Meu Melhor Amigo

12 Eu simplesmente não sei


Notas iniciais
Helloooo *0* Sei que faz muito muito muito tempo que não posto e minhas desculpas nunca serão suficientes, mas tentarei explicar um pouco. Na verdade só há uma razão: Estudos. Vocês não tem noção de como a minha escola exige de mim e não estava tendo tempo para nada (parei até de ler... Pode isso? kk). Mas está aqui o capítulo novo, após quase um mês, e não saiu muito do jeito que eu queria, mas julgamentos depois... Espero que gostem.

Meus olhos se recusam a abrir e meu corpo reluta em se mexer. Não quero levantar da cama, mas sei que preciso. A possibilidade da morte do Lucas me assustava e se Dale realmente encontrasse uma prova concreta, Eduardo estava prestes a enfrentar uma onda de dor e sofrimento. E eu estava muito nervoso por essa situação.

Após a crise inicial de apreensão, levanto da cama e vou tomar banho. Meus pensamentos parecem pequenos insetos passeando pela minha cabeça, fazendo com que eu ficasse um pouco louco. Após me arrumar, vejo que ninguém está em casa.

Tenho que ver Dale, então pego a minha chave e tranco a casa. O tempo está claro e limpo, sem uma nuvem no céu. Passam das nove horas, mas o tráfego não está intenso e poucas pessoas andam pelas calçadas. Não demora muito e chego na casa de Dale. Pulo a pequena cerca branca e ando para o lado esquerdo da casa, onde, no segundo andar, fica o quarto do Dale.

Jogo uma pequena pedra da janela e percebo o quão idiota aquilo parece. Eu não sou nenhum príncipe que anseia por salvar sua princesa ao chamá-la pela janela do quarto. Dale aparece depois da segunda pedra e ri da situação. Ele faz sinal para eu esperar e sento ali, na grama. Quando ele chega, senta ao meu lado.

–Por que você não quer subir?-ele pergunta e acho que ele não sabe quem sua irmã é.

–Longa história. Basta saber que não pode conversar comigo na frente dos seus pais e, principalmente, da sua irmã. –digo. Ele parece confuso, mas concorda com a cabeça. –Encontrou algo?

–Nada. Além de que o próximo nome, depois do Lucas, é o do Klaus Silva. Pesquisei sobre ele e descobrir que ele é um detetive. –ele fala. –Todos os nomes riscados até agora, ou eram da polícia, ou criminosos. Ou seja...

–Ele elimina todos os policiais que o descobrem e todos os criminosos que fazem alguma besteira ou podem contar algo. Logo, Lucas deve ter descoberto algo sobre esse segredo do pai e sofreu as consequências. –digo. Dale concorda, mas não parece prestar tanta atenção na conversa. Seus olhos são fixos em mim e sua boca se torce levemente uma vez ou outra.

–Luke... –ele começa. –Eu sei que você está com o Eduardo e que o escolheu por algum motivo forte. Mas não posso deixá-lo se afastar sem ao menos tentar conquistá-lo. Não posso. É como se eu não me importasse em perdê-lo e essa não é a verdade. Eu te amo. Não é um amor daqueles passageiros que na verdade não é amor, já que o amor é algo eterno, mas um amor verdadeiro. Eu não consigo explicar como isso realmente nasceu, mas posso dizer cresceu e continua crescendo a cada vez que te conheço melhor. Eu não preciso que você esteja comigo, basta você estar feliz.

“Mas saiba que não há ninguém com maior desejo de fazê-lo feliz do que eu.”

Suas palavras ecoam em meus ouvidos e parecem se instalar em meu coração. Ele não estava jogando palavras aleatórias, seus sentimentos haviam sido transmitidos para mim através delas. Eu realmente não sei o que falar ou como descrever o que senti com ele falando tudo aquilo, mas (você pode me julgar a vida toda por isso e mesmo assim tenho certeza que não me arrependerei, afinal, quando alguém se declarar para você desse jeito, você pode dizer algo) sinto que não há mais nada que eu possa fazer a não ser beijá-lo.

Seus lábios são quentes e suas mãos são suaves ao passarem pela minha nuca. Me sinto leve ao beijá-lo, como se todos os problemas que assolavam a minha mente alguns momentos antes tivessem sumido. Não me afasto, pelo contrário, a sensação de querer continuar permanece mesmo depois dele se afastar, mas não o suficiente para que eu olhe diretamente nos olhos dele. Seu olhar é intenso e sua respiração forte.

Sua expressão de felicidade é implacável, como se ele tivesse realizado seu maior desejo. Seu sorriso se segue e sua mão passa pelo meu pescoço causando arrepios.

–Acho que você entendeu o quanto eu realmente gosto de você. –ele fala.

–Eu não posso fazer isso. Eu estou com o Eduardo. E sei que o amo. –digo.

–Você pode. Só acha que não deve. –ele fala e parece um pouco irritado. –Não me importo em ser apenas seu amigo, não me importo mesmo. Mas acho que não é isso o que você realmente quer.

Ele levanta e me dá a mão para me ajudar.

–Eu simplesmente não sei. Não posso escolher entre vocês dois. –tento dizer e a minha voz já se enche de uma confusão de sentimentos. –Não consigo. Você não tem ideia.

–Luke, não se trata de escolher. Você sabe muito bem que não pode escolher, mas vai ficar com aquele que tem a certeza que realmente lhe ama. –ele fala e pega minha mão, colocando-a no seu peito. Seu coração bate rápido e forte. –Eu nunca tive alguém para amar. Eu nunca me apaixonei por ninguém. Sempre achei que fosse um sem coração e que eu não tivesse sentimentos, esperando que a vida acabasse o mais rápido possível para mim. Mas depois que comecei a criar esse sentimento de proteção e cuidado com você, sem nem mesmo conhecê-lo, eu sei que eu realmente o amo. É só sentir meu coração e ver como ele bate forte quando estou com você, somente com você.

–Eu não duvido dos seus sentimentos por mim, Dale. Agora, mais do que nunca sei o que você sente. –digo. Lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto sem nenhum motivo real, eu só tinha que soltar toda aquela carga de dúvida e confusão para fora. –E não nego que sinto algo realmente muito forte por você. Algo tão forte que conseguiu impedir de ficar de imediato com a pessoa que sempre esteve ao meu lado. É como se eu não precisasse conhecê-lo para saber que você sempre estará aqui, comigo. Mas eu não posso ignorar todo o sentimento que construí nos últimos dias com o Eduardo e por tudo o que passamos juntos.

–Me desculpa. –ele fala e parece que uma tristeza profunda o atinge de repente. –Eu não deveria ter falado nada do que falei. Só estou atrapalhando o que já está definido. Eu preciso ficar sozinho, mas saiba que sempre estarei com você. Até logo, Luke.

Ele não me dá a chance de falar mais alguma coisa e simplesmente entra na casa sem dizer mais nenhuma palavra. Ando um pouco desolado até a calçada e passo a caminhar sem um real lugar para ir. Só precisava de um tempo para pensar, embora era isso que eu fazia a maior parte do tempo.

O clima estava frio, o vento soprava congelante obrigando minhas mãos a ficarem nos bolsos da calça. Dale havia demonstrado seus sentimentos de uma forma tão livre e profunda, mas só agora, pensando no que acabara de acontecer, percebo o quão corajoso ele realmente foi para falar tudo aquilo. Mesmo eu podendo achar o sentimento que ele criara por mim ser insano, pelo fato de ter nascido a partir de meses de observação.

Parece que todos ao meu redor resolveram me observar. Eu sempre tentei passar o máximo despercebido, ficando nos cantos das festas e me afastado ao máximo. Mas parece que isso só chamou mais atenção.

Tudo resolvera acontecer em tão pouco tempo que parecia que uma avalanche me atingira e só estava me levando cada vez mais para baixo, e uma hora eu me espatifaria no chão. Há algum tempo atrás eu nunca imaginara gostar de alguém, muito menos em se tratar de um menino, nunca pensara em beijar um desconhecido e criar um sentimento tão forte em tão pouco contato que parecia uma ideia absurda. E, com certeza, não me imaginaria pensando em tantos aspectos na minha vida que poderiam alterar tanto minha ideia de futuro.

Antes de tudo isso, eu me pensava adulto, tendo um bom emprego, com uma mulher ao meu lado para me beijar quando chegasse em casa, um filho para eu amar mais do que tudo e todas esses ideais de futuro perfeito que implantam em nossa mente. Mas esse futuro era absolutamente impossível e sem sentido para mim agora.

A parte do bom emprego continuava como qualquer ser humano quer, porém o resto... Agora, me imaginar com uma mulher parecia fora de cogitação e tenho certeza de que nunca realmente senti atração pelo sexo oposto, só não queria aceitar. Porque não importa o quanto a sociedade se declara liberal e a favor dos oprimidos, ela continua excluindo e tentando barrar o crescimento dessa classe. E os filhos? Qualquer ideia de ter filhos, agora, soava bizarra demais.

Era isso o que eu realmente queria? Passar o resto da minha vida sendo olhado de cara feia pela maioria, enfrentar cada preconceito idiota na escola e no trabalho posteriormente, não ter um filho para amar e chamá-lo de seu? Eu realmente queria tudo aquilo?

Porque tudo era tão complicado para pessoas como eu. Como se a vida estivesse realmente me mostrando que tudo isso era errado e se eu realmente quisesse aquilo, passaria a vida sofrendo por ter feito a escolha certa. O único problema para essa teoria: Nunca fora uma escolha. Quando eu nasci, o médico não me mostrou duas plaquinhas dizendo “heterossexual” ou “homossexual”. Eu nasci desse jeito e não escolhi nada, porque assim como havia nascido de olhos castanhos, da mesma forma, havia nascido homossexual.

Mas mesmo com todas essas dificuldades, sei que se for para passar o resto da minha vida ao lado da pessoa que eu amo, não me importo em ser o que sou. E qualquer história de inferno e céu soava para mim vaga e sem razão. Se Deus realmente me criou, por que me criar homossexual? Sei que essa pergunta, leva a um mundo de discussões e outras perguntas, mas era isso que vinha à minha mente quando pensava em todo esse mundo de religião, embora eu não tenha uma religião definida. Já era tudo tão complicado, pensar muito nisso me faria ficar louco.

Percebo que já estou longe o suficiente e que, hipoteticamente, estou perdido. Meu celular vibra em meu bolso e não se realmente quero falar com alguém, embora falar com alguém, quando se está perdido, seja uma boa solução. Decido atender e vejo que é o Eduardo.

–Alô?-digo ao atender e resposta demora um pouco.

–Filho? –pergunta e logo percebo que é o meu pai. Meu coração passa de calmo e pensativo para rápido e nervoso. Por que meu pai estaria com o celular do Eduardo?

–O que aconteceu?-pergunto automaticamente.

–Eu sinto muito, Eduardo precisa de você agora. Ele não consegue falar, por isso tive que ligar... –ele enrola, mas não quer falar o que aconteceu.

–Pai, o que aconteceu?!-pergunto, praticamente gritando.

–Lucas está morto.

Notas finais
'0' Como assim? k Desculpem pelos erros que devem existir, mas não consegui revisar,então podem falar. Tentarei postar o próximo o mais rápido que conseguir, mas não garanto que será tão rápido como postava antes...Provavelmente no final de semana...Opiniões? Espero que não tenham esquecido da fic e desculpem mais uma vez :'(