Meu noivo perfeito

10 Um passeio a dois.


Notas iniciais
Sei que demorei, e peço desculpas por isso. Mas finalmente aquele SasuSaku que todos esperavam, um novo passo. Mas não se animem demais, guardem a ansiedade para depois. Boa leitura!

Ser readmitida na CIT, no meu antigo setor e como a diretora chefe, foi uma das melhores coisas que já aconteceu na minha vida. Foi algo inacreditável, quando ouvi as palavras meu coração falhou uma batida e voltou a funcionar ruidosamente. Por um breve período de tempo senti que poderia — realmente — desmaiar.

O principal motivo da minha — monstruosa — surpresa, foi o fato que desde quando cheguei aqui, e observei todos sentados naquela mesa, vi Karin, e principalmente, Sasuke, eu achei que minha vida estaria acabada ali, algo desastrosamente ruim aconteceria. Se tratando de mim, eu não duvidaria.

Milhares de pensamentos ruins assombraram-me, e depois do julgamento de Karin, foi aí que fiquei uma pilha de nervos. E então desabafei todos meus temores na minha desesperada tentativa de desculpar-me, seja por qualquer coisa que eu tivesse — ou não — feito.

Eu quis chorar de felicidade, quer dizer, ainda quero né, por que ainda estou encarando Sasuke debilmente, pensando se tudo não passou de uma brincadeira. Mas é claro que não, argh, estúpida, estúpida, mil vezes estúpida.

Sorri animada e fitei Hinata, desviando relutante dos olhos deslumbrantes de Sasuke. Poxa, cara, quantas oportunidades uma mulher tem de observá-lo tão livre e desimpedida, na minha concepção, não existe olhos — ou até mesmo alguém — tão... magnífico quanto ele.

Todos que estavam na mesa almoçaram alguns minutos depois, os aperitivos eram magníficos na minha opinião, um melhor que outro. Mas estar ali não foi ainda a parte que me deixou feliz, apesar do fato de fazer uma refeição ao lado daquelas pessoas e principalmente de Sasuke me fizessem criar ilusões férteis, como imaginar a mim mesma almoçando com Sasuke como se fôssemos casados. Argh. Eu preciso me consultar com um psicólogo, urgente. Iludir-me pelo homem mais cobiçado de todos seria depressivo demais.

Então, após a refeição, a mulher ruiva e o Sr. Neji retiraram-se, sobrando apenas Hinata, eu e para minha total apreciação, Sasuke. INFELIZMENTE ele não demorou para retirar-se, nem preciso dizer que quase surtei quando ele se despediu de mim, certo? Ok, eu sei que ele já falou coisas muito mais interessantes do que um mísero "Até a próxima, Srta. Haruno.", mas, mano, de boa, é o Sasuke, aquele deus grego maravilhoso metido a cavalheiro. Não tem como mudar, mas eu sempre perco meu foco.

Ele caminhou em direção a porta — com aquele caminhar arrasador — e saiu. Eu, claro, o acompanhei com meu olhar por todo o trajeto, como uma perfeita boboca.

– Sakura! — Hinata vinha toda abraços na minha direção. Sorrimos enquanto abraçávamos uma a outra, havia algum tempo já desde a última vez que nos vimos pessoalmente. — Estou tão feliz por você, não sabe como eu estava me aguentando para não falar isso a poucos minutos. — Ela riu depois de nos separarmos. — Mas sabe como é, tenho que manter meu tom profissional na frente de Sasuke e dos outros funcionários,.

Sorri abertamente.

– Ah, deve ser complicado isso. Imagine eu, não sei de onde tirei forças pra não gritar na hora que me informaram sobre a readmissão. Achei que fosse desmaiar.

Ela gargalhou e entrelaçou o braço no meu, ela me puxava/arrastava animada para algum lugar, e saímos da sala. O garçom abriu a porta para nós, Hinata trocou rápidas palavras com ele:

– O senhor, por favor, pode dizer ao Sr. Sasuke que logo eu o acompanharei? — O homem assentiu com um gesto solene. — Obrigada.

– Onde está me levando? — perguntei quando nos distanciamos.

– Primeiro vamos dar um jeitinho em você, você por acaso tava saltando de para-quedas? Já viu o estado do seu cabelo?

Olhei-a aterrorizada e pus as mãos no meu cabelo quando ela soltou meu braço.

– Está tão catastrófico assim? — o pânico dominava a minha voz.

– Brincadeira, claro que não. — ela gargalhou. — Mas mesmo assim precisamos dar um jeitinho no seu visual, isso claro, se você pretender ficar até amanhã aqui conosco.

– Ficar até amanhã? — eu estava um tanto perdida, mas do que essa louca estava falando?

– É, olha, o lugar aqui tem todo esse toque de refinação e tudo mais, as pessoas irão ficar insinuando coisas e tudo, acreditem, elas podem ser mais fofoqueiras que qualquer outra. — ela inconscientemente ignorou minha pergunta.

Descemos as escadas, quase no fim ela soltou meu braço e continuou andando pedindo que eu a acompanhasse, por todas as mesas que passávamos as pessoas paravam para olhar. Eu não sei qual a pior parte, o fato de quase todas me encararem ou o fato de todas serem importantes e, de qualquer lugar do mundo.

Soltei o ar quando Hinata se dirigiu a mim. — Então, que tipo de roupa tropical você prefere?

●●○●●

Uma variedade de roupas estava na minha frente, da mais estilosa a mais simples. Duas assistentes pessoais da Hinata seguravam-nas enquanto eu estava sentada em uma cadeira de frente para o espelho do banheiro. Sim, estávamos no banheiro particular dos Uchiha's, mais especificamente na parte de Hinata, o vestuário.

Ela havia chamado sua nova secretária e pedido uma variedade de roupas simples, pois eu mesma pedi a ela. Eu não sei o que a secretária dela entendia sobre simples, mas deve ser assim que Hinata se refere a roupas de alto padrão, imagina as luxuosas, nem consigo imaginar.

A secretária dela, Tenten, havia trazido um guarda-roupa inteiro, até a mais infinita variedade de maquiagem. Eu não sei quais eram as intenções de Hinata, mas ela parecia muito concentrada junto a Tenten escolhendo a roupa 'ideal' para mim enquanto as outras duas assistentes cuidavam da minha maquiagem e cabelo.

No final, essa era eu: cabelos escovados e ondulados; olhos marcados e com sombras leves; um pequeno uso de batom avermelhado; usando um vestido branco levemente solto, mas que marcava minha cintura, já que tinha um cinto fino dourado que combinava com o decote de detalhes dourados; e, pra finalizar, uma rasteirinha com detalhes na cor verde-água.

Sorri admirando meu reflexo no espelho, eu estava arrasadora, não de um modo espalhafatoso, mas de um modo que faria um homem parar e se perguntar: "Desde quando estão tirando fotos de modelos aqui?".

– Uau! — exclamei. Hinata e Tenten apareceram atrás de mim sorridentes. — Depois disso, agora eu pergunto: você tem alguma intenção escondida, Hinata? — perguntei encarando-a de frente.

– Assim você me magoa, Sah. Não posso mais querer deixar uma amiga arrasando corações? Não se preocupe, você vai me agradecer logo logo. Foto!

Antes que eu percebesse ela já tinha tirado uma foto ao meu lado de nós duas.

– Bem, vamos vamos, precisamos nos apressar, não quero perder tempo, ele vale ouro. — Ela disse guardando o celular na bolsa de colo. — Tenten, cuide de tudo, certo? Ah, você e as meninas poderiam preparar nossas roupas para o Luau, por favor? Obrigada, meninas. Até logo.

– Luau? Haverá um luau aqui?

– Sim, você não pode perder de maneira alguma, esse foi um dos motivos pelo qual eu pedi para que você ficasse até amanhã, você vai gostar.

Nós passamos pela porta de entrada do Resort e pegamos outro caminho diferente do estacionamento. Era um extenso corredor, não havia paredes, somente uma passarela pela qual andávamos. Ao lado haviam alguns coqueiros e plantas mais tropicais. O lugar era muito lindo. Poucas pessoas estavam lá, e as que estavam sempre nos olhava. A maioria parava o olhar mais em mim, o que me deixou mais tímida do que eu já sou. A população feminina só faltava vir até mim e fazerem milhares de perguntas.

Não posso deixar de notar que eu também recebi olhares masculinos, mais do que o comum, para ser sincera. Eu, claro, com minha visão periférica também olhava algumas pessoas, e sobre a parte da população masculina, quando não eram os velhotes, eu não podia deixar de destacar o quanto os homens daqui eram... másculos. Olhares poderosos, que podiam te enfeitiçar. É, tava complicado. Olhando para o lado, percebi que Hinata também fazia o mesmo que eu. Trocamos olhares cúmplices e ela sorriu.

Já estávamos quase no final da passarela, e logo após uma curva, Hinata falou baixinho apenas para que ouvisse:

– Prepare o coração, Sah. Tente não desmaiar, ok? — Olhei-a interrogativamente, recebendo um sorriso malicioso como resposta. — Não acha mesmo que eu fiz todo esse look a toa, acha? — ela gargalhou enquanto eu continuava com o olhar perdido. — Torço para que vocês dois deem certo, amiga.

Quando chegamos ao final, não havia mais chão, apenas areia e uma passarela feita de pedras, a passarela era muito linda e marcava presença até onde você conseguia olhar, além do mais a praia era muito grande, eu nem ao menos conseguia enxergar o final.

Ainda perdida no assunto subliminar de Hinata, olhei ao redor.

Mas meu olhar focou-se em um ponto único.

Oh-oh.

Mais perfeito que qualquer outro homem que pudesse existir no planeta.

E fiquei assim, parada, por uns cinco minutos diretos, e ficaria mais se Hinata não me cutucasse.

– Ei, lembre do que eu disse, nada de desmaiar. Por que acha que pedi para preparar o coração? — ela estava muito divertida, parecia até deliciar-se com minha reação. — Sah, respira, você está bem? — ela perguntou sussurrando desesperada para mim.

Eu nem havia notado que tinha prendido a respiração, puxei o ar com tudo e balbuciei.

– A... a-ah e-a... — droga, tô gaguejando. — C-como assim? O q-que você quis dizer com e-eu e ele... Nós demos certo?

– Ai, Sah, nada de bancar a sonsa, vamos lá, acha que eu não percebi seus olhares pelo Sasuke? Você só falta puxar uma câmera e tirar uma foto dele. Eu sinto, eu sei que sinto uma química rolando entre vocês dois. — olhei-a paralisada. — Vai dizer que é mentira? Só a maneira como você ficou depois de olhá-lo aqui te entrega de longe. Achei que você fosse ter uma parada cardíaca, por favor, nada de fazer essas coisas de novo, garota você ficou roxa. Meu Deus, até eu já tava pirando aqui...

Ela tinha razão, eu devo ter exagerado inconscientemente quando saí e vi Sasuke. Mas, ARGH, como eu posso ter culpa? Ele estava lá, na praia conversando com uma mulher e um homem. Dois idosos para ser mais exata. Mas o pior não era esse, e nem por ele estar com roupas diferentes, uma camisa regata azul marinho — que destacava os braços musculosos e imperceptivelmente de perto deveria marcar um pouco do tórax também -, uma bermuda prateada e um sapa-tênis. Ok, espera, eu sei que podem parecer roupas simples — não -, mas a questão foi ver o sorriso PERFEITO naquele rosto PERFEITO.

Foi demais para o meu pobre e iludido coração, por isso toda aquela reação. Nem preciso dizer que me apaixonei pelo sorriso, certo? Porra, eu já estava apaixonada por aquele ser inteiro.

– Hinata.

– Sim? — ela parou de tagarelar depois que eu cortei-a.

– Por favor, não pensa essas coisas, eu... Você fica dizendo que aprova isso de nós dois juntos e... desculpa, eu não quero borrar a maquiagem que você fez com tanto carinho, eu só... eu não quero me iludir, eu... — Ela afagou meus braços carinhosamente. — Eu, sei que ele jamais vai ser capaz de gostar de mim, ele jamais vai... se apaixonar por mim, como eu estou por ele, eu... — e quando me deparei eu já chorava no ombro dela enquanto era abraçada. Tentei diminuir o volume dos meus soluços, mas parecia em vão. Que droga estava acontecendo comigo? Não lembro quando fiquei tão emocional assim. Levantei meu rosto para fitá-la. — Desculpa, eu...

– Ei, shii, shii, calma — ela disse calma enxugando minhas lágrimas. — Eu que tenho que pedir desculpas, acho que forcei demais a barra. Quem diria — ela disse divertida. — minha melhor amiga apaixonada pelo meu irmão. Sabe, foi bem rápido, mas não posso dizer nada, é óbvio que você gosta dele de verdade. Não sabia que era tão difícil assim para você. Como eu sou insensível. — depois de um suspirar ela continuou. — Não se preocupe querida, minha maquiagem é a prova de choro. — soltamos risinhos. — Agora coloque aquele mesmo olhar de quando você apresentou na reunião, e mostre para essas pessoas a mulher incrível que você é.

Sorri confortada. Hinata era insubstituível.

– Pronta? — assenti. — Agora vamos lá. Sorria, você está na praia.

Sorrimos divertidas enquanto avançávamos pelo caminho.

Eu pirei quando percebi que Hinata caminhava diretamente na direção de Sasuke. OH GOD! Por acaso ela queria me matar? Senti a textura macia da areia quando fomos andando calmamente até os três, Hinata apertou fraco meu braço no caminho.

– Nunca vai descobrir se não tentar.

A senhora que estava entre eles foi a única que nos notou, pois acenou quando reconheceu Hinata. Logo o senhor ao lado dela também nos avistou e deu um grande sorriso. Gostei deles.

Mas, quando Sasuke finalmente percebeu nossa presença, o sorriso alegre, lindo e perfeito que ele tinha no rosto foi morrendo aos poucos enquanto me encarava. E quando eu achei que meu coração chorava litros de sangue, aquele ser magnífico lançou-me um olhar hiper penetrável, parecia como se lesse minha alma. Se ele lesse minha alma saberia que eu estava quase hiper ventilando aqui. Aqueles olhos negros me hipnotizaram, e dessa vez, tive certeza absoluta que ele também estava hipnotizado por mim.

Morrendo em: 3, 2...

– Ah! Sakura, quero que conheça a Sra. Uchiha e o Sr. Uchiha, eles são nossos avós maternos. Vovó, vovô, essa é Sakura Haruno, minha melhor amiga e funcionária da CIT. — Hinata apresentou-nos animadamente.

Apertei a mão do Sr. Uchiha que balançou a minha com animação e um grande sorriso no rosto.

– Ah, minha bela jovem, pode me chamar apenas de Kurono, ou se quiser, de vovô mesmo. — e deu uma risada alegre.

Sorri encantada pelo acolhimento dele. Quando fui cumprimentar a Sra. Uchiha fui surpreendida por um abraço acolhedor da parte dela, gentilmente ela afastou-se e disse como uma mulher muito sábia.

– Oh, porque essa garota adorável estava chorando? Minha querida, se não estiver se sentindo bem pode avisar para esse meu neto aqui, que ele providenciará tudo! — ela comentou ralhando de maneira preocupada comigo e com Sasuke. Tentei sorrir sem rumo, mas depois de uma olhada dela para mim e para Sasuke um comentário fatal saiu da boca dela. — Oh, Sasuke, não me diga que essa garota adorável é sua namorada? Será que você finalmente tomou jeito e arranjou alguém? Bem, se for a Sakura você tem minha bênção, pode se despreocupar... — meu coração não batia, cavalgava no meu peito, eu estava sem fala, queria negar aquilo, mas a voz não saia, meu rosto deveria estar parecendo um pimentão, cheguei até a olhar para baixo e queria saber se era possível ver os movimentos do meu coração ali.

Depois de uma risada curta e terrivelmente sedutora, Sasuke falou por nós dois:

– Vovó, como Hinata já apresentou-lhe, a Srta. Sakura é apenas uma amiga... — eu conseguia sentir, era quase imperceptível, mas consegui notar um tom de nervosismo na voz dele. Será que ele estava sem graça pela avó dele me classificar como sua namorada? Será que ele se sentiu ofendido? Ou melhor, será que apenas ficou sem graça por que a avó dele me abordou desse jeito e ele sentia-se envergonhado ou algo do tipo?

– Como? Não são namorados? Por que? Vocês ficariam lindos juntos, não acredito, ela seria a mãe perfeita para seus fi... — A Sra. Uchiha foi cortada por Hinata que passou os braços pelos ombros dos avós. Dei graças a Deus, eu queria cavar um buraco e enfiar minha cara na areia depois daquela. Meu rosto estava em sangue vivo agora.

– Vovó, que tal tomarmos água de coco? Hum? Esse tempo está tão quente. — e começou a retirar-se com eles. Eu já iria acompanhá-los quando Hinata falou. — Sasuke, porque não mostra à Sakura o resto da praia, hein? Melhor, porque não a leva para conhecer todo o lugar? Sabia que ela é fã de praias? Brasileiras, sabe como é. Vejo vocês depois. — e saiu dando uma piscadinha.

– Hinata, isso são modos? Já ouviu falar de respeito para com os mais velhos? E como assim a Sakura é brasileira? Eu gostaria de conhecer mais alguém da minha terra natal, deixe-me falar mais com ela! — a Sra. Uchiha reclamou com Hinata.

– Vovó, a senhora fala com ela depois, sim? Ela e o Sasuke... — e foram se afastando cada vez mais, chegando a um ponto que eu não podia mais ouvi-los.

Meu sangue gelou quando relembrei minha verdadeira situação.

Eu, Sasuke Uchiha, sozinhos — tecnicamente, já que ninguém é suicida o bastante para vir até ele sem ser chamado e começar a falar, exceto a Hinata — e à beira da praia.

Eu morro sem nem ter tido uma última oportunidade de falar com alguém, principalmente Sasuke. Vou matar a Hinata.

Retirando coragem de cada gota do meu sangue, virei-me e me deparei com ele me olhando. Ele sorriu de lado meio desconcertado — me matando de amores internamente — indicando com o braço um lugar ao seu lado.

Com as pernas bambas acatei seu convite e tremendo entrelacei minhas mãos em frente ao meu corpo, claro, para ele não notar minha tremedeira. Nós começamos a caminhar de volta para a passarela, e eu agradeci mentalmente já que meus cabelos não demorariam a virar um ninho de pássaros por conta do vento fortíssimo. As pessoas abriam caminho para nós como se fôssemos algum tipo de majestades para eles, quer dizer, Sasuke né? Eu só estava ao lado dele e por isso ninguém com juízo mental sequer aproximaria-se de mim seja para o que for. Eu tinha quase certeza que ele tinha guardas-costas espalhados por cada milímetro desse lugar.

Eu não conseguia olhá-lo. Por Deus, eu queria tanto, mas faltava-me coragem para isso. Ele estava do meu lado, do meu lado! ANDANDO COMIGO! Aaahhhh! Se eu desse um simples passo para o lado meu braço poderia encostar com o seu. Suas mãos estavam dentro dos bolsos da sua bermuda, deixando o antebraço forte de fora. Meu coração deu um solavanco quando ele pronunciou-se.

– Eu... Hum, sinto muito pela minha avó. Ela normalmente não mede antes de falar. — Não consegui mais ignorá-lo, seria quase um pecado. Observei-o e ele sorriu silenciosamente. — Então peço desculpas caso você tenha se sentido constrangida ou algo do tipo. Por favor, perdoe-a... — interrompi-o.

– Oh, não, não. Não tenho porque perdoá-la, ela não fez nada, na verdade ela é um amor de pessoa, não se preocupe com aquilo... — Notando a burrada que cometi ao interrompê-lo, calei-me e tentei concertar aquilo. — Ah, desculpe, eu... eu não quis interrompê-lo... — falei abanando as mãos na frente do corpo. Mas dessa vez foi ele quem me interrompeu divertido.

– Não se preocupe, está tudo bem. Que bom que gostou dela, ela pareceu ter se encantado por você instantaneamente. — Sorri lembrando do ocorrido. — Desde que conheço minha avó, notei que ela é uma mulher muito sábia sobre a vida, e quando digo isso, refiro-me ao fato dela nunca falar algo sem ter certeza. Admito que fiquei curioso quando ela comentou sobre você ter chorado, está tudo bem com a Srta.? Se algo estiver a incomodando, por favor, não exite em me relatar. — Desviei meu olhar daqueles olhos ônix insuportavelmente lindos e brinquei com meus dedos. Isso tudo depois de corar tragicamente.

– Por favor, não se incomode com isso. Na verdade, estou adorando o lugar, é encantadoramente lindo e duvido que haja algo que me perturbe. O-obrigada por se preocupar, mas não é nada demais, an... foi só uma... desordem sentimental. — Minha voz quase foi um sussurro no final. MAS O QUE EU ESTAVA FALANDO COM ELE? Argh.

– Sinto-me na obrigação, além do mais é amiga de minha irmã, ela se importa muito com a Srta. Nada mais justo. — Meu mundo desabou com essas palavras. Então ele se preocupava comigo apenas por se sentir obrigado? Eu, por um momento, achei que ele realmente se preocupasse comigo. Nunca pensei que... — Bem, pode não parecer, mas eu também preocupo-me com os meus funcionários. Em todo o caso, o fato de ser a melhor amiga de minha irmã e uma funcionária importante, implica que eu também fique preocupado com você.

Eu sinto que vou começar a queimar de tanto que eu estou corando. Em todo caso, ele disse, disse... QUE SE PREOCUPA COMIGO! AAAAHH! Calma, respira Sakura, respira fundo. Não dá chilique, nem ouse dar chilique. Foco.

Own. Eu não sei se foi impressão minha minha, mas ele parecia meio nervoso dizendo aquilo, como se estivesse sem jeito, o que parece impossível. Sasuke Uchiha, gente, por favor. Mas, porra, cara, ele realmente estava sem graça. Oh... vou dar chilique sim.

– Entendo, hum, obrigada. — sorri agradecida.

Continuamos caminhando pela passarela, lado a lado, olhando ao redor notei olhares de todos os cantos na nossa direção, pensei que fossem todos para Sasuke se não fosse a parte feminina lançando olhares nadas discretos para mim. Algumas fuzilando, outras chocadas, e quase todas raivosas. Tremi até nas bases, porra, era como se eu sentisse as cargas de eletricidade que os olhares mandavam pra mim.

– Ignore. — Fitei-o. Ele me encarou e explicou melhor. — Ignore os olhares, sinto que estão lhe incomodando. — Engoli em seco porque ele inclinou-se um pouco quando falou aquilo. Santo Deus. Eu estou pirando só de ficar ao lado dele, imagina quando ele se inclina-nem que seja um pouco-e me atiça com aquele perfume. Ele sabe o quanto pode acabar com o juízo de uma mulher? Só de saber que um cara tão másculo como ele está ao meu lado eu fico excitada. Que droga, ele é meu chefe! E minha paixão platônica.

– Am, eu só não estou acostumada a receber tantos olhares. — disse sem graça e lutando contra meus extintos que queriam agarrá-lo e nunca mais soltar.

– A Srta. se incomoda? — Ele está mesmo se preocupando comigo? Awn, o que será que ele faria se eu dissesse que sim? Será que pediria para que todos se retirassem? Ou pediria educadamente para ignorar-nos? Será que tinha esse poder? Pensando melhor, não vou nem arriscar.

Desviei o olhar antes de responder, aquela troca de olhares já estava ficando intensa demais para o meu coração. Será que eu nunca vou me acostumar com a beleza desse deus grego? Os olhos, a boca, o nariz, a mandíbula quadrada, o queixo, o pescoço forte, o pomo-de-adão e aquele colar de prata que o deixava irritantemente um milhão de vezes mais sexy. Respirei fundo, sem querer embriagando-me com o perfume dele, e o fitei de novo.

– Já não me incomodam tanto quanto no início, desde o primeiro dia que cheguei na CIT foi difícil não notar os olhares nas ruas. — Disse olhando para a frente.

– Entendo. — Eu já conseguia avistar o final da passarela, pouco, mas conseguia, para minha total tristeza. Havia uma barraquinha que vendia sorvete um pouco mais a frente, não sei por quanto tempo a fitei, mas o suficiente para Sasuke notar. — Gostaria de tomar algo? — ele perguntou com as sobrancelhas um pouco erguidas e um mínimo sorriso de canto.

Se eu não morri antes, é porque essa era a hora certa. Ele, Uchiha, perguntou se eu, Haruno, quero tomar sorvete, ainda mais com aquela cara de sedutor. Estou me sentindo em um daqueles filmes onde o casal de namorados vai sair no primeiro encontro e vão tomar sorvete. Bom, não somos namorados — infelizmente — mas vamos tomar sorvete, o que poderia de modo supositório implicar que isto é um encontro. AI MEU DEUS! Eu só posso ter ganhado na loteria. Por dentro eu pulava, gritava, soltava fogos, ria histericamente, mas por fora apenas sorri tímida e assenti.

Paramos em frente a barraquinha — que de barraquinha não tinha nada — e esperamos as duas mulheres que faziam pedido retirarem-se, mas quando as benditas finalmente viraram-se para sair e avistaram o Sasuke, eu só não bufei de ciúmes porque elas ao menos disfarçaram o desejo escondido, elas pareciam duas modelos de Malibu, roupas chiques e curtíssimas, peles bronzeadas e cabelos impecáveis, sem contar os óculos de sol lindíssimos. Resumindo: eram diabólicas de tão lindas.

Eu não vou mentir cara, senti-me rebaixada, por mais que Hinata e Tenten estivessem feito um trato em mim — que eu sou eternamente agradecida. -, eu sabia que minha beleza não se compararia a delas. As duas ainda tiveram a cara-de-pau de tentar puxar assunto, claro, sabendo quem ele era, que garota corajosa não gostaria? O pior foi que me ignoraram como se eu fosse invisível.

– Oh, Sr. Uchiha, é uma enorme honra recebê-lo aqui, no Resort de minha família! — falou a loira que mais parecia feita de photoshop de tão bonita. Ela estendeu a mão para cumprimentar Sasuke. Admira-me que ela e a amiga ainda não tenham tentado pular em cima dele. Sasuke retribuiu o cumprimento educado e com um sorriso pequeno.

– O prazer é todo meu de estar aqui, srta...? — Ele perguntou com uma voz mais grave do que ele usou comigo, ele parecia tão casual comigo. Com elas era como se estivesse conversando sobre um assunto profissional. Impressão minha?

– Oh, que falta de educação a minha, desculpe-me, chamo-me Elizabeth Angeline e esta é minha amiga Lindsey Hilston. Se me permite dizer, o Sr. deve conhecer meu pai, o Sr. Roberth, proprietário do local. — Até o nome da criatura era chique, argh, mas tudo que ela podia ter de bonito ia-se embora com as palavras que ela dizia, quer dizer, ela falava sobre o pai e sobre ser filha do dono como se quisesse se gabar disso. Realmente deve ser muito difícil encontrar pessoas como Hinata, existem, mas são raras.

– Prazer, Srta. Angeline. Sim, como não conhecer o Sr. Roberth, uma ótima pessoa. — ela sorriu orgulhosa com as palavras dele. Eu estava me sentindo tão excluída, eu estava no meio do momento love quando essas duas apareceram. Porque, meu Deus? Por que eu não posso ter um momento a sós com Sasuke? Já estava me arrependendo de ter concordado em tomar sorvete.

– Ah, obrigada! Espero que esteja tudo a seu agrado, Sr. Uchiha. — Ela disse lançando-lhe um sorriso colgate.

– Obrigada pela atenciosidade, não se preocupe, é quase impossível não relaxar em um lugar como este. — As duas sorriram elegantemente e continuaram me ignorando. Vou chorar, cara. — Foi um prazer conhecê-las, Srta. Angeline e Srta. Hilston, se nos derem licença, eu e a Srta. Sakura iremos retomar nosso caminho. — Ele disse chegando um pouquinho mais perto de mim e se dando o luxo de retirar a mão do bolso para me indicar.

Para. Tudo.

Existe, alguma forma, em alguma galáxia, de não se apaixonar por ele? Ele era o homem do milênio, gente. O Cara.

Ele deve ter notado meu desconforto e tentou dar um jeito naquilo, ou também estava se sentindo perturbado pela intromissão delas. Eu espero que tenha sido isso, ele é tão atencioso.

Se há algo que eu percebi em Sasuke, foi que, ele de fato é um cavalheiro, pois trata todos os tipos de mulheres super bem. Que homem é esse?

As duas olharam para mim, mas foquei minha atenção na loira, que sorriu falsamente alegre e se despediu.

– Espero que possamos nos encontar outras vezes, Sr. Uchiha. — eu não. — Até mais, Sr. Uchiha, Srta. Sakura. — apenas depois de um assentimento de Sasuke as duas começaram a seguir outro caminho. Aff, só faltaram se curvar.

Eu nunca havia trocado algum tipo de contato físico com Sasuke, mas quando ele colocou a mão nas minhas costas, achei que ia explodir. Meu coração trotava impiedoso, achei até que teria uma parada cardíaca, mas mudei de interesses depois que ele chamou-me e pediu para continuarmos. Detalhe: ele guiou-me de maneira gentil ainda mais próximo de mim do que o normal. #morri

– Fique à vontade para escolher. — quando me deparei com o cardápio levei um susto de verdade. Aquilo não era um cardápio e sim uma variedade infinita de sabores. Se eu fosse ler só a primeira lista não ia conseguir terminar hoje, nem louca que eu me daria esse luxo de perder meu precioso passeio com Sasuke para escolher UM sabor, prefiro o meu sabor preferido mesmo, se eles não tivessem que se dane sorvete. Com a visão periférica vi Sasuke apoiar os braços cruzados no balcão e inclinar-se para escolher algum também. Os braços, gente, os braços. Argh, eu tenho uma queda pelos braços. Os deles não eram cheios como os dos marombados, parecia mais como se ele tivesse genes perfeitos e fosse profissional em boxe. Ai Deus, vou pirar. Tão sarado. — Já sabe qual vai querer?

Ele me pegou o encarando descaradamente, pra disfarçar assenti. Eu perdi de novo naqueles olhos negros profundos.

– E então?

– Morango. — o atendente logo já estava preparando o meu. Isso é que é atendimento.

– Providencie mais um. — Ele disse. Quando recebemos os sorvetes, Sasuke retirou a carteira do bolso e colocou cinco dólares no balcão. Ele me deu o meu sorvete, o que causou o toque entre nossos dedos e depois de desviar — corando — meu olhar do dele seguimos nosso caminho.

Eu delirei quando ele levou a primeira colherada à boca. O cara era sensual até comendo sorvete, isso já era demais pro meu subconsciente. Quando eu fui comer o meu próprio, notei um detalhe fatal que passou despercebido. Não havia nenhuma colher no meu sorvete. Eu pensei, e agora? Como ou não como?

Sem opções, tive que comer com a boca mesmo, o sorvete estava tão bom que nem prestei muita atenção no que ocorreu. Por isso, enquanto eu esperava o morango derreter na minha boca, Sasuke se virou e me contemplou curioso. Quando terminei o questionei:

– Algo errado? — Ele negou com a cabeça e apontou para o próprio lábio inferior, mas um pouco mais baixo.

– Ficou um pouco sujo, de sorvete.

Que vergonha! Eu pirei quando pensei em comer livremente com a boca, só pode. Desesperada tentei limpar meu queixo enquanto ele me esperava paciente. Que droga, onde está essa maldita sujeira? Divertido, ele pegou o guardanapo da minha mão e passou levemente no canto dos meu lábios.

Eu estanquei, prendi minha respiração, meu sangue gelou, o sorvete até começou a pingar na minha mão. Mas eu ainda encarava ele perplexa demais até para piscar. Ele abaixou a mão devagar enquanto ainda nos encarávamos diretamente, os olhos, aquele rosto lindo me encarando, ele estava até mais próximo após inclinar-se para limpar minha boca. O perfume, oh Pai. Era impressão minha ou rolou um clima aqui? O semblante sereno dele começou a se transformar em um sério e depois preocupado.

– Está sentindo-se bem? — e mais uma vez eu notei que precisava de ar, puxei o máximo que consegui e balancei a cabeça devagar, afirmando. — Que bom. — ele deu um sorriso tranquilo e perguntou. — Não gosta de comer com a colher?

Mirei meu sorvete e respondi, muito, sem graça:

– Bem, é que não veio nenhuma junto. Mas não me importo em comer normalmente. Acho até melhor, de certo modo. — Ele riu e começamos a seguir o caminho.

Voltando a memória, para o momento em que ele limpou minha boca, quem quer que tivesse visto aquilo pensaria algo errado, como sobre sermos um casal ou algo do tipo. Cara, meu coração não dava trégua, né? Sorri lembrando daquilo, pareceu mais que eu estava sonhando. Eu torço para que aquilo não tenha apenas sido na minha imaginação. Deus, estou enlouquecendo. Oh, Sasuke, o que você está fazendo comigo?

– Olhe, a passarela já está chegando ao fim. — ele indicou a curva mais a frente. Comecei a chorar litros por dentro.

Maneei a cabeça e sorri. O que ia fazer? Chorar e me ajoelhar pedindo para que ele não me deixasse? Seria uma boa ideia se não fosse tão devastadora. Suspirei e pus o cabelo que estava no meu rosto atrás da orelha, quando a brisa veio na nossa direção fechei os olhos enquanto ela acariciava meu cabelo. A sensação aqui era tão agradável que ficava impossível não aproveitar.

Ouvimos um toque de telefone, vinha na direção de Sasuke, alguém estava ligando para ele. Quando olhei-o, reparei que ele estava olhando para mim, mas logo ele retirou o celular importado do bolso e reparou na tela. Olhou-me com as sobrancelha um pouco franzidas.

– A srta. se importa?

Percebi a que ele se referia e neguei.

– Fique à vontade.

Ele levou o telefone à orelha e falou com a voz grave. Ui! Gente, que voz! Uma pessoa é capaz de desmaiar só de ouvi-la. Suspirei disfarçadamente.

– Uchiha. — Alguns segundos passaram-se até ele finalmente falar. — Peça para que ele espere até a hora do coquetel, estou ocupado agora. — Nossa, isso foi intimidante. A pessoa do outro lado da linha passou um bom tempo falando, o que fez Sasuke suspirar e me olhar de soslaio. — Sim. — Dois segundos. — Como vou saber disso? — Outro pausa. — Espere.

Ele retirou o telefone da orelha e estendeu para mim. Arregalei os olhos e olhei-o confusa.

– Hinata. — quando entendi segurei com as mãos trêmulas o celular dele, Deus me livre de deixar cair. O celular dele!

– Alô? — falei.

– Sakura! — Hinata gritou do outro lado. Eu levei um susto tão grande que quase deixei o celular cair. Meu Deus! — Sah, iai? Como está indo? Aconteceu alguma coisa? Conte-me tudo, ouviu?! Ele segurou sua mão? Melhor, está gostando do passeio? Ah, de nada ouviu? Mas não precisa me agradecer agora. Eu disse que você me agradeceria... — Cortei-a quando eu já não conseguia entender mais nada que ela falava.

– Hinata! Foco. Ah, eu... estou sim. Quer dizer, pelo menos até...

– Ai minha nossa! Eu interrompi algo, como sou burra, eu queria ligar apenas para saber se vocês ainda estavam juntos. Devo estar interrompendo um momento importantíssimo. Bem, de qualquer modo não importa, aproveite bem, hein? Bye bye! — E desligou. Simples assim, na minha cara, de novo. Olhei para o telefone que apontava chamada encerrada e tratei de entrega-lo a Sasuke prontamente. Ele pegou e guardou no bolso, nos olhamos e eu não resisti em soltar um sorriso.

– A srta. e minha irmã são muito amigas, devo presumir. — Ele disse olhando para frente.

– Sim. Hinata é uma pessoa muito importante para mim. Ela... foi tão gentil desde a primeira vez que veio falar comigo. Bom, an, eu não tenho muitas pessoas ligadas à mim, e a Hinata é... como da família... uma irmã. — eu disse olhando para meus pés e sorrindo.

– Srta. Sakura. — O modo como ele falou meu nome, quase autoritário e amigável. Eu não pude deixar de olhá-lo, eu estava hipnotizada pelos belos olhos ônix. — Minha irmã, ela... desde a infância teve muitas amizades, no entanto... com o decorrer do tempo ela foi percebendo o verdadeiro motivo pelo qual ninguém negava nada à ela: bonita, gentil, educada, popular, e muito rica. A srta. compreende onde quero chegar? — ele questionou-me com o semblante sério. Eu sabia perfeitamente o que ele estava tentando me dizer.

– Sim, Sr... Sasuke. — Droga! Será que errei ao chamá-lo pelo primeiro nome. Nem os sócios deles o chamavam assim, imagine eu. Argh. Que depravada. Mas meu coração se acalmou quando ele assentiu e voltou a olhar para frente.

– Ela sempre foi muito esperta. Em uma certa fase da adolescência ela afastou todos aqueles que diziam-se amigos dela. Toda a família ficou surpresa com aquela reviravolta, claro que ficamos preocupados. Mas lembro quando ela nos contou que quando encontrasse uma amiga de verdade, ela saberia e que não deveríamos nos preocupar. — Ele soltou um riso de escárnio. — Como se ela soubesse o que é sentir preocupação, ela tinha apenas 14 anos na época. Imagine ela passando todos esses anos isolada.

Olhei-o chocada e falei.

– Não me diga que ela não encontrou nenhuma amiga nesse tempo todo.

Ele parou de andar embaixo de um coqueiro e me fitou.

– Encontrou. Você. — Disse, aquele olhar, eu sentia que ele observava minha alma. Era como se ele estivesse me admirando, minha alma, quero dizer.

Ficamos assim, nos encarando. Eu a um passo dele, olhares fixos, a brisa soprando nossos cabelos e consequentemente meu vestido. Quando ele levantou-se demais eu tive que segurá-lo com as duas mãos. Aquilo não era brisa e sim um ciclone. Envergonhada, tentei arrumar meus cabelos quando o vento diminuiu. Eu devo estar parecendo um espantalho, não duvido nada. O vestido também não ajudava, ele só ia até um pouco acima do joelho.

– Eu fico feliz que ela tenha conhecido-a. — Ele disse depois da minha desordem. Notei o sorriso tranquilo no seu rosto, eu vou me apaixonar ainda mais desse jeito.

Retribui o sorriso. Se não fosse por Hinata eu não sabia o que seria de mim. Sem ela seria apenas eu e minha tia Tsunade, apenas nós duas, sozinhas...

– Nossa! — Exclamei perplexa e coloquei a mão na boca.

No mesmo minuto Sasuke olhou-me preocupado e em alerta.

– Algum problema? — ele disse se aproximando.

– Eu... não acredito. Esqueci de minha tia. Ela deve estar tão preocupada... — choraminguei escondendo meu rosto envergonhado com as duas mãos. Eu já previa até minha morte. Minha nossa, como será que ela está a essa hora? Eu não acredito como pude esquecê-la assim... arrgh. Ela deve ter pensado que eu morri, eu disse que voltaria cedo quando fui caminhar. — Preciso falar com ela urgentemente. — Disse desesperada procurando meu celular, mas ai lembrei que eu estava de vestido. E minhas roupas ficaram com Tenten, e isso inclui meu celular.

– Sua tia? — ele perguntou num misto de preocupação e curiosidade.

– Uh? Sim. Moro com ela, e eu acabei esquecendo completamente de avisá-la quando o sr. me convocou. Argh — disse pondo dois dedos no vão entre minhas sobrancelhas.

– Gostaria de comunicar-se com ela agora? — Ele perguntou colocando a mão no bolso e retirando o celular de dentro.

Eu pirei né.

Dá pra imaginar? Ele... ele estava... me oferecendo o próprio celular. Oh, hoje é o meu dia. Acalmando meu coração no momento.

– Sim, mas eu não quero que o sr. se incomode com isso.

– Não se preocupe com isso, eu me sentiria melhor se a Srta. aceitasse. — Ele falou estendendo o celular e sorrindo.

– Tem certeza que não se importa? — cala a boca, babaca.

– Por favor, continue.

Tem como não aceitar? É só impossível. Ainda com sérias dúvidas aceitei o telefone. Aquilo ali valia milhões, Jesus! Com muito cuidado disquei o número do apartamento e pus o celular na orelha. Fiquei encarando-o até tia Tsunade atender o telefone.

– Alô? — Ela falou quando atendeu.

– Tia Tsunade...? — chamei temerosa. Ela deu um suspiro audível e começou a tagarelar sem parar.

– Sakura Haruno o que você tem na cabeça para me deixar tão preocupada assim, menina? Titica, é isso? Eu achei que você tinha sido sequestrada, estrupada e depois te puseram os membros fora. Sabia que eu quase tenho um infarto depois que anunciaram na TV que três mulheres foram encontradas decapitadas há um hora? Eu achei que uma delas tinha sido você. Eu devia chutar esse seu traseiro branquelo quando você chegar aqui. — Os gritos histéricos dela estavam tão altos que eu tenho quase certeza que Sasuke também podia ouvir.

– Tia! Tia Tsunade! Calma, fique calma, deixe-me explicar, por favor. Não fale isso, eu estou ficando envergonhada. — meu rosto ardia de tão vermelho que estava, ai meu Deus, minha tia é uma peça.

– Calma? Não me mande ficar calma, eu não irei ficar calma. Eu odiei passar tanto tempo pensando os piores sobre você! Onde você se meteu, Sakura? Se estiver fazendo coisas que não presta, eu juro que ressuscito seus pais somente pra eles te darem uma lição, mocinha. Só porque foi despedida não é motivo pra sair se prostituindo ou vendendo drogas. Somos pobres, mas eu também poderia arranjar um emprego sabia? Se envergonhando? Ora mais, você nem ao menos sabe como arranjar um homem descente.

– TIA! — gritei deseperada. — Deixe-me explicar, por favor. — Continuei desesperada. Eu nem tinha coragem de olhar na cara de Sasuke depois do que ela disse. — Eu não estou fazendo nada errado, tudo bem? Não tenho muito tempo pra explicar, só quero que fique sabendo que eu fui readmitida na CIT e que estou em um Resort porque fui convocada pelos meus superiores, sim? Está tudo bem comigo, não se preocupe. Ok!?

– Readmitida? Resort? Espera... de quem é esse número? — ela perguntou suspeita.

– An, porque a senhora quer saber? — agora eu estava desconfiada.

– Só me responda. — ela insistiu.

– Do meu... chefe. Satisfeita? Preciso desligar, qualquer coisa eu ligo para a senhora. Beijos! Até. — Eu sabia que minha tia ia fazer um questionamento do tamanho da lista de sorvetes, mas eu não me daria ao luxo de abusar do celular de Sasuke assim. Suspirei aliviada.

– Eu sinto pelas coisas que o sr. teve que ouvir... an, obrigada. — agradeci sorrindo enquanto devolvia a ele o celular.

Sasuke o pegou e deu um sorriso que ofuscava o Sol. Com uma curta e rouca risada, ele respondeu simplesmente.

– Disponha. Fico mais aliviado saber que a srta. tenha resolvido... as coisas com sua tia. — Eu corei drasticamente. — Não precisa se preocupar com o que eu tenha ouvido. Ela só estava preocupada... eu a entendo.

– Ela às vezes gosta de exagerar um pouquinho. — comentei olhando para as outras pessoas. Que vergonha, Santo Deus.

– Ah, entendo isso. Lembra-se de minha avó? — ele perguntou divertido.

Eu soltei uma gargalhada. De fato, ele realmente me entendia. Olhei-o e percebi que ele me encarava com um sorriso de lado — Ai Deus! Mas, INFELIZMENTE, nosso momento clima não durou muito, pois segundos depois um homem nos 50 trajado a vigor — em uma praia, maluco — veio até Sasuke.

– Sr. Uchiha. — Isso é que é ser respeitado, man. E olha que ele é apenas um ano mais velho que eu.

– Pode falar, Staz. — e mais uma vez ele pronunciou-se com a voz grave. E eu me perguntei porque ele não a usava comigo, de repente me sentindo especial. Eu amava quando ele colocava aquele semblante sério dele, mas claro que preferia mil vezes quando ele sorria para mim.

– Todos já chegaram, sr. Estão apenas aguardando-o ansiosamente. — Dito isso curvou-se e esperou uma resposta. Humm.

– Obrigada pelo aviso, Staz.

Sasuke me olhou, mas logo voltou-se para Staz.

– Staz, por favor, acompanhe a Srta. Sakura até que ela esteja na companhia de Hinata. — olhando para mim, ele encerrou. — Sinto muito, adoraria ficar, mas tenho assuntos pendentes para resolver agora.

Eu assenti — morrendo de tristeza por dentro -, mas calma por fora.

– Nos vemos em breve, eu prometo. — Oi? Eu escutei bem? Ele realmente disse isso? Será que ele quer que tenha um infarto aqui de boa, mano? Engoli em seco e despedi-me.

– Até logo, Sr. Sasuke. — notei quando o tal Staz levantou uma sobrancelha diante meu tratamento com o seu Sr. Uchiha.

Sasuke assentiu sorrindo e virou-se andando em uma outra direção, tão lindo, tão gentil, tão sexy e tão... De repente um vazio se apoderou de mim. Uma tristeza tão grande que me fez abaixar o olhar.

– Srta. — Staz me esperava pacientemente.

Acenei começando a acompanhá-lo. Meu maior desejo no momento era que Sasuke cumprisse sua promessa hoje a noite no luau.

Eu mal podia esperar.

Notas finais
Iai? Quem se apaixonou ou soltou suspiros junto com a Sakura pelo Sasuke? Eu soltei o tempo inteiro né. Amo demais esses dois. Próximo capítulo acontecimentos de tirar o fôlego. Até o próximo, pessoal! ;-*