Notas iniciais
>Obrigado por darem uma chance a mim.
>Espero que gostem. ♥

—Querida venha até mim, por favor, não faça sua mãe esperar tanto- Disse Amélia com um tom tão falso quanto os sorrisos de Luna.

Lembro-me bem desse dia, foi a primeira vez que senti nojo da minha própria mãe, e dentre essas coisas também foi o dia do meu primeiro corte, o primeiro de vários, e vários, e vários de vários “se é que isso existe”.

Era uma manhã de quinta-feira, o dia estava ensolarado e eu e minha mãe iríamos ao shopping, eu tinha só 14 anos, e hoje estou preza aos 15, nunca sairei dos 15 anos, minha mãe sempre foi falsa comigo, seus tons de falas eram tão falsos quanto às histórias que ela inventava do meu pai que não conheci, fomos “felizes” até o shopping, comprei umas blusas de 19,99... Já a minha mãe com sua mania de gastar comprou dois vestidos cada um com o preço mínimo de 200,00 reais, ela sempre foi gastadeira, dava valor aos seus bens materiais e nunca a mim, ela bebia às vezes, mas quando bebia era até cair bêbada, e eu a querida filha que ela tanto ama quando está passando mal.

Chegou à noite, meu quarto está um breu total, até que um feixe de luz atravessa o vidro da minha janela, por um milagre levanto da minha cama e me dirijo a tal, observo para ver da onde vem aquela luz que eu estava odiando, pois gostava muito do escuro, vi que era da casa vizinha, que por sinal eu suspeitava muito do que se passava lá dentro, mas não tem muito que fazer a não ser deitar e chorar, eu já estava acostumada a essa rotina depressiva, sentei na minha cama e as lágrimas logo desabaram, era difícil ser odiada pela única pessoa da sua família. Só queria saber o motivo de ela me odiar tanto, é pedir muito?

Eu já tinha ouvido falar de automutilação, algumas amigas minhas fazem e se sentem aliviadas com os cortes, será que funcionaria comigo também? Desci do meu quarto até a sala bem devagar para que minha mãe que estava quase em coma alcoólico não me ouvisse, peguei umas moedas de um real na sua bolsa e fui até um supermercado 24 horas do meu bairro, tinha uma prateleira cheia de giletes, vários tamanhos, várias marcas, vários tipos, mas uma só conclusão para mim, alguns cortes que eu esperava que me aliviassem, peguei logo a mais barata que tinha, custava em torno de dois reais uma caixinha cheia delas, logo após fazer esse feito nada legal voltei para minha casa para usar lá como eu queria, sentei na minha cama, abri a caixinha e era como se elas me disse sem —Olá Luna, meu nome é gilete- foi algo muito estranho, confesso que eu estava com muito medo, e passei direto no pulso fortemente como se eu estivesse cortando algo muito duro, lembro de tudo começar a girar, tudo começou a escurecer...

PI... PI... PI... Esse era o som que escutei logo após ter feito o corte, onde eu estava? Tudo era branco, tinha uma mulher fumando na minha frente, quando minha visão melhorou notei que eu estava no hospital, eu estava fraca, meu corpo doía, e então escutei a seguinte frase da tal mulher que eu não tinha certeza de quem era:

—Durma sua vadia, você só está na merda de um hospital, se quiser morrer deixa que eu mesma te mate da próxima vez.

Comecei a chorar, a me debater, a literalmente me desesperar, então veio uma enfermeira e me deu um calmante que me fez dormir, mas antes de cair em um sono profundo e forçado percebi que a tal mulher que tinha me falado aquelas palavras horríveis era minha mãe, minha própria mãe.

Tudo aquilo já passou na cabeça da minha mãe, mas em mim ainda está marcado em uma cicatriz forte e grande marcada em meu pulso, minha mãe me disse que eu quase morri por ter perdido muito sangue e ainda me disse as tais palavras:

—Está satisfeita Luna, quase morreu e ainda me fez sair do bar para ir ao hospital, e o amor que você sente por mim?-

Deve estar no meu pulso o amor que sinto por você, nunca demonstrou carinho e nenhum afeto para mim, sempre me odiou e sempre deixou claro isso, você é tão falsa dona Amélia. Queria ter respondido exatamente assim para ela, mas com medo de levar um belo tapa na cara fiquei quieta, quieta como sempre, isso foi dois meses após o acontecimento da tentativa de suicídio, achei que depois disso tudo melhoraria, mas tudo só piorou agora minha mãe é drogada e me bate quase todos os dias, além da marca no pulso, tenho marcas em quase todo meu corpo agora.

Outro novo dia entediante começa, há dois dias eu não almoço e nem vou para a escola, minha mãe disse que devo trabalhar, tenho apenas 14 anos e já vivi tudo isso, estou novamente cansada e determinada em acabar com minha vida, encontro em cima da mesa uma cartela com dez comprimidos de um calmante que minha mãe toma para dormir, sem pensar duas vezes tomei todos de uma vez só, aquelas mesmas sensações começaram de novo, dessa vez foi mais demorado, os remédios ainda estavam fazendo efeito, sem perder tempo peguei uma gilete e fiz alguns cortes na horizontal e na vertical, dessa vez fiz cortes maiores, mas com menos profundidade, antes de tudo girar e escurecer cai direto para trás como alguém que levou uma facada.

PI... PI... PI... De novo escutei esses mesmos barulhos, dessa vez eu estava sozinha no hospital, isso foi alguns dias antes do meu aniversário de quinze anos que sempre sonhei em ter, pensei comigo mesma -Como eu ainda estou viva- Não podia ser verdade, já era a segunda vez que tentei me matar e eu continuava viva... Dessa vez fiquei menos tempo trancada no hospital, só que sem a minha mãe, após todo esse processo de novo, ganhei alta bem no dia do meu aniversário, sai do hospital triste por não estar morta, mas eu tinha uma carta na manga, quando cheguei em casa minha mãe estava me esperando com uma festa de aniversária surpresa, me animei achei que minha mãe tinha mudado, mas só achei mesmo...

Dei alguns paços até a frente daquele monte de gente que eu não conhecia, ficou um silêncio total, tirei todas as minhas giletes do bolso e as joguei naquelas pessoas, minha mãe me mandoueu calar a boca e eu realmente calaria, mas não só a minha boca, também a minha vida, tirei da minha cintura uma arma que eu guardava a um bom tempo, minha mãe tentou tirar da minha mão, mas eu apontei a arma para ela e a mandei ficar quieta, eu já estava louca, uma psicopata, mas já estava cansada de viver, então eu disse minhas últimas palavras:

—Meu nome é Luna!-

E então apontei a arma na minha cabeça, puxei o gatilho lentamente, minha mãe chorava pedindo desculpas, aquelas pessoas que eu não sabiam quem eram estavam boquiabertas dizendo não! Mas eu dizia sim! E então apertei o botão e atirei em minha própria cabeça.

Eu cheguei aonde eu queria, eu cometi o meu suicídio, e agora eu superei tudo, agora estou morta e não posso contar nada a ninguém.

Notas finais
Obrigado por ter chegado até aqui.

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♥
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