Meu noivo perfeito
11 Uma dança destruída
Notas iniciais
– Acredite, Saky, quando meu irmão promete algo, ele cumpre. — Hinata falou entre uma colherada de musse-de-limão.
Nós duas fomos sentar em uma das magníficas mesas do grande salão quando a encontrei. Claro, que ela praticamente me ameaçou se não contasse por detalhes sobre todo meu passeio com o irmão dela. Eu, pobre e indefesa, tive que narrar até sobre a cor do guardanapo com o qual Sasuke limpou o canto dos meus lábios. Hinata conseguia ser assustadora, ainda mais por ameaça. Eu ainda nem sei como ela não me abraçou quando contei sobre essa parte, que na opinião dela foi muito romântica e sensacional, contando com a relação que eu e Sasuke temos. Ok, eu admito, ela soltou uns gritinhos animados, o que acabou me levando a fazê-lo também. Eu já estava nos acontecimentos finais.
– Nossa, eu realmente estou muito animada com vocês dois, fala sério, o que você me falou significou muito. Então, vou te explicar um pouco do meu ponto de vista, não que eu passe mais muito tempo com meu irmão, já que eu ainda moro na casa de meus pais e ele tem o seu próprio lugar, mas ainda é o mesmo cara que me jogava na piscina só para me irritar. — foi engraçado vê-la fazer uma cara de desgosto no final. Eu daria minha vida pra conseguir visualizar o que ela me disse, quem diria, nem criando um holograma ultra avançado eu consigo imaginar aquilo. — Me responda, quantas vezes disse que ele sorriu para você?
Sem me importar o motivo da pergunta, fiz um breve check-up do passeio.
– No torno de 8 ou 9 vezes, eu acho, isso se contar os sorriso de lado. Por quê?
Ela deu um sorriso enorme. E as perguntas ainda não haviam encerrado.
– Ok, como exatamente era o tom de voz que ele usava enquanto conversava com você? — essa eu admitia que era uma pergunta bem interessante, eu adoraria que ela me explicasse o significado daqueles tons.
Pus a mão no queixo e fitei um dos fantástico ilustres do teto. Como eu poderia explicar?
– An... Bem, como posso explicar?
– Sério, profissional, calmo, desinteressado, interessado, antipático, simpático, manso, gentil... — a cortei.
– Isso, gentil! Sei lá, como se... ele estivesse à vontade...
– Com uma pessoa pela qual ele tem simpatia. — Ela terminou a frase para mim. Eu assenti o que ela disse. — Saky, algo que eu posso afirmar não só sobre meu irmão, mas também sobre os homens é: um dos maiores segredos é o tom da voz. — ela apontou colocando a taça vazia sobre a mesa. — Deixe-me adivinhar, ele usou um tom mais grave quando falou com as mulheres do sorvete, certo? — levantei uma sobrancelha diante da adivinhação dela. Isso provava o quanto ela realmente entende sobre isso.
– Como...?
– Depois eu explico. — assenti. — O motivo da voz mais grave com certeza foi: desconforto, profissionalismo e, eu torço, que também tenha sido pela antipatia. Outra coisa, Sasuke não é um homem que sai por ai e usa essa voz, gentil, com qualquer um. Nem com nossos próprios primos eu presencio isso muitas vezes. Às vezes, quando eu não estou irritando ele, posso dizer que Sasuke também a usa comigo. — ela riu com escárnio.
– Você irrita ele?
– Ah, sabe, aquelas coisas de irmãos, gostar de intimar com o outro só por maldade, algo que nunca saiu da nossa relação. — franzi o cenho. — Ah, você me entende? Já que não tem nenhum irmão eu pensei que...
– Ah, não, eu entendo. — sorri confortando-a.
– Por favor, não pense que sempre somos monstros um com o outro, na maioria das vezes somos bastante unidos. — sorri compreensiva. — Voltando ao assunto principal, eu só posso garantir uma coisa, Saky. Você é uma mulher de sorte. Muita sorte. — falou soltando uma risada, que estava mais para diabólica do que feliz.
– Sorte...?
– Claro que sim! Sabe com quantas pessoas eu acho que ele já usou essa voz em toda a vida? Umas cinco ou seis. Isso, minha querida, é um sinal. Eu sinto como se minha alma estivesse interligada. Acredite quando eu digo que, você já tem um lugarzinho no coração de Sasuke. — ela soltou com uma cara séria.
Franzi o cenho e arregalei os olhos. Depois soltei uma gargalhada.
– Por favor, Hina. Isso... é.... ridículo. — finalizei com um suspiro. Hinata já estava viajando na maionese.
– Saky, acha que eu diria essas coisas só por dizer? Não. Olhe, quero que confie em mim, principalmente em você mesma. Se continuar diminuindo a realidade dessas coisas, só estará piorando. Não despreze isso, no fundo você acredita, sei disso. — ela falou pegando minha mão e apertando, depois soltou pegando a bolsa de colo e se levantando apressada.
Estranhei a atitude repentina dela e perguntei preocupada:
– Algum problema, Hinata? — me levantei pegando meu celular e colocando na bolsa temporária que ela havia me emprestado. Temporária pra mim, mesmo ela dizendo que adoraria que eu ficasse.
– Saky...
– Sim?!
– Que horas são? — por mais que estranhasse a pergunta olhei no meu celular.
– 19:50. Por que?
– Sabe que horas será o lual?
– Não.
– Exatamente às 21:30. Sabe o que isso significa?
– O que...
– Nós temos apenas em torno de duas horas para nos arrumarmos para o lual, Saky! Duas míseras horas! — ela quase explodiu segurando meus braços. Sua feição continha apenas desespero e pavor. Depois de livrar-me do agarro começou a caminhar pelos através das mesas até o terceiro andar, onde ficava a sala da pequena reunião que tivemos hoje e onde ficava o banheiro particular dos Uchihas. Eu fiquei paralisada no lugar só a observando andando o mais elegantemente apressada até as escadas.
Aquela cena toda só por causa disso?
Balancei a cabeça e tentei inutilmente correr para alcançar Hinata. Sem arriscar, optei apenas por caminhar apressada. Ainda havia muitas pessoas acomodadas nas outras mesas, o que eu podia fazer quando no mínimo todas elas já sabiam meu nome e sobrenome após meu adorado e inesquecível passeio com Sasuke Uchiha? O homem mais poderoso de toda a alta-sociedade. Arrepios percorreram meu corpo só de pensar nisso.
Nada, só pelo menos tentar aparentar ter juízo na frente delas. Não duvido nada que estejam me encarando agora mesmo.
Acalma coração.
Droga de timidez.
(...)
– Hinata! — chamei-a assim que entrei no banheiro, quer dizer, banheiro não, vestuário/salão.
Eu a encontrei com duas mulheres, cada uma segurando peças lindas de vestidos com estampas floridas e com arranjos luxuosos nas bordas e nos decotes de ambos.
– Nossa! — exclamei olhando os vestidos.
Hinata, que até agora analisava cuidadosamente cada um, se virou com um grande sorriso e perguntou animada.
– Gostou? Acho que ficariam lindos em você! — falou dando pulinhos e vindo até mim.
Olhei assustada para ela e indaguei perplexa.
– Não me diga que vou usar algum deles! — ela sorriu e passou para meu outro lado.
– Ah! Não! Esses são para mim. — ela deu uma risada sinistra e completou. — O que é seu está guardado, e esses nem chegam aos pés dele.
Engoli em seco, sem saber realmente o que pensar.
Uma hora. Uma hora! Hinata pediu que eu a esperasse se preparar antes para depois vir cuidar pessoalmente e junto com Lola de mim. Eu concordei aguardando-a nos colchonetes onde se prova calçados. Durante uma hora!
Eu observei atenta quando Hinata passou pela porta do provador. Deixei minha boca se escancarar um pouco e me levantei imediatamente indo até ela.
– Hi... nata! — ela me olhou com aqueles olhos destacados por azul marinho e deu um enorme sorriso com os lábios marcados pelo batom vermelho. Os longos cachos azulados estavam lindos, qualquer um juraria que eram sedosos a metros de distância. O vestido que ia até a metade das coxas ficou magnífico nela e a plataforma de pedrinhas — que eu jurava serem diamantes — ajudou dando um ar mais majestoso.
– E então...? O que achou? — me perguntou dando uma voltinha.
Sorri e passei as mãos pelo meu cabelo.
– Você vai matar um lá! — falei divertida.
Ela gargalhou e balançou a cabeça em negação.
– Obrigada, Saky. Mas acho que essa função vai ser mais sua do que minha.
Perdida eu olhei para ela e para a Lola e suas ajudantes.
– Uh?
– Venha, não temos tempo a perder!
Disse me puxando com as meninas logo atrás.
Me sentou naquela cadeira de salões de beleza e virou a cadeira para que eu ficasse de costas para o espelho. Começou a colocar meu rosto em posições diferentes, sem deixar eu nem mesmo piscar.
– Certo. Lola, meninas, não hesitem no verde esmeralda e nem nos lábios corados. — Disse olhando diretamente para cada uma, com ordens claras e específicas, que eu não entendi pacas.
Ela saiu do recinto indo na direção do que pareciam ser as roupas.
Lola e as meninas passaram minutos trabalhando na minha maquiagem, com muito cuidado e dedicação, sem parar para relaxar. Enquanto Hinata estava por ai, as meninas passaram as atenções para minhas unhas e Lola deu um trato nas minhas madeixas; lavou, secou, passou alguns produto, lavou de novo e começou todo o processo de secar. Mais de uma hora havia se passado quando Hinata voltou, justo na hora que as meninas finalizaram, ainda sem deixar eu ver meu reflexo no enorme espelho logo atrás de mim.
A expressão de Hinata quando me viu foi marcante, ela ficou de boca aberta e era óbvio que estava sufocando um grito. Ela soltou a roupa empacotada com muito cuidado na pia e andou até mim maravilhada.
– Saky... — ela sorriu e continuou. — Não haverá um único homem que conseguirá desgrudar os olhos de você hoje a noite. E olhe que ainda nem colocou sua roupa arrasadora... Ui! Vamos logo, mal consigo me segurar só de imaginar como ficará em você! — o sorriso só faltava rasgar seu rosto. Eu nunca havia a visto tão animada e feliz assim antes. E isso me deixava muito feliz.
Foram precisas três meninas para me ajudarem a colocar a roupa. Eu mesma quando vi a roupa fiquei abobada com tamanha perfeição, eu nem sabia que era possível existir um conjunto tão lindo assim, mas eu sei que já tinha um compromisso eterno com Hinata.
O tecido da saia era fino e suave, branca e com pequenos detalhes de pedrinhas coloridas em algumas bordas, a saia era soltinha, mas marcava minhas curvas e era longa chegando até meus pés, na suas laterais haviam aberturas que começavam na altura do joelho e iam até o final, a parte de trás era uma calda quase imperceptível. Essa foi a primeira peça que coloquei, que ficou justa e firme em minha cintura, bem abaixo de meu umbigo.
A segunda parte da roupa era um top, na verdade mais uma blusa um pouco soltinha que ia até meio palmo acima de meu umbigo. Era do mesmo tecido da saia e o decote mais comportado tinha uma trilha das mesmas pedrinha coloridas que iam até o braço direito dando mais destaque à manga um pouco solta que ia até o cotovelo, ela tinha algumas partes transparentes, o que a deixava ainda mais delicada. Já meu braço esquerdo estava desnudo para que todos vissem, por não conter nenhum tecido. Resumindo: eu me sentia fantástica somente de olhar para aquilo, imagina usá-lo.
Eu deveria me sentir desconfortável ao sentir parte da minha barriga exposta, mas era uma ótima sensação libertadora.
No final, escolheram um salto médio prateado e delicado, que coube perfeitamente nos meus pés.
Quando finalmente me virei para o espelho, eu estava me sentindo a Cinderela mais fantástica da história. Linda, maravilhosa e uma mistura de comportada com sensual. Pela primeira vez me senti tão linda quanto as meninas da sorveteria, se não até mais do que elas. Eu estava tão... Meu cabelo rosa ridiculamente estranho estava do jeito que eu sempre sonhei que fosse. Na largura das minhas costas, liso e leve, macio e perfeito.
– Hi-Hinata, eu... nossa, nem sei como agradecer meninas...
De repente eu quis chorar.
– NÃO! — Ela quase pirou quando viu minha cara de choro. — Nem ouse chorar, Saky. Nem que sua vida dependa disso, está me ouvindo! Jamais! — disse me olhando nos olhos. — Você está mais do que maravilhosa, Saky. Então sem chororô e coloque aquele sorriso no rosto, pois você tem tudo para que arrase hoje. Ok? — disse sorrindo e piscando pra mim.
Ela gargalhou baixinho e eu dei um curta risada, quase morrendo de nervosa por dentro só de imaginar.
– Este é o seu momento! Aproveite. — falou ela colocando um colar com um trio de bolinhas que obviamente eram alguma pedra preciosa em mim.
Eu apenas consegui sorrir e concordar.
(...)
Quatro guarda-costas estavam nos escoltando de carro para o lual, que eu descobri que não seria no Resort em que estávamos.
– Então onde será, Hinata? Achei que o Resort seria um local perfeito para algo do tipo.
Eu? Perdida? Não chega nem perto.
– O que? Acha mesmo que faríamos um coquetel tão importante ali? Nem pensar. E é por isso que estamos indo para a ilha.
Olhei-a espantada. Ilha? Que ilha?
– Espera. Ilha? Tipo, meio de oceano? Mas que ilha? — desespero total.
– Ah, sim, esqueci de te contar. — ela deu um sorriso sem graça. — O lual será na ilha de Sasuke, Saky.
Eu fiquei olhando-a por um bom tempo, sem saber realmente o que pensar. Ah, sei lá, é só que o cara maravilhoso com quem andei hoje e minha paixão platônica tem uma espécime de ilha por aí. Muito legal. Por que eu não fico surpresa?
Me virei para frente que dava de vista com o banco do passageiro.
– Ah. — foi tudo o que eu disse. — Hun, isso quer dizer que nem todas as pessoas que estavam no Resort estarão lá? Me diga, qual o motivo do lual?
– Bem, lembra da reunião na CIT que você participou? Os planos eram erguer mais duas filiais no Japão e na Inglaterra, e para marcar uma parceria oficial, Sasuke teve a ideia de organizar um jantar especial para isso. Mas, eu consegui convencê-lo de preparar um coquetel mais sofisticado e não havia lugar melhor para isso se não a ilha dele, o que fez com que eu nomeasse como um lual. — no final ela deu um gigantesco sorriso. — E ninguém do Resort estará lá, só pouquíssimas pessoas e... o dono com a família, que infelizmente inclui as meninas do sorvete. — abaixei meu olhar.
Mas eu ainda estava processando o que ela disse. Inglaterra? Japão? Quer dizer que os grandes representantes desses dois países estariam lá hoje, é isso? Meus pelos todos se arrepiaram.
– Hinata, quem serão os representantes deles? — perguntei com a voz mais fraca que o normal.
– Eu creio que do Japão veio o primeiro ministro, a família e algumas pessoas mais envolvidas com o caso. Já da Inglaterra eu soube que a rainha está com problemas na saúde e por isso nem ela e o neto puderam vir, sendo que ele teve que tomar de conta das coisas enquanto ela está de cama, então no caso você encontrará alguns duques e famílias, o representante oficial da rainha que conseguiu vir. Se não fosse pela doença, você conheceria a grande rainha da Inglaterra hoje a noite. Já imaginou?
Arfei com a possibilidade. O pior foi que ela falou metade do que eu esperava ouvir.
– Uau. — deixei escapar. — Sasuke... — eu definitivamente não estava acostumada a chamá-lo assim com Hinata. Ela sorriu e disse que eu deveria treinar mais. — Sasuke é tão importante assim?
Ela gargalhou alto jogando a cabeça para trás.
– Saky, você não sabe o que países por aí fariam só para conseguir parceria com Sasuke. Tenho certeza que o Japão e a Inglaterra devem se sentir honrados com isso. A CIT é muito mais cobiçada do que parece. Então, acha que eles não se dariam o ilustre trabalho de vir pessoalmente e bajular meu irmão? Ele me contou que falou com a própria rainha por webcan e ela pediu desculpas por não poder comparecer.
Arfei arregalando os olhos.
– Mentira...
Chocada.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, não sei ela, mas eu tentava imaginar a rainha da Inglaterra conversando por webcan e pedindo desculpas. Tão impossível quanto imaginar Sasuke jogando Hinata na piscina e depois mangando dela.
– An, então foi por isso que você me produziu tanto? Por causa das ilustres presenças de hoje?
– Não apenas por isso, mas para que nenhuma mulher, nenhuma mesmo, consiga te ofuscar. Saky, não acha que todos os duques e famílias importantes não vêm com pretendentes para Sasuke? Claro que, para chamar a atenção dele, elas precisam estar uma mais linda que a outra. Roupas de grife, maquiagens super elaboradas e sem contar as joias lindíssimas.
Olhei para minhas mãos que estavam sobre minhas coxas, apertei-as uma na outra.
– Além do mais, que homem de porte não gostaria que a filha se casasse com o grande Sasuke Uchiha? Apenas o fato de Sasuke se dar o trabalho de falar com algumas, já deixa os pais mais confiantes ao ponto de pensarem serem um pouco mais íntimos dele. — ela girou os olhos e me olhou. — Acredita que houve uma vez que um duque irlandês até deu palminhas nas costas de Sasuke? Foi maravilhoso ver a cara de taxo dele quando Sasuke o olhou sério e pediu licença. — ela jogou a cabeça rindo maravilhada. — Saky, saiba que lá meu irmão conversará com várias pessoas, incluindo mulheres lindas, e por mais que você não se sinta confortável com isso, ele ainda deve cumprir com suas responsabilidades de anfitrião e manter a postura diante todos. Então não perca o espírito se ele não vier conversar com você, tudo bem? — ela tinha o semblante preocupado, mas logo deu um sorriso malicioso acrescentando. — O que eu duvido muito por conta da sua esplendiosidade. Bem, uma das vantagens de ser o chefão é que por mais que ele esteja em uma conversa multimilionária, Sasuke pode resolver fazer o quiser, como se retirar sem dar explicações, e eles não podem contrariá-lo. Tudo que fazem é aceitar como ótimos subordinados bobões.
Levantei a sobrancelha. Todo aquele ar de poder ao redor de Sasuke era bastante intimidador, mas impossível de se resistir. Sorrimos divertidas e ela pôs a mão no meu ombro.
– Outra coisa, eu sei muito bem quais os gostos do meu irmão. Não se preocupe, se ele não se apaixonou por você ainda, é porque esta é a hora.
Ela disse antes que o guarda-costas abrisse a porta para ela sair, e no exato momento minha porta também estava sendo aberta. O guarda-costas estendeu a mão para me ajudar a sair do carro, eu agradeci já que o veículo era um pouco alto. Hinata logo estava do meu lado, ela indicou o pequeno iate mais a frente, enquanto eu escancarava minimamente a boca. Ela riu da minha reação e disse que não poderia arriscar nossa produção em uma lancha, já que a água seria nossa maior inimiga.
Fomos escoltadas até a beirada da praia e logo o comandante já nos esperava no alto da passarela de embarque. Ele nos guiou até uma sala de estar privada dentro do convés, eu fiquei abobalhada com todo aquele conforto. Havia uma lareira e a parede de vidro dava de frente para o mar. Era um lugar incrível.
– Por favor, fiquem à vontade. Em pouco tempo chegaremos lá, Srta. Hyuuga.
Hinata assentiu para ele que se retirou do local.
– Hina, agora que o capitão tocou no seu nome. Eu me pergunto porque seu sobrenome é diferente do de Sasuke e... todos os Uchihas.
A observei atentamente enquanto se acomodava na poltrona de couro e cruzava as pernas.
– Pensei que nunca fosse perguntar. — falou com um ar divertido. — Eu sou filha adotiva dos Uchihas, Sakura. — disse apontando para eu me sentar na poltrona ao lado. Nem fiquei muito surpresa coma revelação. Mas fiquei um pouco perdida, admito.
– Com quantos anos?
– Eu morava em um orfanato, não lembro de muita coisa, já que eles me pegaram quando eu tinha 1 ano e meio.
– E porque do sobrenome Hyuuga?
– Bom, sabe como é, papai sempre foi muito protetor e preocupado. Então, quando eu tinha quatro anos ele fez uma investigação profissional para encontrar meus pais biológicos. Por ser um homem de família muito rigoroso, ele colocou meu sobrenome original. Claro que, quando eu cresci tive minhas dúvidas, mas cabei aceitando e até gosto de Hyuuga.
– E você já conheceu seus pais biológicos?
– Sim, até passamos uma temporada em Shinjuku Gyoen, no Japão, minha terra natal.
– Nossa! E, você... gostou deles?
– Sim, mas sabe como é, jamais substituirão os Uchihas.
Eu sorri compreensiva.
Nós passamos em torno de 45 minutos conversando, na verdade Hinata falou mais do que ouviu, e o assunto principal eram seus pais e a tal ilha de Sasuke. Eu já conseguia até visualizar no meu próprio consciente como ela era, coqueiros, cachoeiras e trilhas encantadoras.
– Senhoritas, nós já chegamos. — O comandante disse na porta de entrada.
Hinata se pôs em pé no mesmo instante que ele chegou. Ela correu para pegar a bolsa no outro sofá e conferiu a maquiagem no espelho do vidrinho de pó.
– Vamos, Saky. Chegou a hora. — Me pus de pé enquanto ela ia na direção do Comandante, ambos apertaram as mãos depois dela agradecê-lo.
Antes de decermos do iate, ela se virou para mim e conferiu minha maquiagem. Só depois de confirmar e ver se tudo estava no lugar, incluindo meu cabelo, demos continuação ao nosso destino.
Quando eu olhei para frente, eu me perguntei se aquilo era uma ilha ou um continente. Eu nem conseguia avistar o final de ambos os lados do lugar. A vista da lua cheia daqui era inacreditável, ela parecia um milhão de vezes mais linda e resplandecente.
Havia uma passarela de pedras grandes e em formatos diferentes, parecia granizo de tão linda que era. Nos lados da passarela haviam tochas na altura de minha cabeça e que seguiam até o final onde ficava o salão. Já haviam pessoas, principalmente casais que iam em direção ao grande salão.
No início da passarela Hinata cochichou.
– Saky, somos umas da últimas a chegar. Fique logo atrás de mim, quero que você tenha uma entrada triunfal. — depois soltou uma risada maquiavélica.
– Deus. — falei num pedido de socorro, engolindo em seco e tentando inutilmente secar minhas mãos suadas na saia.
Quando caminhamos, algumas pessoas que estavam na passarela se viraram e até pararam apenas para nos observar passando, não só notei os olhares das mulheres que pareciam incrédulas com a minha beleza, mas também notei olhares masculinos na minha pessoa, e quando eu criava coragem e olhava para os rostos de alguns, só conseguia me deparar com a admiração.
Eu tentei manter meu passo firme na caminhada, eu estava muito muito nervosa, já sentiram a sensação de quando você passa por um grupo de pessoas te olhando e você sente como se não soubesse como andar? É como se você fosse vacilar a qualquer passo, aí suas pernas ficam bombeando contra sua total vontade.
Nos poucos degraus que iniciavam o salão eu tomei muito cuidado ao levantar um pouco a barras de minha saia. Tropeçar era última coisa que eu queria agora, ainda mais agora que minhas pernas insistiam em tremer. Sem contar os inúmeros olhares que as pessoas ao redor lançavam-nos. Que Jesus estivesse comigo.
Quando finalmente levantei meu olhar, que até agora tinha se concentrado mais na barra da saia, eu fiquei encantada, e sem palavras diante de tamanho requinte. Colunas enfeitadas por cortinas trabalhadas. Mesas enfeitadas e preenchidas com frutas e outros tipos de comidas dos mais variados requintes, como frutas tropicais e aperitivos marítimos, etc. Em um cantinho estava uma orquestra de músicos tocando algumas músicas no estilo havaiano. O local em si era muito agradável.
O salão era iluminado pelo enorme ilustre à luz de velas. Era todo detalhado com pequenos pedacinhos brilhantes que deixavam-no espetacular. As pessoas que estavam lá realmente não economizaram nas roupas, homens trajando roupas das melhores marcas, as mulheres sozinhas e as que acompanhavam, principalmente a maioria, usavam vestidos requintados e lindos, alguns mais paradisíacos. Os cabelos bem elaborados e cuidados. Todos eram sorrisos pra cá e sorrisos pra lá.
Foi incrível quando todos viraram quase ao mesmo tempo para observar Hinata e eu. Alguns murmúrios começaram pelo salão. Eu engoli em seco, com aquele frio na barriga, e tentando ignorar os olhares alheios procurei por Sasuke. Acho que só de saber que ele estava aqui, comigo ou não, me fazia sentir um pouco de alívio. Era como se eu já não me sentisse tão intrusa e só. Por mais que Hinata estivesse aqui para o que desse e viesse, Sasuke era um êxtase incomparável. Ele me trazia uma sensação de segurança única.
Continuei andando a passos vagarosos e sem parar de procurar por Sasuke. O salão era muito grande, mas mesmo assim consegui ver as duas meninas do sorvete, Hinata tinha razão quando disse que todas as mulheres que viessem estariam uma mais linda que a outra. Um exemplo disso era tal filha do dono do Resort. Era óbvio que ela não poupou dinheiro e tempo na produção. Parecia uma princesa do Havaí, porém, toda o luxo ofuscou a verdadeira essência dela. Muito superficial. Ela estava ao lado que parecia ser o pai e ao lado de mais algumas pessoas, pareciam manter uma conversa séria e diplomática. Quando eles nos viram, surpresa estampou o semblante de todos. Principalmente no de Elizabeth.
Eu? Feliz? Hehehe. Muito mais do que isso.
– Procurando por ele? — Hinata me perguntou. Assenti com a respiração acelerada.
– Você sabe onde ele está? — ela olhou para baixo e hesitou antes de indicar com a cabeça a direção de um local mais afastado no grande salão.
Eu olhei, já temendo algo pela reação dela, e me deparei com o bar das bebidas. Uma morena alta e linda conversava com Sasuke, eles estavam sorrindo e pelo visto muito animados. Eu senti um grande aperto no coração, não só pelo fato dele estar conversando com uma outra mulher, e agradeço por Hinata ter me alertado antes, mas também gostaria de ter preparado meu coração por uma visão tão avassaladora. Ela era muito linda, pele bronzeada, cachos perfeitos na altura da cintura, o vestido verde água sem alças ia até o encontro dos tornozelos e tinha um fino cinto dourado que marcava a cintura, calçava um salto enfeitado por pequenas pedrinha brilhantes. Ela era um pouco mais alta que eu, pois batia na mandíbula de Sasuke, enquanto eu batia quase no ombro dele.
Sasuke conseguia ser formal e mais casual de uma maneira incrível, apenas a camisa social branca, os dois primeiros botões abertos, sem o terno, mãos dentro dos bolsos da calça social preta e um sorriso de matar, que eu nunca havia visto em seu rosto, parecia livre. Eles estavam muito próximos, e vê-los em um momento tão íntimo... era constrangedor e muito desconfortável.
– Tudo bem? — Hinata perguntou com a feição preocupada. Respirei fundo e sorri para aclamá-la. Por mais que eu sentisse um enorme desconforto no ventre, eu não queria preocupar Hinata com meus incômodos. Ela acenou, não muito convencida, e olhou por cima do meu ombro. — Oh, não acredito! — ela deu um enorme sorriso.
– O que foi?
– Lembra-se de Ino, da loja de roupas daquele dia?
Quando me virei, uma loira poderosa caminhava na nossa direção chamando atenção por onde passava, fazendo todos abrirem caminho para ela. Parando na nossa frente deu um enorme abraço em cada uma de nós.
– Hinata, Sakura! Fico tão feliz em revê-las. — ela disse juntando as mãos em frente ao rosto. Depois de um breve checkup em mim ela pronunciou-se. — Saky, e eu pensando que já havia visto mulheres com visuais bonitos aqui. Mulher, você está fenomenal! — eu sorri agradecendo-a. — Tem algum homem envolvido com isso? — ela perguntou cerrando os olhos e dando um sorrisinho malicioso.
Sorri sem graça e olhei para o chão. Eu não sabia como responder aquilo.
– Sasuke. — Hinata falou por mim. Divertida ainda. Ino arregalou os olhos e assobiou baixinho.
– Nossa, e que homem! — ela soltou. Me olhou maliciosa e pôs a mão no queixo. — Saky, que bom gosto. — Comentou procurando-o pelo salão. — O que ele disse quando viu você?
– Bem, acho que ele ainda nem sabe que Hinata e eu já chegamos. — eu falei desapontada.
– É, provavelmente, já que ele ainda está conversando com Maya Natsume. — Hinata completou com uma cara desgostosa. Parecia chateada.
Ino a olhou incrédula.
– Ué, que história é essa? Por favor, me diz que você está enganada, me diz que aquela mulher não veio aqui também. — ela serrou o punho e começou a respirar mais raivosa. — Onde eles estão?
Hinata indicou o bar e quando olhamos, havia um casal conversando com os dois. A tal Maya estava ao lado de Sasuke enquanto o casal estava de frente para eles, e olhando daqui eles dois pareciam um casal, principalmente se Maya colocasse o braço no de Sasuke. Eu engoli em seco, com um repentino rancor pela mulher e sensação de derrota.
– Olha só isso, aquela fingida jogando charme pro Sasuke e tentando conquistar a companhia dele. — ela estalou a boca olhando a mulher com desprezo. — Vamos para outro lugar, por favor. Não consigo me concentrar sabendo que aquela mulher está aqui perto de mim e principalmente tentando jogar charme naquele deus grego.
Ela começou a seguir caminho para as mesas que estavam posicionadas na areia, era uma área ao redor do salão. Eu a segui, mas olhei de relance uma última vez para Sasuke antes de sair, preferindo não o ter feito, pois a tal Maya estava com a mão no braço dele, e os dois e o outro casal pareciam felizes, pelos sorrisos contentes. Aquilo me fazia sentir meu coração sendo apertado e estilhaçado.
Suspirei cabisbaixa e senti a mão de Hinata no meu ombro, me dando conforto. Sorri meio falha e continuamos seguindo Ino até nos sentarmos em uma das mesas.
– E então, Ino, o que a trás aqui? Pensei que estivesse na Suíça. — Hinata perguntou, com certeza tentando aliviar o clima com um assunto mais leve.
– Ah, querida, sabe como é, quando soube sobre esse coquetel quase desisti de tudo por lá. Eu cheguei até em querer ficar por lá mesmo. — Hinata falou alternando o olhar entre as unhas e nós, até que fitou Hinata direto. — Só que eu acabei encontrando com ele, Hinata.
– Ele? Quem? — ela parecia confusa, até ficar chocada. — Ele? Não!
– O próprio Naruto Uzumaki em pessoa. Em uma breve troca de palavras que tivemos, ele confirmou que estaria neste coquetel. Isso aí amiga, parece que você vai encontrar seu love de novo. — ela riu maquiavélica enquanto eu olhava sugestivamente para Hinata. — Eu vim porque queria te informar isso pessoalmente.
– Onde ele está? Será que já chegou? — Hinata estava desesperada olhando para os lados. — Minha maquiagem está legal? O cabelo? — ela nos perguntou pondo a mão nas maçãs do rosto.
– Está tudo em ordem não se preocupe. — Ino falou e eu acenei.
– Quem é esse Naruto Uzumaki? — perguntei.
– Ah, foi um pega que Hinata arranjou na Itália. Eles tiveram um romance por lá, isso aí, mas depois de um tempo eles tiveram que se separar. Desde então ela nunca se conformou de que tem uma queda por ele. — ela suspirou.
– É bonito? — olhei Hinata maliciosa.
– Um verdadeiro alfa. — me respondeu.
– Isso é verdade. Mas nada que se compare a Sasuke. Nossa! Esse sim! — Ino soltou divertida piscando para mim e pegando um leque fingindo se abanar. Ela me olhou e se debruçou sobre a mesa. — Mas, e você Sakura Haruno? Me conte mais sobre esses seus sentimentos em relação ao Alfa dos Alfas.
Me encostei na cadeira e suspirei.
– É... complicado explicar.
– Sempre é complicado, por isso pode parar por aí mesmo. — me cortou chamando um garçom e pedindo um pouco de vinho. — Minha querida, é palpável seu sofrimento depois de ver aquela cena da cobra se enroscando nele. Até eu sofro sabe?
– Sério? Mas, quem exatamente é Maya Natsume , e porque você a odeia tanto?
As duas suspiraram em uníssimo.
– Maya Natsume, a boa samaritana mais rica do pedaço. Puff, me poupe. Herdeira da Energy Industry Company, com um ótimo histórico, cheio de doações para instituições pobres e caridades para os mais necessitados. A preferida da mídia. A mulher que pensa mais nos outros do que em si mesma. — ela falou dando um gole no vinho. Sua expressão desgostosa não saiu do rosto. — Argh, vontade de jogar em um precipício quem inventou esse slogan junto com a protagonista.
– Ok, ela é rica e gentil, mas ainda não entendi o motivo de todo esse seu desgosto por ela.
– Rica ela é, e muito. Mas gentil? Jamais. Só se for na frente de câmeras ou pessoas mais poderosas que ela.
– Ino guarda rancor de Maya desde que a princesinha da mídia roubou o antigo namorado dela. — Hinata me falou bebendo um pouco de vinho também. Levantei a sobrancelha.
– E a miserável ainda teve a cara-de-pau de esbanjar ele pra todo mundo na minha própria festa, subindo no palco de dança e se esfregando nele. Argh! Ainda hoje as memórias disso passam pela minha cabeça frescas e vívidas. Pessoas como ela eu quero é distância.
– Entendi. Não é flor que se cheire.
– Apesar do aroma hipnotizante, mantenha distância, Saky. Não vá para o lado negro. — Hinata acrescentou. Eu sorri divertida.
– Duvido que ela vá, depois de ver a sucuri quase pulando no chefão, acha mesmo que a Saky vai deixar barato? Nossa, meu grande sonho ver a cara horrenda daquela jararaca quando Sasuke estiver com a Saky. — depois de falar isso, ela deu um sorriso digno de bruxa. Olhei-a assustada e me aproximei de Hinata, com um medo perceptível. — Sem medo, amore, e olhe lá, você está magnífica, arrasando corações, só quando aquela coisa te ver vai espumar de ódio, imagina se você e Sasuke dançarem? Algo que eu sei é que ela odeia ser deixada pra trás.
– Tá, entendi que ela é a patricinha da escola que não cresceu. Mas, vem cá, como podem ter tanta certeza de mim com Sasuke... e... que história é essa de dança? Você me deixa maluca. Aliás, vocês duas.
Nós sorrimos divertidas.
– Com licença. — ouvimos uma voz grossa e forte vindo atrás de mim. Ao me virar, vi dois homens ma-ra-vi-lho-sos sorrindo amigáveis para nós. — Ino. Hinata, há quanto tempo! — o que tinha aparência de europeu falou. Ele era muito lindo. Tipo, loiro de olhos azuis.
Hinata parecia chocada. Perplexa. Então esse poderia ser o tal Naruto?
– Naruto. — acertei. Ela parecia um pouco nervosa. — tudo bem?
– Claro, obrigado por perguntar. E com você? — esse homem de fato era um verdadeiro alfa. Devia ter a mulher que quisesse aos pés. — Bem, meninas, deixem-me apresentar meu amigo, Gaara no Sabaku. — ele falou indicando o homem ao lado. Nem preciso dizer que também era um baita de um pedaço de mau caminho. Ruivo e de expressão poderosa. Nossa, o cheiro que exalava daqueles dois era perturbador.
– Oh, prazer conhecê-lo, Gaara. — Ino falou elegantemente. Ela devorava o Sabaku com os olhos. Não culpava ela.
– An, essa é... — Hinata ia me apresentar quando foi interrompida.
– Sakura Haruno. — o tal Gaara tomou a frente e estendeu a mão para me cumprimentar. O sorriso sedutor estava presente no seu rosto todo o momento. Eu fiquei um pouco desconfortável, mas não demonstrei e sorri desconcertada mesmo. Apertei a sua mão, e ele fez questão de levá-la até a boca e depositar um beijo galanteador, eu corei furiosamente, além do mais não é todo dia que um homem desses faz isso, certo? Hinata tentou mudar o clima. Fazendo a pior escolha que poderia existir.
– Por favor, sentem-se conosco.
Os dois agradeceram, enquanto Naruto sentou na cadeira ao lado de Hinata, Gaara fez questão de sentar na cadeira ao meu lado e ao lado de Ino, que ainda o devorava interiormente. Me acomodei melhor na cadeira, tentando ao menos conseguir encontrar uma posição na qual eu me sentisse mais confortável, por que a presença próxima de Gaara estava me incomodando. Eu estava me sentindo mal comigo mesma. Só não sabia o por quê.
– Há bastante tempo que não mantemos contato, Hinata. Devo dizer que foi bom ter esbarrado com Ino na Suíça, outra que simplesmente resolveu cortar as ligações comigo. — Naruto colocou um pouco de vinho em sua taça, pelo visto estava bastante confortável e contente por rever Hinata. — Bom, mas que tal esquecermos o passado e recomeçamos do zero? Foi por esse motivo que Gaara e eu voltamos para Los Angeles.
– Nossa! Que surpresa, hun? Eu também concordo em deixarmos o passado no passado. Nada melhor que começar do início, e quem sabe, assim, evitar erros futuros. — Hinata falou tomando um gole seu vinho. Uau, aquilo era impressão minha ou foi uma indireta? Nossa, que clima pesado.
– Ou então, aproveitar e fazer coisas que não fizemos antes. — Ele completou tomando um gole e mantendo o olhar firme em Hinata.
Estou me sentindo uma intrusa. Era óbvia as indiretas lançadas um para o outro, e se continuasse do jeito que estava, o assunto ficaria apenas neles.
– Meus queridos, que tal pedirmos nossos aperitivos, hun? Eu recomendo uma salada de abacaxi com pepinos marinhos. Todos concordam? — Ino, a salvadora da pátria, intrometeu-se antes que aqueles dois ultrapassassem o limite.
– Eu adoraria. — falei. Gaara que me olhava até então deu um sorriso e olho Ino.
– Sendo assim, eu também apoio. — que droga. Ele vai ser o que? Um daqueles típicos caras que se acham o bam bam bam e tentam acabar com o romance já comprometido de duas pessoas pré-destinadas uma a outra? Eu já sabia no que isso ia dar. Esse cara era encrenca na certa. Eu tenho que manter distância dele.
– Tudo bem. — Hinata e Naruto disseram em uníssimo. Eles entreolharam-se, mas Hinata virou a cara e Naruto continuou olhando-a até abaixar a cabeça.
Depois que o pedido de Ino chegou todos nós aproveitamos o aperitivo, enquanto Naruto contava sobre as aventuras que ele e o primo haviam feito pelos países à fora, a minha mente estava mais voltada para a cena de Sasuke mais cedo que ainda insistia em repercutir na minha cabeça. Eu não conseguia esquecer a mão daquela mulher no braço dele, os sorrisos felizes e a aproximação. O pior é que ele mal havia olhado para mim. E eu temia que ele nem ao menos viesse falar comigo esta noite, logo hoje que eu caprichei tanto somente para agradá-lo. De repente meu coração murchou duas vezes mais.
Alguns minutos de conversa jogada fora passaram-se, e aos poucos as pessoas diminuíram o burburinho para que a música repercutisse mais alto. Poucos casais estavam indo para o meio do salão, que fora desocupado para a tão esperada dança. Eu me admirava com a elegância que eles dançavam, a música devagar e animada com um leve fundo de estilo havaiano, extasiava qualquer casal apaixonado que fosse para lá. De repente, meu peito se encheu com a fértil esperança que Sasuke pudesse me convidar para dançar. Mas, eu sabia que ele estava distante demais para isso, sem contar os outros inúmeros poréns.
– Sakura. — olhei para Gaara que se levantou e estendeu a mão. — Concede-me uma dança? — eu arregalei os olhos chocada com a surpresa. Como eu poderia dispensá-lo, meu Deus? Eu nem sabia o que falar, mas ele parecia realmente querer e eu até fiquei na dúvida. Mas, droga, não posso, eu...
– E-eu, sinto muito, mas eu realmente não tenho nenhum talento nessa área, e-eu...
– Por favor, prometo que você não precisará preocupar-se com isso. — ele deu um sorriso amigável.
Engoli em seco. Eu não podia fazer essa desfeita com ele. Ficaria me sentindo mal depois. Droga de altruísmo miserável. Tentei sorrir o menos forçada possível e aceitei seu convite. Pus minha mão na sua enquanto levantava lentamente, tomando cuidado com a saia. Olhei para as meninas num inútil pedido de socorro subliminar, mas elas sorriram tristes e fingiram alegria. Amigas 20.
Ele foi gentil o tempo todo enquanto caminhávamos na passarela de pedras claras. Guiou-me com paciência, graças aos meus cuidados com a roupa, e se não fosse pelo ar galanteador ao seu redor, eu até poderia dizer que ele era um bom homem, confiável até. Avançamos até o meio do salão, com as pessoas abrindo caminho para nós, mais do que haviam antes, e por cima as mesas estavam quase cheias. Minha pernas estavam trêmulas pelo nervosismo, eu dançaria com um pedaço de mau caminho no meio do salão, pior ainda, havia uma alta probabilidade de Sasuke me ver e eu nem sei o que pensaria de mim quando visse-me, ou melhor, quando visse-nos.
E havia uma grande chance de Gaara estar me levando para dançar apenas para me exibir a todos. Pois até agora, conclui que posso ser o maior prêmio de qualquer homem esta noite, ouve um momento que Hinata comentou sobre todos darem qualquer coisa para uma dança comigo.
Fomos até o meio do salão, não o meio do meio, que era o meio da roda de casais, já que quando cheguei mais perto avistei Maya Natsume dançando com Sasuke. Meus olhos arderam pela vontade de chorar, eles estavam muito próximos, ele com a mão na cintura dela e a outra segurando a outra mão no ar. Pareciam um casal perfeito, como se fossem feitos um para o outro, sorrindo e com rosto próximos. Eu nunca havia visto aquele sorriso no rosto de Sasuke, e foi nesse instante que meu coração parecia estar sendo esmagado por uma mão.
Relutante, desviei o olhar daquela cena e vi Gaara sorrindo para mim. Tratei de engolir o choro, pisquei os olhos algumas vezes e sorri para ele. Ele estendeu a mão e colocou a outra em minha cintura, que estava descoberta. O que me fez querer sentir calafrios com o toque gelado dele. Ele puxou meu corpo para um pouco mais perto e aproximei meu rosto na altura de seu ombro.
Começamos com passos vagarosos para pegarmos o ritmo um do outro. A mão forte e fria dele cobria toda a minha, que parecia minúscula em comparação. Eu me sentia frágil ali, com Gaara, mas nesse momento eu precisava de outro tipo de consolo, pois quando dávamos uma volta completa, eu ainda via por cima do ombro de Gaara, Sasuke e Maya dançando mais próximos do que nunca, em um enlace inquebrável. E eu precisava apenas lembrar para meu coração murchar mais e mais.
Tudo que eu menos queria era chorar agora, mas meus olhos não colaboravam com isso. De repente, senti o tecido da roupa de Gaara tocando minha testa. Surpresa abri os olhos e percebi que havia encostado minha cabeça sem querer no seu ombro. Mesmo me sentindo estranha, continuei na mesma posição, querendo de todas as maneiras evitar olhar para o casal sensação da noite. Não sei quanto tempo eu suportaria até o algumas lágrimas caírem.
– Creio que você não gostaria que ele a visse chorando. — surpresa levantei a cabeça e olhei para Gaara, o que causou uma grande aproximação de nossos rostos. Desnorteada me afastei um pouco e olhei por cima de seu ombro.
– Do que você... Está falando? — eu perguntei num fio de voz. Eu era um droga tentando mentir ou disfarçar. Ele soltou um riso rouco perto de meu ouvido, como se estivesse se divertindo muito. Eu queria tanto que fosse outra voz ao pé de meu ouvido agora.
– Já te disseram que você é uma péssima mentirosa? — sorri divertida.
– Muitas vezes.
– Então, está se sentindo bem tendo que continuar observando os dois? — soltei um suspiro.
– Sendo franca... Não. É uma droga. Então não ligue se daqui a pouco ver resquícios de minha maquiagem borrada. — ele riu mais divertido ainda.
– Já te disseram que você tem um ótimo senso de humor? — ele perguntou com um ar mais alegre, provavelmente tentando me animar.
– Poucas vezes.
– Você é linda, Sakura. — ele falou olhando nos meus olhos. — E dói até em mim ver sofrimentos nesses olhinhos claros. Quer ouvir algo que vai te animar? — sorri e concordei. — Eu não sei o que ele tem na cabeça por preferir aquela mulher ao invés de você. — de repente eu não sabia se ria ou chorava. — Quer dizer, ela nem chega aos seus pés, para ser franco. — corei desviando o olhar.
– Obrigada, Gaara. Meus instintos me alertam que você disse isso apenas por cavalheirismo. — falei timidamente evitando seu olhar. Sorri e acrescentei. — Bom, então como se sente, aqui, comigo?
– Sinto como se tivesse ganhado na loteria, mas, ao mesmo tempo como se o bilhete premiado não fosse meu de verdade.
Franzi o cenho.
– O que quer dizer?
– Não sou eu quem deveria estar aqui, dançando com você. Mas ele está ali, no meio da pista, com aquela gata, fingindo alegria apenas para todos pensarem que ele realmente sente simpatia por ela e por pura cortesia da parte dele. — Ele falou olhando para o lado, eu captei cada palavrinha observando os dois lá, notando que aquele mesmo sorriso já não persistia no rosto de Sasuke, era um sorriso, mas parecia cansado. — O cara é um cavalheiro. Eu já teria dispensado uma mulher atirada daquelas há muito tempo.
Olhei-o cinicamente.
– Quem sabe nem tanto. — ele fez cara pensativa. — Mas saiba que, enquanto você estava com cabeça encostada no meu ombro, eu fiquei até com medo do olhar gélido que ele me lançou. — arregalei os olhos.
De repente um enorme frio na barriga quase me fez parar de dançar. Ele realmente falou aquilo? Melhor, era verdade?
– Ver-verdade? — perguntei com a voz falha.
– Claro que sim. Bem, se é de um empurrãozinho que vocês precisam, não se preocupe. — ele piscou um para mim e se separou. Começou a se afastar cada vez mais, enquanto eu fiquei lá plantada no salão sem ninguém e com cara de taxo, e quando pensei em segui-lo ele me impediu com um sinal de mão, acenando em despedida depois.
Eu queria escancarar a boca e bater o pé por indignação. Ele me largou aqui, sem mais nem menos, como se eu não significasse nada. De repente eu queria chorar duas vezes mais. Primeiro, pela humilhação e segundo, por estar sozinha ao redor onde a maioria dos casais eram apaixonados. Sem ânimo e muito cabisbaixa, me aproximei de uma das colunas, tentando ao máximo passar despercebida pelas pessoas, que certamente estavam comentando sobre o ocorrido. Quando encostei minhas costas na coluna e olhei para o lado, vi a Sra. Uchiha, avó de Hinata, a pouco passos. Ela se aproximou com um sorriso leve no rosto.
– Sakura, minha querida, está tudo bem? — perguntou pondo a mão em meu ombro. Eu suspirei e tentei formar algo próximo de um sorriso.
– Quem dera estivesse. — falei desencostando da coluna.
– Oh, não faça essa carinha. Está assim por causa do homem que a deixou no salão?
– Também. Mas o principal motivo não é esse. — eu respondi olhando na direção em que Sasuke dançava com Maya antes. Maya estava lá, parada com uma cara irritada e impaciente. E o melhor era que estava sozinha, sem nenhuma companhia. Mas eu me perguntava porque ela não havia saído dali, já que Sasuke não estava. O que de certo modo me animou.
– Oh! — ela soltou uma risada maravilhada. — Então é isso? Convenhamos, também não fui fã daquela mulher no momento em que a olhei. Aquele jeitinho de ser toda simpática e gentil não me enganou. — Sorri divertida.
– A senhora é muito sábia.
– Sakura, se importa se eu roubar minha mulher para dançar a próxima música? — O Sr. Uchiha chegou pelas minhas costas pondo o braço ao redor do ombro da sra. Uchiha. Eu sorri contente e me afastei para que eles tivessem mais espaço para passar. Era encantador ver um casal tão inabalável depois de tantos anos, eles dois sem dúvidas eram o casal da noite.
Eu não sabia qual a pior parte, ficar aqui sozinha encarando-os em sua dança feliz ou voltar à minha mesa, sendo que eu nem ao menos tinha idéia de como faria para encarar Gaara caso ele estivesse lá.
– Bem, então aproveitem. Acho que vou ficar aqui sozinha por mais algum tempo. — disse-lhe dando um sorriso triste.
A Sra. Uchiha virou o rosto e olhou para algo atrás de mim.
– Eu acho que não. — falou sorrindo e retirando-se.
Confusa me virei para encarar o que a fez dizer aquilo. No início eu só vi algumas pessoas, e nada de especial. Me fazendo pensar se a Sra. Uchiha estava bem. E foi então que o avistei, parecia estar apenas lá conversando com outras pessoas, então, me pegando desprevenida, Sasuke olhou diretamente para mim e enquanto eu irradiava de alegria por dentro só de saber que ele olhou-me, sem nenhuma cerimônia começou a caminhar na minha direção.
Quando constatei que ele caminhava até mim e não a outra pessoa, meu coração acelerou. Acelerou tão de repente que eu até estranhei, e as batidas não cessavam conforme ele se aproximava, sempre olhando para mim, sem tirar as mãos dos bolsos e parecendo um rei caminhando. Fosse quem fosse que pudesse chamá-lo, era instantaneamente ignorado ou dispensado.
Eu já estava nervosa, e a cada vez que eu pensava a provável razão de Sasuke estar vindo na minha direção, parecia até que meu nervosismo aumentava mais e mais. Será que o meu desejo realmente tornar-se-ia realidade?
Ele parou a dois passos de mim e continuou mantendo o contato visual firme. Eu engoli em seco diante daquela situação. Ele deu um sorriso de canto e estendeu a mão para mim.
– Se importa em compartilhar esta dança comigo?
Sasuke, não acabe com meu coração desse jeito. Existe, algum ser mais sexy que esse cara? Sasuke Uchiha acabou de me convidar para dançar com ele. Com aqueles 1, 90m de pura sensualidade e poder. Tentei não desviar meu olhar do seu rosto para fitar a pequena amostra que os dois botões abertos de sua camisa ofereciam de seu tórax. Arfei internamente.
Eu não sabia ao certo o que fazer na hora, só abri a boca sem conseguir pronunciar nada. Me martirizei por estar dando uma de boba em um momento inédito como esse, ele ainda estava esperando a resposta, lindo e cavalheiro como sempre. Sem saber que exata resposta eu poderia dar-lhe, optei apenas por sorrir e coloquei minha mão sobre a sua. A sensação? Indescritível. Ah! Dando pulos por dentro.
Não fomos para o meio do salão, muito pelo contrário, ele guiou-me para fora, em uma área mais reservada, já que não havia ninguém aqui. Descemos uma pequena escadaria, que levava ao que parecia ser uma varanda, tinha o formado circular e a vista ampla e livre mostrava um ângulo inacreditável do mar.
Eu parei por um momento abalada com o cenário, melhor, encantada. A Lua cheia parecia estar duas vezes mais perto, vendo daqui. O mar estava calmo e belo, como sempre, e a ventania agradável balançava as folhas dos coqueiros. Um lugar perfeito para dois apaixonados.
Minha mão ainda estava junta à de Sasuke, porém só me dei conta disso quando ele virou-se de frente para mim, no exato segundo que a música começou a ser tocada. Primeiro era apenas o fundo de um piano, e junto às primeiras notas, ele pôs as duas mãos em minha cintura, sem quebrar o nosso contato visual. Eu, desnorteada pela sensação das mãos quentes e fortes dele em contato com uma das partes mais sensíveis de meu corpo, timidamente coloquei minhas mãos ao lado das golas de sua camisa, sentindo a textura macia do tecido, e aos poucos, ganhando confiança, fui subindo pelo seu pescoço, deixando-as perto de sua nuca. Eu conseguia sentir os músculos por debaixo do tecido, e só de imaginar-me tocando-os quase fiacava sem fôlego.
No decorrer da música, nossos corpos foram aproximando-se, como se houvesse um ímã invisível que nos puxasse para mais perto. Era com muita felicidade que eu podia sentir o contato do seu peitoral junto ao meu corpo, e claro que, com toda aquela aproximação, a essência de Sasuke estava dominando meus sentidos. Nossos rostos estavam de frente um para o outro, eu fitava sua face como o mais precioso dos tesouros. Ele era tão lindo, que doía sequer imaginar outra mulher com ele aqui, no meu lugar. Eu queria tanto me inclinar e beijá-lo ali mesmo.
A melodia do cantor era instigante, e me fez querer encostar a cabeça no peitoral de Sasuke. Mas me controlei, por que fazer isso estava fora de cogitação. Por mais que meus instintos implorassem por isso. Olhei para baixo, tentando recuperar o fôlego, e fui surpreendida ao sentir a mão dele segurando delicadamente meu queixo e levantando-o. Eu, perplexa? Qué isso!
– Não gosto de vê-la cabisbaixa. — Ele falou baixinho e olhando dentro de meus olhos. — Não sabe o quanto esperei para dançar com você esta noite. — Oh, meu Deus! Quase perdi o equilíbrio nas pernas com a declaração.
Santo Pai amado. Eu estou enlouquecendo, só pode. Isso só pode ser um sonho. Sorri com um pouco de hesitação ao fitá-lo nos olhos.
– Eu não estou cabisbaixa, é só que... na maioria das vezes fico assim quando estou nervosa... — disse-lhe por meio de sussurros. Mas ele com certeza ouviu, pois abaixou a cabeça e soltou um riso divertido. — Ei, não tem nada de divertido nisso. — Reclamei um pouco indignada com os risos dele, eu aqui morrendo intoxicada pela fragrância hipnotizante desse homem e ele lá de boa se divertindo. Sasuke olhou-me com o riso contido. — Não ria, por favor. — pedi mais educadamente e corei ao desviar meu olhar do seu intenso. Ele ainda é meu chefe.
– Desculpe, não queria constrangê-la. — Quando olhei-o, havia um sorriso calmo em sua face. Já disse que amo quando ele sorri pra mim?
– Tudo bem. — Eu estava com um frio enorme na barriga, e até movimentei um pouco minha mão que ameaçava começar a suar. Tive vontade de fechar os olhos quando Sasuke moveu um pouco uma de suas mãos para mais perto de minhas costas e puxou-me mais para seu encontro. Agora estávamos quase, de fato, colados. Aproximei minha cabeça do seu pescoço e lutei bravamente contra a vontade de pular em cima dele com todo aquele aroma.
– Diga-me, Sakura, o que achou da visão do mar deste lugar? — Agora sim eu estava ouvindo a voz que eu queria no pé do meu ouvido. Uau, eu ia desmaiar aqui. Era isso que ele queria? Me segurei para não agarrá-lo. Respirei fundo antes de responder.
– Magnífica. — Falei fechando os olhos e aproveitando ao máximo daquele momento. — Nunca vi nada igual. — ouvi quando ele soltou um riso fraco e grave ao lado do meu ouvido. Fiquei até arrepiada.
– Tão magnífica quanto você. — Impressão minha ou o ar ficou mais pesado de repente? Será que ele também podia sentir as batidas desenfreadas do meu coração? Gente, o que foi isso? Eu espero que ele, como meu chefe, possa me perdoar se eu agarrá-lo aqui.
– Obrigada. — agradeci sorrindo e corando tragicamente. Vontade de sufocar Hinata em um abraço por toda a dedicação no meu visual.
– O que esta achando desta noite?
– Sinceramente... Maravilhosa. — principalmente agora com você, falei em meus pensamentos. Divertida, fitei seu rosto. — Nunca estive tão confortável e em um lugar tão agradável. — Sasuke retribuiu o sorriso.
Nossos rostos estavam a uma distância muito perigosa. Tipo, eu conseguia sentir a respiração dele em meu rosto. Respirar fundo estava ficando cada vez mais complicado e eu precisava fazer isso devido ao momento super eletrizante.
– Fico contente por saber disto. — Eu corei e sorri escondendo meu rosto quase no vão de seu pescoço. Eu enlouqueci, só deve ser isso. Nunca me imaginei nessa situação, nem em meus mais remotos sonhos. Ou talvez sim.
Nos silenciamos e apenas aproveitamos mais daquele momento incrível, mágico, maravilhoso e perfeito. Eu não me importaria em morrer intoxicada com a essência ma-ra-vi-lho-sa de Sasuke. Seria quase um privilégio.
Do nada, flash's da imagem dele com a tal Maya começaram a me assombrar. E o momento dos sonhos foi se dissipando de mim. Virei um pouco o rosto para olhá-lo, e me contive para não demonstrar meu semblante triste enquanto ele me encarava.
– Algo a incomoda?
Olhei dentro de seus olhos impossivelmente lindos, surpresa com a indagação tão repentina. Como ele percebeu?
– E-eu... — respirei fundo. Eu teria que ser sincera com ele. Não consigo enrolar esse impulso. — Estava lembrando da mulher com quem você dançou minutos atrás.
De, onde, eu reuni, invoquei, criei, tirei, coragem pra falar isso, Santo Pai? Sabe quando a gente fala e quer sumir? Principalmente quando ele desviou o olhar do meu e olhou para um ponto atrás de mim. Demorei pra entender se ele estava me ignorando, ou se tinha algo muito interessante no espaço atrás.
Me dei conta de que algo, realmente estava acontecendo atrás de mim, quando o semblante dele ficou sério ao mesmo tempo que interrompeu a dança. Me virei para trás enquanto sentia suas mãos mágicas saírem lentamente da minha cintura. Soltei seus ombros, olhando incrédula para o intruso que ganhou primeiro lugar na minha lista negra. Ela destruiu minha dança, o momento mais fantástico até agora da minha vida.
– Sasuke? — Só podia ser carma, eu mal falava na criatura, e lá estava ela, olhando para Sasuke de um modo que eu não pude compreender, e depois me olhando como se não acreditasse na minha existência. Como se ela fosse superior. E que intimidade era aquela com Sasuke? Desde quando ele permitia alguém como ela chamá-lo pelo primeiro nome? Não que eu conheça muito ele, mas o ciúme inundava meus pensamentos.
Sasuke olhou-a indiferente, e por mais que eu tentasse, não conseguia entender o que os seus olhos transpassavam.
– Maya. — a voz dele estava grave.
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