Meu Querido Amor...
3 Capítulo 2 - Colégio Ravenwood
Notas iniciais
14/03/1999
Três dias depois…
Henry levou dois dias para arrumar suas malas. Uma era apenas para coisas da escola, e as outras três continham roupas e livros.
Como iria embarcar na manhã seguinte e já eram seis horas da tarde, ele queria ver alguém especial.
Julio. Ele era seu melhor amigo e morava na mesma rua que Henry. Os dois haviam se beijado uma vez, mas não passou disso. Eram apenas amigos. Só isso.
Henry saiu de casa e foi até lá. Mas, infelizmente, Julio não estava em casa.
Henry estava dentro do carro quando já conseguiu ver a escola. Era enorme. Tinha uma estrutura que lembrava a época medieval; parecia um castelo.
Sentia-se um pouco feliz por sair daquela casa. Sua mãe não lhe dava atenção. Seu pai apenas o criticava. E sua irmã ficava trancada no quarto com o namorado, fazendo barulho e outras coisas. Henry sentia um pouco de inveja dela; ela podia ter um namorado e fazer coisas de casal. Henry não podia.
Chegaram ao local cerca de dez minutos depois. Ele tirou as malas e a mochila do carro e ficou parado diante do enorme portão, observando seus pais se distanciarem.
— Amo vocês também — murmurou, triste.
Eles nem se despediram. Apenas o deixaram ali. Só voltariam a vê-lo no próximo verão, ao final do ano letivo.
Henry não era o único chegando. Outros pais também deixavam seus filhos, levando-os até o portão.
Quem liga, pensou.
Entrou na escola empurrando as malas. Sentia uma pontada de medo, mas não abaixou a cabeça. Vários alunos caminhavam ao seu lado, conversando ou rindo.
Na entrada, após uma escada de cinco degraus, havia vários professores. Alguns senhores com expressões fechadas e outros — que pareciam professoras — com sorrisos debochados. Ele não gostou de nenhum deles.
Seguiu em frente e perguntou ao professor de aparência mais amigável:
— Com licença, onde ficam os dormitórios do terceiro ano?
— Por que eu teria que saber? — respondeu o homem. — Acho que você precisa aprender a se virar, moleque.
Henry ficou surpreso.
— Me des…
O professor caiu na gargalhada. Sua risada fina quase estourou os tímpanos de Henry e de outro professor, que logo interveio:
— Ele está brincando. É por ali — disse, apontando para um corredor à direita.
O corredor era longo e feito de vidro.
— Obrigado — disse Henry, seguindo pelo caminho indicado.
Estava frio, e sua blusa fina não ajudava em nada. Outros alunos caminhavam com ele em direção ao fim do corredor. Todos eram altos, com corpos atléticos. Nenhum deles aparentava ter apenas dois anos naquele colégio.
— E aí, cara! — chamou uma voz atrás dele.
Assustado, Henry se virou e viu um garoto alto, de cabelos e olhos castanhos, carregando uma pilha de livros nos braços.
— E aí — respondeu Henry, voltando a andar, agora com o garoto ao seu lado.
— Qual é o seu nome? — perguntou o garoto, abaixando-se para pegar um livro que havia caído.
— Henry. E o seu?
— Charlie. Prazer — disse, estendendo a mão.
Henry apertou rapidamente.
Continuaram andando até chegarem aos dormitórios. Era uma enorme sala redonda, repleta de portas. Alguns meninos estavam sentados em puffs, outros brincavam de se pegar, alguns apenas conversavam. Todos olharam quando Henry e Charlie entraram, mas logo voltaram ao que estavam fazendo ao perceber que eles não eram ninguém interessante.
— Temos que esperar o diretor vir aqui para dizer quem serão nossos colegas de quarto — explicou Charlie.
Sentaram-se em um banco até que um homem alto, corpulento e com um olhar terrivelmente assustador entrou na sala, segurando uma prancheta. Todos se levantaram, inclusive Henry.
— Olá — disse ele. — Sou professor de línguas estrangeiras e também diretor do terceiro ano. Quero respeito. Caso precisem de alguma informação ou ajuda, estarei à disposição. Alguma pergunta?
Ninguém respondeu.
— Ótimo — disse, olhando para a prancheta. — Como a maioria já sabe, no terceiro ano vocês formam duplas. Essas duplas dividirão o quarto e a mesa em todas as aulas. Vamos descobrir com quem vocês vão ficar.
— Antônio e Carlos, sala 1. Charlie e Roberto, sala 2…
— Não foi dessa vez — disse Charlie, pegando suas coisas e indo em direção ao seu quarto.
O professor continuou, e Henry só voltou a prestar atenção quando ouviu seu nome.
— E, por fim, Henry e Oliver, sala 15.
No entanto, apenas Henry e o professor ainda estavam na sala.
— A mãe dele avisou que chegaria mais tarde — explicou o professor. — Pode ir.
Henry subiu. Só então percebeu que o local tinha três andares. As escadas pareciam não ter fim. O mais estranho era que a sala 15 ficava no terceiro andar — e não havia nenhuma outra porta ao lado.
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