Meu Príncipe Nada Encantado
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Rachel deixou bem claro que enfrentaríamos vários monstros, mas pensei que eles esperariam pelo menos um pouco.
Saímos do acampamento logo depois da minhã visão e como já estavam todos muito preocupados, achei melhor só contar o objetivo da nossa missão a Valdez, deixando de fora a parte do só achar o amor quando sentir, porque achei aquilo uma pegadinha de Afrodite, afinal, deuses adoram momentos críticos.
Contei a Valdez que deveríamos achar Nico Di Angelo e encontrar o lugar onde a irmã dele havia morrido. Ele riu e disse que Hazel havia morrido num lugar muito longe dali. Quando ele percebeu que falou algo de mais, fingiu, muito mal por sinal, que era apenas uma piada.
– Valdez, isso é sério. Precisamos encontrar Nico Di Angelo, e se você não sabe, ele teve uma irmã que morreu, ela era uma Caçadora!
– Odeio essas Caçadoras, porém são eternamente bonitas.
– Concentração Valdez!
– Tá, mas você pode imaginar a que ponto no oeste encontraremos Nico?
– Fácil, é só mandar uma mensagem de Íris!
– E onde encontraremos água aqui? Esqueceu que o filho de Poseidon é a Ariel, digo Percy!
Ignorei a piada e olhei em volta. Argos havia deixado a gente na rodoviária onde estávamos esperando nosso trem para o oeste.
Pense Carly. Água.
– Banheiros! — Gritei.
– Não precisa gritar, é só pegar e ir!
– Acorda Valdez, tem água no banheiro!
– Mas duvido que lá pegue um raio de sol para formar um arco-íris.
– Não acredito que você pensou em alguma coisa! — Falei com o tom mais sarcástico possível. — Mas para sua informação, achei uma solução.
– Qual?
– A vantagem de viajar com você, é que sempre teremos nossa "Luz Própria".
– Olha, alguém está aprendendo a fazer piadas!
– Vamos, temos que achar um banheiro vazio antes do ônibus chegar.
– Será que não podíamos ter ido pelo menos de trem, é que...
– Shiiiuu — Fiz Valdez calar a boca e apontei para nossa frente. Havia uma mulher aparentemente muito bonita. Mas toda a magia acabava quando se olhava para as pernas dela. Não imagino como os mortais a veriam, mas para mim, ela não tinha pernas, tinha duas caudas.
Uma Dracaenae da Cítia.
Era obvio que ela estava atrás de nós. Valdez aparentemente também viu que o que era aquela coisa, pois olhou pra mim com cara de "o que vamos fazer agora?" Era o que eu estava pensando. Era muito boa com livros, mas horrível em combates.
Valdez por sua vez, tomou a frente, enfrentou a mulher lagarto de duas pernas com um escudo e lança que o vi tirar de seu cinto de ferramenta. Nunca o tinha visto lutar com armas, sempre o mesmo jeito de sempre, fogo.
Mas ele dominava as armas com uma graça invejável. A mulher lagarto investia contra ele enquanto ele se defendia com o escudo e acertava a lança nela. Foi quando eu pensei em alguma coisa.
Lembrei da adaga que tive que trazer comigo. A única vez que tinha lutado, havia vencido o minotauro. Usei isso como incentivo.
– Ei mulher lagarto, será que é pário pra mim?
Valdez olhou com uma cara de "cala boca idiota, ela vai te matar". Na verdade, ela ia matar nós dois.
Ela lançou um de seus tentáculos/pernas e me ergue bem em frente ao rosto.
– Que corajosa filha de Atena, pena que não terá a mesma sorte que teve com o minotauro. — Assim que ela despejou essas palavras que pareciam ácido, lancei a adaga que trazia escondida na manga em um ponto extremamente estratégico. Garganta.
O monstro se desfez em poeira e eu caí igual a uma pata.
– Você está bem? — Perguntou Valdez.
– To bem e você? — Respondi — Obrigado por me dar tempo para pensar.
– Estou achando que conseguiremos sobreviver a essa missão.
– É o mínimo que podemos fazer.
Viramos as costas e embarcamos no nosso ônibus. Teríamos que mandar a mensagem de Íris de outro lugar.
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