Meu Melhor Amigo

2 E se eu gostasse de você?


Notas iniciais
Está aí o capítulo como prometido e espero ansiosamente por comentários. kk Sei que vocês leem... Custa escrever uma palavrinha para um autor se encorajar? kk Tanto faz, o capítulo está aí para todos mesmo. Boa leitura :)

Eu odeio festas, ainda mais quando elas são às 10:00h da noite. Não sei o que vestir e nem como vai ser. Daqui a meia hora, o Eduardo vai chegar e eu ainda estou aqui, só de toalha, procurando algo bom para vestir. Ainda nem sei onde a festa vai ser, mas sei que o pai do Eduardo vai nos levar. Espero que o meu plano de fuga dê certo.

Disse para os meus pais que trancaria o quarto e passaria a noite estudando. Eles não acharam muito normal, já que eu estava de férias. Logo tive que dizer que era tudo por causa do castigo; e como não tinha mais nada para fazer, ia estudar. Só pais para acreditarem em uma história dessas.

Acabo vestindo uma camisa preta qualquer e uma calça jeans. Depois de calçar um tênis me preparo para descer pela janela. Fico apoiado pelos meus dois pés e fecho a janela sem fazer barulho. Desço mais um pouco e acabo caindo de bunda no chão. Não foi a descida mais confortável, mas eu estava bem.

–Achava que você não vinha. –fala Eduardo quando chego ao carro que está nos fundos da casa.

–Eu disse que vinha. Aqui estou. –falo e entro para sentar no assento de trás.

O Sr. Castellan dirige calado e eu também não me atrevo a falar, ele não parece estar de bom humor. Não demora muito e chegamos a uma casa de dois andares com um muro ao redor. Luzes coloridas brilham do lado de dentro e vejo que a festa não vai ser nem um pouco calma.

–Obrigado. –falo ao sair do carro, mas o pai dele não me responde. Não sei o que ele tinha.

–Me desculpa. –diz Eduardo depois que o carro sai. –Ele não está muito bem.

–Não tem problema. Onde está Victoria? –pergunto. Não era comum ela não estar com ele.

–Ela disse que não estava muito bem e que eu poderia vir sem problema, já que eu estava com você. –ele diz e eu sorrio.

–É claro. Porque eu não vou deixar você fazer nenhuma besteira. –digo e entramos na festa.

Você pode estar se perguntando o que dois garotos tão novos faziam em uma festa tarde da noite. A verdade? Eu e Eduardo nos acostumamos com festas desde os doze anos, tudo graças ao irmão do Eduardo, Lucas, que era o capitão do melhor time de futebol da escola. Lucas fez com que nós conhecêssemos todos os seus amigos e agora éramos bem populares no ensino médio.

Hoje, a festa é do Ian. Ele é o garoto mais alto do segundo ano, com 1,86cm, mas também não liga para os estudos. Nós o conhecemos ano passado, quando vencemos a guerra de neve de inverno. Ele era um cara bem legal.

–O que vamos fazer? –eu pergunto e Eduardo sorri.

–Nada planejado. –ele responde e entramos na festa.

Lá dentro tínhamos uma piscina lotada de garotos e garotas que eu não duvidava nem um pouco de estarem pelados. O interior do primeiro andar da casa podia ser visto de fora através das janelas de vidro enormes que cobriam todas as paredes. Eu podia ver pessoas dançando na sala e até casais se agarrando em cima da mesa na cozinha. Se aquilo era estranho? Não. Já tínhamos indo em festas piores.

A média da idade das pessoas na festa era provavelmente 16 anos. Mas também encontrava poucas garotas do fundamental que deveriam conseguir a entrada pelo tamanho de seus peitos. Garotos só de cueca pulavam na piscina e caiam em cima de muita gente. Luzes coloridas em forma de laser ocupavam todas as áreas. A música era ensurdecedora.

–Vamos entrar. –fala Eduardo. –Eu preciso de uma bebida.

Sim, Eduardo bebia. Eu nunca havia experimentado e recusei todas as vezes que me ofereceram, usando a desculpa de ter um estômago fraco. Porém eu sabia que quando chegasse na festa de início do ano seria obrigado a passar pelo processo de iniciação. Processo que não passava de fazer você beber o máximo de copos que conseguisse um após o outro.

Claro que esse processo era para os garotos do terceiro ano, mas como conhecíamos a todos, nós já éramos praticamente da turma. Eduardo pega um garrafa e começa a beber. Ele não parece estar muito bem. Algo está o incomodando e ele pretende esquecer os problemas se embebedando. Pela Victoria, eu tentaria impedir, mas não iria garantir nada.

A música toca alto e eu sou empurrado pelo amontoado de pessoas dançando. Eduardo vem atrás de mim e pela leitura de lábios ele me fala para irmos para fora. Saímos de dentro da casa e vamos para a área ao lado, onde não tinha muita gente.

–O que aconteceu? –eu pergunto.

–Nada. –ele responde e toma mais um gole.

–A Victoria confia em mim e eu não vou deixar você ficar bêbado. –digo e ele ri alto.

–Tente me impedir. –ele fala e toma mais um bom gole.

Não sei o que ele tem, mas ele não está bem. Como amigo dele tenho que descobrir e se possível ajudá-lo. Acho um lugar em um dos cantos atrás da casa com um banco vazio. Seguro uma das mãos do Eduardo e o levo até lá.

Sentamos lado a lado. Ele continua a beber e finalmente aquela garrafa acaba. Eduardo é um pouco fraco para bebidas e aquilo é o suficiente para deixá-lo tonto e um pouco triste. Sim, Eduardo é um bêbado triste e geralmente descobrimos quando ele está bêbado a partir do momento que ele para de falar.

–Você precisa me contar o que aconteceu. Não importa o que seja. Sabe que eu vou te ajudar. –falo sem olhar para ele e observo um casal cair na grama no lado da casa, mas estão o suficiente longe para não nos notarem.

–Eu não sei. –ele fala e vejo que a sua voz já está realmente embargada com a bebida. –Eu estou cansado.

–Cansado de quê? –pergunto e ele joga a garrafa para longe em sinal de frustração.

–Eu acho... Eu acho que não quero mais namorar a Victoria. –ele diz finalmente. Não sei o que dizer, eles estavam juntos há pouco mais de um ano e pareciam ir muito bem.

–Ela fez alguma coisa? –pergunto.

–Não. Ela não fez nada. Eu só não quero mais. –ele responde e fico um pouco preocupado. O que faria desistir de um relacionamento tão facilmente?

–O que você tem? –pergunto e ele encosta no banco e coloca a cabeça para trás.

–Eu estou confuso. –ele responde e de repente segura a minha mão. –Eu não sei o que fazer.

Ele olha diretamente pra mim agora. Seus olhos parecem estar desesperados, buscando por ajuda. Eu nunca o vi daquele jeito e mesmo sendo seu amigo por quase quatro anos ainda não tinha a mínima ideia do que ele estava passando agora.

–Eu ainda não entendi, Eduardo. –eu falo e ele abaixa a cabeça. Sinto lágrimas caírem sobre as nossas mãos que continuam juntas. –Você tem que me contar antes de pedir ajuda.

–Eu... Eu não sei o que dizer. –ele fala quase sussurrando. –Eu comecei a sentir sentimentos fortes por essa pessoa. Na verdade, eu sempre senti, mas sempre achei que fosse só uma grande amizade.

–Espera. –digo surpreso. –Essa pessoa quem?

–Essa pessoa faz com que eu me sinta seguro. Toda vez que cuida de mim, eu sei que posso confiar nela. –ele não responde, mas continua falando. –Mas ao longo desses últimos dias, eu percebi. Eu finalmente percebi.

–Percebeu o quê?-pergunto um pouco irritado. Ele estava falando, mas não estava explicando nada.

–Eu percebi que gosto muito dela e não quero só continuar sendo amigo. –ele finalmente responde e uma lista de garotas amigas dele passa na minha cabeça, mas percebo. Eduardo não tem amigas garotas, depois de Victoria, Eduardo não é amigo de mais nenhuma garota.

–Você conheceu alguém e não quer me contar? Alguma garota nova? É isso?-pergunto e ele continua de cabeça baixa, espero muito que ele não tenha dormido.

–Luke... E se não fosse uma garota? –ele fala baixo e acho que tentou falar para eu não ouvir, mas eu ouvi.

As palavras se prendem na minha boca e ficam entaladas. Eu não sei o que falar. Eu nunca imaginei que... Eu nunca poderia pensar que o Eduardo era... Ele não poderia ser. Ele passou um ano namorando a Victoria. Eles se beijavam, pareciam muito felizes juntos. Como ele poderia ser gay?

–Eu nunca gostei da Victoria. O Lucas que me apresentou ela e sabia que tinha que pegá-la para provar a ele que eu era um homem, um verdadeiro Castellan, assim como ele e o meu pai. –ele fala meio que rindo das palavras do irmão dele. –E se eu não fosse como eles? Eles nunca nem quiseram saber. Só queriam que eu finalmente fodesse uma menina qualquer. Mas eu nunca... Nunca serei como eles.

Ele levanta a cabeça e olha para frente, mas tenho quase certeza que não está realmente vendo alguma coisa específica. Sua mão agarra a minha fortemente agora e ainda continuo sem reação. Ele realmente me pegou de surpresa, mas sinto que se não falasse algo ele iria pensar que estava discordando com ele.

–Você não é como eles. –eu finalmente falo e ele sorri.

–E você? É como eles, Luke? Poderia pegar qualquer garota que está aí e levá-la para a cama para amanhã ir embora? Usando-as como se fossem um objeto de prazer? –ele pergunta e não respondo. Ele olha para mim. Acho que vê o como estou surpreso e sorri ao abaixar a cabeça novamente. –É claro que você não é.

–Eduardo?-eu pergunto e ele volta sua atenção para mim. Seu rosto é iluminado pela lua e posso ver nitidamente. Ele estava com medo. –Você é gay?

–Eu... Eu acho que sim. –ele fala e vira seu rosto novamente. Não sei se ele está chorando. –Vai me deixar? Vai se afastar de mim como se eu fosse uma aberração?

–Não. –eu digo rapidamente. –É claro que não. Você é meu amigo. Gay ou não.

–Tem certeza? –ele pergunta e levanta. Seu olhar parece meio sombrio antes dele virar e ficar de costas para mim. –E se eu gostasse de você?

Meu coração parece parar por um segundo e volta batendo mais rápido que o normal. Eduardo caminha meio balançando por causa da bebida e não consigo nem me mexer. Não sei o que fazer. Ele era meu amigo, meu melhor amigo. Como poderia gostar de mim? Eu só sou o Luke, idiota e irritante. Eu sou insignificante. Ele não poderia gostar verdadeiramente de mim, deveria ser só uma brincadeira, ou ele estava bêbado demais. Sim, ele nunca poderia gostar de mim. Poderia?

Notas finais
Bem, o que acharam? Só preciso de um encorajamento para o próximo... Please. Até o próximo capítulo de qualquer forma.