Meu Querido Onii-chan
23 Capítulo 23 - Alguém para me fazer sorrir
Meu corpo gelou. Tinha certeza que se eu me olhasse no espelho, eu estaria branca que nem leite de tão pálida.
A garota percebeu que eu estava muito estranha, então segurou nos meus ombros com uma mão e com a outra, me abanou.
- Ei, calma! O que aconteceu?
Sua voz era irritante!
Pisquei os olhos algumas vezes para tentar ''acordar'' de todo aquele pesadelo.
- Heeey! Chame o Natsu, por favor! Vim de longe para fazer uma visita.
- Q-quem é você? — perguntei com minha boca tremendo.
- Natsu não te falou? Eu sou a Jenny, sua namorada. — ela fez uma pose e piscou o olho. Que garota metida!
- Não. Ele não disse nada. — respondi com firmeza num tom de grosseria.
- Ihhh.. Você é aquela famosa irmã que ele tanto fala? Lucy?
- Sou eu mesma! Algum problema?
- Nossa. Nunca pensei que ele tivesse uma irmã tão estranha como você... Ah, esqueci! Vocês nem são irmãos de verdade mesmo.
- Somos sim! — parti pra cima dela como se eu fosse dar um soco em sua cara, mas ela segurou minhas mãos.
- Calminha, Lucyzinha!
- Não me chame de Lucyzinha! — eu quase gritava.
- Chama logo seu irmão, garota idiota. — a loira de voz gentil (e irritante) mudou sua voz para um tom de grosseria.
- Cale a boca! Você não entrar aqui em casa.
Quando fui fechar a porta em sua cara, ela me impediu segurando-a. Tentei empurrar pra fechá-la com mais força, porém Jenny era bem forte.
- Você é idiota??? Abre a porta!
— Nãooo! Você vai ficar aí fora, sua putaaaaa!
- Ei ei ei! — Natsu então apareceu. — O que tá acontecendo aqui?
- Naaaaaatsu, amor! — Jenny gritava do lado de fora.
Ele ficou paralisado ao ouvir a voz, que logo reconheceu. Olhou para mim como se pedisse perdão por isso, mas evitei não olhar para seu rosto.
Correu então para abrir a porta, onde viu Jenny, que pulou em seus braços dando um grande beijo em sua boca.
Ao ver aquilo, fiquei sem saber o que fazer e falar. Meus olhos não conseguiam piscar, somente na hora que a primeira lágrima escorreu em meu rosto.
Ela ficava em cima dele acariciando seus cabelos, enquanto beijava todo seu rosto. Natsu ainda a segurava, porém sua cara de assustado era medonha. Parecia que ela tinha visto um enorme dragão em sua frente! Em seguida, colocou-a no chão.
- Amorrrrrrrrrr, senti sua falta!
- O que... Você... Está.... Fazendo... AQUI? — perguntou.
- Vim te ver! Você não queria conversar comigo? Então resolvi fazer uma viagem e uma surpresa! — ela piscou.
- Jenny! Você nem me avisou! Que merda, nunca mais apareça por aqui sem avisar.
Onii-chan se virou e olhou para mim, eu estava tentando disfarçar que estava chorando, só que ele logo percebeu e foi até a mim. Porém... Jenny o puxou, agarrando-o pelas costas e dando um abraço e beijos em seu pescoço.
- Amorrrrrrr! Eu te amo!
- Eu vou embora daqui, tchau. — falei subindo as escadas.
- Lucy, calma! — Onii-chan pediu. A única coisa que fiz foi ignorar.
Continuei a ouvir a voz irritante da Jenny gritando e mimando meu irmão. Senti uma enorme vontade de descer lá embaixo e dar uns socos naquela cara cheia de maquiagem e plástica.
Só que me despedacei. Realmente era tudo verdade. Natsu tinha uma namorada e não havia contado para ninguém. Como ele pode esconder isso de mim? Sempre me dizia que nós éramos grandes irmãos e que ia me contar tudo sobre o que acontecia.
Havia tomado raiva de Natsu depois daquilo. Tanta raiva que sai de casa, apenas levando meu celular.
Comecei a andar pelas calçadas, chorando e tampando meu rosto. Muitas pessoas passavam por mim, outras até perguntavam o que havia acontecido, mas eu seguia enfrente sem olhar para ninguém. Não sabia muito bem aonde estava indo, somente querendo ir longe o bastante de Natsu e daquela Jenny. Fiquei me perguntando o que eles estariam fazendo naquela hora...
- — -
Andando sem rumo, parei perto de uma parque florestal. Sentei em um dos bancos que haviam por lá e continuei a chorar. Nos últimos dias, eu só recebia magoas do Onii-chan. E tudo havia acontecido por ter me apaixonado.
Isso tudo é sua própria culpa, Lucy! Ninguém se apaixona pelo próprio irmão.
De repente, vi alguém percorrendo a trilha do parque em cima de uma bicicleta. O rosto e o cabelo era reconhecível, mas o que mais me chamou a atenção foi aquele corpo... Era Jellal andando de bicicleta sem camisa. Sua camisa estava em um de seus ombros enquanto ouvi música pelo fone de ouvido. Meus olhos brilharam. Uma sensação boa veio até a mim. Jellal! Obrigada por aparecer nessas horas! Eu realmente estava precisando de um amigo para conversar.
Quando me viu, freou na hora parando bem em frente do banco onde eu estava. Ele jogou sua bicicleta no chão e correu pra me abraçar. Aquele abraço quente me lembrava Natsu...
- Lucy! O que aconteceu?
- Umas coisas aí. Não quero falar sobre isso...
- Vai falar sim! — ele se ajoelhou em minhas frentes e segurou minhas duas mãos, encarando-me com aqueles lindos olhos brilhantes.
- Eu sinto uma grande sensação de culpa dentro de mim.
- Culpa de quê?
- De me apaixonar por uma pessoa que nunca vou poder tê-la de verdade...
Jellal se levantou e me abraçou.
- Não chore, Lucy. Existem muitos outros caras que podem te fazer feliz. Do que adianta ficar se lamentando? Você tem que seguir em frente com seus objetivos. — ele apertou minha bochecha fazendo-me dar um pequeno sorriso.
Será que era tão fácil assim esquecer de Natsu? Infelizmente não era. Só que eu precisava tentar, não é?
Lembrei-me então de uma frase que Mirajane me falou: ''Lucy, quem ama não desiste''. Mas do que adiantava se o cara que eu amo não me desse bola? Não valia apena ficar sofrendo mais. Mira e Jellal estavam certos sim... Só que eu não podia ficar apenas me lamentando. Eu devia mesmo seguir o conselho de Jellal. Precisava achar outra pessoa que me fizesse feliz. Com certeza eu poderia achar alguém.
Olhei para os olhos de Jellal que continuavam a brilhar com um sorriso no rosto. Era muito estranho vê-lo assim.
- Lucy, se um dia alguém te fazer chorar, estou aqui pra tentar fazê-la sorrir. Eu me preocupo muito com você.
Eu fiquei toda vermelha e Jellal riu de mim. Então o abracei muito forte, nunca mais querendo soltar.
- Eu te amo, Lucy. — ouvi suas palavras sussurrarem em minha orelha.
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