Meu namorado é um Dementador
8 Capítulo 8 - Quem precisa de aulas quando está triste?
Notas iniciais
Com certa relutância, Miranda bate na porta da sala da diretora, uma hora antes das aulas. A porta é aberta e Miranda entra.
A diretora estava sentada atrás de sua mesa, organizando alguns papeis, os óculos meio caídos em seu rosto:
—Miranda, o que a traz aqui? Lembrou de mais alguma coisa referente ao seu desaparecimento? –a diretora sorri:
—Não diretora, eu vim aqui para lhe perguntar sobre o passeio à Hogsmeade. –ela se senta na cadeira que a diretora a indica:
—O que tem ele?
—Queria saber se meu pai mandou a autorização para eu poder ir...
—Sobre isso... –o tom de Minerva a faz engolir em seco –Recebi uma carta de seu pai ontem.
—Com a autorização? –ela sorri, parecia que não precisava se preocupar...
—Não, ele pedia exatamente o contrário.
—O-o que?
—Sinceramente, não entendi o porquê, mas seu pai foi bem claro na carta. Ele não quer que você vá a Hogsmeade, quer que fique no castelo. –ela mexe em alguns papeis:
—Só isso? –Miranda estava atordoada ainda:
—Sim, ele foi muito breve na carta. Aqui, pegue. –ela puxa a carta no meio de seus papeis, estendendo-o para Miranda, que o pega com suas mãos tremendo, lendo o conteúdo.
Diretora McGonagal,
Por meio desta, venho a lhe informar que proíbo minha filha, Miranda Ogden, de fazer o passeio à Hogsmeade, ou qualquer passeio referente em que ela saia da escola.
Gostaria de saber como anda a situação referente ao assunto comentado ultimamente de dementadores estarem rondando Hogwarts.
Aguardo retorno,
Gabriel Ogden.
Aquela breve carta de seu pai fez diversos sentimentos passarem por Miranda. Tristeza, desapontamento, raiva, decepção, desespero. Ela devolve a carta para a diretora:
—Penso que seu pai está preocupado com sua segurança, dado as notícias ultimamente... –a diretora começa:
—Eu entendi o recado. –Miranda a corta, se levantando –Obrigado por me mostrar a carta, ela foi... Clarificante.
—“Clarificante”? Do que você está falando Miranda? –a diretora a olha confusa:
—Nada que precise se preocupar. –ela olha o relógio –Se me der licença, está na hora das aulas, preciso ir.
—C-claro, vá. –com um sorriso sem emoção alguma, Miranda sai da sala da diretora e entra no corredor apinhado de alunos que se encaminhavam para suas aulas.
A qualquer momento Miranda sabia que ia desabar, então sem pensar, ela desvia de seu caminho, indo primeiro em direção ao banheiro feminino, porém seus pés a levam para outro caminho, para fora do castelo, em direção a casa de Hagrid.
Ninguém a notou caminhando rapidamente pelo gramado e entrando na Floresta Proibida, estavam preocupados demais com as aulas.
No momento que pisa na floresta, Miranda começa a correr, ela não tinha um rumo, apenas queria correr até seus pés não conseguirem mais se mexer.
Seus pulmões começam a implorar que parasse, mas ela se força a continuar, apenas desviando das arvores. Lágrimas desciam por seu rosto, até que algo surge bruscamente na sua frente, fazendo-a dar um berro e tropeçar, caindo e rolando no chão algumas vezes.
Ela fica deitada no chão, ofegando e chorando silenciosamente, até que sente algo roçar em seus braços e algo agarrar sua mão.
O que aconteceu?
A voz do dementador enche sua mente, ela se senta e encara a figura encapuzada.
Por que está chorando?
Ela o abraça, deixando-se levar por seus instintos, lagrimas caindo mais.
Alguém a machucou? O humano a machucou?
A pergunta a faz notar o que estava fazendo, arregalando os olhos. Com um movimento brusco, ela se desvencilha do abraço e olha para o lado, mal acreditando que segundos atrás estava abraçada com um dementador:
—Ah, e-eu... É que... –suas bochechas ficam quentes.
Sua tristeza é palpável.
—Hã? –o comentário a faz encara-lo.
A tristeza que está sentindo, é algo profundo, frio, desesperador. Parece até com um dementador...
—Nossa, obrigada por dizer que sou um dementador. –ela ironiza.
Não foi o que quis dizer.
—Eu sei, é só que... É tudo tão difícil. –ela suspira –Quando eu finalmente pareço estar tendo alguma felicidade, sempre aparece algo que me puxa para o fundo do poço.
Fundo do poço?
—É uma figura de linguagem, é pra dizer que eu me sinto desesperada.
E quem a fez se sentir assim?
—Meu pai... –ela fala com um suspiro, sentindo-se derrotada –Ele sempre arranja alguma forma de tirar qualquer felicidade que eu venha a ter. Pior que isso, ele faz parecer que é só um pai preocupado e que só quer o bem para sua filha, mas eu sei bem como ele é realmente.
E como é?
—Frio, sádico, apenas importa consigo e aparências, além que a infelicidade alheia é o seu prazer. –um calafrio percorre seu corpo –Não quero nem lembrar o que ele fez comigo... Dói muito lembrar aquilo...
É por causa dele que você quase não tem felicidade?
—Sim. Minha mãe morreu cedo, então ele pode fazer o que quiser comigo sem precisar de desculpas.
E o que foi que ele fez agora?
—Não me deixou ir para Hogsmeade, sair do castelo um pouco para me divertir. –ela ri sem emoção –Falando assim, até parece algo totalmente banal, mas não é só isso. Eu havia falado pra ele ano passado o quão divertido foi o passeio, que eu havia adorado ver todas aquelas lojas de magia... Foi porque eu falei isso que ele me proibiu de ir lá, de ir em qualquer lugar fora do castelo na realidade.
Deixando-a assim presa no castelo enquanto todos seus amigos se divertem.
—Exatamente. Mas não posso falar isso pra diretora ou qualquer um, quem lê a carta vai apenas ver um pai preocupado com sua filha porque ouviu sobre os dementadores atacando. Como disse, ele se preocupa com as aparências.
Quando vai ser esse passeio?
—Semana que vem, o castelo vai ficar bem vazio nesse dia... –ela o encara, arregalando os olhos –Ah, nem pensar, mesmo ficando mais vazio, ainda vai ter professores de olho!
Eu não pensei em entrar no castelo.
A voz do dementador soava divertida.
Apenas que você poderia vir me ver neste dia.
—Bem, é possível que eu consigo me esgueirar para cá. –ela fica pensativa, e então nota algo –Ah droga, eu deveria estar na aula de poções agora!
Veio para cá sem pensar?
—É, eu geralmente vinha pra floresta ver os Testrálios quando ficava triste... Mas se a diretora souber que eu desapareci de novo, não quero nem imaginar o que ela vai fazer! –ela coloca as mãos no rosto, horrorizada.
Diga que estava mal, que precisava de ar.
—Não é tão simples assim... –ela se levanta, tirando a poeira e limpando os olhos –Obrigado por me ouvir, e não me lotar com um monte de perguntas.
Quando quiser alguém para conversar, estarei na floresta.
Ela sorri com carinho para ele, largando a mão dele e correndo em seguida em direção ao castelo.
Espero que consiga ter a sua tão desejada felicidade apenas com nossos encontros...
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