Meu Parceiro De Apartamento

1 Capítulo 1 - Prólogo


Notas iniciais
Espero que gostem. *-*

Sou Elizabeth Raynes, tenho 18 anos e terminei o ensino médio. Vou para uma faculdade em Califórnia, UCLA. Moro em Texas, uma cidade pequeníssima, é que aqui as faculdades não são boas o suficiente para mim, palavras de mamãe, Margaret Rayne. Minha família tem muito, muito dinheiro, mas meu pai faleceu por conta de bebidas, então toda a herança foi passada para minha mãe, ela amava meu pai mesmo ele sendo um alcoólatra, não posso dizer que o odiava, mas também não posso dizer que o amava... Ela não quer de modo algum sair do Texas, eles dois se conheceram e moraram lá desde então, eu adorava minha escola, mas tudo um dia acaba, me despedi deles com o coração na mão.

Enfim, sou uma garota comum e meio antissocial, mas sem querer me gabar, muito inteligente e perspicaz, um pouco pavio curto e tenho um ego um pouquinho inflado, meus cabelos são pretos e muito lisos, parece cabelo de japonesa para ser exata, tenho uma franja um pouco acima dos olhos, bem repicados. Mas por que eu estou falando isso? Não é uma fixa técnica, vamos ao que interessa.

***

~06h00m

– Filha, vem cá! –disse minha mãe enquanto eu saia do banheiro com uma escova de dente.

– O que foi? –fui até o computador que ela estava.

– Encontrei o lugar perfeito para que você more enquanto estiver fazendo a faculdade. –ela sorriu dando umas batidas de mãos.

– Legal... mas onde é? –eu disse com certa tristeza de ter que me separar das pessoas que gosto.

– É um apartamento de um homem chamado David Chevalier, aqui no site ele diz que o apartamento é gigantesco e que é ruim morar sozinho, ele também faz faculdade.

– Um... homem? –eu a encarei com um pequeno receio.

– Sim! Não é ótimo? –ela sorriu. Sim, minha mãe era inocência pura.

– Certo, mas quanto é a mensalidade?

– Ele está cobrando R$ 350.00, é muito barato para mim.

– A senhora tem certeza de que não quer que eu pague pelo menos a faculdade? Posso trabalhar com algo de meio período e...

– Nunca. Você tem que estudar e não trabalhar. O trabalho vem depois da faculdade. –disse ela beijando minha testa enquanto saia até o seu quarto no segundo andar.

Sentei-me até a mesa do PC e olhei o que havia escrito, era óbvio que seria estranho morar com um cara que eu nem conhecia direito, seu sobrenome era estranho, eu não sabia o certo sua nacionalidade, e não tinha nem uma foto dele nas informações. Eu iria, afinal, eu já era maior de idade, ele não teria coragem de tentar me estuprar ou algo do tipo. Pois é, eu pensava o pior.

Voltei para meu quarto e me arrumei, eu acostumava acordar muito cedo, mesmo estando em janeiro, faltavam duas semanas para que eu chegasse até Califórnia e começasse o primeiro dia na faculdade, eu estava muito ansiosa, até porque era minha primeira vez morando sozinha... Minto. Sozinha com um homem. Saí do quarto com minhas roupas casuais, cheguei à cozinha onde a empregada Verônica fazia o café da manhã, o clima estava quente, me abanei com um jornal que estava ao lado. Verônica tinha 44 anos, trabalhava para nós há 25 anos, quando eu nasci minha mãe me disse que ela quase nunca me soltava.

– Liza?

– Hum? –resmunguei enquanto fazia uma careta com o delicioso vendo do jornalzinho.

– É verdade que você vai para a Califórnia? –a voz dela estava estranha.

– Sim... será um grande passo para minha vida profissional, sentirei saudades de vocês e... –parei de falar ao ver Verônica chorando – N-Não chore.

– D-Desculpe Liza, é que eu cuido de você há tanto tempo, vou morrer de tanta saudade das suas brincadeiras.

– Sua boba, eu te ligarei assim que puder. –ri.

Levantei-me e fui até ela, ficamos abraçadas por uns segundos, logo, ela voltou aos afazeres, me virei e me deparei com um banquete que só ela sabia fazer, a comida estava pronta. Logo minha mãe chegou com um sorriso de orelha a orelha, eu até já sabia o que era.

– Falei com ele.

– E aí?

– Você já embarca amanhã.

– MAS JÁ? –pulei da cadeira.

– Sim, você tem que conhecer a cidade antes de perambular por ela. –ela fez um sorriso amarelo.

– Mãe... eu vou chorar... –olhei para o chão.

– Filha... assim eu vou chorar também. –ela me abraçou enquanto eu caia aos prantos.

– Vamos comer, iremos aproveitar às últimas horas. –ela limpou suas lágrimas e logo depois as minhas.

Sentamos-nos a mesa e comemos. Ela me levou a vários lugares, fomos ao cinema, teatro, shopping, e fizemos muitas compras, mesmo que eu não gostasse de gastar dinheiro, minha mãe fez isso para que tudo ficasse na minha memória. À noite liguei para todas as minhas amigas, choramos no telefone, uma delas veio até minha casa, nós ficamos acordadas conversando até altas horas, mas minha mãe disse que eu tinha que acordar cedo para o embarque, eu me despedi dela e fui dormir pensando em tudo que eu perderia e encontraria no caminho dessa nova vida.

***

Acordei com o despertador altíssimo, bati minha mão nele e me levantei, fui até o banheiro e fiz toda a minha higiene diária, me vesti e peguei minhas malas, desci até a sala e vi minha mãe e Verônica me esperando.

– O café está na mesa. –disse mamãe.

– Certo. –deixei a mala no sofá e fui comer.

Depois de alguns minutos voltei até a sala, elas estavam conversando, interrompi, eu estava triste por dentro, muito triste, mas todos me diziam que minha inteligência era impecável e que eu deveria ir a uma faculdade em Califórnia, ela é caríssima, mas eu tinha que ir. Fomos nós três de carro até o aeroporto, senti meus olhos arderem, eu estava com uma tremenda vontade de chorar. Segurei.

Chegamos finalmente, o nosso motorista tirou as malas para mim, me despedi dele também. Estava quase na hora do embarque, eu estava ansiosa, eu usava um vestido que minha mãe havia me comprado, era lindo, branco com as mangas sobre o ombro, a sapatilha era dourada. Olhei para trás e fui até mamãe.

– Mãe, está tudo certo entre o David?

– Sim, aqui está o endereço, dê para um taxista logo que sair do aeroporto de Califórnia.

– Certo... –peguei o papel e senti que havia caído uma lágrima de meu rosto. Limpei-a.

– Filha eu te amo.

– Eu também amo a senhora...

– Liza, eu sentirei saudades. –disse Verônica.

– Somos duas, eu amo sua comida. –ri.

Verônica caiu ao choro e me abraçou, mamãe veio junto, a informante do aeroporto avisou no microfone que meu avião havia chegado, nos separamos.

– Tchau. –eu disse.

– T-Tchau... –soluçaram.

Andei até a entrada do avião, olhei para trás e as vi chorando e acenando, acenei também e voltei a andar.

Notas finais
Aprovada? Comentem. ♥