Meu amor por um nerd
1 Prologo
Notas iniciais
Lucas
Cheguei ao campus cedo naquele dia, então fui até a cantina tomar um café para espantar o sono. Logo me encontrei com minha namorada Viviane, que está comigo a dois anos, e seus amigos de quem não gosto tanto assim.
— Vivi, o que vão fazer hoje à noite? — dizia uma de suas amigas com a voz esganiçada que me irritava.
— Vamos ver um filme! — minha resposta curta e breve era para ser um sinal de que o assunto não deveria se alongar, mas não tive sorte.
— Lucas, não lembro de ter falado com você, querido...
— Não fale assim com ele, Beca, ele é insensível mesmo. Afinal, que filme vamos ver, amor? — Ela indagou e me observou.
Fiquei sem resposta para a pergunta. Não tinha planejado nada, só uma desculpa rápida para encerrar o assunto, e agora teria que lidar com complicações.
— Perfeito, acho que podemos ir ao shopping a tarde, depois, damos uma volta noturna como sempre! — Viviane estava no controle de novo, eu perdera mais uma vez. Uma sirene tocou em todo o campus e foi isso que me salvou de minha namorada compulsiva e seus amigos insuportáveis.
Devo explicar essa parte. Conheci Viviane no primeiro ano, acabamos juntos no segundo e estamos juntos desde então. Depois do fim do colégio, logo entramos na faculdade, ela em psicologia e eu em desenho digital. Ok, o curso dela é muito bom e o meu não é o orgulho da família. Ela é a namorada perfeita, corpo bem definido, magra, cabelos ruivos, um óculos de lente fina apenas para descanso que deixa ela mais linda, porém, apesar de ela me chamar de "meu amor" entre outras coisas, nunca consegui chamá-la assim.
Não sei se tenho algum problema, mas nunca senti nada além de um simples gostar de alguém. Quando dei meu primeiro beijo, a primeira transa e todo o resto, nada, não senti nada. Apenas senti prazer e nada mais,não tive aquela sensação que todos esperam sentir.
No último ano antes de começar o ensino médio, cheguei a beijar um garoto em uma festa, bêbado, e nada, também não senti as borboletas no estômago, nem o arrepio que todos falam, não me senti mais leve, só me senti normal! Nunca me considerei bissexual nem gay por tê-lo beijado, também não foram muitos os que souberam ou viram, acabou que os que souberam só acharam que eu estava muito bêbado e não deram importância na época.
Quanto aos amigos da Viviane — sério mesmo — eles são de outra realidade. O Thiago e o Maurício são primos, a Beca conheceu ela na quinta série e estão juntas desde então. Todos são bem de vida com pais que são advogados, médicos, engenheiros, as mães são todas madames de shopping e os filhos são enjoados e só estudam o que não os torna melhores pessoas no mundo.
Eu vim de uma realidade mais sofrida, meu pai já é morto, minha mãe deu duro pra eu estar em uma faculdade e, é claro, eu também. Minha mãe tem um restaurante de classe média que traz o sustento da família e pagar meus estudos, eu e meu irmão mais novo temos a obrigação de estudar e tirar boas notas. Com esse esforço, ganhei bolsa para meu curso e estou aqui no meio dos amigos esnobes da minha namorada.
Dirigi-me para minha primeira aula no terceiro dia de faculdade e as coisas não estavam tão divertidas como deveriam estar. Depois que estávamos todos sentados e o professor já estava explicando a matéria , uma batida na porta chamou a atenção da turma, a porta foi aberta em seguida e um garoto, que aparentava não ser tão novo quanto a maioria, pediu licença e desculpas pelo atraso ao professor, que permitiu que ele entrasse e se sentasse. Por um breve momento, seu olhar cruzou com o meu e vi um brilho distinto, ele ficou corado e se pôs a caminhar até seu lugar. Não olhei para ele o resto do período e meu dia seguiu com um tédio até o fim da tarde!
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