Depois daquela tarde no lago as coisas ficaram bem mais claras para mim, estava certa de que havia quebrado todas as minhas promessas e que mesmo tudo sendo tão misterioso e inexplicável, eu havia me apaixonado por um completo estranho. Mesmo tendo consciência das conseqüências que eu poderia vir a ter ao estar me envolvendo com Andrey, não existia no mundo pessoa que me fizesse sentir mais feliz e protegida, quando estava com ele era como se ali, era onde eu deveria estar, que ele era meu lugar.

Estávamos nos encontrando freqüentemente, e isso fez minha rotina mudar por completo, fazia coisas que nunca imaginava fazer antes. Mentia para meus pais, cheguei até por algumas vezes sair escondida para me encontrar com Andrey, nem que fosse para ficar minutos com ele.

Mesmo nunca tendo dito, sabia que ele sentia o mesmo por mim, eu via em seus olhos as mesmas estrelas que resplandeciam nos meus, sentia seu coração acelerar quando nos abraçávamos, e a cada vez que nos encontrávamos parecia ser um acontecimento especial. A única coisa que me intrigava era o fato de nunca termos nos beijado, afinal oportunidades e vontade nunca faltaram, sempre que eu achava que iria acontecer, todas as vezes que eu via o quanto ele também desejava aquilo, Andrey dava um jeito de se esvair, sempre muito discreto e gentil, mas era ele quem sempre podava aquele momento tão esperado por mim.

Este era um dos motivos pelo qual eu tinha que continuar mentindo em minha casa, já que não podia dizer que ele era meu namorado, e se dissesse que era apenas um amigo, ninguém acreditaria que eu estaria dedicando tanto tempo a um simples amigo.

Por diversas vezes pensei em questioná-lo, colocar Andrey contra a parede, já que eu não costumava medir minhas palavras quando estávamos juntos, mas depois não achava viável questionar um rapaz, por ele não quer te beijar, imaginava ele me dizendo que eu estava entendendo as coisas de forma errada, ou que estava fantasiando coisas que não existiam, por estes e outros eu acabava preferindo não arriscar e acreditava que mais cedo ou mais tarde tudo sairia como eu planejava.

—Alô. -Atendi meu celular meio zonza. Era uma tarde de sábado, Andrey e eu havíamos combinado de nos ver no inicio da noite, eu já tinha inventado que sairia com Mel, então aproveitei para dormir um pouquinho.

—Boa tarde dorminhoca. — Uma voz rouca dizia do outro lado.

A voz era conhecida, mas, minha surpresa foi o fato de adivinhar que eu estava dormindo.

—Andrey, é você?Como sabe que estou dormindo? -Perguntei tentando me restabelecer.

—Eu... eu imaginei pelo tom de sua voz. -Ele disse rindo. -Mas e você?Como soube que era eu?

—Sua voz. -Suspirei. -É inconfundível, sei que é meio clichê, mas é verdade.

Ouvi mais uma vez Andrey rir.

—Estou ligando para saber se está livre para dar uma volta com um pobre solitário e ansioso rapaz que não consegue agüentar até á noite para te ver. -Ele fez uma voz de quem estava sofrendo.

—Isso é jogo sujo, sabe que fico sem ter como dizer não. -Confessei nervosa .

—É uma positiva? -Sua voz agora estava mais firme.

— Daqui quanto tempo no encontramos?- Assenti.

—É só descer, estou com o carro estacionado em frente à sua casa.

Corri para a sacada da sala, e lá estava ele, sentado dentro do carro. Com o celular em punho, como a capota do carro estava abaixada, pude o ver perfeitamente.

Fiquei por uns instantes parada, cética o observando.

—Você é louco? -Reclamei entre meus dentes.

—Você é quem está falando. — Seu tom era irônico.

Agradeci aos céus por minha mãe não estar na sala, era menos uma explicação.

Ele já me esperava com a porta do carro aberta, sem dizer nada me sentei enquanto ele fazia o mesmo.

—Só você para me fazer cometer estes delitos. -Reclamei.

—É por uma boa causa. — Contestou segurando meu rosto delicadamente enquanto seus lábios tocavam minha testa.

Apenas suspirei.

—Qual o roteiro hoje? — Perguntei antes que cometesse uma loucura.

Andrey havia colocado o carro em movimento, mas estava em uma velocidade baixa. Ele estacionou poucas ruas depois da minha casa.

—Você é quem vai determinar. -Virou-se para mim. -Hoje você dirige.

Desde o dia do acidente, eu nunca mais tive coragem de pegar em um volante novamente. Não diria que estava traumatizada, não seria bem essa definição, mas pensar em guiar um carro que não fosse meu, não me parecia uma boa idéia.

—Não vai dar, isso eu não vou poder fazer. -Balancei a cabeça negativamente.

—Por que não? — Ele perguntou cruzando os braços.

—Simplesmente não posso, não me sinto segura, ainda mais tendo o agravante de seu carro ser novinho, sequer tem um risco. -Objetei, esperando que Andrey desistisse da idéia.

—Sam, eu confio em você, e além do mais, você adora este carro, deve ter vontade de dirigi-lo. -Afirmou convicto.

Puxei rapidamente da minha memória o dia em que havia confessado que aquele carro era meu sonho de consumo, mas não encontrei. Tinha quase certeza de que nunca tocara nesse assunto com Andrey.

—Como sabe? -Perguntei intrigada.

—O quê? -Ele pareceu não entender.

Percebi que seria perda de tempo questionar essas bobagens, imaginei que no mínimo eu não conseguia disfarçar meu entusiasmo diante do amarelinho.

—Esquece, não é nada. — Tentei disfarçar — Eu só não quero dirigir.

Ele era mesmo muito teimoso, mesmo com as minhas negativas ele desceu do carro e ficou parado ao lado da minha porta.

—Vamos, não vou desistir de você. -Andrey insistia.

Sabia que era impossível resistir ao poder de persuasão que ele tinha sobre mim e que no final ele ganharia a batalha, relutante escorreguei para o banco do motorista.

—Vou deixar bem claro que não me responsabilizo pelo que vai acontecer. -Avisei.

—Eu não tenho nada a temer. -Ele deliberou.

Não precisei de muito esforço para me sentir à vontade, Andrey tinha o dom de me fazer sentir em casa quando estávamos juntos.

Em pouco tempo, nem me lembrava que dirigia pelas ruas do bairro com o carro dele. Em momento algum fui atormentada por lembranças daquela noite fatídica, em momento algum tive medo de que algo ruim pudesse me acontecer.

—Você fica bem neste carro. -Ele falou inclinando-se em minha direção enquanto eu obedecia ao sinal vermelho.

— Obrigada! -Agradeci satisfeita. -Eu sempre quis ter um desses.

—Pode usar o meu sempre que quiser. -Disse sério.

Apenas ri, enquanto acelerava diante do sinal aberto.

—Quer que eu o leve para algum lugar em especifico? -Quis saber já um pouco sem jeito por estar praticamente andando em círculos por meu bairro.

—Não sei, você tem alguma sugestão?

—Gosta de milk shake ? -Pensei em imediato na sorveteria que fazia o meu preferido.

— Ótima idéia. -Ele se mostrou empolgado.

Seguimos para a sorveteria London.

Andrey como sempre cavalheiro de mais, puxou a cadeira para que eu sentasse, ato que foi observado com estranhamento pelos demais que ali estavam, já que aquele lugar era freqüentado em sua maioria pelos adolescentes, geração que não tinha como costume esse tipo de gentileza.

—As pessoas se assustam com sua maneira de agir. ­-Confidenciei.

—Você se assusta ou se incomoda? -Ele se preocupou enquanto olhava para os lados.

—Não, nem um pouco.

Andrey deslizou sua mão sobre a mesa e segurou com delicadeza a minha fazendo com que meu coração sofresse um aceleramento brusco me deixando sem ar.

O atendente se aproximou da mesa para fazermos nossos pedidos, Andrey ainda segurava minha mão.

—Dois de chocolate com marshmallow, por favor. -Ele adiantou o pedido.

O rapaz se afastou enquanto ainda anotava o pedido em um bloco de papel, demorei para conseguir dizer alguma coisa, senti vontade de tirar minha mão da mão dele e de começar a exigir explicações para tantas coincidências.

Andrey permanecia ali, olhando como se visse algo especial em minha mão, demonstrando não ter percebido nada diferente em toda aquela situação. Fui desarmada no instante em que seus olhos voltaram-se para mim, estava pronta para exigir explicações, estava até receosa mas tudo se perdeu por terra quando ele sorriu.

— Você me confunde, instiga minha curiosidade. -Disse eu entre os dentes.

Andrey franziu a testa.

—Não entendi? -Ele ficou intrigado.

—Às vezes tenho a sensação de que você entra em minha mente, que lê meus pensamentos. -Passei a mão que estava livre por meus cabelos, um ato de nervosismo.

—Continuo sem entender. -Seu semblante agora era mais complexo.

—Como sabe que o sabor que acabou de pedir, era o que eu queria? -Contestei firme.

Seu rosto voltou a ser liso, como se ele acabasse de compreender o tudo que me angustiava naquele momento.

—Desculpe. -Ele sorriu. -Eu nem tive a educação de perguntar o que você queria, acabei escolhendo por nos dois sem nem mesmo saber se você gosta do sabor que escolhi.

Ele não havia entendido, estava se esvaindo em desculpas, acreditando que eu estaria chateada por ele não ter me dado a chance de escolher o pedido, entendi ali que realmente nossa relação era cercada de estranhas coincidências.

—Eu não estou me referindo a isso, pelo contrario, seu pedido foi exatamente o milk shake que mais gosto, por isso fiquei assustada. -Expliquei já mais serena.

—Viu só? -Ele soltou minha mão e esticou o braço para tocar meu rosto. -Este é só mais um sinal de que temos mesmo que estar juntos.

Pronto, estava novamente com meus sentimentos intactos, sem dúvidas nem mesmo arranhões.

Estávamos novamente envolvidos em um nítido clima de romance quando fomos interrompidos pelo atendente que trazia nosso pedido.

—Obrigado. -Andrey o agradeceu.

Senti meu estomago embrulhado e apesar de ser louca por aquele milk shake, não senti a mínima vontade de beber, o que não era exatamente uma surpresa já que todas as vezes que tentava comer qualquer coisa que fosse quando estava com Andrey, me sentia daquela maneira.

—Muito bom, gelado, mas bom. -Ele elogiava enquanto ao contrario de mim, estava quase terminando sua bebida.

—Tem que estar gelado, é feito de sorvete. — Brinquei, conseguindo arrancar um riso dele.

Estava me forçando a colocar o conteúdo do meu copo garganta á baixo quando uma gargalhada chamou minha atenção. Era Sarah, sentada em uma mesa próxima à que eu estava, junto dela, Lucas e mais um casal.

Sarah estava de costas para mim, mas tive certeza que não lavaria muito tempo até que ela me avistasse.

—Aconteceu alguma coisa?Você está mais vermelha que este canudo. -Andrey perguntou apontando para o canudo rubro que estava dentro do copo.

—É minha irmã, ela esta aqui com o namorado e uns amigos. -Tentei ser breve, falando o mais baixo possível.

—E o quê tem isso? — Ele continuou alheio aos fatos.

—Tem, que se ela nos vir aqui, terei que dar um monte de explicações que nem mesmo eu sei. — Objetei claramente irritada.

—É tão ruim assim que ela me conheça? -Ele perguntou com decepção.

—Não! Não é isso, eu... só não quero ter que explicar sobre nossa amizade. — Falei tentando explicar meus receios, escolhendo as palavras para não parecer nem pretensiosa e nem desatenta de mais.

Nem mesmo tive tempo de pensar qualquer coisa que fosse, Sarah já vinha em nossa direção trazendo Lucas à tira colo.

—Oi Sam, que coincidência nos encontramos aqui! -Ela falava comigo sem conseguir de tirar os olhos de Andrey.

—Tem razão, eu nem sabia que você costuma freqüentar este lugar. -Disse eu, pouco simpática.

—Não vai me apresentar? — Sarah foi direta.

Ela olhava para Andrey como se quisesse devorá-lo, Lucas parecia não se afetar com a cena.

Senti meu rosto queimar como fogo, Andrey percebendo minha tensão adiantou-se:

—Sou Andrey, é um prazer conhecê-la. -Ele dizia enquanto estendia uma das mãos à ela.

—E vocês são...? -Ela fez o quê eu não esperava, estava questionando Andrey sobre nosso relacionamento.

Pensei em intervir, não queria que ele passasse por uma situação constrangedora, mas como sempre Andrey me surpreendeu.

—Digamos que Sua irmã é uma pessoa muito especial para mim. -Ele disse com desenvoltura, quebrando aquele clima hostil.

Sarah ficou com um sorriso sem graça no rosto, Lucas por sua vez chegou mudo e saiu calado, os dois se despediram e voltaram para sua mesa.

Sabia que ela não fazia por mal, mesmo assim ela tinha certeza que me deixaria desconcertada fazendo o quê fez, ali porém, as coisas não saíram do jeito que ela queria daquela vez.

Imaginei que talvez ela fosse relatar tudo para minha mãe, mas nem me preocupei, naquela altura o melhor a fazer era dizer a verdade, mesmo eu não sabendo direito qual era ela.

—Me saí bem? -Ele perguntou baixinho.

—Muito bem, eu diria. -Desta vez fui eu quem quis segurar sua mão.

Andrey não hesitou em entrelaçar seus dedos nos meus.

—Agora faltam só seus pais. -Ele disse sorrindo.

Balancei a cabeça, fingindo não ter entendido mesmo sabendo que Andrey sabia que sim. Acabamos caindo na gargalhada.

— Nos vemos daqui a pouco. -Ele me falou ao estacionar o carro duas casa antes da minha. Foi um exigência minha, depois do episodio da sorveteria, não seria surpresa que meu pais estivesse fazendo plantão em frente de casa.

Não que eu considerasse Sarah, minha própria irmã, uma fofoqueira nata, mas eu já não a conhecia tão bem, nunca fomos irmãs siamesas, mas depois que ela começou a namorar Lucas, nosso afastamento foi inevitável, seu tempo era praticamente todo dedicado à ele.

—Ligue antes de vir, não sei como vou encontrar as coisas por aqui. — Quis me precaver.

—Eu posso perfeitamente falar com quem quer que seja, basta você me pedir. -Andrey se solidarizou.

Imaginar ele e meu pai conversando me causava pânico, por outro lado pagaria para ver de que forma ele se apresentaria. Não poderia dizer que éramos apenas amigos.

—Não se preocupe, não tenho que envolver você nisso. -Abri a porta do carro e desci. -Eu dou um jeito.

Dei a volta pela frente do carro e me abaixei na altura da janela, sem cerimônias beijei o rosto de Andrey, era só o que eu podia fazer.

Entrei em casa um pouco temerosa, não que imaginasse que haveria alguma proibição, era só que eu não conseguia me imaginar como Sarah foi com Lucas, todo aquele ritual com regras impostas e apresentações formais, até porque, minha relação com Andrey passava longe da normalidade, isso era um fato.

Para meu alivio, tudo estava normal, meu pai assistindo TV na sala, apenas me deu um beijo no rosto e nada disse, minha mãe estava no telefone com alguma amiga discutindo as últimas novidades em aparelhos para celulite e Sarah... bem, Sarah só para variar não estava em casa.

Antes do banho passei um tempinho com Barth, voltei para meu quarto prometendo para ele um passeio já na manhã do dia seguinte.

Não tive nem tempo de pensar no que vestir , meu celular estava tocando, ouvir a voz de Andrey, mesmo que por telefone me causava calafrios. Para não perder tempo apenas avisei que tudo estava certo.

Apesar de não ter a mínima idéia de onde iríamos, me vesti de forma básica, jeans, uma blusinha leve e sapatos baixos, deixei meus cabelos soltos, isso me deixava mais confiante, sexy talvez.

Estava esperançosa, embora não gostasse de criar expectativas em cima de coisas que podiam não se realizar, imaginei que aquele poderia ser meu dia de sorte.

—Mãe, vou sair, estou com meu celular. -Avisei interrompendo sua ligação.

Ela sequer se deu o trabalho de me perguntar com quem eu sairia, meu pai foi um pouco mais minucioso, mas nada que eu não soube driblar.

—Você está ainda mais bonita. -Andrey elogiou-me com os olhos brilhantes.

—É um pouco clichê, mas eu aceito o elogio. -Tentei descontrair.

Andrey balançou a cabeça rindo.

—Algum destino planejado, ou vamos apenas rodar pela cidade? -Andrey perguntou enquanto acelerava o carro.

—Espera,é você quem tem que fazer o roteiro, e não eu. -Reclamei.

—Não conheço muitos lugares, assim não espere ser surpreendida. -Ele admitiu.

— Qualquer lugar com você é bom. -Declarei sincera sem me constranger.

Andrey sorriu meio sem jeito e me lançou um olhar de cumplicidade.

—Primeiro vamos dar uma volta e depois... vou te levar há um lugar. -Piscou ele para mim.

Passamos rapidamente pela Alta Avenida, que estava como sempre lotada de gente.

— As pessoas realmente gostam desse lugar? -Ele precisou falar num tom mais alto.

— Há gosto para tudo. -Encolhi os ombros.

—Então acho que definitivamente este não é o meu.

—Nem o meu. — Concordei.

Realmente eu freqüentava aquele lugar somente quando havia um motivo muito forte.

Fui mais uma vez pega pelo destino que insistiu em proporcionar mais um encontro entre Sara, Lucas, Andrey e eu.

Como a avenida era de mão dupla e o transito ali era constantemente lento, o aceno desacerbado de Sarah que vinha de dentro do carro de Lucas, parado em frente ao de Andrey, chamou minha atenção.

Desta vez não consegui ver malicia nos olhos dela, pelo contrario, parecia estar feliz em me ver. Correspondi mais moderada que ela aos acenos e foi só, conversar ali seria impossível e mesmo que devagar, aos poucos com as curtas aceleradas conseguidas por ambos os nossos motoristas, acabamos saindo do foco uma da outra.

—Hoje é o dia dos acasos, hein? -Andrey brincou.

—Com certeza. -Limitei-me a dizer.

Depois de finalmente conseguirmos sair daquele transito, me senti mais aliviada. O caminho por qual Andrey dirigia era bem conhecido por mim, estávamos perto de casa acabei ficando decepcionada, não queria que nosso encontro terminasse tão cedo.

—Já vai me levar pra casa? -Questionei visivelmente contrariada.

Andrey permaneceu calado por uns instantes e depois olhou sério para mim.

—Vou te levar pra minha casa. -Ele falou com receio.

Senti meu coração gelar, essa sensação de resfriamento interno se espalhou por todo meu corpo. Não foi medo muito menos desconfiança, foi só um tipo de êxtase por uma coisa que eu nunca havia cogitado antes, pelo menos não tão cedo.

Por mais loucos que fossem meus devaneios, estar à sós com Andrey em sua casa era totalmente inatingível.

— O quê foi Sam? Se não quiser ir não tem problema. -Andrey mostrou preocupação com meu silêncio.

—Não! -Adiantei-me. -Pra mim está ótimo, vamos para sua casa.

—Sério, se quiser ,vamos para outro lugar. -Ele mostrou não ter nem um plano mirabolante, e eu diria até que ele não fazia tanta questão que fossemos para lá. De qualquer modo a última coisa que me passava pela cabeça, era duvidar da conduta sempre tão correta que ele dispunha a mim.

—Andrey, estou dizendo que eu quero ir até sua casa. -Falei firme tentando demonstrar que estava segura em minha decisão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!