Meu marido é uma maldição
3 Capítulo 3
Acordei suado e com minha cara amassada, essa noite fez bastante calor.
—Engraçado, quando preciso dele pra me fazer frio ele não aparece.—Murmurei limpando os resquícios de saliva em minha bochecha.
Levantei olhando meu relógio em cima do sofá.
—Droga, eu não tinha colocado essa merda pra despertar?—Bati no relógio.
—Eu desliguei.—A voz provocativa do branco zumbe em meu ouvido.
—Mas por qual motivo? Eu não falei pra você parar de mecher nas minhas coisas?—Olho de relance pra ele sem expressar raiva.
Ele sorri juntando as mãos e sorrindo alegremente.
—Acordar tão cedo pode te prejudicar, não completaria nem 8 horas de sono!
—Fantasma de merda, hoje eu tinha uma entrevista de emprego as 7:30
Coço minha cabeça batendo fraco nela logo em seguida.
—E você não vai até ela? Já são 7 horas.—Ele me olha confuso.
—Não dá tempo. Eu morro de preguiça de fazer as coisas com rapidez.
Me levanto da boia me sentando no sofá, soltando um gemido de tédio e percebo que agora Thomas me olhava com um olhar de bobo apaixonado. Ele abaixa a cabeça corando ainda sorrindo.
—Andrew, sabe eu-
—Não.
—O que? Mas eu nem-
—Não. Calado.
Fecho os olhos e volto a dormir em um estante.
× Thomas ×
Fofo.
Sempre tão fofo.
Sorrio ao vê-lo adormecer novamente. Ele parece tão tranquilo, tão distante de tudo, e eu queria poder estar ali com ele de verdade. Queria poder tocá-lo sem essa sensação vazia, sem essa barreira invisível que me separa do mundo dos vivos.
Mesmo que eu consiga encostar nele, não é o mesmo. Meu toque não tem calor, não tem vida. Eu não posso sentir o pulsar do seu coração contra a minha mão, não posso oferecer o conforto de um abraço real. Sou apenas um fantasma—uma sombra que ainda o ama, mas que nunca poderá ser amado da mesma forma outra vez.
"Andy, meu amor, senti tanto sua falta..."
Ainda posso ouvir a minha voz de homem vivo, cheia de calor e esperança, chamando por você. Corro do sofá até a porta, os braços abertos para o meu belo marido, que acabara de voltar do trabalho. Éramos apenas nós dois contra o mundo, presos em um amor que não podia existir aos olhos dos outros. Mas nunca nos importamos. Enquanto estivéssemos juntos, nada mais tinha importância.
Se ao menos eu não tivesse sido tão ingênuo... Se não tivesse me agarrado a esta casa como um fantasma patético, talvez ainda houvesse uma chance de reencarnar. Mas estou preso aqui, condenado a assistir o tempo nos separar, a vê-lo renascer uma e outra vez, enquanto eu permaneço... apenas um sussurro. Então, se não posso seguir com você, ao menos posso manipulá-lo para sempre voltar para mim. Não importa em que corpo, em que forma, em que época. Eu sempre te trarei para perto, Andrew. Porque você é tudo o que me resta.
Mesmo quando renasceu como um mero rato, ainda assim era você. A mesma força, o mesmo olhar intenso, o mesmo espírito indomável. Eu te reconheceria em qualquer lugar, sob qualquer forma. Mas agora... agora, você se parece mais com o homem que conheci naquela primeira vida, até mesmo o nome. Quase posso fingir que nada mudou.
Eu te amo, Andrew. Sempre amei. Sempre vou amar.
Mesmo que, para isso, eu tenha que te arrastar para mim pela eternidade.
Enquanto eu estava perdido em meus pensamentos, ouço a voz de Andrew alta no meu ouvido.
—Ô FANTASMA DE MERDA!—Ele exclama tentando chamar minha atenção.
—Ah! Oi, eu estava perdido em um pensamento distante aqui.—Coço a nuca.
—Vou dar uma saída.—Ele murmura pegando o telefone.
—Onde vai?—Arregalei os olhos preocupado.
—Não te interessa, só te avisei pra você ficar sabendo.
Sorri e balancei a cabeça.
× Andrew ×
Eu balançava as chaves do carro entre meus dedos enquanto o abria.
—Tô precisando esfriar um pouco a cabeça.—Suspiro já sabendo onde seria minha próxima parada.
Cartório da Cidade.
Nesse pouco tempo que estive com Thomas, percebi que ele esconde algo muito estranho e também, se eu quiser me livrar dessa maldição tenho que saber mais sobre ele.
××
Procurando pelos documentos finalmente encontro o sobrenome dele, então provavelmente lá estaria os dados dele, e bem, realmente estava, ele foi a primeira foto que encontrei na pasta.
—Thomas Bennette, morreu aos 28 anos.—Li baixo.—Caramba, quase 30 anos.
Enquanto eu olhava os milhares de papéis aleatórios na pasta achei algo que me intrigou um pouco.
—Andrew MacMillan, identificado como marido secreto de Thomas Bennette!?!?! Meu sobrenome e meu nome??
Ainda dentro da pasta encontro uma foto de um homem idêntico a mim. O mesmo penteado, o mesmo corpo tonificado e até nossos sorrisos eram parecidos.
—Só pode ser isso! O Thomas deve estar me confundindo com o marido dele...
Conferi em volta e peguei a foto do homem, guardando no meu bolso.
Sai do cartório como se nada tivesse acontecido–eu definitivamente não roubei foto do documento dos outros.
Entrei no carro batendo a porta e suspirando fundo, Bati a cabeça no volante algumas vezes pensando no que eu iria fazer.
—Vou perguntar pro Thomas! Que mal isso faria?—Concluo.
Liguei o carro colocando a foto no porta luvas e dirigindo de volta pra casa, mas antes de que eu entrasse dentro dela, dei meia volta, voltei pro carro, tirei uma foto da fotografia com meu celular e mandei pra meus pais.
—Eles devem saber quem é esse cara.—Pensei alto colocando o celular no bolso novamente.
Entro em casa sendo recebido por um abraço alegre de Thomas.
—Olá, Andy! Bem vindo, querido!
—Ahm, Thomas é que tem um negócio que eu quero te falar..
—Depois você fala, eu te fiz uma surpresa!—Ele coloca uma faixa no meu olho.—Eu usaria as mãos, mas elas são transparentes hehe♡
Ele soltava baixas gargalhadas no meu ouvido, e passando 5 minutos eu nem lembrava mais o que eu iria perguntar. Ele tira a faixa do meu olho e então meus olhar começa a brilhar.
—UAU! Que banquete delicioso! E tem tudo que eu gosto!—Exclamei colocando as mãos nas bochechas.
Eu estava prestes a atacar a comida até que pensei por um segundo.
—Como você sabe tanta coisa que eu gosto?—Levantei uma sombrancelha.
—Eu li seu diáriooo!! Agora aproveite, meu maridão!—Ele me empurrou em direção a mesa.
Enquanto eu comia, acabei conversando bastante com o Thomas e percebi que havia um cara interessante por trás de todo aquele narcisismo do começo, ele provavelmente só tava tentando chamar minha atenção. Depois da janta ele até me levou pro telhado e ficamos lá por bastante tempo vendo as estrelas.
—A lua tá muito bonita.—Meus olhos brilhavam.—Já viu coisa mais linda?—Falei sem pensar
—Já vi sim, Andrew.
Volto a realidade percebendo que eu deveria perguntar sobre a foto, mas, agora não seria um bom momento, seria estupidez estragar um momento tão bom como esse.
—Thomas, você pode...Parar de me encarar?—Virei para ele com uam expressão tediosa.
—Claro.—Ele sorri provocante voltando a olhar para o céu.
Talvez amanhã eu pergunte.
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