Meu doce irmão
5 Amaimon você cresceu
Notas iniciais
Respirava fundo tentando regularizar minha respiração descompassada, mas de nada adiantava, o dia da verdade havia chegado, eu estava finalmente voltando para casa, mas será que lá ainda seria o meu lar? Será que alguém estaria a minha espera? E este alguém era quem eu desejava? Não! Claro que não! Amaimon apenas deveria querer distancia de mim... Droga mãe eu te detesto! Que raiva!
Empurrava o carinho de bagagem enquanto olhava para os lados, vendo quem meu pai havia mandado me buscar com as malas. Estava cansado de pensar no que ocorreria quando chegasse a casa, nada de bom, eu sabia que nada de bom aconteceria! Ah... Quer triste, isto me desmotiva tanto.
“Bem vindo, Mephisto (Onii-sama)”
Avistei uma placa, as batidas do meu coração ficaram entrecortadas, existia apenas uma pessoa que me chamava daquela forma... Apenas uma pessoa... Apenas um sonho! Só podia ser meu irmão do jeito que era não viria nem amarrado, porém aquela era a sua letra de toda forma, mas quem segurava a placa não era o meu irmão, eram duas crianças pequenas de não mais que quatro anos.
Um deles usava óculos e tinha os cabelos de um castanho claro enquanto o outro tinha os cabelos azulados, a única coisa em comum era os olhos, de um azul tão vivido que brilhavam, mas não brilhavam tanto quanto me lembrava dos de Amaimon. Neguei com a cabeça para me aproximar, meu pai havia falado certa vez que tivera mais filhos, estes com outra mulher e gêmeos ainda por cima, todavia nem me recordava.
Assim que cheguei mais perto dos mesmos eles pareceram me reconhecer, certamente me viram em fotos. O de óculos sorria calmamente enquanto o outro balançava os braços com um enorme sorriso que quase não cabia em seu rosto. Sorri fracamente para eles, percebi a criança de cabelos azulados correr em minha direção saltando no carrinho, de certa forma ele era semelhante a mim quando mais novo.
‒ Oh! Mephisto, neh? – questionou com os olhos brilhantes.
‒ Hai, hai! – abanei a mão – Rin-chan, certo?
‒ Ehn... Tira o chan do meu nome, não sou garota – arrebitou o nariz pequeno.
‒ Ohn sério? – resolvi provocar.
‒ Baka – rosnou se inclinando para cima tentando me acalcar, mas acabando por cair dentro do carrinho de cara com a mala.
‒ Nii-san – o moreno correu em direção ao carrinho ficando nas pontas dos pés tentando o reerguer – Nii-san? Nii-san tudo bem? – perguntou preocupado.
‒ Ahn Yukio, estou dodói – elevou o lábio inferior.
‒ Eu cuido de você Nii-san – o ajudou a sair de cima da bagagem, beijando a testa avermelhada do mesmo. – Ohayo Onii-san – acenou enquanto abraçava a cintura do que parecia o mais velho.
‒ Yukki-chan – fechei os olhos sorrindo de forma calma.
‒ Hey não chama o Yukkio assim – Birrou querendo mais uma vez partir para briga, mas uma mão segurou sua cabeça, as unhas da pessoa eram um tanto compridas e pintadas de preto.
‒ Desista Rin, ele não vai parar de chamá-los assim, pois está conseguindo irritá-lo – A voz lerda e um tanto grave se fez presente.
‒ Amaimon – Rin choramingou cruzando os braços irritado.
A palavra dita pela aquela criança ecoou por minha cabeça me deixando completamente tonto, agoniado, perdido, cheio de saudade e curiosidade de saber como ele estava. Olhei para os pés de meu irmão, ele estava usando um coturno preto militar desamarrado, sua calça era jeans, as pernas eram um tanto grossas, subi mais o olhar vendo que ele não mais era o gordo que eu havia deixado para trás. Ele usava uma camisa social branca com uma jaqueta de couro com detalhes feito de ossos.
– Annike? Comprou tudo que queria já? – Yukkio pareceu o questionar.
‒ Na verdade não, o doce que eu queria não tinha, mas conseguir achar outras coisas legais, Outouto – Respondeu meramente, uma de suas mãos ainda estava na cabeça de Rin o segurando com firmeza enquanto a outra segurava uma sacola repleta de doces. – Mephisto, quanto tempo, não? – Subir meu olhar ao seu rosto, ele me olhava quase sem nenhuma expressão e tinha um pirulito em seus lábios, aquilo era tão... Tão... Tão sexy? O que está havendo com a minha cabeça?
Aquele não podia ser o meu irmão, meu irmão era uma criança, não aquele adolescente completamente... Não, não pense deste modo para com o seu irmão, idiota... Mas como ele poderia está tão belo daquela forma? Onde foi parar meu irmão gordinho? Onde foi parar aquela criança? E que sentimento estranho é este que estou sentindo? Porque meu corpo está quente? O que está havendo comigo? Mas que merda! E ele não está me chamando como antes! Ele está com raiva! Muita raiva.
Perdi-me em devaneios e quando mal percebi senti braços me apertarem enquanto lábios delicados pressionava em minha bochecha, não demorei para corresponder, abracei sua cintura o puxando contra mim, percebi que ele estava nas pontas dos pés e aquilo era de certa forma inegavelmente fofo.
‒ Estava com muitas saudades, Onni-sama – sussurrou contra o meu ouvido mordendo minha orelha lentamente, ele fazia isto quando criança, mas diferente daquela época senti os pelos de minha nuca se arrepiar e me vi dobrando o pescoço por conta da sensação estranha.
‒ Eu também, Outouto... Eu também, você não imagina o quanto – mordi sua bochecha esquerda encravando meus dentes com vontade, sem me importar de está o marcando, afinal ele era mesmo meu!
‒ Eu posso te amar e está com muitas saudades, mas isto não muda o fato de você ser um grande idiota Mephisto – senti suas unhas arranharem a minha nuca ao ponto de machucar como um castigo, uma singela punição, mas eu só podia está ficando doente... Aquilo era tão excitante.
‒ Não chama seu irmão de idiota, Amaimon – choraminguei o apertando com força sentindo o aroma que tanto amava e que mesmo depois de tanto tempo era exatamente como eu me recordava, doce e único.
‒ Só digo a verdade! Deveria nem está falando com você!
‒ Mas está, Amaimon – soltei uma risada nasal.
‒ Ava! Estou mesmo? – revirou aqueles olhinhos azuis.
‒ A ironia vem de família, agora eu vi tudo – segurei em seu queixo brevemente subindo os meus dedos para a sua bochecha recém marcada a alisando. – Eu te amo, otouto – sussurrei em seu ouvido lhe dando um beijo terno na testa.
‒ Eu sei – sorriu se afastando finalmente me soltando – Vamos para casa? – estendeu a mão para mim, com aquele sorriso de sempre, que me aquecia e me tranquilizava de forma mágica.
Não pensei duas vezes em agarrá-la, um choque estranho percorreu meu braço passando pelo meu corpo, me senti zonzo e fora de orbita mais uma vez, apenas escutava o barulho das rodinhas do carrinho e da risada de Rin. Eu não tinha nenhuma ideia de porque estava me sentindo assim, mas tudo que estava em minha mente era a enorme saudade que sentia do meu doce irmão... E... Da sua bunda que estava em minha frente... Caramba porque tinha que ser tão farta? E porque eu estava olhando bem prá lá? Que tipo de pervertido eu estava me tornando?
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