Meu amigo irritante

1 Meu amigo irritante



Tic tac, tic tac, tic tac.

Sentada aqui eu só ouço isso:

Tic tac, tic tac, tic tac.

O som do velho relógio, muito velho.

Sem saber com qual palavras escrever.

Quais pensamentos pensar.


Mas não existe um relógio aqui.

Vejo as horas no celular e esse só vibra.

Tic tac, tic tac, tic tac.

Da onde vem esse som?

É o som da vida que está passado?

Do tempo que se esvaindo?


O som parou. Não o ouço mais.

Onde está o relógio? O meu velho amigo.

Quero o meu tic tac imaginário.

Minha vida se esvaindo.

Quero o momento sem pensar.

Me roubaram? Como perdi meu amigo?

Tic. Que som baixo. Tac. Poderia ser ele?


Um som mais alto. Não defino o que é.

Tem batuques. Ainda estou sentada aqui.

Mas ainda não ouço o tic tac.

Uma pessoa chorando? Por quê?

Eu só ia escrever o meu tic tac.

Meu som do velho relógio imaginário.


Agora entendo, meu tic tac era meu tempo.

Minha vida se esvaindo entre meus dedos.

Agora não tenho mais o tic tac.

Só prestei atenção nesse som.

Esqueci que ele ia parar e eu me despedi.

Desculpa meu velho e amigo. Tic tac.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!