Meu Querido Onii-chan
34 Capítulo 34 - Os esclarecimentos de Natsu
Notas iniciais
– PARE COM ISSO! Me solte, agora! — implorei e o empurrei para trás.
O que ele estava fazendo? Natsu me beijando? Aquelas coisas não faziam sentido. Depois de tudo aquilo que fez, resolveu me beijar só agora?
O pior é que eu havia gostado do beijo. Esperei muito por esse momento: um beijo de verdade com Onii-chan.
Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, não sabia o que fazer. Apesar que aquele seu beijo me deixou um pouco mais calma e relaxada. Só que a minha raiva por Onii-chan ainda continuava.
– Você não vai me ouvir? — perguntou.
– Ouvir o quê? Suas desculpinhas idiotas? Você fez tanta coisa que me magoou. Acha que irei te perdoar tão fácil assim?
– Lucy, eu queria que você soubesse pelo menos da história!
– Que história? Acha que é fácil me convencer assim?
– Eu quero que você saiba que eu te amo... E muito. Não é apenas como irmão.
– Nossa, me ama tanto que só fez merda nesses últimos tempos. Eu não quero mais ficar aqui perto de você, já disse.
Saí de longe dele, onde me puxou novamente e me de deu outro beijo. Em todas essas vezes, meu coração acelerava e pedia pra que Natsu nunca me soltasse. Eu me rendia muito fácil.. Aliás, aquele seu beijo era a melhor sensação que já senti em todos esses anos.
Ele foi me guiando novamente até a parede, onde me encostou e continuou a me beijar. Os movimentos lentos e delicados de sua boca macia fazia-me delirar.
Em seguida, por conta própria, Natsu deixou de me beijar e se afastou um pouco, segurando em minhas mãos.
– Agora eu quero explicar.... Tudo. Preciso esclarecer várias coisas. — ele dizia com a cabeça baixa, um pouco nervoso.
– Não... Sinceramente, a última coisa que quero fazer é te ouvir. Me deixa, Natsu... Eu não aguento mais ficar perto de você.
– É?
Eu não queria dar uma resposta fria que nem aquela, porém aquela situação me deixava muito mal.
– Sim, me deixa ir embora. — pedi.
Ele largou de minhas mãos e eu o encarei. Seus olhos estavam lacrimejando e dava para se perceber que Natsu estava tentando segurar seu choro.
Ver uma cena daquela era rara. Onii-chan querendo chorar?
Aquilo me doía muito. Ver ele naquele estado me fazia sentir culpada.
Mesmo assim, me afastei e fui embora. Saí para fora da escola e vi o céu estrelado. A noite estava perfeita com aquele enorme céu tomado por uma lua brilhante e estrelas. Tudo estava para ser uma noite perfeita, mas infelizmente não havia sido. Pelo menos para mim.
O que não saia da minha cabeça era o rosto de Natsu tentando não chorar. Eu não devia ter deixado-o daquele jeito. Queria ter ficado com ele e ouvir tudo o que tinha pra dizer.
Quando fui pegar o celular e ligar para meu pai, ouvi alguém gritando por meu nome. Natsu apareceu correndo muito rápido em minha direção e me deu um forte abraço. Um abraço que me deixou muito melhor e aliviada por ele estar comigo.
Por alguns minutos ficamos abraçados. Seu "terno" estava manchado de tanto eu ter chorado em seu peito.
– Calma... Eu tô aqui e não vou deixar você ir sem saber de tudo o que aconteceu. — ele dizia acariciando meu cabelo e minha nuca.
Ele me puxou para um banco que tinha no jardim da escola e lá sentamos.
– Lucy... Eu tenho que te pedir perdão. Nesses últimos tempos, eu fui o cara mais idiota do mundo.
– Eu sei... Agora continue.
– Você sabe porque fiz isso?
– Não...
– Eu fiz tudo isso porque te amo. Me arrependo de muitas coisas... Sinto vontade de voltar ao passado e mudar tudo. Eu me senti muito culpado por tudo...
– Onde você quer chegar com isso, Natsu? Explique direito.
– Lucy... Sabe qual o real motivo de eu ter vindo para cá? Eu fui expulso da minha antiga escola.
– Hã? Mas como? Você sempre foi o melhor aluno de lá.
– Eu me tornei algo que não deveria me tornar... Queria sair logo daquele inferno pois eu não aguentava mais ficar sem você. Como eu sempre fui um bom aluno, tive que fazer coisas contra as regras da escola. Não foi fácil ser expulso daquele jeito.
– Você é doido? O que você fez pra sair da escola?
– Bem... Eu pintei o banheiro dos homens de rosa no meio da noite, quando todos estavam dormindo. Só que pelo incrível que pareça, não foi o suficiente. Tive então que colocar fogo no cabelo da diretora.
– HÃÃÃ? VOCÊ É IDIOTA? Como você fez isso?
O que aquele garoto tinha na cabeça? Nunca esperava isso de Natsu.
– Isso é outra longa história... Mas não teve jeito, Lucy! — ele deu um sorriso. — Fiz isso tudo pra sair daquele lugar e voltar para a minha antiga casa... Com você.
Eu tremi e fiquei vermelha. Ver Natsu falando daquele jeito me deixava muito nervosa.
– Quando eu voltei pra casa, eu tinha vários planos pra fazer com você... Eu ia me confessar e dizer tudo aquilo que eu sentia. Mas quando fomos para a escola, vi você com aquele idiota do Gray. Achei que vocês eram namorados e tudo mais.
– Eu????? Namorada do Gray????
– Você sempre falava daquele cara e não desgrudava dele.
– Você sempre soube que eu não tinha nada com Gray. Ele é meu amigo.
– Pra ser sincero, não pensava em vocês como exatamente "namorados"... Mas achei que tinha algo entre vocês dois... Tipo... Vamos dizer, uma "amizade colorida". — ele dizia fazendo uma careta e revirando os olhos.
– Natsu...
– Foi aí que eu percebi o quanto eu era um louco por estar apaixonado por minha irmã... Lucy, eu sempre amei você desde quando éramos crianças. Claro que, quando eu era menor a paixão era bem inocente, aliás mal sabia o que significava isso. Quando fiquei maior, percebi que estava apaixonado. Eu achava que você não sentia nada por mim... Houve uma vez que perguntei para Evergreen:
~~~VOLTANDO AO PASSADO~~
– Mãe, o que você faria se tivesse dois filhos que se apaixonassem entre eles? É que conheço dois amigos meus que são que nem eu e Lucy... "Irmãos de coração"... E os dois se apaixonaram.
– Hm... Isso é uma pergunta bem difícil, Natsu. Porém isso é um absurdo. Coisa de gente que não tem o que fazer, entende? Tem tanta gente por aí... E vai se apaixonar logo por um irmão?
– Mas os dois não são irmãos de sangue...
– Mesmo assim. É algo sem condições. Sinceramente, não sei o que faria. Mas de qualquer jeito impediria algo assim de acontecer. E outra: isso iria estragar completamente a relação de irmãos que há entre essas duas pessoas, não acha?
~~~DE VOLTA AO PRESENTE~~~
* * * *
– Foi isso que perguntei para Evergreen. Claro que inventei uma desculpa dizendo que eu tinha dois amigos nessa situação. Ela ficou um pouco desconfiada sobre mim e você.. Foi aí que achei que ela estava certa. Por isso resolvi tentar te esquecer com outras pessoas: como a Jenny e a Lisanna. Conheci Jenny na minha própria escola e tentei ver se com ela eu poderia esquecer esse amor que sinto por você.. Sempre achei que você me considerava apenas como irmão... Isso me doía muito. Por isso achei certo tentar te esquecer com essas outras pessoas... Também fiquei com medo de Evergreen achar que eu sentia algo por você e ela fazer algo para nos separar. Sabe como é... Nossos pais são estranhos nessas partes...
Natsu estava realmente falando a verdade? Apesar de que aquilo tudo tinha um pouco de sentido.
– Fiz isso para nosso próprio bem. Muitas coisavas passavam em minha cabeça: se valeria apena me arriscar e confessar tudo pra você ou se o certo era deixar tudo quieto e preservar nossa amizade de irmãos e esquecer todo aquele amor que eu sinto. Só que não deu muito certo. Ainda mais que você começou a andar com esse Jellal... Foi ele que começou a estragar e mudar tudo.
Eu fiquei em silêncio.
– Desde a primeira vez que ele te beijou, eu tinha visto. Foi a pior cena da minha vida: vendo um cara estranho beijar a pessoa que eu mais amo. Achei que você começou a gostar dele e tentei te esquecer de todos os jeitos... Mas percebi que só fiz merda te provocando o ciúmes. Isso foi o que mais me arrependi disso tudo.
Estava sem palavras. Dava para perceber em seus olhos e seu jeito de falar que não havia mentira naquilo tudo. E fazia bastante sentido cada vez mais... Ou seja: Natsu sempre me amou, mas por medo de não gostar dele ou de nossos pais não aceitarem nosso romance, poderia estragar tudo.
– Com tanta coisa acontecendo, tentei preservar a nossa amizade. Mas a raiva tomou conta de mim a cada vez que você aparecia com aquele Jellal ou com qualquer outro cara. Meu ciúmes por ti sempre foi imenso. Eu tentava te esquecer de todas as formas, com várias garotas... E no fim não consegui nada. Fiz muita bobagem por causa disso, Lucy... — ele segurou minhas mãos.
Fiquei observando suas mãos agarradas nas minhas e ele continuou:
– Você não tem noção do quanto eu te amo. E quando você se "declarou" pra mim, eu fiquei sem reação. Nunca pensei que você poderia gostar de mim também. Com isso, lembrei do que Evergreen havia dito... Se ela descobrisse, poderia tentar nos separar. Esse foi meu maior medo.
– Você acha mesmo que ela pode fazer isso?
– Nossos dois pais sim. Eles são um pouco arrogantes...Só que eu vi que não aguento mais ficar escondendo e tentando impedir tudo aquilo que sinto por você... Não posso mandar no meu coração. Eu não pudi deixar Jellal fazer aquilo contigo... Eu tinha ouvido tudo o que você havia planejado para hoje a noite... Por isso tive que impedir.
No fim as partes do quebra-cabeça começaram a se encaixar. Só que por causa de Natsu, muitas coisas ruins haviam acontecido. Ele brigou com duas pessoas que eu amo: Gray e Jellal, deixando-as no hospital. Também brincou com meus sentimentos várias vezes, me deixando magoada e com ciúmes.
– Lucy... Você me perdoa de tudo isso?
Minha cabeça girava. Era muita coisa ao mesmo tempo. Naquela hora eu não sabia o que fazer.
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