Notas iniciais
OIIII

Laura sabia o que estava acontecendo, mas fingia parecer confusa. Estava no banco do metrô com seu irmão, seus pais um pouco à frente. Ela sabia que estavam fugindo dos sequestradores, a gangue que havia dominado os jornais.

Estava tudo calmo quando dois homens e uma mulher entraram no metrô. Houve muita gritaria. O primeiro homem pegou a mãe de Laura e outra mulher. O segundo pegou seu pai e outro homem. Laura se escondeu em baixo do banco da frente, e logo em seguida a mulher levou seu irmão. Eles saíram e o metrô voltou a andar. Laura bateu a cabeça e acordou em um lugar estranho, sem se lembrar de muita coisa.

Ela estava sentada em uma cadeira com sua mala do lado. Olhou em volta e viu uma mulher e um homem conversando baixo. Havia também uma menina agarrada à saia da mãe.

—Ah, ela acordou, mamãe!

A menina gritou. A mulher fez um sinal para o homem e se aproximou de Laura.

—Oi, meu bem. Me chamo Patrícia, e esses são minha filha Marta e meu marido Augusto. Como se chama?

A mulher era magra e baixinha, e seu cabelo era cacheado, pintados com uma tinta azul começando a desbotar. Sua filha era magra também, assim como o pai, e tinha cabelo preto e liso. O marido era alto, com cabelos iguais aos cabelos da filha, e tinha olhos verdes.

Era engraçado o quanto eles eram tão magros e tão bonitos. Laura não era muito magra, mas com certeza não era gorda. Usava o cabelo ruivo e liso sempre preso, mas aquela família era realmente bonita, com exceção da sua magreza esquisita.

—Me chamo Laura, e provavelmente moro bem longe daqui. Você pode me dizer onde eu estou?

Augusto chegou e lhe deu uma xícara de chá.

—Está em um abrigo de proteção, é onde moramos. – Um porquinho entrou na sala e começou a cheirá-la – Minha esposa já deve ter lhe dito, mas meu nome é Augusto. Não dê bola para este porco, estamos procurando um lar para ele há meses.

—Oh, não, ele é maravilhoso! Nunca vi um porco na minha região. Qual é o nome dele?

—Não tem. Se quiser para você, pode botar um nome. Lhe levaremos para algum lugar amanhã de manhã.

—Posso levá-lo sim. Agora, me diga, o que é um abrigo de proteção?

—É uma casa que fica em uma vila muito perto da cidade, mas que é especializada para nos proteger dos sequestradores. Moramos aqui há algum tempo. Por sorte, essa é a única vila que tem um orfanato, e você vai para lá.

—Não! Por favor, prefiro morar na rua com meu porco. Vocês podem me dar almoço e jantar. Algo básico, é claro.

A mulher abriu um sorriso.

—Temos um quarto sobrando, pode morar conosco. Terá que ir para escola todas as manhãs, e à tarde pode tirar uma hora para lavar a calçada.

A menina se sentou no sofá.

—Não se preocupe, mamãe é boa.

—Tudo bem. Mas por favor, me expliquem a situação.

—Bom, seus pais e você e seu irmão estavam fugindo, porque os dois devem ter protestado contra os sequestradores, que descobriram a fuga e os sequestraram. Você se escondeu em baixo do banco para a diretora do orfanato não lhe levar junto, mas seu irmão não conseguiu escapar. Logo você bateu a cabeça e desmaiou. Nós estávamos na lanchonete quando a encontramos largada no chão e a trouxemos para cá.

Depois dessa conversa, nada foi bom como dormir, mas Laura estava com medo de ser levada pela gangue.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.