Meu amor por um nerd
11 Despedida!
Notas iniciais
Brenno
Ok, o que foi tudo isso? Ele só pode estar muito alcoolizado e onde eu estou com a cabeça em retribuir? Não deveria ter trazido ele aqui, muito menos beijado ele, e para ajudar me deixei envolver. Não posso estar gostando desse garoto depois de tudo o que passei, preciso me afastar enquanto é tempo!
Já fazia algum tempo que ele estava no quarto, quando ele veio até a sala com passos suaves e vasculhou a escuridão a minha procura. Fiz um barulho para ele me localizar então ele me disse que sua mãe, ao telefone, queria falar comigo!
— Alô — disse com minha voz levemente alta e mais grossa.
— Quem é? — A mãe dele estava com uma voz agitada e parecia nervosa.
— Brenno! Você ligou para saber de seu filho? Vai vir buscá-lo? — Não tentei ser delicado ou parecer menos aborrecido do que estava.
— E se eu for, como chego aí? Como você dá álcool pra ele? Seus pais estão aí?
— Se você quiser o endereço, eu passarei com maior prazer — nesse momento, ele se sentou no sofá com uma cara de derrotado e perdido em pensamentos, cheguei a ficar com um pouco de pena dele e, ao mesmo tempo, com vontade de abraçar ele apertado e protegê-lo. — Ele já é maior de idade, bebeu por conta própria, não o obriguei!
Houve uma pausa para ela respirar fundo e para ele recomeçar a chorar baixinho.
— E não, meus pais não estão — disse após a breve pausa.
— Pra onde eles foram? Demoram a voltar? Vou pegar uma caneta!
— Minha mãe está na casa dela e meu pai no cemitério há alguns anos — silêncio completo, não ouvi nem respiração do outro lado da linha, nem a dele mas, quando me viro, ele está pálido, sentado ereto no sofá.
— Desculpe, quantos anos você tem?
— 25 anos, senhora. Já trabalho, dirijo e tenho minha casa própria, sei me cuidar sozinho há bastante tempo, trouxe seu filho até aqui para estudar, fizemos boa parte do nosso trabalho, posso mandar por ele as pesquisas e o progresso e, se quiser, o levo aí ainda hoje. Não quero incomodar.
— Achei que você fosse um garoto como ele! Ele está bem? — A pergunta era carregada de preocupação.
— Acho que não muito, ele pode dormir aqui, levo ele cedo amanhã — disse sem nenhuma malícia, com a voz mais controlada.
— Prefiro, não estou em condições de dirigir nervosa assim e prefiro que você não dirija se bebeu com ele!
— Pode ficar tranquila, vou cuidar dele.
— Obrigado, é um favor que você me faz. Posso falar com ele? — Me despedi e passei o telefone para ele. Depois recostei-me na poltrona, entrelacei os dedos e fiquei pensando.
Depois de alguns minutos, ele desligou. Foi até o escritório guardar o celular e notei que guardou a corrente e a provável aliança. Ele voltou e se sentou, ficamos em silêncio ao que pareceu uma eternidade.
— Podemos conversar?
— Não! — Não tinha muito o que falar e também não queria.
— Eu preciso te explicar...
— Vamos fazer assim, na geladeira tem frios e no armário ao lado pão. Faça um lanche, vou te arrumar uma toalha e uma roupa pra dormir, temos quase o mesmo tamanho, ache algo para ver na TV. Vou trazer uma coberta e um travesseiro para a sala.
— Ok — ele não disse mais nada, só abaixou a cabeça e foi para a cozinha.
Enquanto ele está lá, separei uma toalha e uma bermuda, camiseta e uma cueca para ele e levei ao banheiro. Fui até a cozinha, o avisei como usar o chuveiro com duas temperaturas e voltei para o escritório. Ele terminou de comer e foi para o banho, aproveitei para me livrar das garrafinhas vazias e montar o sofá cama. Levei um edredom e um travesseiro para a sala e voltei para o escritório. Ele terminou o banho e foi até lá.
— Já me alimentei e tomei banho, pendurei a toalha no banheiro mesmo, obrigado pelas roupas — tinha deixado uma camiseta preta com um cubo do jogo Super Mario e uma bermuda simples que, confesso, deixou ele muito lindo e fofo. Me contive para não puxá-lo para perto e para não demonstrar isso.
— Montei sua cama na sala.
— Não vai deixar eu me explicar?
— Não tem o que ser explicado, além do fato de você ser um garotinho mimado. Agora, se não for muito incômodo, quero ficar sozinho — vi toda a dor de minha palavras afetarem ele, seus olhos brilharam por um momento e pensei que ele ia começar a chorar de novo. Mas ele assentiu e saiu.
A noite se arrastou, sai do escritório tarde depois de desligar tudo, tomei um banho rápido e fiz um lanche simples. Fui até a sala e me sentei na poltrona ao canto, a TV estava ligada aleatoriamente e não dei atenção para ela, fiquei apenas ali olhando ele dormir, vi que esteve chorando de novo. Tive vontade de abraçá-lo e deitar com ele, mas me levantei depois de algum tempo e fui para meu quarto. A noite seria longa ali!
...
Na manhã seguinte, estava com uma leve dor de cabeça. Levantei, lavei o rosto, meus olhos ainda estavam vermelhos da noite anterior e a dor ainda estava presente. Decidi que ia me afastar assim que entregasse o trabalho. Fui até a sala e o encontrei assistindo desenho. Já estava com sua roupa, a que eu emprestei estava dobrada em cima da coberta e do travesseiro, ele já havia desmontado a cama improvisada e havia uma xícara de café ao seu lado com um prato com migalhas.
— Já tomou café?
— Sim! — Ele disse com a cabeça baixa.
— Então pegue suas coisas, vou te levar em casa, tenho muita coisa pra fazer.
— Tudo bem.
Ele pegou a parte dele do trabalho que precisava ser digitada e seus materiais e me encontrou na porta. Depois de trancar a casa, fomos até a garagem e saímos. Da minha casa a dele eram 30 minutos de carro e esse tempo passou sem que trocássemos uma única palavra! Deixei ele na porta de casa, sua mãe estava esperando ansiosa.
— Bom dia! — Sento o tom amargo em sua voz.
— Aqui está como o combinado, se me permite, estou indo.
— Obrigado por trazer ele em segurança.
— Não há de que!
Depois disso, saí do condomínio sem olhar para trás, deixei o cartão e fui para casa com o rádio ligado alto e as lágrimas silenciosas. O meu domingo ia ser muito longo, então fui para casa.
Fim
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