Meu noivo perfeito
15 Acácias amarelas
Notas iniciais
Foi-nos preparado um café da manhã maravilhoso, os empregados da casa de praia de Sasuke eram simplesmente divinos, a mesa de refeições estava repleta de frutas e cestas com comidas matinais. Eu podia ter me perdido no meio de todas aquelas guloseimas, juro por tudo, mas a visão de Sasuke entrando no recinto era antes de tudo: ofuscante.
Mil borboletas passeavam pelo meu estômago e os ossos de minhas pernas pareciam mais fracos e inúteis do que nunca. Esse era o efeito Sasuke me dominando. Coisa que só ele conseguia. Às vezes eu me perguntava se eu conseguia gerar alguma reação semelhante nele. Bom, nunca se sabe; por que se eu conseguisse, Sasuke disfarçava-as muito bem. Muito bem mesmo.
Ino afundou suas garras um beliscão bem infantil na minha cintura, eu devia ter feito uma careta com a dor irritante, pois o sorriso acalentador de Sasuke sumiu dando lugar a desentendimento. Hinata, que viu o ato, passou dando uma risadinha e um tapa de leve no ombro dele, como quem se diverte com uma piada interna. Discretamente passei a mão no local da beliscada tentando diminuir a irritação na pele. Maldição, Ino.
Nem sei como não percebi, mas quando dei por mim Sasuke estava na minha frente sorrindo divertido e em seus olhos havia muitas mensagens prometidas a mim. Eu conseguia ver isso, menos o que elas queriam dizer.
– Bom dia. — ele falou baixo e rouco. Com um singelo gesto, Sasuke traçou uma reta do meu pescoço até minha bochecha, plantando um beijo castro nela e depois se afastou aos poucos, fitando meu rosto com um ar galanteador, e puxou minha mão para me acomodar na cadeira mais próxima da cabeceira da mesa.
Dentro de mim ocorria uma algazarra, com direito a fogos de artifícios espetaculares e tudo mais. Na cadeira a minha frente Hinata fingia estar concentrada em sua comida, mas eu conseguia ver o sorriso que ela mal conseguia conter no rosto; por isso nem me surpreendi quando ela explodiu logo de uma vez. Era mais que óbvio que uma hora ou outra isso ia acabar acontecendo. Acho que até Sasuke já esperava por isso também.
– Certo. Humm, então, o que está rolando exatamente entre vocês dois...? — discrição era algo muito difícil de encontrar nas referências de Hinata. Ainda mais quando eu me recusei a responder o questionário anterior dela.
Um pedaço de abacaxi passou rasgando em minha garganta e agradeci por estar incapacitada de responder. Sasuke ficou com todo o cargo, melhor ainda, assim eu mesma poderia saber o que rolava entre nós. Hinata passou a manhã me obrigando a narrar os detalhes, e, bom, tive que escapar de algumas perguntas que eu não sabia responde, por mais que quisesse. E essa era a principal delas.
No entanto, ao invés de respondê-la; Sasuke me olhou por um segundo e piscou divertido. What? Como assim. Responde, por favor. Meu coração ficou descontrolado sob aquele olhar, e sem minha permissão um sorrisinho encabulado surgiu em meus lábios. Não!
– Por favor, Sasuke. Já basta a Saky de enigmática, agora você... — Hinata resmungou cedendo na cadeira e olhando carrancuda sua refeição. Ino sorria marota ao lado de dela. — Bom, mas de qualquer jeito, não importa, o importante é que finalmente...
Um celular começou a tocar bem na parte mais crucial da frase de Hinata. Sasuke suspirou baixinho e pegou o celular, quando deu uma olhada nele notei o quase imperceptível franzir de suas sobrancelhas. Sem pensar duas vezes, ele passou o dedo pela tela, fazendo o barulho cessar e guardou o celular novamente.
– Algum problema? — eu perguntei, pronunciando-me pela primeira vez. Tinha que admitir que meu próprio silêncio já estava me dando nos nervos, então não acho que incomodei Sasuke com minha curiosidade repentina.
– Nenhum. — ele garantiu com um pequeno sorriso. Assenti não muito convencida. Algumas coisas simplesmente não passavam despercebidas por mim.
Devo dizer que foi uma manhã bem relaxante, consegui ser mais leve do que pensei que poderia na presença de Sasuke, consegui me abrir mais e soltar umas piadinhas meio sem sentido, mas que trouxe diversão a todos. E, na verdade, não havia muito coisa nesse mundo enorme que poderia ser mais tranquilizante do que ver aquelas pessoas importantíssimas para mim felizes. Pode parecer meio tosco, mas eu sei o valor de um sorriso, depois de tudo.
Antes que pudesse me dar conta, eu já estava sendo completamente seduzida por Sasuke na própria sala de estar dele. Estávamos em um momento muito love. O toque dele me dando apoio era pra lá de possessivo, confiante, seguro. Aquilo me derretia mais ainda, impossibilitando meus membros de se afastarem daquele abrigo entre seus braços fortes.
Seus lábios percorrendo a pequena extensão da minha mandíbula, hora ou outra se juntando aos meus próprios. Esse homem era mais do que competente com o que fazia, o domínio que ele marcava me deixava nas nuvens.
Não sei quanto tempo ficamos ali, algo que no fundo não me incomodava nem um pouco, aquilo era bom demais para sequer pensar em fazer outras coisas. Por pouco não partimos para o sofá, e foi quando Borge, o mordomo, apareceu na soleira da porta e apesar de seu semblante impassível, suas bochechas coraram em constrangimento
– Perdoe-me, senhor. — sua voz estava um pouco abafada.
Sasuke devagar foi tirando seu braço ao redor de minha cintura, deixando apena sua mão em meu quadril.
– Pois não, Borge?
– Os presidentes das companhias petrolíferas estão na linha, senhor. Devo passar-lhe a chamada? — ele perguntou indicando um telefone fixo sem fio.
Notando a hesitação de Sasuke, segurei seu braço e sorri.
– Vou procurar Hinata. — ele concordou, deixando-me livre para ir.
Eu sabia que ele tinha assuntos importantes da empresa para resolver, principalmente agora que as coisas iriam ficar ainda mais agitadas. Eu não podia nem cogitar a ideia de fazê-lo perder seu tempo somente comigo.
Quando entrei no quarto de Hinata, me deparei com dois seres vasculhando as milhares peças de roupas que tinham no closet. Várias estavam jogadas por cima da cama, cobrindo todo o espaço da colcha. Hinata parecia a mais histérica dali, correndo para o espelho a cada peça nova que via em cima da cama, Ino parecia mais compenetrada em averiguar os saltos da prateleira ao lado do closet.
– Mas o que... ? — perguntei.
– Saky, adivinha! — Hinata exclamou com um sorriso enorme. Observando meu silêncio teimoso, ela suspirou e deu uns pulinhos onde estava. — Naruto me convidou para jantar.
– Por que você não me disse antes?
– Ele acabou de me ligar, e pedi Ino para me ajudar com minha roupa. Sabe, sinto que preciso deixa-lo mais do que contente com meu visual...
Apesar de ter eu ter ficado eufórica, ainda sim não queria dizer que me agradava ideia de ser sua cúmplice naquilo. Não sei quantos minutos aquelas duas ficaram lá, discutindo sobre o que cairia melhor. Minha opinião, apesar de sincera, parecia incompleta depois de cada uma analisar e excluir totalmente.
– Sabe, Saky. Eu tenho que admitir. — Ino falava enquanto se acomodava ao meu lado na cama. — Vocês foram mais rápidos do que eu imaginava.
– Como assim?
– Ah, sabe, ontem a noite, vocês fizeram sex...-
– Não!
Eu nem ao menos a esperei terminar a frase, sentindo meu rosto corar.
– N-não, nós não fizemos isso... Nem de longe.
Ela arregalou os olhos e aproximou o rosto do meu.
– Não fizeram? — ela perguntou e neguei encabulada a cabeça. — Poxa, que pena. Que desperdício, Sakura! — ela me olhou desapontada. – E eu pensando que você estava com tudo. – riu me dando tapinhas nas costas.
– Ela não é disso, Ino. Quer dizer, não na primeira noite com o cara, não é, Saky? — Hinata falou rindo alto.
– Huh, sim...
– Então você é daquelas que primeiro conhecem o cara pra depois dar o bote, mesmo sendo um ser divoso como Sasuke?
Olhei para Ino com um sorriso amarelo.
– Bom, acho que sim.
– Que coisa.
– Nem todas são iguais a você, Ino.
– Nha, pode até ser, mas do jeito que a Saky fala, parece até que ela é santa.
Antes de responder ao comentário de Ino, peguei um vestido escarlate em minhas mãos.
– Bom, na verdade eu sou uma santa, se você prefere dizer assim.
– Como assim... – a frase se perdeu no meio do comentário de Hinata.
– Nossa! É isso que eu estou pensando? – Ino dramatizou.
– Sim.
– Você está se guardando?
Eu já estava me arrependendo de ter revelado minha virgindade para Ino, ela devia ser daquelas que fazem um drama enorme com todo esse lance.
– No melhor sentido da palavra, sim. – afirmei outra vez.
– Isso é...
– Raro. – uma completou a frase da outra, ambas chocadas.
Suspirei caminhando até a sacada de Hinata.
– Sim, mas não impossível. – sorri e me encostei-me ao parapeito.
Peguei uma mecha do meu cabelo e fiquei olhando para a paisagem, aproveitando o som das ondes marítimas e a conversa animada daquelas duas.
–Vocês... acham que... – eu comecei a falar, ainda fitando o horizonte. – Sasuke...
– Esperaria?
Acenei com a cabeça afirmando a pergunta de Ino.
– Saky, isso é algo que envolve mais do que desejo carnal. – Hinata começou a falar. – É um laço muito profundo. Ainda não posso dizer nada sobre isso, de Sasuke, bom, vocês deram o primeiro beijo ontem! Essas coisas só o tempo pode responder.
Eu fiquei feliz com a resposta de Hinata. Sei que ela tentou ofuscar algum comentário que me deixasse magoada, e sou agradecida por isso, mas também tenho consciência de que tudo o que ela disse está certo. Como eu sou tola. Falando de casamento à uma hora dessas. Casamento. Argh, a quem eu quero enganar? Demos nosso primeiro beijo ontem! Imagine o resto, se é que haveria.
– Claro! É que às vezes eu não consigo evitar e acabo viajando um pouco. Você está certa. Bom... e então, já escolheu sua roupa?
Eu queria mudar aquele clima desconfortável, e nada melhor do que puxando outro assunto. Funcionou bem, passamos mais vinte minutos discutindo a roupa até Hinata se decidir por completo. Eu não sei bem o que ela esperava da noite de hoje com um vestido daquele, mas com sorte tudo daria certo.
(...)
A sensação de ausência em meu peito era o suficiente para me mostrar que as coisas não seriam mais as mesmas daqui pra frente. Com um discreto suspiro apoiei meu queixo nas mãos e fiquei observando a densa floresta pela janela no carro. Novamente eu estava dentro do carro que fora me pegar ontem, só que dessa vez eu sabia exatamente qual era o meu destino.
Nunca cogitei a possibilidade de que voltar para casa pudesse ser tão melancólico. Mas eu sabia que seria absurdo demais fica longe de minha tia, logo ela que precisa tanto de mim. Então, hoje logo após o café da manhã maravilhoso com Sasuke e as meninas, eu tive de convencer a mim mesma que minha realidade era outra e que alguns compromissos me aguardavam.
Então logo Sasuke tratou de providenciar-me uma carona. Ele até alegou que se não fosse por uma reunião muito importante que lhe aguardava, o próprio teria vindo deixar-me. Dá pra imaginar? Sasuke, carro, eu, casa... a sós. A ideia dele se indo me deixar pessoalmente me confortava tanto que por um minuto me esqueci de quem ele realmente era e do quanto ele devia ser compromissado em relação a seu império. Esse é sem dúvidas um lado desanimador, e às vezes chego a me perguntar se ele não se sente sozinho, sempre alotado de responsabilidades. Então, vendo pelo lado de Sasuke, entendia que se eu realmente quisesse algo com ele, ou aprendia a dividir meu tempo com ele e suas obrigações, ou nada poderia acontecer.
Um sorriso involuntário se alastrou pelo meu rosto quando meu lembrei-me de seu gesto carinhoso; um beijo singelo em minha testa enquanto sentia seus braços me envolverem protetoramente. Uma despedida marcante, na verdade. Tão significante quanto um beijo ou qualquer outro afago. Praticamente me derreti em seus braços, tão involuntariamente quanto eu ter puxado sua nuca para um pequeno selinho.
Os dois homens sentados na frente continuavam silenciosos e imóveis, deixando-me no mínimo solitária. A sensação era de que eles nem ao menos estavam ali. E mesmo que isso me ajudasse a pensar um pouco, ainda não conseguia ficar presa naquele ambiente pequeno e apertado com todo o silencio mórbido.
– Hum, com licença... – murmurei timidamente para que algum deles me ouvisse.
O homem sentado no banco do passageiro olhou-me e proferiu-se:
– Deseja algo, Srta.? – eu sabia que por detrás daqueles óculos escuros ele me encarava com intensidade.
– Hum, er... – o que eu diria? Estava pensando em pedir-lhe que pusesse alguma música, mas a ideia me parecia tão absurda que tive de pensar em outra coisa, rápido. – Você... Tem água?
Ele prontificou-se de abrir o porta-luvas e tirar de lá uma garrafinha com água intacta.
– Obrigada. – agradeci depois de dar alguns goles. Devolvi-lhe com sutileza.
– Deseja mais alguma coisa?
– Não, apenas isso, obrigada.
O resto da viagem foi depressivo, diferente da ida, onde eu só conseguia pensar para onde estavam me levando. Primeiro porque eu sabia que antes a ideia era ver Sasuke, e agora o esperado é suportar o falatório da minha tia. Depois do que pareceram horas, mas na verdade não passaram de simples trinta minutos, finalmente adentramos a cidade. Passamos por várias avenidas algumas com muito tráfego, de vez em quando evitando algumas até alcançarmos o bairro desprovido de luxo e beleza, no qual se encontrava meu pequeno e humilde apartamento alugado.
Tive que esperar o homem descer e abrir as portas para mim, por um lado isso me irritava. Era tão desnecessário. Eu me sentia dependente. Tentei cumprimentá-lo com um sorriso, mas seu semblante continuou impassível. Murmurei um agradecimento baixinho e saí a caminho do meu prédio. Aqueles caras me davam medo. Subi os três lances de escadas um pouco exausta. Ao contrário do que pensei; tia Tsunade não veio abri-la com prontidão, estranhei logo de cara, eu achei que ela estaria espionando a janela hoje. No entanto qualquer sensação de tragédia sumiu de mim assim que a porta foi quase escancarada e uma mulher com bobes no cabelo e um produto verde na cara me encarou ansiosa. Logo recuei um passo assustada com as ações daquele ser, melhor dizendo, minha tia. Ou pelo menos do que devia ser ela.
– Saky! – sorri encabulada e entrei em casa quando ela me deu espaço para passar, parecia contente em ver ali. – Finalmente você chegou!
– Sim e... A senhora não deveria estar descansando? – pergunto franzindo o cenho.
– E estou, comprei um produto de maciez de pele e pensei em testar enquanto assisto a minhas novelas. – ela falou sentando no sofá e deslizando para o lado, me oferecendo um lugar para sentar. – Nem pense que irá fugir de mim, vamos, quero que você me dê uma boa explicação pelo o que aconteceu ontem. Eu tenho esse direito depois do pânico que você me fez passar. De quem era aquele número que você me ligou?
– A senhora apagou ele do histórico de chamada?
– Sim, apaguei, por que?
– Hum, bem, sabe a Hinata? – e comecei a contar tudo, desde a ligação da minha amiga até a parte em que andei com Sasuke. Oh sim, claro que tive de contar o nome do meu chefe, minha tia só faltou ter um ataque quando eu disse quem era. Essa mulher não para de me dar sustos, ainda mais com essa saúde delicada.
– Então aquele número era dele? – consenti. – Inacreditável. – ela sussurrou. – Uchiha Sasuke... – ela parecia perdida em um transe.
– Tia... – chamei-a entediada.
– Não! Espere! – ela saiu apressada e se trancou em seu quarto. Mas que diabos...! Nem mesmo me dei ao trabalho de ir vê-la, fui direto para o meu quarto, cujo estava com a porta entreaberta. Maldita fechadura, vou ter mesmo que conseguir outra. Arranquei meus sapatos com os pés e joguei-me em cima da cama sem pensar em qualquer outra coisa. Mas abri meus olhos, alarmada quando escutei um gemido agoniado.
Pulei em um rompante do meu colchão e me deparei com Lotus espremida bem abaixo do lugar onde eu me joguei. Comecei a me sentir uma monstra e desesperada pus seu corpinho pequeno em meus braços, querendo chorar ao pensar que eu poderia ter matado-a.
– Lotus... — sussurrei baixinho e com a voz embargada. Meu interior se contorcia enquanto seus olhinhos continuavam fechados. Não acredito que matei ela, não acredito, queria me bater.
E foi quando meus joelhos tocaram o chão que lentamente comecei a ver duas ônix olhando para mim, preguiçosas. Foi como se eu tivesse visto a luz pela primeira vez.
– Graça a Deus... – falei acolhendo-a em minhas mãos.
Passei o resto do dia com Lotus ao meu lado, com uma mão fazendo carinho em seus pelinhos sedosos e a outra verificando meus e-mails no celular. Alguns relacionados a reuniões sobre o novo projeto da empresa. Com certeza esse cargo de chefe do setor de engenharia exigiria o triplo de mim, me pergunto como Karin dava conta. Isso é: se ela dava conta.
Eu não sei o que deu em minha tia, mas ela passou o resto da tarde trancada no quarto. Eu só tinha certeza de que ela estava viva por conta de alguns barulhinhos que o guarda-roupa dela fazia. Ela devia estar arrumando suas roupas, quem sabe. No final, percebi que fiquei com a responsabilidade de preparar o jantar.
Cozinhar não era muito minha praia, nunca foi e acho que nunca será. Eu quase não tinha tempo para essas coisas, na verdade. Passei a maior parte do tempo vago nos últimos anos estudando. E se eu tivesse que encarar o fogão, no máximo preparava café e... bom, em casos de extrema necessidade: ovos mexidos.
Em consequência a minha falta de preparo, acabei ligando para uma pizzaria mais próxima e pedi uma das grandes. Claro que nunca esteve nos meus planos cozinhar, depois de ter começado o dia tão bem, por que não encerrá-lo com dignidade?
No entanto, eu só não esperava que fosse mesmo preciso encerrá-lo com tanta dignidade.
– Sasuke?
Minha voz estava por um fio. O que ele estava fazendo ali? Quer dizer, aqui? Na porta do meu apartamento, parado, trajado com roupas elegantes, a mão dentro do bolso da calça. E o mais incrível, segurando um pequeno, mas fabuloso, buquê de flores amarelas.
– Atrapalho? – ele pergunta pondo uma mão atrás da cabeça, parecia... Desconcertado. O QUE? Respirei fundo por um segundo.
Olhei para os lados, verificando se a casa estava tudo nos trincos e depois olhei para mim mesma. Mil vezes droga.
– Hum... Não. A-ah, você quer entrar? – perguntei tentando ignorar minhas vestes.
– Não seria muito incômodo? – oh Deus...
– Ah, de maneira alguma, entre, por favor.
Espera, isso foi muito nostálgico, sinto estar sofrendo algum tipo de Djavu. Dei espaço para que ele passasse e logo em seguida fechei a porta. Meu coração estava aos trancos e barrancos naquele momento, respirei fundo antes de me virar para ele com um sorriso gentil.
– Sente-se, por favor. – indiquei o sofá de dois lugares perto da janela e de frente para a TV.
Porém, antes de sentar-se, Sasuke se virou para mim e estendeu o buquê. Surpresa e com um sorriso pra lá de abobado, aceitei. Fiquei encarando as lindas flores bastante peculiares antes de perguntar:
– Que flores são essas?
Ele retirou uma pequena mecha que caía sobre meu rosto e sorriu sedutor. Aquele lado carinhoso dele me tirava do chão.
– São acácias amarelas, gostou?
– Muito, são incríveis. – sussurrei cheirando-as. – Deliciosas.
– Fico feliz que tenha gostado.
– Qual o significado delas? – perguntei olhando-o curiosa.
Por um momento seus olhos ficaram mais nublados, e então, um brilho selvagem os invadiu. Oh, e outra vez ele estava fazendo aquela expressão que me abalava desde a base. A boca sorriu, eu amava aquela imagem ainda mais atraente que sua barba rala fazia em seu rosto. Senti meu interior se contorcendo.
– Não tem significado? – eu já estava preocupada com aquela áurea enigmática dele.
– Oh, não, elas tem sim. Mas deixemos isso de lado. – desconfiada até meu último fio de cabelo, concordei descontente. Ele deve ter achado isso engraçado. — Então, onde está sua tão famosa tia?
Corei. Sim, eu havia comentado sobre ela para eles hoje cedo, acho que acabei fazendo-a ter uma imagem engraçada para eles. E agora Sasuke estava aqui, perguntando por ela. Meu Deus, ela vai pirar quando o ver aqui. No mais literal sentido da palavra.
– Você pode esperar enquanto eu a chamo?
– Sem problemas.
Pedi-o para sentir-se confortável e sai virando o corredor. Dei duas batidinhas na porta do quarto fechado.
– Sim? – minha tia apareceu no batente da porta um pouco descabelada.
– Tia, an, temos visita. – falei sorrindo amarelo.
– Quem é? – puxei uma grande quantidade de ar para os pulmões.
– Sasuke.
– Quem...- ela se interrompeu e pareceu ter levado um tapa.
– Sim, não pire por favor, eu... vou esperá-la na sala. – me retirei deixando-a com o rosto pálido.
Quando eu voltei, Sasuke estava bastante interessado na bola de pelos brancos em cima da mesinha de centro. Lotus! Ele estava curvado, usando seus joelhos como apoio, e parecia encantado com o bichano. Efeito Lotus agindo nas pessoas.
– É impressão minha ou ele tem meus olhos?
Ri me aproximando mais.
– Ela. – corrigi. – Seu nome é Lotus. E eu também já havia notado isso.
– Eh? – notando sua expressão e aquela sobrancelha erguida, corei um pouco.
– Unhum.
Respondi indo por as flores em um jarro bancada da cozinha.
Alguns segundos depois minha tia deu as caras. Com um vestido longo e os cabelos presos em um rabo-de-cavalo baixo.
– Oh. – ela ofegou e se retratou em seguida. Ela devia estar abestalhada com toda a beleza de Sasuke, que se destacava mais pessoalmente do que em TV ou fotos.
Ele, educado como era, levantou-se e foi cumprimenta-la.
– Boa noite, senhora Tsunade. – dito isso, pegou uma de suas mãos e depositou um singelo beijo.
Que homem era aquele?
– Boa noite. – ela respondeu, achei graça, parecia tão perdida. Ela já devia estar formulando o nosso futuro juntos ali por completo. Disso eu não duvido nada.
– Sinto por aparecer aqui assim, tão de repente e sem nenhum aviso prévio, mas eu realmente gostaria de falar com Sakura pessoalmente. – fitei-o. Minha tia logo foi contradizê-lo.
– Ah, não se preocupe com isso, não se incomode em fazer-lhe essas visitas surpresas, você será sempre bem-vindo aqui.
Começou. Pensei pondo a mão na minha testa.
E assim durou um bom bocado da noite, minha tia parecia ter mil e uma perguntas para fazer a Sasuke e um milhão e meio de comentários sobre mim, alguns bem constrangedores. Pensei em inverter aquela situação, mas Sasuke estava longe de incomodado, tanto que gargalhava e impulsionava seu tronco para trás. Claro, isso depois de uma das milhares de piadinhas sobre mim.
Eu estava contente por vê-los interagindo, tanto que quando minha tia me olhou parecia me ver de véu e grinalda ao lado daquele deus. Eu teria uma conversa séria com ela depois, não a queria a todos os cantos falando de casamento para mim e todas suas fantasias.
A única interrupção que tivemos foi quando a pizza chegou. Suspirei agradecida por eu não ter nem mesmo cogitada a ideia de ter preparado a janta, seria enlouquecedor. Perguntei a Sasuke se ele aceitaria algum pedaço.
Quando nos pusemos na mesa para repartir a pizza, minha tia continuava tagarelando momentos constrangedores meus, só que dessa vez o foco era minha infância. Meu Deus, por que os parentes amam fazer isso? Não sei se ficava feliz em ver Sasuke tão deliciado com os momentos mais bizarros da minha infância.
– Tia... – supliquei com os olhos e a voz abafada.
– O que foi, querida?
– Acho que Sasuke já está por dentro o suficiente das minhas bizarrices...
– Ah, não seja tão tímida, mas vou dar uma pausa, até porque estou faminta e não aguento mais esperar. De qual pizzaria você pediu, Saky?
– Da que fica próxima a livraria na rua 28.
Sasuke sentou-se ao meu lado e pareceu bem tranquilo enquanto repartíamos a pizza.
– Essa pizza está ótima. – ele admitiu enquanto colocava outro pedaço na boca.
Nós duas sorrimos. Vendo-me sentada aqui, ao lado dele, de frente para minha tia, fez com que minha imaginação voasse pra Marte. Cheia de lances sobre relacionamento sério e tudo mais. Só que eu ignorei isso pelo resto da visita dele, oferecendo-o sorrisos acolhedores.
Quando o relógio marcou 21:15, Sasuke explicou que precisava ir. Minha tia despediu-se alegremente dele e o convidou para vir mais vezes.
– Tudo bem, Tsunade. Obrigada pela recepção. – ele agradeceu sorrindo agradecido.
Eu acompanhei-o até a porta e fechei-a atrás de mim quando passei. Agora éramos nós dois, mais ninguém para atrapalhar. Sinto que nossos pensamentos se coincidiram, pois Sasuke aproximou-se de mim, circulando minha cintura com o braço e usando a outra mão para acariciar meu pescoço. Sorri para ele.
Levei minhas mãos até os cabelos revoltos em sua testa e depois descendo até seus ombros. Sentindo a textura de sua camisa e os músculos abaixo dela.
– Obrigada pela noite. – ele falou. Sorri e o fiquei na ponta dos pés, depositando um calmo selinho em seus lábios. Aproveitei para absorver mais do cheiro dele.
– Sou eu quem deve agradecer. Fiquei muito surpresa, admito, mas você acabou fazendo não só o meu dia, como o de minha tia também.
– Gostei dela. – ele incluiu.
– Ah, claro... Acredite, ela se esforçou para isso. Me usando como arma, de onde já se viu isso? Fico muito feliz que você tenha se divertido tanto com minhas roubadas.
Ele riu e beijou minha testa. Eu amava seus olhos enquanto estavam tão vivos e alegres como agora.
– Minha mãe teria feito o mesmo, relaxe.
– Algum motivo específico para a visita? – perguntei.
– Bem lembrado. Vim aqui para convidá-la pessoalmente. É sobre o novo projeto da empresa, como agora é a chefe do setor de engenharia você se envolverá mais. E, bom, eu estarei viajando a negócios pelos dois países para fechar mais alguns detalhes e quero que venha comigo para que pudesse trabalhar mais de frente com tudo e também conhecer o resto da equipe.
– Viajem a negócios? – perguntei. Ele acenou dessa vez, sério. – Tem alguma forma de eu recusar?
Ele fechou os olhos e passou a mão pelo cabelo.
– Minha tia... – comecei a falar, mas acho que ele já havia entendido.
– Sim, eu compreendo.
– Ei. – chamei-o tocando seu rosto. – Eu aceito participar. – claro que ele ficou confuso.
– Mas... –
– Bom, quando eu falar com ela, mais que de imediato ela vai meio que me obrigar a ir, e por mais que eu ainda sinta receio em deixa-la sozinha...
– É isso mesmo?
– Sim. Não se preocupe. – peço-o.
– Impossível. – ele sorriu. — Desculpe, mas agora realmente preciso ir.
Suspirei e fechei os olhos quando o senti beijar meus lábios outra vez. Não sabia que estava tão carente desses beijos molhados dele até agora.
Uma carência ainda maior me abateu quando seus braços me deixaram. Sorri triste enquanto o observava seguir na direção das escadas. Observei-o sumir e mesmo assim continuei olhando para o mesmo lugar, absorta em pensamentos.
Um dos sorrisos mais paspalhos do mundo surgiu na minha cara. Deixei para escorregar até o chão embriagada de paixão só dentro do apartamento. Peguei um travesseiro do sofá que agora estava com o cheiro de Sasuke e soltei um grito completamente abafado pelo acolchoado. Aproveitando a mesma sensação de quando se namora pela primeira vez. Apesar de não estar namorando Sasuke, ou quase isso.
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