Meu crush sobrenatural
11 Capítulo Dez
A informação que Leo recebeu foi como um balde de água fria em um dia quente. Tantas perguntas surgiram em sua mente que ele mal conseguia processá-las. Repetiu a explicação de Yusuke, ainda incrédulo:
—Deixa eu ver se entendi... Existe uma chave mágica que pode levar a gente para qualquer lugar do mundo, é isso? Tipo, eu, que moro em Ottawa, posso ir para o Japão a qualquer hora? Isso é real?
Shion o interrompeu._Não é bem assim. A chave só funciona para lugares que você já esteve.
Leo franziu o cenho, tentando entender a explicação de Shion. _Então, preciso ir ao Japão antes para poder usar a chave depois? Ele perguntou, confuso.
Yusuke assentiu. _Exatamente. A chave é como uma âncora para a memória. Ela te leva de volta a lugares que você já conheceu e experimentou.
Yusuke aproximou-se de Leo, a mão pousando suavemente sobre o ombro do amigo. A expressão em seu rosto era séria, mas havia um traço de preocupação em seus olhos.
—Sei que tudo isso parece muito, Leo, mas é crucial que você entenda a gravidade da situação. Meu sensei é o único capaz de realizar a tatuagem de proteção que precisamos, mas ele tem hábitos muito particulares. Mora isolado em uma montanha e raramente a abandona. Kazeko interrompeu, um sorriso irônico nos lábios. _Aliás, ele é um tengu de trezentos anos com um medo quase infantil de viajar!
Leo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A ideia de viajar para um lugar desconhecido, usar objetos mágicos e lidar com criaturas sobrenaturais era assustadora. Mas, ao olhar nos olhos de Yusuke, ele sentiu uma sensação de segurança que o surpreendeu. Ele sabia que, juntos, eles poderiam enfrentar qualquer desafio.
—Tudo bem, disse, respirando fundo. _Conte comigo. Só preciso convencer a minha tia a me liberar do castigo.
Shion piscou._Com meu poder de persuasão, isso será fácil!
— Sobre isso... eu não sei se eu quero você usando o seu poder na minha tia. disse ,Leo apreensivo
Kazeko, que até então observava a conversa em silêncio, se aproximou , numa piscada e pousou uma mão no ombro de Leo._Olha, Leo, eu não te conheço muito bem, mas você parece ser um cara legal. O mundo sobrenatural tem seus perigos, mas também suas maravilhas. E escapar de um castigo é definitivamente uma delas. Confia na Shion.
Leo ouviu o conselho, mas ficou surpreso com a habilidade da garota. _Como você fez...?
—Eu sou sílfide, tipo um elemental do ar, e sou um quarto raposa de nove caudas como Yusuke...
Kazeko piscou e se moveu como um raio, parando ao lado de Yusuke._ Ele precisa ler uns bestiários.
A sirene do fim do intervalo ecoou pelos corredores, interrompendo a conversa. _Melhor voltarmos para a aula', disse Shion, dando um tapinha nas costas de Leo.
Ao se despedirem, Yusuke o puxou para um canto. _Encontre-me na praça do centro de recreação às oito. Tenho mais coisas para te mostrar.
Leo saiu da sala, a cabeça a mil. O que seria dele agora? Um garoto comum que de repente se viu envolvido em um mundo mágico e cheio de mistérios.
O relógio da sala parecia ter vida própria, cada segundo que passava era uma eternidade. Léo tentava anotar algo no caderno, mas seus pensamentos vagavam por outros lugares. A cada vez que alguém o olhava de canto de olho, ouvia os sussurros baixos, sua angústia aumentava. Quando o professor finalmente dispensou a turma, Léo se levantou rapidamente, sentindo os olhares queimando em suas costas.
Leo estava saindo da escola, a mochila pesando sobre os ombros, quando ouviu um grito agudo cortando o burburinho dos alunos. "Leo Benneth!" A voz de Juliette ecoou pelos corredores, carregada de uma urgência que gelou seu sangue. Ao lado dela, Robin que corria ofegante . A entonação desesperada de Juliette o fez lembrar da tia Mandy, nos dias em que ela o chamava assim, antes da bronca
— Você não vai mais fugir de nós!, exclamou Juliette, agarrando-o firmemente pelo braço. Leo sentiu o aperto da mão dela em sua pele, um lembrete cruel de que não poderia mais adiar o inevitável._ Calma, calma!, Leo protestou, tentando se soltar. _Para onde vocês estão me levando? Vocês sabem que tenho que trabalhar no café!
Juliette o encostou no velho carvalho europeu que ficava na frente da escola. _Comece a falar! O que está acontecendo com você? Por que está tão distante? Parece que outra pessoa ocupou o seu lugar.
Robin cruzou os braços, observando a cena com uma expressão séria. _Leo, precisamos que você seja sincero conosco.
"Eles nunca iriam acreditar", pensou Leo, passando a mão pelos cabelos.Ele visualizou a cena de revelar tudo aos amigos: "O cara por quem eu tenho um crush é metade nekomata e um quarto de raposa de nove caudas. Fui atacado por uma entidade chamada rokurokubi, que quase me levou à morte. Além disso, conheço várias pessoas que também têm habilidades sobrenaturais. Tem um cara esquisito de terno branco me seguindo, e estou prestes a ir ao Japão por meio de um portal mágico para fazer uma tatuagem que me impeça de ser possuído." Leo sabia que nunca poderia contar essa história de fato para eles.
Enquanto as palavras dançavam em sua mente, Leo percebeu que estava em um impasse. Seus amigos estavam claramente preocupados, mas revelar toda a verdade parecia impossível. Ele precisava de uma saída, uma maneira de acalmá-los sem entrar em detalhes sobre o que estava realmente acontecendo.
— Olha, eu não estou fugindo de vocês, _ começou ele, tentando encontrar as palavras certas. _ É só que estou passando por um... momento difícil. Tenho muita coisa na cabeça, e só quero resolver isso sozinho.
Juliette apertou os lábios, claramente insatisfeita. _Mas nós somos seus amigos! Você não precisa enfrentar tudo isso sozinho.
— Eu sei, eu sei! _ Leo exclamou, frustrado. _ É que, às vezes, me sinto... diferente. Como se houvesse um peso em mim que ninguém mais entende.
Robin olhou para ele, avaliando. _Diferente como?
Leo hesitou, mas antes que pudesse responder, Juliette o interrompe . _Precisamos ir, _ disse a garota, percebendo que a conversa não estava indo a lugar nenhum. _ O café não vai esperar.
— Tudo bem, _ disse Leo, aliviado, mas a sensação de desconforto permaneceu. Assim que se afastaram do carvalho, ele sentiu que a pressão aumentava, como se uma tempestade se aproximasse.
Mais tarde, no café, Leo se distraiu trabalhando. Ele tentava não pensar nas palavras não ditas, mas sua mente voltava sempre à conversa com Yusuke e o mundo sobrenatural que o aguardava. A ideia de viajar para um lugar que nunca visitara antes, encontrar um tengu e enfrentar perigos desconhecidos deixava-o nervoso, mas também animado.
Quando finalmente o expediente terminou, Leo estava ansioso para encontrar Yusuke. Com passos rápidos, dirigiu-se a praça do centro de recreação, o coração acelerado. À luz tênue do poste, avistou Yusuke encostado em um banco de madeira, a cabeça inclinada para trás, observando a imensidão do céu noturno. Um cigarro consumia-se lentamente entre seus dedos, enquanto a fumaça se dissipava na brisa suave.
Leo hesitou por um instante, absorvendo a cena. Yusuke parecia tão relaxado, tão à vontade no mundo que Leo estava prestes a explorar. A tensão em seu peito diminuiu um pouco quando ele se aproximou.
— Você chegou! _ Yusuke exclamou, jogando a ponta do cigarro no chão e esmagando-a com o pé. _ Estava começando a achar que você não viria.
— Desculpe o atraso. Tive uma... conversa difícil com alguns amigos. _ Leo tentou sorrir, mas a expressão de Yusuke não mudava.
— Eles estão preocupados, não estão? _ Yusuke perguntou, a preocupação evidente em seu olhar. _ Não é fácil, eu sei. A vida normal e o mundo sobrenatural não se misturam bem.
— É complicado. _ Leo suspirou, olhando para os pés. _ Eu gostaria de poder contar a eles, mas... _ Ele parou, lembrando-se das palavras de Juliette e Robin, e de como eles nunca entenderiam.
— Vamos deixar isso para depois. _ Yusuke disse, levantando-se. _ Você tá pronto pra saber mais sobre o sobrenatural?
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