Meu Querido Onii-chan

35 Capítulo 35 - Segredos escondidos


- Lucy... Você me perdoa por tudo isso?

- Não sei, Natsu. Tem muita coisa passando por minha cabeça agora... Eu vou ir embora e pensar com calma sobre tudo isso. — disse me levantando do banco.

Ele segurou minha mão e tentou me impedir.

- Me solta, Natsu. Eu não estou muito afim de ficar com você por aqui.

Então liguei para meu pai e fui para casa. Por algum motivo, Natsu não foi junto e só chegou em casa alguns minutos depois de mim.

Cheguei ao meu quarto e liguei para Mirajane.

- Mira, como Jellal está?

- A enfermeira fez uns curativos deu alguns remédios. Agora ele foi para casa e está descansando. Se você quiser, pode visitá-lo amanhã.

- Eu vou sim, ufa que ele está bem.

- Não foi algo tão grave, por pouco. Mas e você... Como está, Lu-chan?

- Estou precisando pensar em várias coisas em relação ao Natsu.

- Espero que você esteja bem, Lucy. Gray disse para você ligar pra ele amanhã.

- Tudo bem, Mira. Obrigada...

Me despedi e desliguei o telefone.

Deitei na cama e fechei os olhos...

Ficava me perguntando se valia apena perdoá-lo. Não que somente ele estava errado, pois eu também estava. Mas o que ele havia feito foi muito pior... Onii-chan havia me magoado muitas vezes e prejudicando as pessoas que eu amo.

O que mais me surpreendia era o fato dele me amar também... Por um lado eu estava muito feliz, por outro, triste.

Ouvi alguém bater na porta. Fui atender e era Natsu novamente.

- O que você quer agora?

- Como Jellal está?

- Ele está bem, Natsu.

- Você já pensou?

- Pare de ser ansioso!!!

- Eu quero saber de sua resposta logo, Lucy... É muito importante. Você não entende ainda que fiz tudo isso por nosso próprio bem de irmãos?

- Acho que você estragou nossa amizade totalmente.

- Não, Lucy. Não diga isso. — ele se sentou na cama e me puxou em seu lado. Seu rosto estava bem próximo do meu que dava para sentir sua respiração na minha.

Queria poder sentir raiva de Natsu, mas eu não conseguia.

- Lucy... Eu preciso te mostrar uma coisa.

Ele se levantou novamente e pegou em minha mão, levando-me até seu quarto. Quando chegamos lá, Natsu abriu seu guarda-roupa onde havia várias coisas amontoadas. Eram vários mini-presentes e algumas fotos antigas. Então pegou alguns bichinhos de pelúcia em sua mão amontoado com outros presentes e os colocou em cima da cama.

- O que é isso? — perguntei.

Ele respirou fundo e ficou um pouco envergonhado.

- Todas as vezes que você aparecia em casa, eu tentava entregar um desses presentes que eu comprava. São coisas que me faziam lembrar de você. Eu fui amontoando tudo isso por causa da minha vergonha e no fim nunca os entreguei.

- Isso tudo é pra mim?

- Sim... Me arrependo também de não ter te entregado. Mas se eu entregasse todo fim de semana pra você, nossos pais ou você mesma poderia desconfiar que eu estava sentindo algo mais forte por você...

Ajoelhei em frente da cama e comecei a ver todos aqueles presentes: havia bichinhos de pelúcia, camisas dos meus animes e jogos favoritos, CD's de minhas bandas favoritas, livros e outras coisas que eu gostava. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi um enorme álbum de fotos, com uma capa feito a mão escrita "Melhores momentos com Lu-chan". Estava tão engraçado e fofo ao mesmo tempo... Era a própria letra de Natsu.

- Esse álbum é do quê? — perguntei dando risada.

- Veja. — Natsu sorriu.

Abri o álbum e vi antigas fotos... Desde quando eu e Onii-chan éramos pequenos.

Natsu sentou ao meu lado e começos a vê-las juntos.

- Uaaaaaau, dá onde você arranjou essa foto? — perguntei apontando para aquela imagem de mim vestida de homem e de Natsu vestido de mulher.

- Você não se lembra de quando brincávamos de papai e mamãe? O problema era que você SEMPRE queria ser o homem da história. — ele revirou os olhos como se estivesse me debochando.

- O QUÊÊ? Eu não me lembro disso. — fiquei desesperada e com vergonha ao mesmo tempo.

- É verdade... Eu tinha que ser a "dona de casa" e você sempre ia trabalhar...

- Meu Deus! Não lembro disso... Nossa, me desculpa... — caí de cara no coxão da cama de tanto constrangimento. Acredito que naquela época Natsu sofria muito comigo.

- E você aceitava ser a mulher da história?

- Sim... Sei lá, a gente era casados do mesmo jeito e isso que me importava. — ele coçou a cabeça e ficou meio sem graça (que nem eu).

Continuamos a ver as antigas fotos épicas: uma era pior que a outra, mas nos faziam rir e lembrar de todos os momentos especiais que vivemos juntos. A cada foto que aparecia, havia uma legenda feito pelo próprio Natsu. Vendo tudo aquilo, não tive como não me emocionar e me divertir ao mesmo tempo. Naquela hora não resisti e o abracei.

- Obrigada, Onii-chan. Fiquei muito feliz de ver tudo isso. Você é muito importante pra mim.

Natsu deu um sorriso de orelha a orelha e eu fiz o mesmo.

- De nada, Lucy! E me desculpe por não entregar nada disso. Mas agora que você já sabe tudo da verdade, eu não posso esconder.

- De qual verdade você está falando?

Ele ficou em silêncio por pouco tempo e falou bem baixo, com a cabeça abaixada:

- Que eu te amo....

Meu corpo começou a ficar quente e meu rosto vermelho como pimentão.

- Natsu, eu também te amo muito...

- Bem, eu irei dormir agora... Acho que está na hora de você também fazer isso, não é? — ele disse se levantando.

- Ah... Claro. Boa noite.

Saí pela porta e quando Natsu estava prestes a fechá-la, impedi e o questionei:

- Natsu... Posso dormir com você?

Ao ouvir aquela pergunta, ficou um pouco surpreso e tenso. Em seguida respondeu bem alegre e me puxou para dentro.

- Claro, Lucy!

Não coloquei pijama, nem mesmo escovei os dentes. Nós dois deitamos juntos naquela cama apertada e ficamos agarrados, um sorrindo para o outro que nem dois bobos. Quando percebi que Natsu estava pegando no sono, não resisti e o beijei. Naquela noite, dormimos com nossos dois lábios encostados.

-

No outro dia, fui acordada por Natsu em cima de mim com sua língua entrelaçando a minha: era seu beijo incrível e relaxante.

Claro que fiquei vermelha novamente, porém, enquanto nós dois nos beijávamos, eu acariciava suas bochechas e sua nuca. Quando os dois ficaram sem fôlego, paramos e Natsu beijou minha testa.

- Bom dia, Lucy!

Eu estava tão relaxada que nem mesmo conseguia falar. Era algo bem cansativo.

Até que me toquei... E vi que não era nenhum sonho, nem nada do tipo. Empurrei Natsu para longe de mim e ele se assustou.

- VOCÊ É DOIDOOOO? — gritei e me levantei da cama. — Natsu, eu tenho namorado!

- Hã? Mas eu ainda nem te pedi em namoro.

- NÃO É VOCÊ!!! É O JELLAL!!!

Como pudi deixá-lo fazer aquilo????? Apesar de tudo, eu era comprometida.

Estava prestes a sair de seu quarto, quando Onii-chan me chamou:

- Lucy...

- Não venha com desculpinhas novamente, Natsu! Eu vou ir embora.

- Você não gosta dele, né?

Meu coração disparou. Não sabia como responder.

- Claro que eu gosto.

- Ah, disso eu sei... Só que estou falando no sentido de namorado. Você não o ama de verdade, né?

- E-e-e-eu...

- Relaxa, Lucy. Eu sei você. Sei que você me ama e que fez isso só pra tentar me esquecer também, não é?

- Claro que não, Natsu! Não sou de brincar com os sentimentos das pessoas...

Quem eu estava tentando enganar? É claro que ele estava completamente certo. Tentei algo com Jellal porque sabia que ele era um cara legal... Mas nunca existiu amor de verdade.

- Lucy... Por que você não acaba logo com tudo isso?

- Isso o quê?

- Termina logo com ele... E vem pra mim, Lucy. Eu preciso de você. Prometo que posso te fazer muito feliz.

Natsu começou a se aproximar e segurou minha mão que estava tremendo.

- Lucy, você aceita namorar comigo?