Meu Pecado
1 Prólogo
Notas iniciais
“Às vezes conhecemos pessoas que mudarão nossas vidas drasticamente, em outras, elas terão a vida transformada por nós.”
Arthur Tetsan
Sentados na cantina da escola, Arthur Tetsan, um jovem de dezessete anos, cabelos loiros como o dourado de margaridas amarelas e pele clara, e Nick Dailos, um ano mais velho, pele cor de chocolate e cabelos tingidos com a exuberância do céu de meia-noite, aproveitavam os últimos momentos da grande saga de aventuras do ensino médio. Seus destinos tomariam rumos distintos a partir dali, com Arthur seguindo o antigo sonho de ser professor de jardim de infância e Nick assumindo as responsabilidades da advocacia.
— O final do ano se aproxima, logo terei que partir. – Disse Arthur a seu amigo. Sua mãe estava de mudança para outra cidade. As oportunidades de emprego eram melhores para ela.
Nick tocou seu rosto e soltou um sorriso singelo.
— Ainda irei vê-lo, viu? Meu pai prometeu que me daria o carro que eu quisesse caso entrasse no curso de Direito. – Riram. Apesar de serem melhores amigos, algo a mais ligava seus passados.
— Claro que irá, nem é tão longe daqui. – Sugou as últimas gotas do suco de laranja que havia pedido.
— Quando começam suas aulas?
— Em um mês, mas precisarei ir na próxima semana para um evento de boas-vindas aos calouros oferecido pela universidade. Por quê?
Nick agarrou as mãos pequenas e macias de Arthur, passando seriedade em suas palavras.
— Então levarei você... – Foi interrompido.
— Não precisa se incomodar com isso, cara. Eu pego o primeiro ônibus e se não demorar, consigo voltar no final da tarde.
Insistindo, ele prosseguiu com suas palavras.
— Não aceitarei um “não” como resposta, mocinho. – Sorriu sarcasticamente. – Está decidido!
***
Semana Seguinte
Eles percorreram os 64 quilômetros que separavam as duas cidades até chegar à universidade onde Arthur estudaria. Dezenas de jovens aspirantes nas mais belas profissões já passeavam pelas praças e gramíneas da instituição.
Ainda dentro do carro, Nick pensou em um último desejo na esperança de manter o forte vínculo de antes.
— Arthur, posso te fazer um pedido? – Pareceu apreensivo, pois temia uma resposta negativa.
— Bem, crescemos juntos e já fizemos quase tudo, então não tenho tanto medo do seu desejo... – notou a mão trêmula sobre o volante. – Está nervoso?
— Um pouco. – Desviou o olhar. – Ontem à noite pensei bastante sobre mim... Sobre a gente... Tudo acabará né?
Ele permaneceu calado durante alguns instantes até que resolveu se pronunciar.
— Você é meu melhor amigo, e sabe que aquilo ficou no passado. Foi um momento muito bom... mas agora estamos trilhando novos caminhos, com novas aventuras, amores e decepções também. – Sorriu.
— Tudo bem. Posso ganhar pelo menos um abraço antes de ir? – Indagou.
Eles se aproximaram no ato da despedida e Nick pôde sentir o calor do corpo ao seu lado novamente. De olhos fechados, reconheceu a sensação de aconchego e proteção, que era apreciada por ambos, assim como as travessuras de Arthur, que não perdera o costume de provocar o desconforto ao seu companheiro jogando um picolé gelado por sua roupa, ora em suas costas, ora em...
— Ah! Maldito! – Berrou contorcendo-se e tentando retirar aquilo da sua traseira. – De onde você tirou... – Notou uma pequena caixa térmica com gelo em seu colo. – Eu devia fazer você engolir... – Foi interrompido pelo barulho da porta do carro se abrindo. – Ei... Boa sorte! E cuidado! Qualquer coisa pode me ligar!
Arthur agradeceu e se despediu. Ao virar-se para a universidade, notou a animação que contagiava aquele ambiente, assim como as pessoas que por ali passavam; belas e diferentes. Uma em especial chamou sua atenção a priori, embora a tenha apenas como uma visão encantadora. O garoto de um sorriso sincero e contínuo e cabelos negros caídos de forma a tocar os olhos, ao apresentar seus desenhos em uma pasta preta para uma garota de cabelos negros e encaracolados, que caminhava em passos apressados ao seu lado, seguindo de frente a Arthur, que o observou passar e apenas sorriu sem que ele percebesse.
— Acho que estou no lugar certo. – Arranjou a mochila nas costas e seguiu pelas gramíneas em direção à entrada. Aquele dia seria perfeito se ele não tivesse parado por cinco minutos na calçada e admirado a arquitetura antiga da instituição, tempo suficiente para um carro passar velozmente sobre uma poça d' água atrás dele e molhá-lo. – Não acredito... que merda!
— Logo no primeiro dia, novato? – Um estudante de medicina passou rindo.
— Talvez eu não esteja em um lugar tão certo assim. – Enquanto tentava se limpar, o garoto dos desenhos, que estava sentado embaixo de uma palmeira, viu tudo, levantou-se, guardou sua pasta na mochila cinza, se aproximou e o ensinou como chegar ao banheiro masculino. Ficava em um prédio de 3 andares, do lado direito dali.
***
Reclamando sem parar do incidente e sem notar, Arthur entrou no vestiário do time de basquete, retirou a blusa suja e ligou a torneira para se limpar. – Como fui tão lesado? Por que fiquei parado por cinco minutos observando as paredes e aquele menino? Eu devia ter tentado arquitetura ou design, acho que me daria bem melhor nesses... – Ao levantar a cabeça e olhar para frente, notou algo estranho na imagem refletida. – Opa! – Sua face corou com o que viu. Rapidamente observou a sua volta, e percebendo onde estava, voltou a olhar para o espelho que mostrava com clareza o corpo nu de um dos jogadores; aqueles cabelos ruivos espetados, a água escorrendo por seus músculos bem definidos e um belo bumbum. Eu poderia continuar observando, quem sabe ele não se vira para cá... não! Acho melhor ir antes que ele me veja.... nossa! Pensou. Sorriu discretamente.
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