Notas iniciais
Esta história se passa depois dos acontecimentos de "Lux", quadrinho original da Riot Games, e antes dos acontecimentos de "Warriors", vídeo lançado pela Riot Games no início da temporada de 2020.

A noite estava quente, mas o clima em toda a cidade estava frio. Fazia-se apenas uma semana que o antigo Rei de Demacia, o Rei Jarvan Lightshield III, havia sido assassinado pelas mãos de Sylas de Dreguebourne, que havia escapado da prisão.

Devido à lei que proibia qualquer tipo de magia na cidade, Poppy sempre tomava muito cuidado por onde andava e com quem falava. Seu semblante único era de fácil distinção: para os mortais, Poppy era uma garota, uma guerreira baixinha que carregava um enorme martelo, enquanto para quem enxerga através do véu que a rodeia, Poppy é ainda menor, sendo seu martelo três vezes maior que seu próprio corpo.

Poppy caminhava pelas ruas vazias, iluminadas apenas pela luz da Lua, quando avistou o enorme colosso que parecia observar estático a cidade abaixo.

Para todos, o colosso não passava de uma grande obra de arte inanimada feita de petricita, material que absorve e estoca magia. Para Poppy, que vivera por séculos, ele era outra coisa. Poppy já o vira se erguer de seu pedestal, exibindo suas grandes asas douradas em plena majestade e com enorme poder. Para Poppy, o colosso não era apenas um colosso, para ela, o colosso era Galio, um velho amigo.

Ao aproximar-se da figura gigantesca, Poppy deixou seu martelo no chão e sentou-se entre a arma e Galio.

"Olá, velho amigo." Disse Poppy, antes de uma longa pausa, esperançosa de que o colosso a respondesse, o que não aconteceu. "Deve ter sentido o que aconteceu nesses últimos dias né?"

Silêncio.

"Fazia tempo que não o via. E fazia muito mais tempo que uma tragédia dessas não acontecia. Fiquei sabendo que o assassino era um mago. Ele deve ter feito seus tornozelos coçarem, hehe!"

Poppy olhou para cima. A cabeça de Galio parecia ter se curvado para baixo um pouco, mas Poppy não sabia dizer se aquilo era real ou apenas impressão sua.

"Eu estava longe. Espero que tudo aquilo não tenha afetado os portais. Não se pode brincar com magia sem distorcer o equilíbrio entre os portais para o mundo espiritual." Disse a yordle, antes de soltar um suspiro longo. "Sabe, eu senti sua falta, de verdade mesmo."

Poppy esticou suas mãos e as observou com atenção. Sua pele tinha uma pelagem rala, como a de um animal, mas de tonalidade índigo pálido. Se alguém estivesse por perto, com toda certeza estaria vendo quem ela realmente era. O colosso provavelmente já teria absorvido todo o véu mágico que a ocultava dos olhos humanos.

"Eu estou preocupada. Sei que aquilo foi só o começo. Sylas vai atacar novamente. E, sinceramente, acredito que Demacia realmente mereceu. Há muitas coisas aqui que eu amo de coração. Temos ordem, disciplina, campos férteis e proteção. Mas não temos liberdade. Somos discriminados por características que não escolhemos ter. A magia que corre dentro de nós é o que nos torna vilões para os cidadãos, mesmo sabendo que não somos isso." Poppy deu uma pausa logo em seguida, e então continuou. "Sempre senti que minha missão para procurar um herói digno do martelo é perigosa, mas viver aqui, nesses tempos, está me abalando também."

Poppy olhou para o alto de novo. Dessa vez, as órbitas fundas e escuras do olhar de Galio estavam voltadas à ela. Percebendo isso, Poppy deixou soltar um pequeno sorriso.

"Obrigada por me ouvir, meu querido, grande e velho amigo."

"De nada, pequenina." Respondeu uma voz, vinda do alto.

"Demorou pouco para acordar dessa vez." Disse a yordle.

"É o que acontece quando centenas de magos se reúnem por perto. Estive perto o bastante pra absorver um pouco do poder deles, mas não perto o bastante pra conseguir me mover." Lamentou o gigante.

"O véu mágico de Bandópolis ainda não te faz conseguir se mover muito, não é mesmo?"

"Não, mas consigo conversar agora!" Responde Galio, com uma expressão levemente sorridente.

"Mas não por muito tempo, não é mesmo?" Lamenta Poppy.

"Não." Responde Galio, antes de uma pausa longa. "Mas estou aqui quando precisar. Sabe disso."

Poppy sorriu por um breve momento.

"Você não muda nunca. Obrigada. Minha mente já está clara agora." Agradeceu a pequena Poppy.

"Tudo bem. Gosto de você, pequenina. Você nunca muda também." Disse Galio com uma ternura aconchegante em sua voz. "Temo que não tenhamos mais tanto tempo, o véu mágico não vai me manter acordado por mais tanto tempo. Mas saiba que eu acredito que os tempos estão prestes a mudar."

"Mudar?" Surpreendeu-se Poppy. "Mudar como?"

"Eu conheci alguém. Alguém bom." Revelou Galio. "Alguém bom como você. Uma pequena pessoa mulher, pouco maior que você, mas com uma magia poderosa o suficiente para me fazer voar para longe."

"Mas seu dever não é matar tudo que é mágico?" Perguntou Poppy, intrigada.

"É meu dever sim. Fui criado para impedir a magia. Mas sinceramente, odeio quando ela acaba. E também, a pequena pessoa mulher não é má. Ela é uma aliada. Uma verdadeira demaciana. Se alguém é capaz de mudar as coisas por aqui, esse alguém é ela." Revela o gigante.

"Sabe me dizer o nome dela?" Pergunta a yordle, com todo o seu entusiasmo.

"Sinto muito minha pequenina. Eu já tenho que ir. Nos veremos outro dia." Diz Galio, com a magia se esvaindo de seu corpo.

"Entendo. Durma bem, velho amigo. Muito obrigada."

E rapidamente, Poppy agarrou um dos dedos do pé direito do gigante e o abraçou. Em seguida, pegou seu martelo e partiu.

"Durma bem, meu grande, velho amigo."

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