris. Se ela não me ouvir, iria ouvir minha mãe.

Acelerei o mais rápido que pude, mesmo aguentando as reclamações de minha mãe sobre estar muito rápido.

Toquei a campainha de seu apartamento e ela atendeu a porta. Usava um all star preto, calça jeans clara, blusa preta abaixo dos quadris e um coque frouxo no alto da cabeça.

Quando Tris viu que era eu, sua primeira reação foi fechar a porta na minha cara. Fui mais esperto e coloquei o pé antes, impedindo que ela fechasse a porta completamente.

Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na sela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor

– O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela desistindo de forçar a porta.

– Você não acreditou em mim. Trouxe minha mãe pra provar que era verdade. — Indiquei minha mãe com o dedo e ela sorriu e acenou.

– Tobias, por favor, só saia daqui e me deixe terminar o que estou fazendo. — Disse Tris suspirando cansada. Não parecia arrasada, ou triste. Parecia apenas, extremamente cansada.

– Eu vou, mas só se você nos ouvir. — Tris se deu por vencida e nos deu passagem. Minha mãe entrou logo atrás de mim.

A primeira coisa que notei, foram vários papeis espalhados pelo chão ao lados de vários lápis, xícaras de café e borrachas.

– O que você estava fazendo? Por que está tudo espalhado pelo chão? — Eu perguntei olhando para Tris que recolhia seus papéis e colocava sua xícara na cozinha.

– Eu estava... — Tris começou mas parece que pensou melhor. — Não te interessa. Digam logo o que querem e vão embora. Estou muito ocupada.

– Tudo bem, seremos breves. — Minha mãe se pronunciou pela primeira vez desde que chegou aqui.

– Sentem-se. — Disse Tris e se sentou em uma poltrona de frente pra nós.

Minha mãe explicou tudo e confirmou que era realmente minha mãe. Tris não acreditou, alegando que minha mãe tinha que ser mais velha. Bom, aconteceu que para resolver, minha mãe teve que apresentar seus documentos para Tris.

– Sabe, acho que você foi muito errada ao não ter se esclarecido lá no bar. — Disse Tris apontando para minha mãe.

– Não sou de me intrometer na vida do meu filho. Esse assunto não cabe a mim. -Disse minha mãe levantando as mãos em sinal de rendição.

Minha mãe era louca, só pode. Ela sempre deixava a confusão acontecer, sendo que sabe que pode evitar, pra depois da merda toda feita, ela decide consertar tudo.

– Você vai me perdoar? — Eu perguntei.

– Não, mas valeu a tentativa. — Tris disse e eu sorri. Ela caminhou até a porta e a abriu. — Agora, vão embora.

– Vai nos expulsar assim? — Minha mãe perguntou.

– Não quero ser grossa, mas desde quando eu estou em minha casa e estou ocupada, tenho todo o direito de pedir que se retirem. — Disse Tris indicando a saída.

– Fique bem, Tris. — Eu disse ao passar pela porta depois de minha mãe.

– Pode ter certeza que eu ficarei bem, mas realmente espero que você passe mal. — Ela disse e bateu a porta na minha cara.

– Eu disse que não ia adiantar. — Minha mãe assegurou revirando os olhos.

– Pelo ao menos é uma preocupação a menos. — Eu disse e segui para minha casa com minha mãe.

Pelo ao menos, valeu pra alguma coisa.

Vem me fazer feliz porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
Me esqueço que amar é quase uma dor
Só sei viver se for por você!

Notas finais
Bom gente, espero que gostem. Comenteeeem