Meu noivo perfeito
20 Me deixe cuidar de você
Notas iniciais
– Tudo bem mesmo, Sakura?
Forcei minha perna esquerda a trabalhar decentemente enquanto dava o primeiro passo com a ajuda do braço de Hinata. Olhei seu rosto perto do meu e sorri, sinalizando com um singelo gesto e dessa vez me preparei para dar o próximo passo com a perna direita, a que possuía o corte de faca, que há poucas horas descobri ser bem mais profundo do que havia imaginado, quando uma enfermeira apareceu para trocar o curativo.
A parte traseira da minha panturrilha parecia queimar conforme meu peso recaía sobre ela, mas ignorei e mesmo assim fiquei parada, sentindo meu joelho tremer e meu rosto se contorcendo em uma careta. Hinata firmou ainda mais o braço ao redor do meu.
– Tudo certo... – resmunguei só um pouquinho ofegante.
– Não precisa ter pressa... – ela sugeriu.
– Ta bom. – sorri e mexi o ombro esquerdo.
– Está doendo? – ela referia-se ao meu braço enfaixado e meu pulso engessado repousando na tipoia.
– Não, nenhum incômodo...
– Okay.
– Vamos. – insisti, continuando com meus vagarosos passos.
Depois de pegar um pouco do jeito com a sensação mais do que incômoda que o corte causava e tentar não falhar a força em meu joelho quando pisava com a perna esquerda, finalmente pudemos chegar à porta do quarto e Hinata apressou-se em abri-la.
Fiquei um pouco cega com a claridade das luzes do corredor, então fechei meus olhos esperando-os se adaptarem e quando em fim o foi feito, pude observar minha tia conversando seriamente com uma médica bem ao lado da porta. Hinata pegou algo que estava próximo delas e me estendeu uma bengala de ferro.
– Obrigada. – sussurrei já mais aliviada por não ter de ficar fazendo Hinata suportar todo o peso que eu punha em meu lado bom.
– Srta. Haruno. – a médica aproximou-se com um sorriso leve. – Como está se sentindo hoje?
Tia Tsunade logo ficou ao lado da médica, me olhando com aquela mesma preocupação de mais cedo.
– Bem melhor. – respondi, mas uma pontada na panturrilha fez o semblante de todas vacilar diante da minha expressão. – Só uma dorzinha ali e aqui, nada que eu não possa suportar. – dei um de meus melhores sorrisos, quem sabe isso as convencesse.
– Vai levar certo tempo até você se acostumar com a irritação em sua perna, e para ajudar na sua recuperação não ponha esforço demais sobre ela, tudo bem? Essa bengala vai servir de grande ajuda, sempre ande com ela. – anuir afirmativamente. – Já deixei a maioria dos remédios a encargo de sua tia. Mas aqui está uma lista informando sobre os horários ideais e as doses.
Da prancheta que levava retirou um papel e entrou para tia Tsunade.
– Não faça movimentos bruscos com seu braço, apesar de estar no gesso e ele poder ser muito mais prático para facilitar sua melhora, ainda não é recomendado que tente mexer seus dedos, tudo pelo bem da rapidez de sua melhora.
– É só isso, ótimo. – ouvimos uma voz grave aproximando-se de onde estávamos.
Todas nós viramos a cabeça para olhar e nos deparamos com Sasuke a poucos passos de distância e encerrando uma ligação. Enquanto guardava seu celular no bolso dianteiro da calça e reajustava o relógio de pulso, seus olhos varreram o corredor até pararem definitivamente em mim. Ele deixou até mesmo um daqueles sorrisos de canto escarpar.
Apertei mais o apoio da bengala e sorri um pouco tímida.
Sasuke veio até mim com aqueles passos elegantes e intimidadores que só ele conseguia, chegando ao meu lado rodeou minha cintura com um braço, com aquele mesmo instinto protetor que ele demonstrava seja com quem estivesse por perto.
– Tudo bem? – perguntou olhando em meus olhos.
Assenti mordendo os lábios.
– Doutora Willson, obrigada. – ele agradeceu a medica voltando-se para ela.
– Ah, foi um prazer, Sr. Uchiha. – senti uma comichãozinha dentro de mim com o sorriso radiante da doutora. Então, como se lembrasse de algo, desfez o semblante contente e adotou uma postura mais séria quando falou comigo. – Srta. Haruno, você deve vir daqui uma semana para fazermos seu exame de rotina.
– Certo.
– Ótimo. – sorriu um pouco.
– Então, vamos? – Hinata perguntou segurando sua bolsa de ombro, parecia animada por finalmente sair daquele lugar.
Aos poucos fomos saindo daquele corredor, deixando uma doutora um pouquinho frustrada para trás, como sempre devia acontecer quando alguém não recebia a atenção o tanto quanto desejada de Sasuke. Minha tia e Hinata iam mais à frente, conversando sobre um assunto qualquer enquanto eu e Sasuke íamos um pouco mais atrás, sendo seguidos discretamente por seus seguranças.
– Fico feliz que esteja melhor. – ele sussurrou perto do meu ouvido, enquanto sua mão apoiava-se em minhas costas, ajudando-me em minha locomoção. – E, por favor, ignore o máximo que puder a imprensa, tudo bem?
– Ah não... – gemi, imaginando o caos que devia estar lá fora. Olhei-o sôfrega. Minha mão doía um pouco por segurar aquele cabo duro da bengala.
– Eu sei, mas não pude evitar, sinto muito. – eu sabia que ele não tinha a mínima culpa, quer dizer, esses fotógrafos meio que já eram esperados ali contando o bafo que era ter Sasuke aqui.
– Tudo bem, não pode ser tão ruim, não é? – descontrai nervosa. Imaginando o quanto eu estava um caco, minha cara esfolada, meus cabelos, que eu não lavava há cinco dias, que horror.
– Quem dera... – foi tudo que sua voz grossa emitiu antes de sairmos pelas portas de vidro.
Ele tinha razão, os fotógrafos praticamente interditaram quase todo o estacionamento dianteiro do hospital. Milhares de flashes surgiram do nada, me deixando cega e desequilibrada naquela pequena passagem que os seguranças estavam fazendo para nós. Por sorte ela ia dar direto em outro carro de Sasuke, ao lado do Audi da Hinata.
Foi horrível ter de acelerar o passo pra fugir daquele sufoco, além de ter recebido umas pinicadas de dor no corpo, o falatório insistente dos jornalistas fazia minha cabeça girar. Ouvi-los chamando a mim, Hinata e principalmente Sasuke era perturbador, só consegui ter um pouco de paz e respirar aliviada quando entramos no carro e fechamos todas as portas, ofuscando por completo o barulho dos flashes e dos repórteres desesperados.
– Ufa... – sussurrei e acompanhado de uma risada.
– Você está bem? – Sasuke perguntou ligando o carro e pondo o cinto.
– Acho que sim... – respondi deixando a bengala ao meu lado.
– Essas coisas ficam cada vez mais perigosas... – ele resmungou brincalhão.
– Meu braço quem o diga... – reclamei segurando a tipoia. Sasuke me olhou e ficou lá, só nisso, me fazendo ter de levantar a orelha, desconfiada.
– Consegue por o cinto? – foi o que perguntou.
Olhei para a direita e então só me dei conta desse pequeno infortúnio, puxei-o até a trava, mas como esperado meu braço esquerdo complicou tudo.
– Ajuda? – sussurrei olhando para Sasuke.
Meu lindo namorado sorriu e veio prontamente resolver minha situação, tomando cuidado para não forçar demais meu antebraço.
– Obrigada. – agradeci me acomodando o melhor que pude no estofado do carro.
Ele sorriu de volta e começou a dar a ré no estacionamento, tendo o maior cuidado para não atropelar os repórteres esbaforidos. O som potente do carro era muito intimidante, não vou nem ofuscar esse fato, mas eu nem ao menos sabia que carro era aquele.
Quando estávamos saindo das extremidades do Hospital vi minha tia entrando no Audi de Hinata junto à mesma. Os repórteres também caíam duro em cima delas, mas os seguranças de Sasuke faziam um ótimo trabalho mantendo-os longe.
– Sakura, você quer ir para casa...?
Virei minha cabeça, fazendo Sasuke notar que havia conseguido minha total atenção agora. Pensei em como seria bom ir para um lugar diferente. Pensar em outras coisas.
– Na verdade não... Se importa de irmos a algum fast food? – dei-lhe um sorriso sôfrego, fazendo charminho.
– Ótima escolha. – respondeu dando um giro meio brusco no volante e fazendo a volta na avenida, arrancando com o motor potente do carro.
Droga, tinha esquecido desse gosto pra lá de peculiar dele, velocidade.
Olhei no retrovisor do carro e fiquei somente observando um jipe grande e imponente nos seguir conforme fazíamos nosso percurso pelas ruas. Era tão estranho ser... perseguida, me senti tão desconfortável que apelei para saber a verdade.
– Sasuke, são... Seus seguranças?
Ele me olhou e depois verificou o próprio retrovisor, checando a área pra ver se eu não estava pirando.
– Sim. Não se preocupe nada de perseguição em avenida há essas horas.
– Nunca se sabe, né? – respondi, rindo e olhando outra vez o carro atrás de nós, aquilo tudo continuava sendo infinitamente estranho.
– Logo vai dar 20:00,eu conheço um restaurante aqui perto, se importa de deixarmos o fastfood pra depois?
Olhei para mim mesma, verificando o estado decadente em que eu me encontrava e depois olhei para Sasuke. Como esse homem podia simplesmente ficar mais e mais bonito a cada vez que eu o via? Suas mãos fortes concentradas no volante; a camisa imponente de mangas longas, e toda aquela divindade de rosto, nossa, ele era mais do que eu podia sequer ter chegado a sonhar para mim. Imaginar-me chegando junto a ele em um restaurante era tão engraçado que eu soltei um riso e concordei.
– Pode ser...
Meia hora depois o carro estacionava em frente a um restaurante bem movimentado, ah não acredito que de tantos restaurantes no mundo Sasuke teve que me trazer para um tão movimentado. Vou chorar.
– Nossa, parece tão... Cheio. – soltei me inclinando para frente, observando todas aquelas pessoas. De repente todas passaram a olhar para o carro em uníssimo, só então me dei conta que Sasuke já havia saído do carro.
– Sakura...
Pulei de susto ao ouvir a voz dele atrás de mim. Ele ficou lá, sorrindo às minhas custas, com uns óculos escuros que o deixava pra lá de sexy.
Desamassei a saia que Hinata havia levado para mim e ajeitei as mangas da minha blusa, também cortesia dela. Sasuke abriu espaço para eu passar, enquanto eu lutava para sair daquele carro baixo pondo força na perna direita e na bengala. Sua mão segurou meu cotovelo e com um impulso só me pôs de pé confortavelmente.
Fomos recebidos por quem parecia ser um gerente afobado que veio certificar-se de quem realmente estava na porta de seu restaurante era o grande Uchiha. Eu já devia imaginar como era o tratamento que pessoas com a mesma classe social de Sasuke deviam receber, mas estar lá, sendo atendida da mesma maneira era; ante de tudo: desconcertante.
– Por aqui, senhor. – ele continuou nos guiando dentro do restaurante, abrindo espaço entre as pessoas conforme avançávamos.
Eu só queria uma refeição, e ainda tinha que passar por aquilo tudo.
– Temos uma sala mais reservada disponível, senhor, gostaria de ocupa-la?
Contanto nossa situação aqui, essa era sem dúvidas a questão mais plausível.
– Por favor. – Sasuke respondeu, passando um braço sobre meus ombros.
Os seguranças de dele ficaram em algum lugar lá fora enquanto eu aproveitava a refeição ao lado dele. Eu estava dando meu melhor para conseguir usar os talheres com apenas uma mão boa, tarefa que exigia certa proeza, ao meu lado Sasuke parecia divertido enquanto deliciava-se com o cardápio sem a mínima preocupação, o que me frustrava ainda mais. Ainda teve a coragem de me chamar de nervosinha. Ahá.
– Depois dessa vou contratar alguém para me dar comida na boca... – resmunguei de cara emburrada e afundando um pouco na cadeira. Todos esses curativos estavam me dando nos nervos, eu mesma preciso admitir.
Havia sobrado um pequeno pedaço de carne que não havia conseguido partir e um tadinho de purê, mas infelizmente toda aquela armação me deixou sem apetite.
– Desnecessário... – olhei-o após o comentário. – Acho que sou mais que capacitado pra isso, até por que... – ele inclinou-se mais, sussurrando com a boca próxima de meu ombro, mas com os olhos grudados nos meus. – Eu ficaria muito feliz. – pisquei.
– Não vai estar muito ocupado pra isso, Sr. Uchiha? – perguntei girando o garfo no ar.
– Pra você? – perguntou girando o relógio de pulso para baixo. – Muito difícil...
– Humm... – resmunguei meio sem voz e sentindo meu corpo todo responder àquele tom irresistível dele. Socorro...
Ele soltou um daqueles risos baixos e graves que parecem ecoar dentro dos nossos corpos. Ele era muito bom nisso, em toda essa arte da sedução.
Senti meu rosto quente e comecei a brincar com o fiapo da tipoia, tentando recuperar um pouco da minha dignidade. Eu era um desastre na arte da sedução, coisa que nunca foi novidade e ter aqui um mestre pondo a finco toda sua capacidade me deixava perdida.
– Eu... – comecei a falar. – Estava pensando em procurar outro apartamento... – Fitei-o. – Bem, era uma ideia que já tinha passado pela minha cabeça antes e... Apesar de nunca tê-la cogitado seriamente, acho que agora é uma opção mais que plausível.
– O que tem mente?
– Um lugar simples mesmo, somos só eu e minha tia e não vejo porque mais conforto que isso. Estava pensando em algum no centro.
Ele recostou-se a cadeira e cruzou os braços.
– Conheço alguém que pode disponibilizá-la o lugar ideal.
– Verdade? – me movi animada na cadeira.
– Sim, podemos ir lá agora mesmo se você se sentir confortável.
Não dei brechas para Sasuke sequer pensar em desistir da ideia. Logo deixamos o restaurante sobre os mimos e convites para que retornássemos a qualquer momento do mesmo gerente. Como Sasuke aguentava aquilo? Não era à toa que ele não gostava muito de sair em público. Esse povo famoso.
No meio do caminho ao tal conhecido do meu namorado. Ele me ofereceu o celular para informar minha tia e Hinata sobre o novo rumo que eu estava disposta a tomar. Depois de deixar as duas na expectativa havíamos chegado ao bendito prédio.
Foi o mesmo protocolo de antes, fomos muito bem recebidos, e Sasuke nem precisou de muitas palavras para convencer o homem a me oferecer um dos melhores apartamentos e por um preço mais baixo. Admito, ri tanto naquela hora.
A primeira a comemorar a notícia foi minha amiga, depois fiquei trocando algumas opiniões com tia Tsunade, por sorte ela aceitou a notícia em uma boa, declarou algumas coisas que ela exigia que houvesse em um apartamento e depois de uma longa lista, de coisas boas e ruins, finalmente passou o celular de volta para Hinata, que colocou a ligação em viva-vos.
– Certo, mas Saky, quando você vai começar a mudança?
Pus a mão no queixo, encarando o porta-luvas do carro, que me levava de volta para casa.
– O mais rápido possível. — afirmei veemente.
Sasuke me olhou de relance enquanto dirigia, sem expressar nada, mas eu tinha quase certeza que minha ideia havia o agradado. Com habilidade ele fez a conversão de pista e entrou numa rua que dava de ida para o mesmo caminho da floresta, por onde a casa dele ficava.
– Elas já podem mudar amanhã. — pronunciou Sasuke me surpreendendo, essa parte é nova.
– Amanhã?! — minha tia pergunta animada, expressando sem hesitação o que eu não fiz. — Que ótimo. Não precisamos ficar lá por mais tempo.
– Sim, Tsunade, vocês só precisam trazer as coisas de vocês. E Hinata, vou levar Sakura para minha casa. Não quero tirá-la da minha vista, por enquanto. – olhei-o meio chocada, sentindo meu coração acelerar vendo-o me dando um daqueles sorrisos.
Enrubesci quase que instantaneamente. Nem morta que eu ia contestar a oferta dele, avá, eu nem conseguia me controlar de nervosismo com a ideia, ou melhor, com os milhares de pensamentos que surgiam queimando o lado mais ajuizado da minha mente. E, bom, eu com certeza não estava nenhum pouco no clima de voltar a dormir durante outra noite naquele bairro, não que eu não houvesse superado todo aquele drama, mas mesmo sendo a casa em que me ergui aqui em Los Angeles, acho que por enquanto as coisas poderiam não serem as mesmas.
– Hinata, tia Tsunade pode ficar com você? Não a quero sozinha no antigo apartamento. – pedi, preocupando-me com o conforto da minha tia.
– Ihh, já está atrasada, Sakura. – ela deu um risinho do outro lado. — Eu já a intimei a ir para lá. Vovó vai adora ela, prevejo papos até altas horas da noite. Então tchau. E vocês dois. Juízo. – e completou com aquele sorrisinho malicioso.
Por puro instinto escorreguei no banco do carro, querendo cobrir meu rosto mais quente ainda. Sasuke gargalhou um pouco e olhou o celular em minha mão divertido. Com aquela sobrancelha me fazendo uma pergunta silenciosa, mas totalmente inquisidora. Senhor...
– Hinata eu tenho mais juízo que você. Não desgaste a vovó. E Sakura vai descansar assim que chegar em casa. — ele falou sério.
Mas não o sério normal de intimidar as pessoas, mas como um sério divertido e enigmático, até caloroso e carinhoso. Uma nova faceta de Sasuke se mostra e ela é ainda mais fascinante. E a maneira que ele falou 'casa' e meu nome em uma mesma frase me fez ter aquela avalanche de alegria mais uma vez.
Desliguei o celular e estendi para ele, sem preocupação Sasuke que pega e coloca a senha para mexer, porém com um movimento rápido uso meu braço direito para segurar seu braço. A fisgada em meu peito foi mais do que suficiente para que eu fizesse aquilo.
– Sasuke, você está dirigindo! Não mexa no celular! — reclamei fazendo careta.
– Desculpe-me, Sakura. — ele diz envergonhado e passando a mão pelo cabelo. — Já que eu não posso você pode. A senha é 5689. Procure nos contatos o nome Durcherh, por favor. – me pede.
– Encontrei. – respondi encontrando um dos poucos nomes da lista.
– Ok. Agora acione uma chamada, por favor. — inicio a chamada e coloco no viva voz.
Ele começou a falar em um alemão fluente assim que o cara do outro lado respondeu. Fiquei prestando atenção na estrada, sem realmente entender muitas das palavras trocadas entre os dois, mas tendo noção de que era sobre um contrato de exportações para a Alemanha. Poucos minutos depois Sasuke se despediu e encerrei a chamada, devolvendo-o enfim o celular.
– Desculpa por ouvir essa conversa chata e ininteligível, mas eu tinha que fazer esse telefonema.
– Sem problemas, todo esse lance de telefonemas é tipo um carma de ser a namorada de Sasuke Uchiha.- soltei me inclinando até ele e dou um beijo carinhoso em sua bochecha.
– Eu vou tentar diminuir esse tipo de coisa quando estiver com você. Eu prometo. – me diz pegando minha mão a acaricia por alguns segundos e sorri.
– Ok, mas não se preocupe tanto. — sorrio de volta.
Ele continua por todo o caminho com minha mão na sua, ficamos calados somente ouvindo o narrador da rádio anunciando a nova música da parada, o que deixava aquele momento mais agradável. De vez em quando ele me perguntava se estava com dor. Apenas sorria e negava. Tá, só foi uma vez, mas eu sabia que ele estava muito preocupado comigo, e achei isso muito lindo.
– Estamos quase chegando, Sakura. Então você vai poder descansar.- sorri para ele.
Mesmo que eu não me sentisse cansada, aproveitei da situação para receber um pouco mais de mimo, diante da triste realidade que era o meu rosto ardido. Sasuke estacionou dentro da garagem e lá pude perceber que esse carro poderia até ser bem simples comparado aos outros, mesmo que dizer isso fosse um absurdo reparando no interior dele. Esperei ele dar a volta para me ajudar a levantar, o que meio que já era esperado. Mas ele me surpreendeu ao me colocar nos braços e me tirar de dentro do carro com facilidade. Esquecendo bengala e tudo mais.
– Sasuke... — exclamei surpresa abraçando seu pescoço. — O que está fazendo? – a minha imagem de vestido de noiva e com grãos de arroz no cabelo passa pela minha cabeça como um relâmpago.
– Levando você para dentro de casa. — ele me explica sorrindo e beijando minha testa.
Ele entra na casa/mansão dele e não para na sala, mas sim sobe dois lances de escadas e entra num pequeno hall que dá para uma porta dupla.
Com o ombro empurra levemente a porta à frente e depois me dá a visão daquele quarto tão incrível. Não precisei ser um gênio pra descobrir que se tratava do quarto – um tabu para mim – do meu namorado. Não era que nem aqueles quartos incrivelmente arrumados como nas revistas, pelo menos não tanto.
Ainda sem perder o fôlego Sasuke me põe sentada na cama e anda pelo quarto, entrando em uma porta roliça ao lado do que parecia ser outro quartinho, melhor dizendo: closet. O quarto cobria todo o último andar e tinha uma parede inteira de vidro. Era tudo muito lindo, principalmente o efeito que o pôr do sol dava pra quem visse, no caso agora eu, já que a cama ficava de frente para essa parede, cujas cortinas estavam erguidas.
Os móveis eram de madeira escura e as paredes em tons de terra e madeira, sua cama era enorme e coberta por colchas azuis marinhas e pretas. O quarto dizia muito sobre o dono, que era uma pessoa séria e reservada e muito profunda.
Tinha alguns papéis desleixadamente desarrumados na escrivaninha próxima à televisão. Soltei um risinho enquanto passava a mão pela colcha macia, ficando naquela paz interior esperando que ele voltasse até meu estômago afundar de nervosismo, tal atrevido que chegou do nada. Droga, o que eu estava fazendo?
– Sakura, eu preparei um banho para você. Vamos?
Pai! Oh, Pai! Se isso for uma ilusão que eu me perca nela por toda a eternidade, por favor, sem baldes de água fria agora! Primeiro: Sasuke me preparou um banho; segundo: ele me convidou tão normalmente como se... Ofeguei sem tentar ser discreta. Eu fiquei ali, petrificada na cama! Percebendo depois o quão longe eu estava viajando já, então me sacudi mentalmente e respirei mais devagar para responder sua pergunta.
– T-ta. Deixa só eu levantar daqui.
Sabe a aquela bendita bengalinha que esquecemos, ela fez uma bonita falta agora, enquanto uso a cabeceira da cama dele como apoio. Comecei a me mover igual uma lesma, entediado ou divertido, tanto faz, Sasuke veio na minha direção e mais uma vez me pegou no colo com uma facilidade monstruosa e me carregou até o banheiro.
Suas mãos estavam molhadas, causando um verdadeiro frio em mim ao contato da atmosfera fria do quarto.
Como esperado, o banheiro tinha todos aqueles luxos, mas o mais surpreendente: até uma jacuzzi , meu Deus, que poderia caber de três a quatro pessoas com folga. Quem tem uma jacuzzi dessas no banheiro?
– Seu banho, madame. — ele brinca e me indica a jacuzzi que no momento está cheia de espuma. Minhas pernas ficaram bambas só de me imaginar ali dentro.
– Obrigada, Sasuke. — sussurrei e aproveitei a distância dos nossos rostos para dar um selinho nele.
– Eu vou tomar banho rápido em outro banheiro. Fique a vontade. – acrescentou me pondo sentada em um pufe ao lado de uma estante de toalhas.
Sorri e comecei a tirar as sapatilhas, quando uma gota surgiu na minha cabeça. Seria muito mais difícil do que eu havia imaginado. Como e iria me despir? Eu não ia pedir a ajuda de Sasuke, não mesmo.
Com cuidado tirei a tipoia e a pus sobre a pia.
– Com licença, senhora, precisa de ajuda? – saltei no lugar onde eu estava com a voz feminina atrás de mim.
Era uma senhora meio baixinha, tinha alguns fios brancos que a faziam parecer mais velha, mas seu rosto suave contestava sua idade. Seu uniforme de empregada era, antes de tudo, muito bonito. Tipo, nada a ver com aquelas coisas bregas e sem graça da maioria dos empregados de ricaços.
– A-ah... – gaguejei, como sempre.
– O Sr. Uchiha pediu para que eu viesse prestar-lhe ajuda caso precisasse.
Sorri docemente e acenei.
– Por favor. – pedi indicando a barra da minha blusa.
Enquanto ela cuidadosamente me ajudava com as roupas, e até tirando o curativo da minha perna, perguntei para iniciar uma conversa:
– Qual o seu nome?
– May, senhora. – respondeu.
– Obrigada, May. – Agradeci com gentileza quando ela me ajudou a entrar na jacuzzi, desnuda.
– Foi um prazer, senhora. – esse 'senhora' dela estava me deixando encabulada.
Meu corpo parecia dormente enquanto May passava sabão em minhas costas, e depois passava algum tipo de creme em meus braços doloridos. Na melhor das hipóteses ela tinha mãos incríveis. Quem sabe ela foi uma massagista de primeira antes.
– Isso é tão... Bom... – gemi ofegando de cansaço.
Ela riu baixinho.
– Você é muito boa nisso, May.
– Obrigada, eu já fui massagista antes do Sr. Uchiha me empregar aqui. – acertei.
– Já faz muito tempo?
– Três anos.
– Nossa, e você gosta daqui?
– Não podia pedir um emprego melhor, além de ter tempo para aproveitar minha família o Sr. Uchiha ainda é um homem muito gentil.
Sorri deleitada com aquilo.
– Você passa o dia aqui, May?
– Ah, não, senhora. Temos todos um esquema, para que ninguém fique muito sobrecarregado. Como não somos muitos empregados, de dois em dois dias sempre trocamos nossos horários com outra remessa de empregados, sempre viemos pelo dia e vamos embora à noite. Sr. Uchiha gosta de ficar sozinho dentro de casa sempre que vai dormir. Mas com a segurança fazendo escolta dura pelos arredores.
– Ahh...
Ela me falou um pouco mais sobre como a casa funcionava e depois de já me sentir mais nova em folha, May me ajudou a sair da jacuzzi e também a me secar, foi atenciosa ao me por um vestidinho leve e solto que chegava até um pouco acima dos meus joelhos.
– Precisa de algo mais, senhora?
Virei-me para ela e pus a mão sem eu ombro.
– Tudo bem, May. Posso me virar daqui agora, obrigada por tudo.
– De nada. – ela curva um pouquinho a cabeça e depois sai do banheiro, fechando a porta silenciosamente.
Suspirei e com passos cautelosos fui até o grande espelho sobre a pia.
Meu rosto parecia melhor, mas só parecia mesmo, a pomada que a médica havia me passado realmente desinchou mais os arranhões. Mesmo parecendo um caco ainda, meu olho aos poucos voltava ao normal, deixando uma sombra escura apenas embaixo dele. Havia uma áurea alegre contornando meu rosto que parecia querer ofuscar a calamidade nele.
O vestido sem mangas deixava evidentes as machas em meus braços, por sorte cobria um pouco o hematoma próximo à minha clavícula.
Peguei um pente e comecei aquele a tentar desembaraçar meu cabelo lavado. Foi doloroso, foi, muito doloroso. Meu braço já estava cansado, eu não tinha quase a mínima condição, meu cabelo estava comprido e penteá-lo sem toda a manha era uma missão praticamente quase impossível.
Desisti de ficar parada ali e comecei a andar de volta para o quarto. Quase trombei pra frente umas duas vezes, mas continuei indo pelo menos até chegar à porta.
Perdi o equilíbrio assim que abri aquela bendita porta. Mas não foi de fraqueza nas pernas não, longe disso, foi por ver meu GOSTOSO namorado, sem camisa, só com uma bermuda escura, e com a toalha envolta do pescoço. Des-cal-ço.
Eu nem sei como aquilo aconteceu e tudo, mas só me deparei que Sasuke vinha na minha direção depois de eu ter tombado pro lado e caído de bunda no chão.
Vergonhoso e humilhante. Mas eu podia por muito bem a culpa em minha perna ferida, o que era ótimo, e assim Sasuke acreditou.
– Sakura? – chamou me erguendo com facilidade do chão. – Tudo bem?
Eu sabia que se abrisse a boca agora iria começar a gaguejar e tudo, primeiro porque o peitoral dele estava praticamente na frente da minha cara. Como reagir? O que pensar? Ele exalava masculinidade. E aquele cheiro de sabonete de quem acaba de sair do banho emanando dele.
– Unhun... – balbuciei acenando.
– Acabei deixando sua bengala no carro... – e diz segurando meus cotovelos, ainda de frente para mim.
– Falando desse jeito me sinto uma velha... – embiquei olhando pro lado.
Sasuke riu e aproximou o rosto do meu, chegando mais e mais próximo, só parando quando escondeu aquela cara linda na curva do meu pescoço, só pra me fazer pirar logo de uma vez. A sua barba rala fazia uma sensação maravilhosa na minha pele.
– Então uma velhinha muito deliciosa... – sussurrou plantando um beijo lá.
Ai meu coração...
Vontade de soltar aquele grito histérico. Meu corpo tava tenso, não vou mentir, tipo, petrificado sabe?
Até que eu perdi a pequena força que ainda restava nas minhas pernas e usei a mão livre para me apoiar em seu ombro.
– Ei... – ele chamou divertido, passando as mãos em minha cintura e me firmando no chão. – Quanta fraqueza... – me provocou enquanto me pegava no colo outra vez.
Bufei fazendo manha e dessa vez fui eu que fiquei brincando no pescoço dele, hehe. Um fraco sussurro ou um leve encostar de lábios. Tudo muito saudável comparado ao que ele fez comigo.
– Cuidado, jovem, esse é um caminho perigoso. – alertou com a voz mais rouca perto do meu ouvido.
Droga, ele sempre conseguia passar por cima.
Soltei um daqueles gritinhos afeminados quando o senti me jogando na cama e depois ficando por cima de mim. A malícia não veio como esperado, ao contrário, ficamos nos encarando sem interrupções e sorri encantada.
– Espera... Vou dormir aqui? – perguntei percebendo aquilo.
– O que você acha? – perguntou sarcástico e passando a mão em meu cabelo.
– Ahh... – quando o senti rolando para o lado me sentei na cama, só então notando eu estava no meio dela. – Meu curativo... – falei passando a mão em minha perna.
Sasuke me olhou e foi até o banheiro. Voltando de lá segurando novos curativos.
– Posso? – pediu sentando de frente pra mim e puxando um tornozelo para seu colo.
– Por favor...
Ele era tão cuidadoso que algo em mim sempre se derretia quando ele me tocava.
Deitei na cama apenas apreciando o toque dele em minha perna, pensando como seria se um dia eu pudesse ter a oportunidade de tê-lo aqui comigo pelo resto da vida. Meus batimentos ainda estavam acelerados, e nem tentei ignorá-los, aproveitando da real existência deles para me deliciar mais com o momento.
– Você precisa descansar...
Senti sua mão percorrer meu rosto e seu dedo tocar meus lábios.
– Vai dormir comigo? – sussurrei.
Como resposta Sasuke se aproximou mais e plantou um beijo em meus lábios. Passou o braço pela minha cintura, abaixo do meu outro engessado e me aconchegou em seus braços, passando um por debaixo da minha cabeça, me dando espaço livre em todo seu tórax. Eu conseguia sentir as batidas do meu coração, principalmente quando mais uma vez a respiração dele bateu em meu pescoço, acompanhada do toque de seus lábios.
Isso tudo me arrepiou até a base.
– Cansada?
– Nem tanto, só o dia foi muito conturbado mesmo. — digo a ele.
Ele me aperta um pouco mais quando falo isso.
– O que foi, Sasuke?-falo enquanto ele enfia a cara no meu ombro e respira fundo.
– Eu nem mesmo soube como reagir quando Hinata disse que você estava no hospital. — ele fala com profundidade e meu coração afunda por causa do seu tom.
– Sasuke... – chamei passando a mão em seu cabelo.
Nem ligando se ele conseguia sentir ou não as batidas enlouquecidas do meu coração naquela posição.
– Me desculpe, a culpa foi minha, eu fui teimosa quando...
– Não, não... – ele me interrompeu apressado. – Nós dois temos culpa, principalmente eu que devia ter insistido em te acompanhar. — ele se recrimina.
– Mas você é uma pessoa mais visada. Corre mais riscos que eu. — tentei retirar a culpa dele.
– Sakura, eu aprendi 4 tipos de luta, eu sei me proteger. Além de que tem a equipe de seguranças que me segue. — ele fala desanimado.
– Mesmo assim...
– Sakura, eu me preocupo muito com você. — ele me interrompeu. — E saber que você se machucou por imprudência minha... Isso me enraivece. Eu fiquei louco, sai da empresa como se estivesse sobre um ataque zumbi.
– Sasuke... – falei reprimindo o riso.
– Não, me deixe terminar, por favor, Sakura. — sua voz estava diferente, amargurada. Sofrida. E tudo por minha culpa, se eu não fosse tão teimosa. – Eu só quero que você confie em mim, okay? Me deixe te proteger...
Meus olhos arderam com aquilo, mordi o lábio e acenei.
– Ataque zumbi, é? – ri.
Ele revirou os olhos e riu sobre a minha bochecha.
Sasuke depositou um beijo em minha bochecha, e foi descendo até chegar a minha boca. Nossos corpos juntos acompanhavam os movimentos que nosso beijo exigia. Necessitados. Virei-me de lado e só não fiquei por cima dele mesmo por causa do meu braço.
Ele sorriu quando sua mão passou pela minha coxa desnuda, sentindo o quanto o vestido havia subido. Óbvio que eu já estava começando a me sentir excitada, mas por bem a mim mesma ignorei aquilo e me separei dele.
– Durma bem. – falei deitando minha cabeça em seu ombro e fechando os olhos.
– Boa noite. – ele diz me apertando mais e passando o cobertor sobre nós.
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