Meu crush sobrenatural
10 Capítulo Nove
Leo estava com lábios inchados e formigando após meia hora de beijos. A cada toque, o gosto de Yusuke o envolvia como um vício, e ele não queria se livrar daquela sensação. As mãos do tatuador, ásperas e quentes, percorriam sua cintura com uma familiaridade que o deixava derretido. Léo entrelaçou os dedos nos músculos tensos dos braços de Yusuke, sentindo o calor viril irradiar por todo o corpo. A cada movimento, a cada suspiro, a intensidade aumentava Leo se entregava e sentia conexão com Yusuke.
Os lábios de Leo se separaram dos de Yusuke, ambos ofegantes. A lua, que brilhava através da janela, iluminava os rostos suados e os olhos cheios de desejo. Um silêncio confortável se instalou no quarto, interrompido apenas pela respiração acelerada de ambos.
Yusuke passou o braço ao redor dos ombros de Léo, puxando-o para mais perto. _ Você beija melhor quando está sóbrio,' ele sussurrou, sua voz rouca e sensual.
Léo sorriu, sentindo-se seguro nos braços de Yusuke. _ Eu queria te beijar desde da primeira que te vir.
Yusuke arqueou uma sobrancelha, um sorriso travesso surgindo em seus lábios. _ Desde a primeira vez, hein? E por que demorou tanto?
Leo deu uma risadinha nervosa, lembrando-se de como a presença de Yusuke sempre o deixava em alerta, suas palavras afiadas e o olhar penetrante o desarmavam. _ Eu... não sabia se você se interessava. Você é um cara tão intenso e cheio de mistérios.
Um brilho de tristeza se acendeu nos olhos de Yusuke, como uma vela acesa em uma noite escura._Há algo que não te contei;ele começou, a voz mais baixa do que o habitual._O motivo de esses yokais me perseguirem é mais complexo do que parece...Leo franziu o cenho, intrigado. Aquele mistério, antes oculto, agora se abria como uma ferida exposta.
—Existe uma facção criminosa chamada Os Noturnos. Eles são obcecados por poder e realizam experimentos macabros com seres como eu, os hanyō. Minha avó e meu pai fizeram parte desse grupo, e eu... eu sou a cobaia dos sonhos deles. Aquele sujeito estranho de terno branco, ele é dos responsáveis pelos experimentos. Eles queriam transformar os hanyō em armas perfeitas, e eu era o alvo deles desde criança.
Léo arregalou os olhos, incrédulo. Uma revelação tão perturbadora assim? Era difícil de assimilar, de acreditar que algo tão horrível pudesse ser real.. Yusuke, percebendo seu choque, segurou sua mão com firmeza.
—Não queria te envolver nessa loucura, Leo. Se precisar de distância para processar tudo isso, eu entendo. Posso até mesmo arranjar alguém para te proteger.
Leo olhou nos olhos de Yusuke, sentindo o peso da revelação pesar sobre eles como uma tempestade prestes a desabar. Ele não queria se afastar, mas a imagem da vida de Yusuke sendo manipulada como uma marionete em um jogo cruel o deixava inquieto.No entanto, sabia que não poderia mais ignorar essa nova realidade. — Quero ficar com você, Yusuke. Quero descobrir mais sobre esse mundo.
***
Léo foi despertado por um toque insistente na porta. A voz da tia o chamou, cortando o devaneio em que estava mergulhado. O celular, confiscado como punição, repousava sobre a cômoda, um lembrete mudo de sua recente desobediência. A raiva ainda o consumia; a ideia de ser tratado como uma criança o irritava profundamente. Com um suspiro resignado, sentou-se na cama e esfregou os olhos, tentando afastar a sonolência. Ao levantar-se, notou a ausência de Yusuke e uma sensação de vazio se instalou em seu peito.
Com um suspiro resignado, sentou-se na cama e esfregou os olhos, tentando afastar a sonolência. Ele levantou-se e foi por banheiro tomar banho ,água quente escorria por seu corpo, levando consigo parte da raiva e da frustração. Após um banho rápido, vestiu o uniforme escolar que tanto detestava: a camisa social branca, o terno azul-marinho e a gravata preta.O aroma de café recém-feito invadiu o apartamento, mas Léo não sentiu fome. Ignorou a tia, que o observava com uma expressão preocupada, saiu apressadamente, deixando para trás o apartamento e todos os seus problemas.
Ao adentrar os portões da escola, Juliette e Robin já o aguardavam impacientes na entrada. A expressão de Juliette era uma mistura de alívio e irritação. _Finalmente! Onde você estava? Não respondia minhas mensagens!', exclamou, cruzando os braços. Leo encolheu os ombros, um sorriso sem graça nos lábios. 'Desculpa, minha tia confiscou meu celular e o laptop. Tive problemas em casa. Robin, observando-o com atenção, franziu o cenho. _Leo, você está estranho. Como se estivesse escondendo alguma coisa. O amigo hesitou por um instante, os olhos desviando. _É... é complicado explicar.
Robin ia responder a Leo, mas um barulho ensurdecedor tomou conta do corredor. Os alunos se aglomeravam em torno da porta, e a conversa se perdeu no caos. Daryl, o capitão do time de hóquei, entrava triunfante, com um braço engessado. Ao lado dele, um grupo de garotos musculosos, liderados pelo loiro e imponente Aiden, se aproximava de Leo com ares de desafio.
—Diga pro seu namoradinho pra ficar longe do Daryl e dessa escola — Aiden rosnou, fixando seus olhos frios em Leo. — Senão, a gente vai mostrar pra ele o que é bom!
Daryl sorriu de lado, confirmando a ameaça com um olhar desafiador. A tensão era palpável.
Os jogadores se dispersaram,deixando os três amigos sozinho. Juliette e Robin trocaram um olhar preocupado.
— O Yusuke está ferrado se eles decidirem mexer com ele — murmurou Robin.
Leo, porém, demonstrou uma calma surpreendente.
— Yusuke daria conta deles facilmente — disse ele, sem se intimidar.
Ao perceber que havia falado em voz alta, Leo encarou os amigos, que o olhavam com surpresa .
Juliette franziu a testa.- O Yusuke é forte, mas um contra um time de hóquei? Não dá, Leo.
Leo sorriu de lado, mas seus olhos brilhavam com uma determinação inesperada. Em sua mente, a imagem de Yusuke, com seus poderes sobre-humanos, enfrentando os valentões, era quase palpável."Ele tem superpoderes, então sim"pensou, divertido com a própria ousadia.
— E aí, vamos pra sala antes que a diretora nos pegue? — propôs Leo, tentando disfarçar a tensão que sentia.
Os amigos assentiram, ainda perplexos com a confiança de Leo. Enquanto se afastavam, podiam ouvir as risadas e provocações dos jogadores de hóquei, ecoando pelos corredores da escola, como um prenúncio de uma batalha que se aproximava.
***
No intervalo, a tentativa de encontrar um lugar para se alimentar no refeitório se transformou em uma missão impossível. Os outros alunos, claramente influenciados por Aiden e Daryl, os evitavam com hostilidade. Robin, indignado, exclamou: _Eu não acredito que vamos ser excluídos no último ano! Não é justo!
—Poderíamos falar com a diretora, sugeriu Leo, _dizer que estamos sofrendo preconceito. Afinal, somos dois caras gays e uma garota trans.
Seus amigos o olharam incrédulos. Juliette o encarou, os lábios comprimidos em uma linha fina. _Acho que não é uma boa ideia, Léo. E se eles piorarem as coisas?
Antes que Léo pudesse responder, uma voz familiar ecoou pelos corredores: _Léo Benneth, por favor, compareça à sala da diretoria.
Um arrepio percorreu a espinha de Léo. "Mas que diabos ela está fazendo aqui?" murmurou, reconhecendo a voz nasalada de Shion. Robin suspirou, desanimado. _Acho que os valentões chegaram primeiro.
Ao entrar na sala da diretora, Leo se deparou com um cenário inesperado. Yusuke, Shion, Asuka e uma garota desconhecida estavam reunidos em torno da mesa. A estranha tinha cabelos negros como a noite, pele pálida e olhos cinzentos quase prateados que o observavam com curiosidade. Ela brincava com a caneta da diretora, que agora estava vazia.
—Então esse é o seu namorado, Yusuke? Ele é bem fofo. A garota sorriu, revelando dentes brancos e perfeitos. Shion, irritada, interrompeu: _Sai dessa cadeira, agora!
Leo se aproximou, confuso. _O que está acontecendo? Onde está a diretora Ellison?
—Ela ganhou uma viagem com tudo pago para Bora Bora, respondeu Shion, com um tom de voz amargo. _Cortesia dos Iekami, acrescentou Asuka, cruzando os braços.
Yusuke se aproximou de Leo e colocou uma mão em seu ombro. _Oi, Leo. Gostaria de te apresentar à minha prima, Kazeko.
A garota sorriu, revelando pequenas fossetas nas bochechas. _Me chame de Kazi, só os meus parentes irritantes me chamam de Kazeko.
Leo ainda estava confuso, mas a presença de Yusuke o acalmou um pouco. — Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Por que a Shion está no lugar da diretora?
— Para te proteger, bobinho! Não queremos que o Kirio venha atrás de você — respondeu Asuka
Yusuke parecia sério. — Leo, eu preciso te falar uma coisa. Seria melhor você fazer uma tatuagem de proteção, ela só fica visível quando um yokai tenta te possuir. Eu gostaria de saber se você toparia?
Leo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A ideia de ser possuído por um yokai era aterrorizante. — Se não tiver outro jeito, sim, eu topo.
Yusuke suspirou aliviado. _Ótimo! Então, no sábado, às onze da noite, iremos pro Japão.
Leo arregalou os olhos, incrédulo. — Espera... Você disse... Japão?
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