Meu crush sobrenatural
2 Capítulo Um
O suor escorria pela testa de Léo enquanto vasculhava freneticamente o quarto. A gravata preta, indispensável para o uniforme escolar, parecia ter desaparecido no nada. A ameaça de uma advertência pairava sobre sua cabeça, intensificando a ansiedade. Quando finalmente a encontrou, aliviado, uma nova preocupação o assombrou: a câmera fotográfica. Ele precisava dela para o clube de fotografia e a intuição lhe dizia que não estava mais em seu quarto. A cada segundo que passava, o pânico crescia.
— Você vai se atrasar de novo, Leozinho!!O que Leo realmente não queria era escutar a voz irritante de Cody apontando o óbvio. Seu primo parecia ter uma missão diária de provocá-lo todas as manhãs; às vezes, ele se pegava imaginando como seria arrancar a língua do garoto de quinze anos._Tia, você viu a minha câmera? — Leo indaga à mulher vestida de policial que está preparando panquecas._Eu já te avisei para cuidar melhor das suas coisas, Leo!.
Leo tem um imenso zelo por seus pertences, especialmente por sua querida Fujifilm X100V, que ele considera um verdadeiro tesouro. Para ele, a única localização adequada para a câmera é o quarto de Bryana! Ao entrar no espaço da prima sem fazer aviso prévio, ele depara-se com a adolescente de treze anos se maquiando. _E aí! Você não sabe bater na porta? reclama Bryana. Leo, desconsiderando o comentário, dirige-se à cama dela, onde está a mochila. Ao abri-la, ele encontra sua amada câmera lá dentro. _ Mãeee!!! o Leo esta mexendo nas minhas coisas!!! O jovem sai depressa do quarto e antes que sua tia diga algo ele diz "Achei!!!" e sai do apartamento.
***
Enquanto Leo se dirigia ao elevador, ele checava sua câmera quando, de repente, foi empurrado e caiu no chão. _Droga! Olha por onde anda, seu... Os xingamentos que preenchiam sua mente evaporaram assim que ele avistou quem o derrubou: um belo homem de um metro e noventa, vestindo uma regata branca que ressaltava seu corpo musculoso e seu torso repleto de tatuagens. Os olhos cor de mel daquele estranho encantador fixaram-se no jovem que permanecia no chão, segurando a câmera. _Se for tirar uma foto, faça logo! Leo voltou à realidade ao ouvir a voz rouca do rapaz , que tinha um leve sotaque. Levantando-se, um pouco sem jeito, tentou iniciar uma conversa. "Droga, por que eu sempre coloco os pés na boca?" pensou. _Eu não... quer dizer, você é o sobrinho da senhora Chan, não é? Ela sempre fala de você. É Joe o seu nome?"
O homem ergueu uma sobrancelha e respondeu com um tom um pouco arrogante:_Não, eu não sou o Joe. Me chamo Yusuke e me mudei para o apartamento 201."
" Ótimo! Mais uma para a minha lista de gafes memoráveis", pensou Leo, sentindo o rosto corar. Além de ter confundido o nome do vizinho, ele agora percebia que seria Yusuke seu novo companheiro de prédio.
***
—Foi realmente constrangedor, ele deve pensar que sou um idiota!_ lamentou Leo para seus amigos Juliette e Robin. _Pelo amor de Deus, amigo, não fique se torturando por causa de um bonitão!_ disse a garota enquanto organizava seus livros no armário da .escola. _Mas a verdade dele é sofrer por machos_ brincou Robin, fazendo Leo lembrar de todos os seus relacionamentos fracassados, especialmente o último com Daryl, a estrela do time de hóquei que está no armário. E, como se o destino quisesse cutucá-lo, Daryl surgiu no corredor abraçado com Virginia, a garota mais popular do colégio.Os olhares de Leo e Daryl se encontraram, revelando vestígios de uma história mal resolvida.
Era três e meia da tarde e Leo estava a caminho de casa, quase chegando à sua rua, quando esbarrou em alguém. — Ah, desculpe! — exclamou o garoto assim que notou a figura alta e sombria vestindo um moletom preto com capuz que ocultava o rosto. Um arrepio percorreu seu corpo. — Você tem o cheiro dele! — sussurrou a estranha. — Desculpa, não estou entendendo... — respondeu Leo, dando um passo para trás. — Não brinque com aquele gato, ele vai te matar como fez com meu irmão. As palavras da mulher fizeram Leo se apressar. Aquela pessoa parecia estar sob efeito de drogas ou ser esquizofrênica.
***
E mais uma vez, Leo e Yusuke se encontram, dessa vez na entrada do edifício, na escadaria. Um feixe de bambus finos despenca da mochila de Yusuke. — Desculpe por isso, é a segunda vez que isso acontece — diz Leo, enquanto ajuda a juntar os bambus que estão espalhados pela escada. — Não precisa se desculpar! Eu também estou distraído — responde Yusuke, ajudando a recolher os bambus. — Posso perguntar uma coisa? — indaga o garoto, curioso sobre os bambus. — Eles são para tatuagem — responde Yusuke de maneira rápida, mas a expressão no rosto de Leo revela que ele não compreendeu. — Os bambus são para tatuar. Isso se chama tebori, é a minha especialidade — afirma o jovem asiático, com um toque de confiança na voz. — Eu pensei que existisse uma máquina para isso? — Eu também uso máquina, mas, na verdade, é bem raro alguém no estúdio querer ser tatuado com gavetos. — Então, por que você carrega tantos? — questiona Leo. Yusuke dá de ombros e responde: — Eu gosto de estar preparado.
Os dois se entreolham por alguns instantes. _Bom, eu vou nessa, a gente se vê por aí.... _Leo, meu nome é Leo. _Até logo, Leo, responde Yusuke com um sorriso amável, provocando um rubor nas faces de Leo.
***
Era onze e vinte da noite, e Leo estava se dedicando aos estudos para um teste de História que se mostrava bastante desafiador para o dia seguinte .Ele agradecia a Deus por estar sozinho, já que sua tia Mandy ainda não retornara do trabalho como policial e seus primos estavam na casa do pai.Dessa forma, ele conseguia aproveitar o silêncio para se concentrar. No entanto, um ruído súbito de algo caindo chamou sua atenção. Ao se virar para ver o que era, Leo se deparou com a cena mais aterrorizante que poderia imaginar: a cabeça de uma mulher pálida, com longos cabelos negros e um sorriso sinistro, entrando pela janela do seu quarto. E como se isso não fosse o bastante, a criatura tinha um pescoço enorme que serpenteava em direção à sua cama.
O jovem se vê incapaz de gritar, seu corpo está imobilizado, e lágrimas começam a rolar por seu rosto. Em sua mente, apenas um desejo: que tudo isso seja apenas um pesadelo. A criatura o observa, e Leo reconhece aquele rosto aterrorizante, a mulher estranha que o abordou na rua. A figura sinistra mostra suas presas e se aproxima do pescoço do garoto; ele sente os dentes atravessando sua jugular, e não lhe resta outra opção a não ser aguardar sua morte. Enquanto espera pelo fim, Leo percebe as presas se retirarem abruptamente de seu pescoço, trazendo uma dor insuportável. Ele tenta se mover ao ouvir uma agitação do lado de fora da janela, cai no chão, sangrando e se contorcendo de dor. Leo sente alguém o levantar; é Yusuke, todo ensanguentado, com olhos dourados e pupilas verticais, como as de um gato. — O que... aquilo...? — Ei! Não se esforça, ela está morta. Apenas se acalme, ajuda está a caminho! — diz Yusuke enquanto limpa o sangue. — Seus olhos... E Leo, sem forças, acaba adormecendo.
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