Meu Mestre (Parte 1)
4 Capítulo 4- O Segredo
Notas iniciais
–Eu não te contei antes por que não tivemos tempo!- Ele olhou incomodado para Jonas- Mas eu gostaria de privacidade -Jonas revirou os olhos e saiu.
–O que esta acontecendo?
–Eu preciso te contar, mas...
–Mas o que? Fala logo!
–É uma longa história
–Tá, pode começar, eu quero saber.
–Tá bom... No nosso mundo... Quer dizer, dos bruxos, existem... Classes. Os mais poderosos são chamados de “Poteror Grandis” que em português significa poder maior, mas para abreviarmos chamamos de Mestre Poteror ou só Mestre, só os mais velhos utilizam Mestre Poteror. -Ele olhou para o chão e começou a riçar o pé.
“Minha família, faz parte da descendência desses grandiosos mestres, os Mestres Poteror. Meu avô e tio avô, Rino Black e Priam Black, gostavam de brincar com palavras, até que eles imaginaram que as palavras tinham poder, começaram inventar palavras e as coisas começaram a acontecer de acordo com os sentidos que eles imaginavam, por exemplo, vou pensar no sentido de trazer aquele copo em minha mão. — ele parou e fechou os olhos, ergueu sua mão em direção ao copo e gritou –“Atraitium” -incrível, o copo rapidamente foi para sua mão no momento que ele começou a pronunciar a palavra- Viu? É assim!” Ele riu como se tivesse brincando.
Eu assenti maravilhada no que acabei de ver, ele percebeu minha expressão e começou a rir novamente.
–Não é bem assim como você esta imaginando. Na época eles achavam, mas só quem consegue fazer essas coisas é quem tem dons. Essas pessoas com esses dons incríveis são chamadas de “escolhidos”.
“São pessoas normais que vivem no meio de pessoas que não tem dons. Os humanos.”
–Mas... Mas não tem como os humanos aprenderem a ser como os escolhidos?-Minha voz falhou, e se eu não fosse uma escolhida? E se ele tivesse se enganado? E se tudo que eu passei até hoje foi só uma ilusão infantil?
–Não, por isso chamamos de escolhidos. Então com o passar dos anos reconhecemos que quando conhecemos e controlamos esses dons, nós não envelhecemos. Uma coisa que não é tão fácil se estiver sozinho. Depois de completarmos 100 anos de imortalidade, podemos desistir desses dons e viver uma vida normal, como os humanos. -ele ficou pensativo como estivesse lembrando-se de uma dor, mas seu rosto me olhou e abriu um sorriso de canto que me deixou encantada com seus dentes brilhantes e seu olhar sedutor.
Como um bruxo faria isso? Além de ter dons incríveis ainda desiste deles? Da imortalidade?
– Esse é o propósito da casa de seis colunas, cada coluna tem seu significado: a primeira é o conhecimento, a segunda é o controle, a terceira é a formação, a quarta é o aperfeiçoamento, a quinta é o profissionalismo e a sexta é a especificação. Quando o escolhido passa por cada coluna, ele pode se tornar mestre, como foi o caso de Jonas.
–Você também foi assim? Passou pelas seis colunas?
–Não, na verdade eu já nasci sabendo. -ele deu uma risada maliciosa ainda me olhando encantadoramente- Eu sou da família dos mestres lembra? Nós descendentes não precisamos passar pela casa, precisamos governar elas, ensinar os escolhidos. Somos mais poderosos que os escolhidos mesmo após ter passado pelas colunas.
–Mas por que me trouxe pra cá?-ele ficou serio e olhou para o chão novamente.
–É meio complicado Ji... Eu e minha irmã Petra Black e meu irmão Cílio Black, nós quando pequenos fomos ensinados e destinados a governar as casas de seis colunas, mas meus irmãos após saberem de tudo, ficaram maus, ruins, saíram por ai nos expondo para todos, somos aberrações para os humanos, cientistas poderiam passar o resto da vida tentando nos estudar mais nunca conseguiriam nos distinguir deles, não acreditariam em nós e nos matariam. Não que isso fosse possível, mas daria inicio a uma guerra, na qual eles perderiam. Mas eu com ajuda de meu pai e tios conseguimos conte-los, nunca havia tido uma morte nos descendentes da família Black, nunca um Mestre Poteror morreu, mas aconteceu. Só um mestre pode matar outro mestre, meu irmão Cílio não conseguiu se reverter e nós tivemos que mata-lo, segundos antes de matamos o vimos olhar para um humano, e automaticamente os poderes de Mestre Poteror foi transferido para esse humano, mas foi a única oportunidade desse humano, ele era um bandido, e junto com os poderes de Cílio, foi transferido sua raiva o lado ruim deles, o homem era tão ruim que o corpo não aguentou, no mesmo tempo ele pegou fogo e refletido no fogo eu via a imagem de meu irmão.- vi seus olhos encherem de lagrimas, coitado eu imagino o que ele estava sentindo nunca imaginaria perder Theo, sem ele eu não existiria, não teria motivos para isso. Suas lagrimas sumiram e ele continuou.
“Minha irmã caçula Petra aconteceu quase à mesma coisa, mais ela antes de morrer estava olhando um bebe, uma menininha linda, tão pequenina que eu não imaginei que o corpo dela suportaria. Mas ela aguentou. Provavelmente sua ingenuidade transformou o poder para o bem, reverteu o ódio de minha irmã. E hoje ela esta bem, viva, forte. Parabéns. Ela... é... você Ji!- Ele deu um sorriso com os olhos arregalados para mim esperando qual seria minha reação, depois eu comecei a ver tudo em minha volta girar e senti braços firmes me segurando, depois o escuro se apoderou de mim.
Meus olhos se abriram cautelosamente e vi imagens embaçadas. Meus olhos se acostumaram e vi Jonas sentado no pé da cama onde eu estava deitada ele estava com o rosto encostado na escada do beliche olhando a janela, quando percebi que Logan também estava lá, ao lado de minha cabeça sentado no chão com os joelhos erguidos e com as mãos apoiadas neles, ele também olhava a janela quando eu quebrei o silencio.
–O que aconteceu?
–Ji?!- disse Jonas e Logan ao mesmo tempo, me fitando com os olhos arregalados, eu ri.
–Você desmaiou... — disse Logan
–E eu te trouxe!- completou Jonas.
–O que aconteceu com você? Não gostou da noticia?-perguntou Logan devagar e com cautela para que eu não desmaiasse novamente.
Na verdade ainda não tinha caído a ficha que eu era uma Mestra Poteror. Isso era glorioso pra mim. Levantei-me rapidamente, mais rápido que o normal e corri para olhar a janela, ver o sol. Ter certeza que não era um sonho. Meus sonhos eram ensolarados, mas Forks não era ensolarado. O sol não estava ali. Pulei de alegria.
–Isso é sério? Sou mesmo uma Mestra Poteror? Ou Escolhida? Algo assim?-Me virei para Logan esperando uma resposta. Ele riu do meu entusiasmo.
–Sim, claro, você é Mestra. –Percebi Jonas ao meu lado, para me segurar se eu desmaiasse. Ele riu dos meus pulos de alegria.
É serio? Sou Mestre? Essa é a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo.
–Mas eu não posso ser, eu não sei nada.
–Calma, calma, você vai passar pelos treinamentos, pelas seis colunas, eu e Jonas vamos te ajudar. Fique tranquila nesse ponto. –Disse-me Logan me acalmando.
–O que você quer dizer com “nesse ponto”?
–Não sabemos como seu corpo reagira quando colocarmos em pratica sua força. Muito menos quanta força você tem. Você pode ter a mesma força que eu... ou ser mais forte. –Ele não queria deixar a ultima palavra sair.
–Por isso, precisamos que você faça uma “transferência” de sua escola para essa, e fique aqui de observação. –Continuou Jonas, me olhando radiante, acho que pela hipótese que eu fique na casa. Meu irmão não permitiria, nem sei qual seria a reação dele, acho que ele não acreditaria em mim, mesmo tendo passado meus momentos de falta de controle. Ele acharia que eles estariam passando a perna em mim.
–Não... Não posso. Meu irmão não acreditará em mim. Ele não permitirá que eu fique aqui, nem que seja durante o dia. –Vi seus rostos totalmente despreocupados.
Olharam-se e começaram a mudar as expressões como se tivessem conversando, mas a boca não abria e não havia som nenhum. Será que conversavam mentalmente?
–Será que vocês podem falar num modo que eu também escute? –Eles riram.
Logan me levou para casa em seu Trailblazer. Minha avó admirou o carro pela janela. O carro de meu irmão estava estacionado na garagem, atrás de seu carro havia uma viatura policial. Mal esperei Logan estacionar e me atirei para dentro de casa preocupada com Theo. Será que minha avó tinha matado ele? Eu a mataria.
Entrei pela porta sem bater e vi o gigante Theo sentado no sofá com as mãos no rosto, preocupado.
–Jiovana? –Gritou quando me viu. –Ah Ji... –Deu-me um abraço de urso sufocante prendendo sua mão enorme nas minhas costas e em minha cabeça, enroscando a em meu cabelo –Fiquei com tanto medo que tivessem te matado, não suportaria te perder. –ele me livrou do abraço segurando meu rosto de modo brutal forçando-me a olhar para ele. –Aonde você estava? Com quem estava? O que estava fazendo? Porque matou aula? ... –Eu o interrompi com uma mão afagando seu braço e a outra colocando em sua boca para que ele parasse.
–Shhh... Acalme-se estou bem- agora eu apenas segurava seus braços firmes –Fique tranquilo, te explicarei tudo, agora dispense o policial -Ordenei. Ele me soltou virando-se para o policial.
–Esta tudo bem, pode ir embora. Foi um engano, desculpe-me. –O policial o encarou com raiva, seus olhos vagaram pelo meu rosto, e depois saiu sem se despedir.
Theo me conduziu até o sofá para que eu contasse tudo para ele.
–Vamos, pode começar. –Disse rígido.
–Eu descobri que sou... Uma Mestra Poteror. –Cuspi. Ele me olhou confuso e riu sem humor.
–O que? Mas... Como... Quem te contou?
–Como assim quem me contou? Você já sabia? Quem te contou? –Logan estava escorado na porta nos observando.
–O Mestre Logan. Você ainda não respondeu minha pergunta, aliais nenhuma delas.
–Eu estava com Mestre Logan na casa de seis colunas, ele me apresentou o pessoal e me mostrou a casa, Jonas o ajudou... –Ele levantou a mão interrompendo-me.
–Jonas é tipo... O segundo mestre?
–Sim... Ou quase isso. Enfim, todos me acolheram muito bem menos uma ruiva... –Fiz careta ao lembrar. -Na verdade... Ela nem falou comigo... Mas lá é muito legal. –Ele refletiu e assentiu.
–Hmm que bom que você gostou.
–Ela precisa ser transferida o mais rápido possível. –Disse Logan atrás de mim, às vezes sua rapidez me incomodava.
–Ta... Tudo bem... Mas como farei para vê-la?
–Para, para tudo! O que esta acontecendo aqui? De onde vocês se conhecem?
–Eu estou atrás de você á muito tempo, quando vim aqui pela primeira vez você era muito nova, e contei tudo a seu irmão para que ele me deixa-se leva-la para morar na casa. Pedi a ele que me avisasse quando fizesse 17 anos. Ele me ligou, e vim te buscar. –Fiz uma careta para meu irmão e ele fez cara de anjo pra mim, eu me derretia com aquela carinha, já tinha ate esquecido o porquê eu estava com raiva dele. Sacudi a cabeça para clarear a memoria.
–Então Logan? Como faremos para eu vê-la?
–Uai, é só ir lá, fica um pouco longe, mas dá para ir de carro. –Respondi, Logan riu.
–Não, não é bem assim Ji. Ele não é nenhum mestre e nem escolhido. Ele não conseguirá entra na casa, muito menos vê-la. A casa é coberta por um campo, tipo escudo, que a protege da vista de humanos. –Me explicou Logan. Fiquei pensativa por um minuto. Não conseguiria separar-me de meu irmão. Vou ficar louca. Não posso deixar meu irmão com minha avó. E se um dia ela tentar matar ele? Do jeito que ela é não duvido nada.
Theo colocou a mão em meus ombros para que eu relaxasse e olhou nos meus olhos.
–Vamos dar um jeito. Não vou te deixar nunca. Eu prometo. –Ele me abraçou forte como se fosse um abraço de despedida. Prendi-o nos meus para não deixar que ele saísse.
–O problema não é esse Theo, não percebe que não vamos mais morar juntos. Não vamos nos ver todo dia. Não precisa ser assim. Eu não vou sair dessa casa. –Theo me empurrou para ver meu rosto. Meus olhos se encheram de lagrimas sem que eu deixasse, começaram a escorrer em meu rosto. Ele começou a seca-las. Segurei a mão dele, a beijei duas vezes e escondi meu rosto em seu peito, era como deitar em um travesseiro. Como eu o amava.
–Me desculpe... Mas, você não pode mais ficar aqui, é perigoso para sua família, amigos e vizinhos. Você pode acabar... Matando alguém. Você também pode se matar se não aprender controlar seus dons. -Disse-me Logan devagar e calmo para que eu digerisse suas palavras.
Afastei-me rapidamente de Theo, com medo de machuca-lo. Olhei para Logan e perguntei.
–Quando vamos?
–Quando quiser.
–O que eu preciso levar?
–Suas coisas. Acho que só isso. Leve o que você levaria para uma casa nova, lá agora será sua casa.
–Me espere, vou arrumar minhas coisas.
–Mas... O que? Esta brincando? Não posso deixar que você vá assim de repente. Sabe o susto que levei pensando que estivesse... Morta? Não vou aguenta te perder duas vezes no mesmo dia. –Protestou Theo me puxando e me prendendo em seus braços como uma jaula de um animal fugitivo. Tentei sair. Fracassei.
–Tudo bem. Amanhã? –Perguntei. Logan assentiu.
–Não. –Protestou Theo. –No dia que pegarmos sua transferência.
–Combinado. –Confirmei.
–Então arrume suas coisas que quando pegarmos sua transferência te buscarei, para leva-la para sua casa. –Alertou Logan. Percebi Theo fazendo careta para Logan.
–Tudo bem Mestre Logan. –Disse Theo colocando se em minha frente como um escudo. –Agora pode ir embora.
–Já estou de saída, mas antes... –Olhei para Logan com curiosidade e percebi-o á minha frente com os braços esticados para um abraço entre mim e ele. Empurrei Theo abraçando Logan, ele se afastou um passo comigo em seus braços.
–Te buscarei a noite. Para um passeio noturno. –Sussurrou Logan em meu ouvido. Sua voz estava tão baixa que Theo não conseguiu ouvir. Eu assenti.
–Tchau Ji, até amanhã na escola. –Despediu Logan em voz alta fitando Theo com sorriso malicioso. Ele se afastou e saiu. Theo fazia cara feia para ele.
–Tchau... –Me despedi tarde de mais, ele já havia saído.
–Toc... –Ouvi uma pedra bater em minha janela. Eu tinha dormido, meus olhos lutavam para continuar abertos.
–Licença. –Aquela voz fez meus olhos se arregalarem. O som vinha da porta. Era uma vós suave que acariciava meus ouvidos. Não era de Theo.
–Posso?-Perguntou Jonas sentando em minha cama. Como ele entrou aqui? Pela Janela que não foi.
–Claro, claro. –Respondi sentando-me na cama.
–Desculpe, te assustei?-Disse ele avaliando meus olhos arregalados.
–Um pouco. –Confessei. –Como fez isso?
–Sua avó deixou a porta destrancada então entrei. Taquei uma pedra para você abrir a janela, mas você não ouviu. Algum problema?
–Não, nenhum. Mas se meu irmão te pega aqui nem sei o que ele é capaz de fazer. –Avisei. Ele riu tranquilizando-me.
–Seu irmão dorme mais profundo que um urso. –Zombou ele.
–Como você sabe?
–Coisa de bruxo. –Fiz cara feia pra ele.
–Aqui não, tá bem?
–Está. Desculpe-me
–Tudo bem. Então aonde vamos?
–Logan não pode vir então me mandou para te avisar. Bom... recado dado. Tchau. –Ele se levantou.
–Não –gritei me levantando na velocidade da luz e segurando sua mão o fazendo sentar novamente.
–Shhh... Vai acorda-los. –Sussurrou ele.
–Desculpa. –Sussurrei. –Fica, por favor.
–Você precisa dormir.
–Você também.
–Não é bem assim, os mestres não sentem sono, mas dormem de vez em quando. A última vez que descansei foi á uns meses atrás, eu acho. –Ele riu.
–Nossa faz tempo mesmo. –Bocejei. Ele riu.
Se encostou à cabeceira dos pés da cama me levando ao encontro de seu peito. Quentinho e confortável para uma noite fria. Tremi de frio, ele percebeu. Pegou a coberta me cobrindo. Tão aconchegante aqueles braços, parecia que ele era feito de travesseiros.
–Agora pode dormir.
–Não quero. –Protestei.
–Posso ver que esta cansada agora durma.
–Ordenou. -Não se preocupe comigo.
Ele começou a cantar para eu dormir. Ele conseguiu.
Sonhei. Estávamos eu e Jonas na minha casinha de madeira sentados no chão conversando, na mesma posição em que estávamos na cama. Ele se levantou me colocando de modo confortável no chão, beijou minha testa e saiu.
–Toc Toc-Escutei a voz de Theo. Me sentei na cama. Jonas tinha partido. Não era um sonho era real. Ele realmente tinha ido. Senti uma opressão no peito, fiquei totalmente sufocada. Lembrei-me do rosto de Jonas. Voltei a respirar.
–Já esta pronta? Precisa ir a escola maninha.
–Ah... sim, já estou indo.
Preciso pegar minha transferência.
Procurei por Logan em todos os lugares na escola, sem nenhum sucesso. Fui para sala com esperança que ele chegasse.
A aula estava normal e sem vida. Todos brincando e se divertindo. Professor nervoso pedindo silencio, todos o ignoravam. Eu só conseguia pensar no Jonas e no Logan.
A porta se abriu, meus olhos se alarmaram.
–Srta. Swan? –Disse a coordenadora.
–Aqui. -Me levantei.
–Pegue seu material. Sua transferência já foi feita.
–Ah, sim. Obrigada.
Todos pararam e me olharam arrumar meu material em uma rapidez humana. Ao sair, todos se despediram e me abraçaram, algumas meninas até choraram. Estranho. Ninguém prestava atenção em mim em todos os anos, agora me idolatravam.
Quando cheguei na sala da coordenadora vi Theo sentado como Jonas. Ele nunca tinha se sentado assim. Se levantou em um segundo ao me ver, agradecendo a coordenadora e me guiando para fora da sala.
–Theo?
–Não. –Ele sorriu, eu reconheceria esse sorriso em qualquer lugar mesmo tendo visto tão pouco. –Jonas.
–Sabia.
No estacionamento estava Logan encostado em sua Trailblazer. Jonas abriu a porta de trás e entrou comigo. Olhei Logan entrar. Senti meu braço que estava encostado no de Jonas formigar. Olhei para ele, ele estava com sua própria aparência.
–O que esta acontecendo? –Perguntei.
–Só seu responsável pode fazer sua transferência. Tinha que ver Logan como sua avó, foi hilário. -Ele riu, Logan fez cara feia pra ele.
–No estado de espirito de meu irmão ontem, nem quero imaginar a reação dele quando souber que vou partir hoje.
–Na verdade Ji... Foi ele que pediu para eu vir buscar sua transferência, ele disse que não teria tempo hoje. E que ele já arrumou todas as suas coisas em caixas. Não se preocupe seu quarto de Mestre já está pronto com suas coisas. –Disse-me Logan delicado e ansioso. Eu fiquei paralisada, totalmente imóvel. Impressionada pela atitude tomada pelo Theo. A reação que ele teve ontem não pareceu que ele queria que eu me mudasse, agora ele me “expulsa” de casa?
–Calma, calma Ji... Relaxe vai ficar tudo bem! –Acalmou-me Jonas. Suas palavras não ajudaram muito. Ele me puxou e deitei em seu ombro, percebi um olhar raivoso de Logan pelo retrovisor.
Chegamos à casa de seis colunas. Logan e Jonas me acompanharam ansiosos para meu quarto.
Estava tudo perfeito. Meu quarto era com paredes de gelo. Big cama de casal com lençóis e travesseiros grandes brancos. Janela cobrindo uma parede inteira com vista para as arvores, um cenário lindo. Também havia duas portas como o quarto feminino, meu próprio closet, ótimo, tudo estava perfeito. Umas caixas ocupavam o espaço do lado da porta, minhas mudanças.
Olhei para eles totalmente agradecida.
Logan olhou para Jonas como se tivesse o lembrado de algo.
–Se me derem licença. –Disse Jonas apressado e saiu.
–Posso te ajudar se quiser. –Me ofereceu Logan.
–Claro, adoraria. –Ele sorriu pra mim entrando no quarto, contribui o sorriso. Realmente eu estava feliz por ele me ajudar, não só para amenizar o trabalho, mas por que sua companhia me faz bem. Ele sorriu maliciosamente pra mim como se tivesse sabendo o que eu estava pensando, isso me irritou, fiz cara feia.
–Onde coloco essa caixa? –Me perguntou.
–Pode por dentro daquela porta eu arrumo lá dentro.
–Ok.
Eu estava chateada com meu irmão pela reação que ele teve quase me expulsar de casa, colocando-me em mão de estranhos, não que Logan e Jonas eram estranhos pra mim, mas ele mal os conhecia. Fiquei pensativa com uma caixa pesada nas mãos, à caixa me venceu fazendo me cair em cima dela. Logan soltou a caixa de suas mãos e correu para me ajudar.
–Você esta bem? –Ele me perguntou, ajudando-me a levantar.
–Sim, obrigada.
Nos olhamos por um momento. Olhos fixos um no outro, não sei se deveria, acabamos de nos conhecer, e afinal, eu estava com o “espirito” de sua irmã em meu corpo. Ele pareceu não ligar para isso e queria tanto quanto eu, nossos rostos se aproximaram, ele me olhou como se estivesse me pedindo permissão e eu me aproximei mais dele e enfim nossos lábios se encontraram. Não imaginei como seria quando isso acontecesse, mas foi mais do que eu poderia imaginar, ele me beijava com doçura imaginei até que aquele beijo era uma demonstração de algo mais do que um simples beijo.
Quando nosso beijo se aprofundava mais ouvi alguém bater a porta, ele se afastou com rapidez com um sorriso satisfeito, mas com expressão de incomodo. Olhei para a porta e Jonas estava lá com um olhar assustado, um pouco decepcionado, olhou pra mim por um momento e saiu.
–Me desculpe, eu... –O interrompi com meus dedos em seus lábios.
–Não foi culpa sua, eu também quis. –Um sorriso imenso se alastrou em seu rosto. Sua mão rapidamente me puxou pela nuca para outro beijo, esse foi um pouco mais intenso, só que o interrompi para avisar que tínhamos muitas coisas pra fazer.
Logan me deu um sorriso torto e disse – Mais tarde então.
Continuamos a esvaziar as caixas, o que era pra ser uma coisa chata e maçante de se fazer acabou se tornando algo especial, principalmente para mim.
Fale com o autor