Notas iniciais
Oioioi
Espero que gostem da minha história. Eu posto todo dia um capítulo e espero mesmo que gostem disso aqui. Um beijoooo.

~Joko *3*

Sentei na cama e cocei minha cabeça, que latejava ferozmente. Tentei olhar ao redor, mas luz branca fez meus olhos arderem. Pisquei algumas vezes para só então olhar ao redor: sala de hospital, provavelmente emergência. Olhei para o meu corpo e percebi que usava as roupas que pessoas usam em hospitais, deitada em uma maca e com alguns curativos pelo corpo, esse que doía como se estivesse sendo esmagado.

De costas para a minha maca, estava um homem alto, de terno e loiro. Ele não tinha um porte tão atlético, mas também não era fraco, eu diria que ele era um homem... bem vestido. Ele se virou para mim e abriu um sorriso. Os olhos azuis brilharam ao por os olhos em mim, como se não controlasse as pernas, ele correu desengonçado em minha direção.

— Que bom que acordou, meu amor! – ele pôs a mão grande em minha cabeça e deu um beijo em minha testa, logo depois tentou me beijar, mas eu virei o rosto. – Certo. Desculpe-me, eu sei que fui além do que eu deveria, me perdoe!

— Perdão... – empurrei-o de leve para longe de mim. – Mas, quem é o senhor?

O homem me olhou pasmo, como se tivesse visto um fantasma. Questionei-me se a via dito algo errado, mas recapitulando o que dissera, não tinha nada de errado. Eu não sabia o porquê de estar ali, muito menos quem era o homem, tudo o que eu sabia era: sou Reyna Arellano-Ramirez. Pronto. Idade, vida, pais, irmãos, filhos. Nada! Eu não sabia de absolutamente nada além do meu nome.

— É alguma brincadeira, Reyninha? – perguntou o homem apreensivo, confirmando que Reyna era meu suposto nome, esperava que o sobrenome fosse o mesmo também.

— Não. Eu realmente não faço a mínima ideia de quem é o senhor!

O homem correu para fora do quarto, me deixando só. Levantei de cama negando com a cabeça, tirei todos os fios que estavam em mim e caminhei até onde tinha uma espécie de mochila- era uma mochila, mas também podia ser carregada pela mão ou por como bolsa de lado. Depois analisar o que tinha lá dentro, percebi que tinha roupas femininas, mas não gostando de nenhuma delas, peguei apenas a jaqueta de couro, a regata e a calça, ignorei completamente o terno feminino e blusa de ceda.

Ainda mexendo na bolsa, encontrei um celular e uma foto com ele. Destravei-o e vi um menininho, em torno de 3 ou 4 anos, como papel de parede e eu consegui me reconhecer ao lado dele. Na foto, estávamos eu, o menininho e o homem, todos sérios e bem vestidos. Parecia uma foto em família bem triste. Guardei a foto dentro da mochila de novo e travei novamente o celular, esse que esse não tinha senha. Perguntei-me se eu não ligava de roubarem meu celular.

— Querida, por que levantou? – virei-me assustada para onde ouvi a voz. O homem tinha voltado acompanhado de um médico. – Como eu disse, doutor, ela acordou.

— Senhorita Avilla, a quanto tempo acordou? – perguntou o médico, muito bonito por sinal.

— Tem uns 15 a 20 minutos. – respondi confusa.

— Lembra-se de Octavian?

Franzi o cenho.

— Quem?

— Octavian, amor. Seu marido, no caso, eu. – encarei o homem, abismada. Eu era casada? – Viu doutor? Ela não se lembra. Por quê?

— Pode ter sido a intensidade da queda, quero dizer, ela chocou-se contra uma parede de vidro e depois caiu rolando por uma escada de metal. Suponho que tenha batido a cabeça com muita força. – o doutor falava mais sozinho do que para nós. – Senhorita, lembra-se de alguma coisa?

Parei para pensar, forcei minha mente, mas nada vinha. Na verdade, o que veio foi uma bela pontada na cabeça.

— Ai... Não, não me lembro de nada.

— Bem, é apenas uma amnésia retrógada. Logo ela irá se lembrar de tudo, senhor Octavian. Bem, como já se recuperou, pode ir, senhorita.

O médico saiu e Octavian, o homem loiro, pegou a mochila atrás de mim. Ele me olhou sorrindo fraco e me empurrou de leve para que eu começasse a andar, já que eu empacara ali. Segui o loiro pelo hospital, todos cumprimentavam Octavian, como se fossem amigos de infância.

Será que ele é médico?

Ao sairmos no estacionamento no ultimo andar do prédio, Octavian destravou um mini cooper vermelho e guardou as coisas- uma maleta preta, a mochila e uma bolsa- no porta-malas. Ele abriu a porta do passageiro para mim e sorriu gentil.

— Entre, vamos para casa. – ele disse.

Entrei ainda estranhando. Se até mesmo o médico dissera que eu era casada com aquele homem, talvez eu realmente fosse. Mas, se eu era casada, mesmo tendo esquecido de tudo, eu deveria sentir algo por ele, certo? Então por que eu não sentia?

Pus o sinto de seguranças bem a tempo de Octavian pisar fundo e por os óculos escuros.

Nova Iorque, a cidade que nunca dorme. Parecia-me que aquele slogan para a cidade tinha caído muito bem. O sol já começava a se por quando saímos do hospital, mas parecia que todos ainda trabalhavam a todo vapor, como se fosse 9 da manhã.

Octavian pôs uma música qualquer, disse que eu gostava, mas eu particularmente achei ela enjoativa: a cada cinco versos, dez era a mesma coisa. Eu estava me sentindo perdida, uma mistura de solidão com enjoo. Era estranho pensar que talvez eu fosse mãe e que tivesse um filho com o cara ao meu lado, que já me parecia vulgar o suficiente.

O rapaz ao meu lado pôs a mão na minha coxa quando paramos no sinal e sorriu para mim, tentei não puxar minha perna e abrir um sorriso ao menos aceitável, mas falhei piedosamente nos dois. Octavian formou uma linha com os lábios, parecia decepcionado.

Depois de muito dirigir- e parar no McDonalds para comprar janta, que Octavian disse provavelmente já estar feita, mas que ele queria era o sanduiche-, chegamos a uma casa grande. Era dois andares, a entrada era toda feita em detalhes de madeira e tinham arbustos em forma de bichos enfeitando. Fiz careta para aquilo. Eu não podia ser tão careta assim, principalmente por a casa ser toda em preto e branco!

Octavian e eu descemos e logo entramos na casa. Tinha em torno, no mínimo, de 5 serviçais: dois mordomos, uma governanta e outras duas empregadas. Pensei que talvez não precisássemos de tanta gente assim, mas não disse nada. Octavian mandou que pusessem a mesa e, ao invés de servir o jantar, servisse o que compramos no McDonalds, além de um deles chamar por Thiago.

— Querida, gostaria de trocar de roupa? – perguntou Octavian.

— Eu estou bem assim, obrigada. – sorri gentilmente.

— Papai! Mamãe! – olhei para o pé da escada.

Um menininho de cabelos dourados descia as escadas correndo, os olhos castanhos claros brilhavam em excitação. Ele estava com uma calça social bege, uma blusa social azul por baixo de um suéter azul escuro e uma gravata, além de usar sapatos sociais e os cabelos muito bem arrumados. Era o menininho da foto tanto do celular quanto da foto impressa. Mas na foto do celular, ele parecia mais criança que agora e na foto impressa.

— Filho, olhe os modos! – brigou Octavian com a pobre criança.

Segurei-me para não olhar repreensiva para Octavian.

— Desculpe papai. – o menino abaixou o olhar, mas logo me encarou e abriu um sorriso. – A senhora está melhor, mamãe?

— Ma...mãe? – repeti chocada.

— Papai, o que aconteceu com a mamãe? – para uma criança tão pequena, eu diria que o vocabulário dele era bem melhor do que de muita gente. – Ela gosta mais de mim, porque foi minha culpa o que aconteceu mais cedo?

— Não. – acocorei-me a sua frente e o segurei pelos braços, fazendo-o me encarar. Não soube exatamente o porque de eu estar fazendo aquilo, mas ao ver aqueles olhinhos se enxerem de lágrimas e um biquinho se formar, meu coração se partiu. – Não foi culpa sua, não é culpa sua, pequeno.

— Escute, Thiago. – o menininho olhou para o pai. – Mamãe está com amnésia, a pancada foi com muita força.

O menino ficou com uma cara um pouco confusa.

— Isso quer dizer... – ele me encarou. – Que eu não me lembro de nada antes de acordar no hospital.

— Nem de mim? – ele parecia magoado.

— Desculpe... – encarei o chão.

Eu estava cada vez mais confusa. Eu podia sentir um sentimento dentro de mim por Thiago, um pequeno, fofo e meigo menino, mas por meu próprio marido tudo o que eu pensava era em como eu pude ser capaz de casar com um ser deste. Não era algo normal, principalmente em horas como essas, dizer a uma criança que a mãe dela não se lembrava dela com tanta frieza. Octavian estava se passando por um péssimo homem e eu queria entender o que estava dando em mim para me sentir tão estranha em relação a ele.

Uma mão pequena mão pousou em meu ombro. Thiago sorriu para mim quando o olhei, ele me deu um beijou minha bochecha e, de forma meiga, disse:

— Vou fazer a mamãe se lembrar de mim.

Logo após isso, todos nós fomos jantar. O jantar INTEIRO foi em silêncio, eu nunca pensei que fosse ver uma criança tão nova tão quieta, mesmo após ver um McLanche Feliz. Pior, nunca pensei presenciar uma pessoa comer sanduiche de garfo e faca, terem de cortar o sanduiche da criança para ela comer com o garfo. Aquilo era loucura, eu me senti tentada a comer o meu wrap com a mão, mas tive de comer como? COM GARFO E FACA!

Quando acabamos o jantar, Octavian mandou que Lurdes, uma das empregadas- que acabei descobrindo ser a babá 1 de Thiago, o que me fez questionar se eu não fico com meu filho para ele ter duas babás... ou mais-, levasse o pequeno Thiago para a cama. Ele nos desejou boa noite e seguiu com Lurdes para o quarto. Senti nojo de mim mesma quando fui impedida de dar um beijo de boa noite em meu próprio filho.

Que merda era essa que estava acontecendo?

Octavian me guiou para o nosso quarto. Era até bonito, não era tão... careta como todo o resto da casa. Era algo bem chique, exagerado e, porém, confortável. O loiro me disse onde tinham roupas limpas, mostrou-me o banheiro da suíte- que ser precisa de uma banheira tão grande em um mísero banheiro? Orgia?- e disse que iria está no escritório, trabalhando, eu poderia sentir-me a vontade.

Não me dei ao trabalho de questionar o porquê de eu ter três closets, estava ficando com nojo de mim mesma. Apenas tomei banho, no chuveiro, e vesti, depois de muito procurar, uma roupa de dormir decente, porque aquelas camisolas quase transparentes em meu closet era impossível de se dormir com aquilo. Vesti um blusão que encontrei com um short de flanela.

Joguei a caixa que encontrei no closet em cima da cama, como não sabia exatamente quem eu era, decidi procurar. Tinha um álbum de fotos lá, eram duas jovens: uma tinha o rosto riscado com canetas de diferentes cores e a outra parecia eu um pouco mais nova. Depois de folhear bastante o álbum, decidi olhar as outras coisas. Tinha um rosa vermelho já murcha, uma aliança de ouro branco com uma pequena pedrinha azul bem clara- supus ser uma aquamarine, mas não tinha certeza, era caríssimo algo assim- e uma outra foto impressa. Reconheci-me com uma cara de surpresa para a câmera enquanto a outra garota, uma ruiva de olhos verdes, segurava a câmera com sorriso divertido- parecia estar rindo.

Suspirei. Fiquei surpresa ao perceber o que eu fizera, não só suspirara como também acariciara a face da ruiva com o polegar. O que dera em mim? Ela me parecia familiar. Era a primeira vez que isso acontecia desde o momento em que acordei. Aquela garota... Quem poderia ser?

Curiosa, levantei da cama e guardei a caixa, deixando apenas a foto do lado de fora da caixa. Corri para fora do quarto. Um mordomo estava no corredor, então o questionei onde era o escritório de Octavian, o senhor desviou o olhar do meu e respondeu:

- N-no final do corredor, segunda porta a esquerda, ama. – ele estava com medo de mim?

Sorri agradecida e lhe dei um beijo na bochecha, o que o fez corar e me olhar surpreso. Eu era mesmo um monstro...

- Obrigada. – após fazer o percurso que o senhor dissera, bati duas vezes na porta de madeira pintada de preto e um logo entrei. Octavian me olhou torto, não quis tentar descobrir se era por minha roupa, por eu ter batido na porta ou por simplesmente estar ali. – Preciso da sua ajuda.

- Diga-me, meu amor. – ele sorriu gentil.

Aproximei-me da mesa dele e sentei na cadeira, mostrando a foto. Ele franziu o cenho confuso, segurou-a em uma das mãos e me encarou.

- O que houve amor? – perguntou ele confuso.

- Primeiro, não quero ser grossa, mas para de me chamar assim. Eu me sinto uma idiota não me lembrando de você. Segundo... Quem é essa garota?

Octavian riu e me devolveu a foto, voltando-se para o computador.

- Como vou saber? Nem sabia que você tinha uma amiga quando adolescente.

- Mas... tem um álbum cheio de fotos minhas com essa garota, só que com o rosto riscado! – tentei insistir.

- Álbum? Você nem gosta de tirar fotos. – ele me olhou confuso. – Querida, acho melhor descansar. Amanhã iremos à empresa arrumar algumas coisas para que você possa ficar de repouso em casa até lembrar-se tudo. Boa noite. – ele apontou para a porta.

Bufei, levantando e saindo. Grunhi enquanto caminhava pelo corredor. Encarei novamente a foto e minhas mãos e mordi o lábio inferior. Eu já queria mais saber quem eu era, queria saber quem ela era, talvez ela pudesse me ajudar.

Entrei no quarto e me deitei, enrolando-me. Fiquei encarando a foto até pegar no sono, coisa que não demorou muito. Mas a ultima coisa que me lembrava de antes de dormir era do meu pensamento de “preciso encontra-la”.

Notas finais
Espero que tenham gostado, até amanhã.
Um grande beijoooooooooooo.

~Joko *3*