Meu cigano
6 Capitulo 5 - Um Noivado de Luto
Notas iniciais

Chegaram em frente à grande mansão dos Cullen. Edward desceu do cavalo, ajudando a irmã com toda a delicadeza. Fitou a face tristonha da ruiva e beijou-lhe a testa. Carlisle arrancou Renesmee dos braços do irmão, arrastando-a para dentro de casa pelo braço. Isabella e Rosalie, que estavam na sala na companhia de Esme, levantaram-se quando o homem subiu as escadas, carregando a filha e atirando-a dentro do próprio quarto. Renesmee gemeu de dor. Logo Esme apareceu à porta, acompanhada de Ângela, que tinha os olhos marejados; não queria que fizessem mal à amiga.
— Mas o que é isso, homem? — Esme correu, ajudando a filha a se levantar. Ângela fez o mesmo.
— A encontramos em uma aldeia de ciganos — disse Carlisle, com repúdio na voz.
Renesmee abaixou a cabeça, e Esme a fitou.
— Nua no meio da mata, com um cigano — completou o homem, saindo do quarto revoltado.
A mulher fitou a filha em um misto de incredulidade e revolta.
— Desfrutável! Deitou-se com um cigano imundo? — questionou Esme.
A ruiva engoliu em seco. A mulher lhe deu uma forte bofetada no rosto, fazendo-a cair sobre a cama. Ângela levou as mãos à boca.
— Eu o amo — afirmou Renesmee.
Esme sorriu de forma arrogante.
— O que uma jovenzinha como você sabe sobre o amor? — perguntou.
— Mais do que uma mulher amarga como a senhora — respondeu a ruiva, levando outra bofetada.
— Não me afronte, Renesmee — disse Esme de forma ameaçadora.
A moça levou a mão ao rosto ardente.
— Vósmecê não é mais pura? — perguntou a mãe.
Renesmee continuou a fitá-la, sem esboçar expressão.
— A dei a quem merecia — disse, sem arrependimento.
A mulher lhe deu mais uma bofetada, desta vez mais forte.
— Estais virando uma meretriz? — quase gritou Esme, puxando o rosto da filha para encará-la.
— Como posso virar uma meretriz se vais me fazer casar com Dylan? — retrucou Renesmee.
Esme levantou a mão para esbofeteá-la novamente, mas foi impedida por Edward, que segurou seu braço.
— Já chega de respostas ousadas, minha irmã, e já chega de tapas, minha mãe — disse ele, sério.
A mulher fitou a filha e saiu do quarto.
Lágrimas grossas escorreram pelo rosto de Renesmee. Edward sentou-se ao seu lado, alisou-lhe o ombro e saiu. Ângela, que até então apenas observava, ajoelhou-se à frente da moça, que a abraçou com força.
— Passou. Agora vai ficar tudo bem — confortou-a, enquanto Renesmee chorava copiosamente.
Depois de alguns minutos, a ruiva parou de chorar e fitou Esme, que surgira subitamente à porta.
— Esta noite faremos seu noivado novamente. Não tentes nada, ou mandarei matar aquele cigano imundo a quem dizes que amas — ameaçou Esme.
Renesmee abaixou a cabeça. A mulher então fitou Ângela.
— Ajude-a a se aprontar — ordenou.
— Sim, senhora — assentiu a ama.
— Eu não quero casar-me com Dylan. Sei que ele é um bom homem, mas não o amo — murmurou Renesmee.
Ângela a fitou.
— Escute, senhorita. Sei que estais infeliz, mas tens de ficar linda para esta noite. Vamos, eu lhe ajudarei a se aprontar — disse, ajudando-a a se levantar.
— Já sei que vestido irei usar — disse Renesmee, abrindo o guarda-roupa e retirando um vestido todo preto.
Ângela franziu o cenho.
— Mas não vais para um funeral.
— Irei, sim — respondeu a ruiva, abaixando a cabeça.
Ângela tocou-lhe o ombro em apoio.
— Se queres assim, assim será, mas sua mãe não irá gostar muito.
— Minha mãe está acabando com a minha vida. Ela não merece minha preocupação sobre o que acha ou não — afirmou Renesmee.
— Certo, então vamos lhe arrumar, minha senhora — disse Ângela, alisando os cachos da moça.
Todos estavam na grande mansão dos Cullen. A união de uma Cullen com um McCoy repercutira por toda a pequena cidade de Forks; toda a alta sociedade estava presente, ansiosa para ver a doce caçula dos Cullen.
Renesmee estava pronta. Mesmo vestida de preto, sua beleza era inegável. Os cabelos estavam presos em um coque perfeitamente alinhado, com alguns cachos soltos caindo sobre o rosto fino. Usava pó de arroz e um tom de rosa suave nos lábios. O vestido era realmente belo, fazendo-a parecer uma rainha.
Ângela sorriu ao vê-la pronta. Renesmee retribuiu com um sorriso triste.
— Eu não consigo fazer isso — disse, baixando a cabeça. O sorriso forçado desapareceu, deixando apenas os olhos marejados.
— Minha senhora, vósmecê precisa fazer isto, ou sua mãe cumprirá a promessa de matar seu cigano — tentou consolar Ângela.
— Eu sinto tanta falta dele — admitiu Renesmee.
— Garanto que um dia o verá novamente. Agora, tens de descer — disse a ama.
A ruiva hesitou, mas assentiu e saiu. Caminhou com passos vacilantes até o topo da escada. Fitou as várias pessoas ali reunidas. As conversas cessaram, e todos voltaram a atenção para Renesmee Cullen no alto da escada. Naquele momento, precisava honrar o nome dos Cullen. Sua face tornou-se arrogante e prepotente; ergueu o nariz e desceu como uma verdadeira dama.
Ao pé da escada, Dylan a esperava com a mão estendida. Ela a segurou, sorrindo de volta. Caminharam de braços dados entre as pessoas até o centro. Dylan a tomou nos braços para dançar, e uma música clássica começou a soar. Os presentes tomaram seus pares e começaram a dançar.
— Vósmecê estais linda — comentou Dylan.
— Obrigada, sois muito gentil, meu senhor — respondeu Renesmee.
— Agradeço… mas chame-me apenas de Dylan — disse ele, com admiração no olhar.
— Tudo bem… Dylan, se sabes de tudo o que houve, por que ainda queres casar comigo? — questionou Renesmee, arqueando a sobrancelha.
Dylan sorriu de canto, girou-a e a puxou de volta para si.
— Ainda que não saibas, eis uma joia rara. Não pretendo abrir mão de vósmecê por ter se deitado com um cigano — disse, tornando-se sério.
— Pensei que… — ela não conseguiu terminar.
— Que ficaria com nojo? — incentivou ele.
— Sim — completou Renesmee, abaixando a cabeça.
— Não pensei nisso, mas acho que não é o caso — respondeu Dylan.
A música cessou de repente, e Carlisle, Esme e os pais de Dylan aproximaram-se.
— Fizemos esta festa para celebrar o noivado de meu futuro genro, Dylan McCoy, e minha filha, Renesmee Cullen — anunciou Carlisle, satisfeito.
Renesmee forçou um sorriso.
— Sinto-me orgulhoso em entregar minha filha a vósmecê, meu jovem — continuou, beijando-lhe a face.
Esme a abraçou, e Renesmee suspirou, cansada.
Dylan virou-se para ela e abriu uma pequena caixa, revelando um anel de diamantes com um granada azul, pedra rara. Renesmee abriu a boca, surpresa. Dylan sorriu ainda mais ao colocar o anel em seu dedo fino. Beijou-lhe a face, sob aplausos, e a música voltou.
— Irei pegar algo para beber, estou com a boca seca — disse Renesmee.
Encontrou Ângela perto da mesa de bebidas.
— Esse moço deve ter gasto uma fortuna com esse anel — comentou a ama.
— Me dê algo forte para beber — pediu Renesmee.
— O que desejas?
— Cachaça.
Ângela a fitou, intrigada.
— A senhorita não deveria beber isso.
— Apenas um copo — garantiu Renesmee.
A ama assentiu. A ruiva bebeu tudo de uma vez, fazendo uma careta.
A festa seguiu entediante para Renesmee. Quando os convidados começaram a ir embora, Esme mandou que ela se recolhesse com Ângela.
Encostada à janela do quarto, Renesmee fitou o céu e suspirou. A falta que sentia de Jacob era quase esmagadora. Tudo o que queria era estar perto dele, sentir seu calor, ouvir sua risada.
Ângela entrou com um copo de água.
— Ainda não estais na cama? — perguntou.
— Não consigo dormir — respondeu a ruiva.
— À noite, quando não conseguimos dormir, é porque estamos acordados nos sonhos de alguém — disse Ângela, sorrindo de forma maternal, enquanto a cobria.
— Talvez estejas certa — suspirou Renesmee.
— Boa noite, minha senhora.
— Boa noite.
Renesmee fechou os olhos e sentiu como se os braços do moreno a envolvessem em um abraço protetor. Era como se sentisse seu perfume forte e envolvente. Sorrindo, adormeceu.
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