Meu noivo perfeito
12 Traição - O primeiro ato.
Notas iniciais
– Desculpe interrompê-los. – falou pondo a mão por cima do busto. Seu semblante parecia surpreso. – Interrompo algo?
Resisti à vontade de abrir a boca e responder um nítido ‘sim’. Mas a surpresa abateu-me mesmo, quando Sasuke respondeu um segundo depois.
– Oh, não. Não precisa preocupar-se. – meu estômago ganhou algumas toneladas e afundou até o chão.
Não fitei Sasuke, e nem ousava fazer isso, mas virei meu rosto de modo que meu cabelo ficasse por cima impedindo sua visibilidade da minha expressão abalada. Não soube dizer se ele fitou-me depois de dar sua resposta. Meus olhos antes concentrados no piso deram atenção à expressão indescritível de Maya. Se ela estava deliciada por dentro, isso com certeza eu não sabia afirmar, por mais que no fundo eu suspeitasse ser possível. Minha respiração acabou ficando mais pesada.
– Que ótimo, não gostaria de ser inconveniente. – falou dando um sorriso aliviado. – Sasuke, eu estava mesmo procurando-o, tenho alguns amigos que gostariam de conhecê-lo, porém vejo que já tem companhia. – ela falou fitando-me neutra, calma até.
– Esta é Sakura Haruno. – ele falou, porém eu ainda não ousei olhá-lo, me contentei em ouvir sua voz. Um tom de voz nada comum ao falar meu nome. – Sakura, esta é Maya Natsume. – algo dentro de mim remexeu-se com força pela sua voz mais... Mansa ao pronunciar o nome de Maya
– É um prazer, Sakura, já ouvi falar muito de você. – Maya veio na minha direção e estendendo a mão.
Uma vez, li em um livro de historinhas, onde a melhor amiga da protagonista declarou-se a vilã no final da trama. Este era um momento bem peculiar, Maya estava longe de ser minha melhor amiga, ou sequer amiga, mas a história dava a entender que as aparências enganam, e por isso aquele sorriso amigável no rosto da Natsume não foi o suficiente para fazer-me baixar a guarda.
– O prazer é todo meu, Maya. – respondi, com minha voz quase vacilando. Na verdade eu realmente sentia um embrulho na minha garganta.
– Eu estou um pouco ocupado no momento, Maya, mas logo me encontro com você e seus amigos. – ele disse neutro, como se não sentisse nada ao pronunciar aquilo. O que estava acontecendo com Sasuke? O que estava acontecendo aqui? Que ligação era aquela entre ela e Sasuke?
Por instinto, agi antes de sequer pensar direito no que fazia.
– Na verdade, eu já estava de saída. – Falei encarando os olhos lilases de Maya. — Não se sinta na obrigação de continuar comigo. – Termine olhando dentro dos lindos olhos ônix de Sasuke, apenas não sei se ele conseguiu identificar a decepção nos meus próprios olhos. Tenha notado ou não, não me importava. Não mais. – Tenham uma boa-noite.
Dei as costas aos dois antes pudessem dizer qualquer coisa. Sai daquela varanda mais rápida do que queria. Eu estava com raiva, mas minha decepção era tão grande que ultrapassava qualquer outro sentimento. Meus batimentos começavam a acelerar conforme eu atravessava o salão.
Não sei se depois quando eu fosse refletir melhor arrepender-me-ia do meu ato imprudente. Eu não sabia o que iria acontecer, mas no momento eu não suportava a ideia de continuar lá se Sasuke falasse qualquer outra coisa que fosse me decepcionar mais ainda. Ele disse à Maya que ela não havia interrompido nada, e seu humor parecia genuinamente sincero. Será que todo aquele momento de nós dois não significou mesmo, de fato, nada para ele? Eu recusava-me a acreditar naquilo, tenho certeza que aquele elogio que falou teve importância tanto para ele quanto para mim. Por que todo aquele clima entre nós dois mudou tão de repente? Será que sou eu que estou complicando as coisas?
Mas por quê? Por que, de maneira tão inusitada, ele passou a referir-se à mim mais grotesco. Posso estar exagerando ao falar grotesco, mas... Estava ficando difícil engolir aquilo. Um nó formou-se no início da minha garganta. De fato minha reação deve ter sido exagerada, mas, só de imaginar que ele ficaria comigo ali por mais alguns minutos, quem sabe por obrigação, e mesmo assim pudesse estar pensando em sair logo de perto para encontrar Maya e seus amigos dava-me um terrível enjoou. Aquilo definitivamente não era o que eu estava esperando. Todo aquele momento perfeito que havíamos criado dissipou-se tão repentinamente que até eu mesma estranhei.
Tentando evitar a vontade de derramar uma sequer lágrima, já que minhas emoções tinham um profundo companheirismo com meus canais lacrimais. Procurei a mesa em que eu estava minutos atrás. Andei com a cabeça um pouco baixa por entre todas aquelas pessoas elegantes e felizes, que pareciam gostar de esbanjar seus contentamentos. Desistindo de encontrar Hinata entre todas aquelas mesas, que mais pareciam um labirinto, mudei o destino da minha caminhada. Ainda com um pouco de pressa, sem entender bem o porquê, sai andando pelo primeiro caminho que encontrava.
Toda aquela desconcentração acabou levando-me a um parapeito composto de pedras. Era um lugar mais afastado das outras pessoas, havia apenas outro casal que estava saindo quando eu cheguei. Mais nenhuma alma a vista, era apenas eu a natureza em toda sua magnitude. Cheguei um pouco mais perto, apoiando ambas minhas mãos nas pedras, fitando todo aquele cenário com nostalgia. Como eu gostaria de tirar meus saltos e correr para a praia, esbaldando-me naquele mar iluminado pela Lua. Sentir a natureza de volta depois de tanto tempo morando na cidade grande, parecia quase uma missão impossível.
Lembranças indesejadas da minha dança com Sasuke vieram à cabeça, eu não poderia mentir, foi um dos momentos mais maravilhosos da minha vida, quando estive nos braços de Sasuke foi a única verdadeira vez que me senti segura após a morte de meus pais. Foi como se eu finalmente tivesse encontrado meu porto seguro, minha coluna. Eu daria de tudo para sentir aquilo outra vez, com Sasuke. Mas ele não estava mais ao meu alcance, minha imprudência acabou afastando-nos e eu sabia disso. A culpa era minha. Pelo menos era naquilo que eu acreditava.
Senti uma presença atrás de mim, tremendo um pouco por conta do frio causado pela ventania, virei-me. Uma parte de mim esperava encontrar Sasuke, saber que ele estava procurando-me para de algum modo pedir desculpas. Eu ficaria muito alegre por sabe que ele havia deixado Maya e tivesse vir de tentar saber o que estava acontecendo. Saber que ele se preocupava. Mas toda aquela luz de esperança que foi crescendo em mim apagou quando vi Naruto andando na minha direção. O que só me fez concluir que Sasuke estava com Maya.
Eu não conhecia muito sobre Naruto, parecia compenetrado em seus próprios pensamentos. Nem havíamos nos apresentado mais adequadamente. Mas ele era amigo de Gaara, e Gaara conseguiu provar hoje de uma forma muito irritante que era um cara legal. Por tanto, eu não tinha nada contra Naruto, com o que ter que tenha acontecido entre ele e Hinata antes.
Ele parou a uns dois passos de mim e apoiou seus cotovelos no parapeito, também observando o horizonte como eu estava fazendo agora. Nenhum de nós ousou pronunciar nada, só ficamos lá, quem sabe aproveitando o silencio e a companhia do outro. Naruto tinha cara de tudo, menos de uma pessoa quieta. E isso mostrou o quanto ele podia estar abalado com algo. Mas eu ficaria quieta, mal sabíamos nossos sobrenomes direito.
– Noite difícil? – ele perguntou baixinho ainda sem desviar o olhar.
Pensei antes de responder, o que eu poderia falar? Ele não era nenhuma Hinata ou Ino com quem eu poderia desabafar. Mas ele estava ali, tentando iniciar um diálogo, isso foi o suficiente para tirar as palavras da minha boca.
– Um pouco. – falei girando o anel de $15,99 do meu dedo anelar, um presentinho de tia Tsunade. – As coisas não estão saindo conforme o esperado. – completei. – Também está com problemas?
Ele abaixou a cabeça na altura do parapeito e depois subiu de uma vez, dando uma volta em círculos no seu lugar. A sua mão assanhando desesperadamente seu cabelo indicava que as coisas estavam bastante frustrantes.
– Hinata. – sussurrou baixinho pondo as mãos nos bolsos.
Engoli em seco, primeiro por estar com sede e segundo pela complexidade da sua situação.
– Não sei mais o que fazer. – Continuou com o olhar perdido no mar.
Assenti, sem saber se ficava parada ou falava algo.
– Eu... – ele pareceu hesitara antes de continuar, como se duvidasse se era seguro contar para mim. Não tentei pressioná-lo. – Eu sei que você e Hinata são grandes amigas. – disse olhando-me.
Assenti outra vez, sem saber onde ele queria chegar.
– Sakura. – ele chamou-me, quando eu virei-me para olhá-lo, ele estava com uma expressão de dar dó irresistível. – Preciso da sua ajuda.
(...)
Alguns minutos antes:
Sasuke ainda encarava o lugar por onde Sakura havia saído há poucos segundos com pressa, sempre com seus olhos mirando-a atentamente até vê-la sumir de sua vista. Ele admitia que havia ficado um pouco surpreso com o comportamento surpreendente de Sakura. Por um momento ao vê-la sair ele cogitou a possibilidade em segui-la e saber o que estava acontecendo com ela, por mais que isso significasse abandonar Maya ali.
Nenhum dos dois havia falado mais nada, Maya por estar tentando de algum modo desvendar o que se passava pela mente de Sasuke, que se mantivera calado observando a saída do local, e Sasuke por ainda estar relembrando do misto de sentimentos que viu nos olhos claros de Sakura.
Sim, ele havia visto e compreendido a mensagem que ela quis passar-lhe ao encará-lo tão firmemente. Lá não havia somente uma enorme decepção estampada, mas se contasse a tristeza e o sofrimento ficaria óbvio que ele havia feito algo de muito errado. Com raiva de si próprio, passou a mão pelo cabelo, assanhando-o um pouco no processo.
Era tão claro agora, ela sentiu-se desconfortável com a presença de Maya. Mas para si não haviam motivos para tal, certo que Maya era uma mulher fenomenal e muito charmosa, mas Sakura esta noite estava tão incrível que nem ele mesmo tinha palavras para descrevê-la de maneira correta. Não havia motivos para ela sentir-se daquele jeito se a questão foi pela aparência, e ele sabia que Sakura não era uma mulher que se incomodava por tão pouco. Sakura era muito mais.
Fechou os olhos por menos de um segundo, tinha de fazer algo sobre o que acabara de acontecer, não podia deixar as coisas ficarem daquele jeito.
– Sasuke. – Maya chamou-o enquanto aproximava-se. O perfume dela não era de todo agradável, forte demais que beirava ao enjoativo, e algo que não agradava Sasuke e muito menos qualquer homem era uma mulher enjoativa. – Vamos?
Olhou-a por um instante, sabia que havia falado que a acompanharia para conhecer seus amigos, e muito obviamente para falarem sobre negócios, o que era última coisa que Sasuke queria fazer no momento, sua cabeça não iria conseguir trabalhar adequadamente com a lembrança do olhar decepcionado de Sakura. Droga!
– Sinto muito, talvez deva deixar para outra vez. – despediu-se com um aceno de cabeça. – Com licença.
Não esperou para ouvir a resposta de Maya, não que não gostasse da Natsume, porém ele tinha outros assuntos mais importantes para tratar no momento. E ele sentia que precisava de algum modo desculpar-se com Sakura. Saiu da varanda indo para o salão, enquanto dispensava educadamente as pessoas que tentavam em vão convidá-lo para uma conversa, ao mesmo tempo também tentava avistar Sakura ali. Ela estava tão irradiante naquela noite que era como se um brilho próprio estivesse ao redor dela iluminando-a. não seria difícil encontra-la caso estivesse no salão.
Até mesmo quando chegou na mesa em que Ino estava sentada conversando com Gaara, e perguntou se haviam visto Sakura, ambos negaram como resposta, e por mais que houvessem tantas outras coisas para fazer além de encontrá-la, ele sabia que não conseguiria descansar ao saber que fizera algo que a magoou. Era como uma queimadura em seu consciente que voltaria ao normal somente depois que pudesse tirar tudo a limpo.
Depois de andar em outros lugares e perguntar para algumas pessoas o paradeiro de Sakura, Sasuke até pensou em desistir. Nenhum sinal de vida. Isso começou a martelar em sua cabeça se o problema era tão grave assim. Então, do nada, lembrou-se que havia um lugar que não ficava muito longe dali, bastava olhar, já havia feito tanto que só mais um lugar não faria mal algum.
Ao dobrar teve uma visão clara do parapeito de pedra, era tão extenso que ele teve de olhar para os dois lados a procura. Quando seus olhos notaram mais ao fundo um casal, estava prestes a sair quando ele reconheceu as mesmas vestimentas de Sakura. O que mais o incomodou foi o fato de que, pela segunda vez na noite outro homem que não fosse ele estava tocando-a, e este ele reconheceu como sendo Naruto.
Naruto segurava ambos os ombros de Sakura, eles estavam próximos, próximos demais. E aquele pareceu um momento tão íntimo que cerrou seu punho inconscientemente. Suas sobrancelhas juntaram-se. Ouviu um barulho de soluço próximo a si, mais a frente Hinata estava com a mão em frente a boca e outra tentando enxugar as lágrimas que corriam por seu rosto.
Não, não, não. Aquilo não devia estar acontecendo. Observou Hinata sair correndo e quase tropeçando em seus próprios pés. Começou a ir pelo caminho que ela seguiu, sem nem ao menos retomar seu olhar para trás de novo. Outra vez amaldiçoou Naruto pois sabia dos sentimentos de sua irmã por ele.
Mas também amaldiçoou Sakura por ter traído sua irmã. Por tê-lo traído.
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