Meu Melhor Amigo

7 Eu devo estar louco


Notas iniciais
Cheguei, com mais um capítulo *-----* Eeeeh! k Novidades, personagens novos e uma surpresinha para os Duke shippers huehuehue Espero que gostem e não queiram me matar no final. k

Meu dia começa bem agitado. Depois de levantar e tomar café, eu tenho que levar Lilly até a casa de uma amiga e não acho que seja uma boa forma de começar o dia. Não que eu tenha tanta preguiça de andar, mas não estava muito afim disso hoje.

–Você tem mesmo que ir?-pergunto para Lilly quando estamos para sair.

–Claro. É uma reunião importante. –ela fala como se fosse uma empresária e estivesse indo comprar algumas empresas falidas. –E eu não perderia uma chance de ir para a casa da Celeste. Só para ver o irmão gato dela.

–Você não acha que é muito nova pra isso não?-pergunto. Quando eu tinha doze anos, acho que ainda brincava de esconde-esconde com os meus amigos na escola.

–Tempos novos, irmãozinho. –ela diz sorrindo. –Você está ficando idoso.

–Claro. –falo.

Andamos por alguns quarteirões até chegar na casa da tal Celeste. Na frente da casa há uma cerca branca média, acho que só para delimitar os limites, porque qualquer um poderia pular aquilo. Lilly dá um tchau com a mão e abre o portão para entrar. Ela anda até a porta e toca a campainha. Quando alguém abre a porta para ela e vejo que ela já está bem, eu me viro para fazer o caminho de volta.

–Ei!-alguém chama por mim. Eu viro e me deparo com um garoto alto. –Luke, certo?

Ele era alto, deveria ter uns dezesseis anos. Seu cabelo era castanho-escuro e liso, formava um topete inclinado para a esquerda. Seus olhos azuis eram muito claros e se destacavam na sua pele branca. Seu corpo era magro e atlético. Ele usava uma camisa branca um pouco colada, que definia bem seus músculos do braço, e uma bermuda jeans com tênis preto.

–Certo. –respondo meio envergonhado por não reconhecê-lo.

–Ah. Me desculpe. Você não deve se lembrar. –ele fala esboçando um sorriso. –Sou Dale, mas também pode me chamar de Two. Sou amigo do Lucas e já te vi com o irmão dele, Eduardo.

–Ah, sim. Acho que lembro de você vagamente. –digo, mas fiquei intrigado com uma coisa que ele disse. –Por que te chamar de Two?

–Porque eu tenho esses dois lindos olhos azuis. –ele responde apontando para os seus olhos e sorrindo. Eu sorrio, aquilo era engraçado, mas meio convencido. –Brincadeira, ninguém me chama de Two. Está indo pra algum lugar?

–Sim, estou voltando pra casa. –respondo. O que aquele garoto, amigo do Lucas, queria comigo?

–Posso te acompanhar? –ele pergunta. -Nunca falei com você direito.

–Claro. –respondo e volto a caminhar. Ele vem do meu lado.

–Nunca mais te vi em uma festa. Você e o Eduardo não apareceram mais. –ele fala e me sinto um pouco apreensivo; ele pergunta demais.

–Nós temos passado por algumas situações. –digo.

–Lucas falou. Sobre o irmão dele. –ele comenta. Então, Lucas já tinha espalhado.

–É. –falo somente isso e continuo olhando para frente. Então esse era o irmão que a Lilly havia comentado. Ele era realmente bonito. Mas era estranho como chegara para falar comigo.

–Sabe, eu não acho que isso seja algo errado. O Lucas tem estado muito frustrado com tudo isso e não acho que ele esteja muito bem. –ele continua. –Ele pretende fazer algo. E não é algo bom.

–O quê?-pergunto, parando de andar repentinamente. O vento bate mais forte e algumas folhas passam voando do meu lado.

–Ele vai tentar mudar o irmão. –ele responde meio assustado com a ideia.

–Como? Como ele faria isso?-pergunto e imagino as opções. Nenhuma delas era boa.

–Eu não sei. –ele responde e olho para ele frustrado. Ele vem falar comigo para dizer que não sabia. Seus olhos azuis me fitavam de uma forma estranha, como se quisesse olhar para dentro de mim.

–O que você realmente quer?-pergunto. Já estava ficando irritado com tudo aquilo.

–Poderíamos conversar em outro lugar?-ele pergunta. –Tem um parque logo ali. Vamos.

Ele anda na minha frente. Ou era ir e descobrir alguma coisa, ou ficar e me matar de curiosidade depois. Mas antes mesmo de decidir, meus pés já o estavam acompanhando. Sigo-o até o parque e ele senta na grama embaixo de uma árvore, onde não tem ninguém por perto. Sento na frente dele e espero ele começar a falar.

–Não queria que parecesse estranho, mas eu tinha que falar com você. –ele fala e assinto com a cabeça para dizer que estava tudo bem (não que não fosse estranho, mas a minha curiosidade era grande). –Eu conheço o Lucas há bastante tempo. E como consequência, conheci o Eduardo também. Não quero que eles briguem desse jeito.

–Ok. Mas você sabe o que o Lucas pretende fazer?-pergunto. O vento continua soprando forte e o tempo começa a fechar, espero que não chova.

–Como eu disse, eu não sei. Mas eu gosto bastante do Eduardo também. Não quero que ele sofra por um motivo tão fútil como esse. –ele responde. –Então, se puder, fale para ele que o Lucas volta pra casa essa noite. Diga para ele tomar cuidado. Lucas não aceitará o que o irmão dele é tão facilmente.

–Tudo bem. Eu direi. –falo e ele sorri.

–Obrigado. Foi bom finalmente te conhecer. –ele diz e sorri.

–De nada. Mas por que foi bom me conhecer?-pergunto. Se é que ele me conhece... Não falei nada sobre mim.

–Eu te observava de longe, Luke. Mas você parecia distante, um pouco quieto. –ele responde e me sinto constrangido. Como assim me observava? Aquele garoto era estranho.

–Claro. Eu sou assim mesmo. –falo e levanto. –Mas agora eu tenho que ir. Parece que vai chover.

Ele levanta a mão para que eu o puxe e eu seguro-a. E o modo como eu explicaria meu dia para Eduardo ficava cada vez melhor. Conheci um garoto forte e bonito, conversei com ele debaixo de uma árvore e segurei sua mão. Não sei se ele gostaria muito daquilo, mas quem se importa? Eu não fiz nada demais. E mesmo assim, eu ainda não tinha nada com Eduardo, por que ficar pensando nessas coisas? Meu Deus, como eu sou confuso.

–É. –ele diz e sinto alguns pingos me atingirem. A chuva cai forte rapidamente.

–Vamos! –eu praticamente grito para Dale e corremos na direção da minha casa. Não liguei muito para o fato de ele estar me seguindo, eu só não queria me molhar, o que não aconteceria.

Eu corro o mais rápido que posso, mas confesso que esse não é o meu forte. Em certo momento, piso em uma poça e o lado direito do meu tênis fica no meio do caminho. Como eu já estou um pouco adiantado, espero um pouco para ver se Dale pega o tênis para mim. Mas quando viro ele está sentado no chão da calçada com as mãos em volta dos joelhos rindo histericamente. Eu não acredito que ele estava fazendo isso.

–Idiota. –falo pegando o meu tênis e calçando-o novamente. Ele continua no chão e demora a parar de rir.

–Desculpa. Não aguentei. –ele diz e levanta sorrindo. Ele anda até uma loja logo na nossa frente. –Vamos ficar aqui.

Nós dois ficamos debaixo da fachada da loja. Ele ainda sorri um pouco pelo o que aconteceu.

–Você é muito engraçado. –falo ironicamente.

–Sou mesmo. –ele responde. Eu estava a só mais três quarteirões da minha casa, mas a chuva ainda estava forte demais. Nem sei se faria diferença, já estávamos encharcados mesmo.

–Você é muito bonito. –ele diz, mas acho que não era para eu ouvir. Decido ficar calado, como se realmente não tivesse ouvido.

–Minha casa é bem perto daqui. Acho que já posso ir. –digo e vou andando. –Tchau.

Eu ando um pouco rápido demais e a chuva ainda não cessou. Eu espero que ele não esteja mais me seguindo. Eu sei que ele ainda está, quando sinto uma mão segurando meu braço. Ele me puxa e faz algo estranhamente loucamente espetacularmente repentinamente e sei lá mais quantos “mentes... Ele me beija.

Seus lábios são forçados aos meus e estão molhados e doces. Não tenho uma primeira reação e deixo o beijo se prolongar por alguns instantes, até lembrar que ele era um completo desconhecido. Eu empurro o peito dele para afastá-lo. Mas a sensação de tocá-lo era quente, como se uma chama tivesse se acendido dentro de mim, ironicamente na chuva. Ele finalmente se afasta e seus olhos azuis me causam um arrepio.

–Me desculpe. –ele fala. –Eu devo estar louco.

Ele vira e sai correndo. Confesso que fiquei pelo menos mais um minuto parado na chuva até andar para a minha casa novamente. Eu ando vagarosamente, ainda tentando entender o que acabara de acontecer. Eu conheci Dale. Nós conversamos. Ele me beija. Tudo nele era louco e a única coisa que eu realmente conhecia nele, era que ele era bonito.

Minha cabeça era um furacão de tão bagunçado. Muitas coisas aconteceram em tão pouco tempo. Eu descobri que Lucas realmente não estava bem com tudo isso, conheci um amigo dele, perdi um lado do sapato na chuva e beijei, mesmo que involuntariamente, pela primeira vez. Tudo isso tinha um nome. Dale... Nem o sobrenome dele eu sabia.

Chego na frente de casa. Tiro o tênis e as meias antes de entrar.

Subo a escada e vou para o meu quarto. Por algum motivo incerto, tranco a porta. Retiro o casaco encharcado e a minha camisa também. Pego uma toalha e me enxugo parcialmente. Meu celular está em cima da cama, vejo que Eduardo me mandou uma mensagem:

”Minha mãe me ouviu, com ela está tudo bem agora. Meu pai não está falando comigo. Lucas ainda não apareceu em casa desde a noite que eu contei, estou preocupado com ele. Podemos nos ver hoje?”

Começo a digitar uma resposta e me sinto culpado ao escrever para ele, como se tivesse acabado de traí-lo. Eu não tinha feito isso, é claro, já que nós não tínhamos nada ainda e não fui eu quem beijou Dale. Mas eu sei que aquilo não fora algo comum. Dale mexeu comigo. Não era um sentimento tão forte quanto o que eu sentia pelo Eduardo, mas igualmente perigoso.

“Claro que podemos. Nos encontramos na base daqui a uma hora.“, respondo e vou tomar banho.

Debaixo do chuveiro, os sentimentos confusos voltam. Eu tinha que organizar melhor, tinha que saber o que eu realmente estava sentindo. Primeiro, saber o que eu sentia por Eduardo e o que eu queria com ele. Depois, preciso saber o que diabos aconteceu naquela chuva.

Ok, Eduardo. Ontem, eu definitivamente fizera algo um pouco ruim ao fechar a porta na cara dele. Mas eu não queria beijá-lo ainda, parecia que se o beijasse, estaria assumindo algo que nem tinha certeza que queria. Eu poderia gostar dele. Não. Eu gostava dele. Não havia mais dúvidas quanto a isso. O único problema era que eu estava a um passo de me apaixonar e isso me assustava.

Agora, Dale. Eu o conhecera há pouco menos de uma hora e ele me beijara. Por acaso, o meu primeiro beijo, o que era estranho, pois fora com um quase completo desconhecido. Eu nunca pensei que a nossa conversa poderia acabar nisso, mas quando aconteceu, eu hesitei em parar. Ainda não sabia muito o motivo, mas eu não tinha muito uma razão para hesitar em recusar o beijo dele, somente um pequeno detalhe. Um detalhe meio obscuro para mim. Eu o achava... Quente. Sim, era essa a palavra. Se há um motivo para eu não ter recusado imediatamente aquele beijo foi o fato da sensação de loucura que Dale me proporcionou, uma atração, mais física do que emocional.

Saio do banheiro e visto uma camisa verde com uma bermuda branca. Um dos meus tênis estava molhado, então pego outro e calço-o. Fico sentado na beira da cama, esperando alguns minutos para sair. Eu ainda não sabia o que Eduardo queria, mas acho que terei que contar sobre o beijo para ele. Não sei se ele ficará chateado se eu contar, mas quebraria a confiança entre nós se não o fizer.

–Filho?-pergunta a minha mãe batendo na porta.

–Oi?-pergunto.

–Está tudo bem?

–Claro. Por quê?-abro a porta e ela me olha com um rosto preocupado. Mães sentem essas coisas, é incrível.

–Você demorou para voltar e chegou sem avisar.

–Desculpa, eu esqueci. Eu passei em uma loja para ver uma coisa, mas não achei. Esperei a chuva parar um pouco. –falo e ela não parece nem um pouco convencida.

–Tudo bem. Vai sair?-ela pergunta.

–Vou. –respondo e ela só assente. Acho que ela desiste de ter uma resposta.

–Volte antes do almoço.

–Claro. –eu digo e ela vai embora.

Volto para a cama para pegar o celular e vejo que Eduardo mandou outra mensagem.

“Luke, não vá. Meu pai me trancou no quarto e acho que ele está brigando com a minha mãe. Quando tudo se resolver, eu te mando outra mensagem. Mas não venha aqui. De forma alguma. Até logo.”

Uma sensação de adrenalina e medo chega em mim e, com aquela mensagem, eu só tinha uma certeza. É claro que eu não iria obedecê-lo.

Notas finais
O que acharam? Dale será apresentado melhor nos próximos capítulos e espero que gostem dele e fiquem atentos na irmã dele, só um spoiler para animar k A irmã dele é importante. Pronto, falei demais. k O que será que esse Luke vai fazer? Brigas? Confusões? Sangue? Sexta, no Globo Repórter kkkk Mentira, pode nem sair amanhã, mas quem sabe. Amanha tem jogo da Alemanha