Meu Melhor... Amigo... ?
8 O fim
Kevin sentia-se triunfante. “Você vai me agradecer pelo resto da vida.” Concluiu.
A manhã de domingo era chuvosa. Junsu, Kevin e Yunho se encontravam na casa do último citado, conversando para passar o tempo.
O moreno ainda se sentia estranho perto de Kevin, pois, apesar de ter acontecido o que Yunho tinha como demonstração explícita de amor, tinha o feito com uma pessoa que não amava. Mas o loiro era especial, e essa pose de “eu não amo ninguém” era só para proteger-se da dor.
Yunho lamentava silenciosamente por ajudar a armar ainda mais esta forte e quase impenetrável armadura, e o pior de tudo era que nem se lembrava.
- E então Su, já sabe o que vai fazer no feriado? – Perguntou Kevin, preparando uma café para os três na cozinha.
- Ainda não. – Respondeu o menor. – Estava pensando em ficar em casa mesmo, já que a chuva não está com jeito de parar. – Virando-se para o moreno que observava pela janela. – E você Yunho?
- Hã? – Acordou, saindo de seus devaneios.
- Yunho, sai dessa janela cara. – Disse Junsu, com uma voz triste. – Não vai adiantar de nada você ficar encarando a casa do Jae.
- Ele não sai da janela desde que eu cheguei. – Comentou ChangMin, acenando rapidamente para o amigo.
- E eu com isso? – Perguntou Jaejoong, rabugento.
- Oooo, calma aí! – Levantando as mãos. – Foi só um comentário.
- Pois eu não quero ouvir os seus, ChangMin. – Seco.
- O Jae, por que você está tão brabo com o Yunho? Ele nem imagina que você o ama! – Tentou argumentar.
- Mas se ele me amasse do jeito que vocês diziam, ele não tinha se deitado com o piriguete do Kevin! – Respondeu, visivelmente brabo e magoado.
- Jae, o Kevin não tem culpa! Você sabe como ele é, e quando ele te perguntou sobre o Yunho, você disse que não gostava dele. – ChangMin expunha seu lado sensível e calmo.
- Mas precisava cair matando desse jeito?!
- E quando o Kevin não cai matando Jae? – Perguntou o maior, irônico.
- Ah, vamos mudar de assunto. – Com uma expressão fechada.
- Ok. – Suspirou ChangMin. – E o Ajoo? Como vocês estão? – Tentando parecer interessado.
- Sei lá. Ele não me liga desde ontem. – Comentou o ruivo.
- Namoro estranho esse de vocês. – Olhando para a janela. – O Yunho nunca faria isso. – fugindo da almofada voadora vinda do amigo.
- Que tédio. – Comentou Kevin, deitando-se no colo de Yunho.
- E se nós fôssemos lá para casa? – Sugeriu Junsu, animado.
- O que tem de mais lá na sua casa? – Perguntou o moreno, com uma voz tediosa.
- Ah Yun, pode ser divertido. – Comentou Kevin.
- Tá bom então. – Concordou.
ChangMin e Jaejoong olhavam televisão quando o maior sentiu seu celular vibrar. A mensagem finalmente chegara.
Plano em ação!
Kevin.
- Jae.. – Iniciou o caçula, guardando discretamente seu celular. – Vamos sair um pouco de casa. Aqui está chato.
- Mas está chovendo Chang! – Apontando para a janela.
- Mas nós poderíamos ir até a casa do YooChun. Pelo menos nós teríamos mais gente para conversar. – Argumentou.
- Ah Chang, não sei. Eu estou com preguiça, não gosto de me molhar... – Dizia manhoso.
- Liga para o Ajoo! – Exclamou ChangMin. – Assim nós já o conhecemos direito, e ele nos leva de carro. – Rindo.
- Tá bom! Garoto chato. – Rindo.
- Alô? – Indagou Ajoo, com uma voz preguiçosa.
- Oi Ajoo! – Jaejoong tentou parecer contente em ouvir a voz do namorado.
- J-Jae! – Mudando a voz subitamente. – Tudo bem meu amor?
- Tudo sim. O que você está fazendo?
- E-eu... Eu estava lendo! Aconteceu alguma coisa?
- Não... É que os meus amigos querem te conhecer... E nós não nos vemos há quase dois dias... O que acha de passar aqui para me pegar e irmos até a casa do YooChun? – Seu entusiasmo era tanto que quase se igualava a de uma pedra.
- C-claro! – Respondeu rapidamente. – Passo aí em vinte minutos! Beijo! – Desligando o celular.
- Pronto. – Sorriu o ruivo para ChangMin.
- Ei! – Chamou Ajoo. – Cai fora.
- Como assim? – Indagou o lindo jovem deitado a seu lado.
- Eu estou falando grego? – Parecendo agressivo. – Eu disse CAI FORA! – Levantando-se.
- M-mas Ajoo.. – Gaguejou o jovem. – Eu achei que nós... Eu...
- Eu? Namorar com você? Pfff!!! – Debochou o moreno, sem pena. – Se toca Ryan. Você é só para passar o tempo.
- Meu nome é Christian. – Corrigiu, raivoso.
- Que seja! – Desdenhou. – Agora cai fora daqui antes que eu te tire à força. – Parecendo ameaçador.
Em meio a lágrimas silenciosas, Christian junta suas roupas e vai embora.
ChangMin e Jaejoong terminavam de se arrumar quando ouviram a buzina do carro de Ajoo. Pegaram um casaco e saíram correndo, para não se molharem.
- Oi amor! – Exclamou Ajoo, observando seu namorado entrar no carro. – Que saudades! Desculpa pelo atraso, mas tive que passar no hospital para ver como minha mãe está. – Sorrindo. – Oi! Prazer, Ajoo. – Estendendo a mão para ChangMin, que sentara no banco de trás.
- ChangMin. – Apertando a mão do moreno. – Você... É novo na cidade?
- Sou sim. Me mudei à três meses. – Usando o máximo de sua simpatia.
- Você não me é estranho. – comentou ChangMin, o analisando pelo espelho retrovisor.
- M-mesmo? – Ficando subitamente nervoso. – D-deve ser da faculdade.
- Não... Não lembro de onde... Mas deixa para lá. – Observando o nervosismo do jovem.
- E então amor, como passou? – Mudando de assunto.
- Bem. – Respondeu Jaejoong, sorridente. – Vamos?
- Claro. – Respondeu o moreno.
Em poucos minutos, os três já estavam em frente à casa dos irmãos Park. Jaejoong desceu e apertou a campainha. Sem demora, YooChun abre a porta e faz sinal para o carro, para entrarem.
- Eai! – ChangMin passou reto. – Quero comida.
- Yoo. – Jae deu um abraço breve no amigo.
- Prazer, Ajoo. – Apertando a mão do anfitrião.
- Fiquem à vontade! – Disse YooChun com naturalidade.
ChangMin dirigiu-se até a cozinha, encontrando Junsu e piscando rapidamente para ele. O menor levantou-se e correu para cumprimentar o amigo.
- Jae!! Que saudade! – Abraçando o ruivo.
- Oi Su! Tudo bem? Esse é o Ajoo.
- Prazer. – Sorriu o moreno, apertando a mão de Junsu.
ChangMin volta da cozinha com um pão na boca e três biscoitos na mão.
- O que nós vamos fazer? – Perguntou o caçula, com um enorme pedaço de pão na boca.
- ChangMin! Deixa de ser mal educado! – Exclamou YooChun.
Todos riram da expressão inocente do jovem, mas algo chamou a atenção do ruivo.
- Ai Kevin! Tá me machucando! – Dizia a voz vinda do segundo andar.
- O Kevin e o Yun estão aí? – Indagou, surpreso.
- Estão. – Respondeu YooChun, tentando parecer natural. – Algum problema?
- Não. – Respondeu, arrumando a mandíbula. – Nenhum.
- Vamos subir? – Convidou Junsu. – O videogame já está ligado.
- Videogamee!!! – Exclamou ChangMin, correndo escada a cima.
- E então Ajoo, o que você faz? – Indagou YooChun, tentando parecer interessado.
- Eu estou cursando Engenharia mecânica. – Respondeu sorridente.
- Interessante. – Comentou, com um sorriso misterioso.
Ao chegarem no segundo andar, mais um grito de Yunho foi ouvido, vindo do quarto de YooChun.
- Ai Kevin! Tá doendo! – Exclamou.
- Calma Yun, já está quase no fim. – Respondeu o loiro, em um tom carinhoso.
“Yun?!” pensou Jaejoong, indignado. “Mas quem esse piriguete pensa que é?”
O casal seguiu até o quarto junto com YooChun, e depararam-se com Yunho sentado na cama, e Kevin de pé, entre suas pernas, perto de seu rosto.
- MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – Exclamou Jaejoong, com as mãos na cintura.
- Jae? – Estranhou Yunho, sentindo seu coração pular ao vê-lo.
- Oi Jae. – Sorriu Kevin. – Eu estou tirando a sobrancelha do Yun. – Fazendo uma expressão fofa. – Finalmente veio nos apresentar seu namorado. – Sorrindo. – Prazer, Kevin.
- Ajoo. – Apertando a mão do Jovem.
- Yunho. – Levantando-se, com uma expressão fechada.
Ajoo estendeu a mão para o moreno, que fez questão de ignorá-la.
- E então, vamos jogar? – Convidou ChangMin, sentado na frente da enorme televisão.
- Yoo, será que não era melhor levar o videogame lá para a sala? – Indagou Junsu. – Seu quarto é pequeno para todo mundo.
- Tem razão. – Concordou.
ChangMin rapidamente desinstalou o aparelho e levou para o primeiro andar. Kevin passou por Ajoo, que o fitou descaradamente.
- Eu vou ao banheiro. – Comentou, deixando Jaejoong sozinho.
- E então Jae... – Iniciou Yunho, sem jeito. – Como você está?
- Melhor do que você pensa. – Respondeu secamente, dirigindo-se ao primeiro andar.
Yunho baixou a cabeça, triste. Não entendia por que Jaejoong o tratava daquela maneira, e aquele não era o momento para perguntar.
Kevin estava no quarto de Junsu, olhando-se no espelho, quando foi surpreendido por Ajoo, escorado na parede.
- Oi. – Sorriu o moreno.
- Oi. – Respondeu Kevin, sem olhá-lo.
- Não vai descer? – Ajoo possuía uma voz misteriosa.
- Vou. – Respondeu, com descaso. – Estou apenas me arrumando um pouco. – Olhando diretamente para o maior. – Eu não te conheço de algum lugar?
- Dos seus sonhos, talvez. – Aproximando-se de Kevin.
- Oi?
- Eu vi você me olhando aquele dia, na universidade. Vem cá. – Segurando o loiro pela cintura.
Kevin ficou assustado, e não conseguiu reagir. Tentou gritar, mas sua voz não saía. Ajoo o segurava com muita força e firmeza, não dando brecha para o loiro escapar.
- Kevin! – Chamou Yunho, no corredor.
- Você não me escapa. – Sussurrou Ajoo, largando o jovem e saindo do quarto.
Yunho achou estranho Ajoo ter saído do quarto de Junsu com um sorriso misterioso, e resolveu ir até lá. Ao entrar, deparou-se com Kevin, paralisado, a expressão de medo.
- Kevin! O que aconteceu? – Indo rapidamente até o encontro do menor.
- N-nada... Eu... Vi uma barata. – Respirando rapidamente.
- Você o que? – Yunho sentiu o vacilo na voz de Kevin.
- Nada Yun, eu estou bem. – Pegando a mão do maior. – Vamos descer.
Ao chegarem no primeiro andar, Junsu e ChangMin jogavam Nintendo Wii, YooChun preparava alguns aperitivos e Jaejoong observava os amigos, com Ajoo em sua volta.
- Jae. – Chamou Kevin. – Eu posso falar com você um minuto?
Jaejoong virou-se, deparando-se com o loiro segurando a mão de Yunho. Uma raiva lhe subiu o corpo, mas respirou fundo e se levantou, seguindo Kevin até a sala de jogos.
- O que você quer? – Perguntou rispidamente.
- Jae, eu sei que você está brabo comigo, mas isso é uma coisa séria. – Iniciou o loiro. – O Ajoo tentou me agarrar.
- O que?!
- É! Eu estava no quarto do Junsu me arrumando no espelho, e ele chegou com um papo de que viu eu olhando ele na universidade... Se não fosse o Yun... – Kevin foi incapaz de continuar. Parecia realmente assustado.
- o Yun?! Claro! Seu adorável namorado. – Sua voz possuía raiva e ironia. – Olha Kevin, me poupe das suas ceninhas.
- Jae, eu estou falando sério! Posso ser qualquer coisa, mas não sou mentiroso. – Suplicou o loiro.
- E esse “qualquer coisa” inclui piriguete? – Jaejoong agora era totalmente provocativo.
- Piri... Jae, — Kevin tentou manter a calma. – Eu estou falando que o seu namorado tentou me agarrar e você me chama de piriguete?
- Aposto que você foi para cima dele, que nem fez com o Yun! – Enraivado.
- E o que o Yun tem a ver com isso? – Kevin sentiu que seria melhor do que o esperado.
- Tudo! Você sabia que eu amava do Yunho e mesmo assim transou com ele! – Jaejoong já estava aos berros.
- Se você amasse o Yun de verdade, não tinha arrumado um cafajeste! – Gritou Kevin.
- PELO MENOS EU NÃO PRECISO EMBEBEDAR O HOMEM QUE EU QUERO PARA ME DEITAR COM ELE! – Pulando no pescoço de Kevin, rolando no chão.
Ao ouvir gritos vindos da sala de jogos, os cinco jovens correram até o local. ChangMin e Junsu foram os primeiros a chegar, ficando impressionados com a cena.
Jaejoong estava sentado em cima de Kevin, estapeando o loiro, que tentava se defender com uma mão, enquanto puxava o cabelo do ruivo com a outra.
- Minha nossa! – Exclamou YooChun.
- Kevin, larga o Jae! – Disse Junsu, tentando tirar o ruivo de cima do menor.
- Jae! Para com isso! – Gritou ChangMin, levantando o amigo.
Kevin, já de pé, voou contra o amigo novamente, voltando a estapearem-se desesperadamente.
Junsu ficou com medo de levar um chute, e ChangMin estava até se divertindo, e os dois resolveram não interferir.
- Vocês não vão fazer nada?! – Indagou YooChun, nervoso.
- Eu não. – Responderam os dois, em coro.
Yunho abriu espaço entre os amigos, conseguindo chegar ao brigões. Meteu-se entre os dois e abriu os braços, tentando separá-los. Começou a levar tapas na cara, chutes nas canelas, arranhões nos braços, e de quebra ouvindo xingamentos que não eram para ele.
- Eu vou te matar sua loira oxigenada! – Gritava Jaejoong.
- Cuidado para não se machucar com os chifres, idiota! – Respondeu Kevin, em mesmo tom.
- Gente, vocês estão me machucando! Parem com isso! – Argumentava Yunho, apanhando dos dois lados.
ChangMin e Junsu não se aguentaram, e começaram a rir.
- Você não vai lá segurar seu namorado? – Perguntou YooChun para o moreno ao seu lado.
- Eu não! Exclamou. – Sou bonito demais para levar um tapa.
- GENTE! ALGUÉM ME AJUDA! – Exclamou Yunho, com o rosto e braços vermelhos.
YooChun foi até a briga e segurou Jaejoong. Ao puxá-lo, o ruivo arranha fortemente Yunho na bochecha, começando a sangrar.
Ao ver o moreno machucado, Jaejoong subitamente para de se debater, sentindo-se mal por tê-lo ferido.
Kevin ainda não tinha percebido, pois o moreno se projetava em sua frente, porém de costas para o mesmo.
Aos poucos, o sangue escorreu da machucada face do moreno, pingando no chão.
- Y-Yun...? – Jaejoong sentiu sua boca seca.
Yunho o olhava com seriedade, mas sem severidade, apenas com tristeza.
- Yun, o que esse maníaco fez com você? – Kevin segurou o rosto do moreno.
- Maníaco é você! Eu vou te pegar e... – Jaejoong sentia a raiva lhe subir à cabeça novamente, mas foi abruptamente interrompido por Yunho.
- Jaejoong, já chega! – Disse o moreno, ríspido.
- Isso! – Exclamou o ruivo. – Protege o seu namoradinho. – Dizendo a última palavra com desdém.
- E faz alguma diferença para você? – Indagou, sério.
Jaejoong sentiu sua garganta se fechar.
- Vem Jae, vamos embora. – Ajoo segurou na mão do namorado e o puxou para fora da sala.
- Yun, como você está? – Indagou Kevin, segurando a face do moreno com delicadeza.
- Eu estou bem! – Respondeu rispidamente, puxando seu rosto para longe das mãos quentes do loiro.
Dirigiu-se rapidamente para a porta, abrindo-a com violência. Ao sair, viu Jaejoong entrando no carro de seu namorado, e desviou o olhar.
- Yunho, como você está? – Indagou o ruivo, com o choro trancado em sua garganta.
- Melhor do que você pensa. – Sua voz era carregada de mágoa.
- Está chovendo, deixa eu te levar em casa. – Engolindo o choro.
- Prefiro me molhar. – Respondeu, sem olhar para trás.
- Entra Jae. – Pediu Ajoo.
E assim o fez. Encolheu-se no banco do carona, olhando para o moreno ao passarem por ele.
- Que imbecil. – Comentou Ajoo, rindo.
Jaejoong ignorou o comentário. Sentia muita dor para retrucar. Nunca tinha machucado Yunho daquela maneira. O sangue que escorria de seu rosto eram como lágrimas manchadas. Engoliu o choro mais uma vez, pois não queria demonstrar fraqueza à Ajoo.
- O Yunho ficou mesmo brabo. – Comentou ChangMin, comendo sua quinta banana.
- Brabo? – Disse Junsu, irônico. – Eu nunca vi ele tão enfurecido em toda a minha vida!
- Gente, acho que nós fomos longe demais. – Disse Kevin, arrependido.
- Nós? – Indagou YooChun, indignado. – Esse plano maluco é seu Kevin! Nós só tivemos a infeliz ideia de te ajudar!
O silêncio e a culpa tomaram conta de todos. Sentiram que foram muito longe, e agora, talvez não houvesse mais volta.
-LEMBREI! – Gritou Kevin, cortando o silêncio.
- Onde você deixou seu cérebro? – Indagou ChangMin, debochado.
- Engraçadinho. – Resmungou o loiro. – Agora eu sei de onde eu conheço o Ajoo.
- E de onde é? – Disse YooChun, menos irritado.
- Chang, lembra quando nós fomos àquela boate no sul da cidade, e eu comentei sobre um moreno que estava rodeado de mulheres?
- Lembro. – Concordou o caçula.
- O moreno era ele! – Exclamou. – Eu tenho certeza!
- Você tem razão! – Disse ChangMin, mudando seu tom gradativamente de pensativo para entusiasmado. – Era o Ajoo sim!
- Mas gente... se ele estava mesmo rodeado de mulheres, ele é um cafajeste sem escrúpulos! – Disse YooChun, preocupado.
- Um pouco da briga entre eu e o Jae começou por causa que eu o avisei que o Ajoo tinha dado em cima de mim! – Confessou Kevin.
- O QUE?! – Gritaram o três.
- Juro! – O loiro beijou os dedos em sinal de cruz.
- Mas então nós temos que dar um jeito de avisar o Jae! – Disse Junsu, levantando-se.
- Ele não vai acreditar em nós. – Lamentou Kevin.
- E se nós... mostrássemos à ele? – Sugeriu ChangMin, malicioso.
Ao chegarem na casa do ruivo, os dois descem do carro, adentrando na casa rapidamente.
O anoitecer os pegou de surpresa, pois haviam perdido a noção do tempo vendo televisão. Jaejoong sentiu-se incomodado pelo fato de se namorado não o perguntar como estava, por que estava triste ou se precisava de alguma coisa. Mas estava tão preocupado com Yunho que isso não lhe tomou muito tempo de seus pensamentos. O ruivo foi tirado de seus devaneios quando o moreno lhe puxa para um beijo carinhoso. Jaejoong aceita, tentando tirar tais preocupações do pensamento. Mas algo o assusta. As mãos fortes de Ajoo percorriam suas pernas com fome, e subiam com pressa.
- Ajoo. – Chamou o ruivo, entre os beijos sedentos do maior.
- O que foi Jae? Não está gostando? – A voz do moreno era sedutora.
- Não é isso... Ajoo... Para. – Jaejoong estava ficando assustado, pois parecia sem forças diante do enorme corpo de Ajoo.
- Ah Jae, deixa de frescura! Vem cá. – Puxando o menor contra a sua vontade.
- Ajoo! Me larga! – Exclamou o ruivo, empurrando o maior com toda a força.
O moreno sentou-se, suspirando pesadamente.
- O que foi? – Perguntou, parecendo não muito preocupado.
- É que... Eu... Eu sou virgem. Ainda não me sinto preparado. – Argumentou, encabulado.
Ajoo o olhou com uma expressão tediosa.
- Então me ligue quando “se sentir preparado”. – Fazendo o sinal de aspas com as mãos.
- Onde você vai? – Vendo o moreno levantar-se.
- Vou para casa. – Respondeu, com a voz óbvia. – Tchau Jae. – Fechando a porta atrás de si.
- Ele saiu! – Exclamou ChangMin, atrás do arbusto. – Vamos! – Sendo seguido pelos amigos.
Kevin, Junsu, YooChun e ChangMin bateram na porta de Jaejoong, esperando ela ser aberta com expressões angelicais.
Ao abrir a porta, Jaejoong revira os olhos e se afasta.
- O que vocês querem?
- Jae, precisamos conversar! – Exclamou ChangMin, seguro.
- Não tenho nada para conversar com a loira oxigenada. – Olhando raivosamente para Kevin.
- Ei, não comecem! – Disse YooChun, colocando-se entre os dois. – A coisa aqui é séria Jae.
- O que é?
- Precisamos te levar a um lugar. – Comentou Junsu.
- Não quero ir a lugar nenhum. – Respondeu friamente.
- Mas você vai. – Disse ChangMin.
- E quem vai me obrigar? – Indagou o ruivo, raivoso.
Os quarto amigos cruzaram os braços, indicando maior quantidade e maior força, tendo assim, vencido a batalha.
Contrariado, Jaejoong troca de roupa, vestindo uma calça jeans preta, camisa da mesma cor e tênis branco.
Após o ruivo comunicar que estava pronto, os cinco amigos dirigiram-se para o sul da cidade.
- Posso pelo menos saber onde estamos indo? – Indagou, sério.
- Não. – Respondeu Junsu, sorrindo.
Em questão de meia hora, os cinco jovens estavam parados na frente da boate Jenk’s.
- Vocês queriam sair para dançar? – Perguntou Jaejoong, sem entender.
- Não, melhor do que isso. – Sorriu ChangMin, apontando para uma certa Mercedes prata que se aproximava.
Puxaram Jaejoong para um lugar menos claro e ficaram observando.
Ajoo estacionou seu carro em frente à boate e desceu. Estava lindo, trajando uma regata vermelha, colete preto e calça jeans da mesma cor. A porta do carona foi aberta, e duas lindas moças desceram do carro. Ajoo caminhou até elas, dando um sedento beijo em cada uma.
Jaejoong foi tomado por uma onda de fúria, mas resolveu esperar. Não estava nem aí por ser trocado, pois não sentia coisa alguma por Ajoo, mas ficou enfurecido por sua confiança ser traída de tal maneira.
- Alguém tem um batom? – Indagou o ruivo, malicioso.
- Eu tenho. – Disse Kevin, alcançando para o amigo.
- Você usa batom? – Perguntou Junsu, confuso.
- Claro que não! – Exclamou. – Mas eu sei o que se passa na cabeça de uma pessoa traída. – Sorrindo.
Jaejoong esperou pacientemente o movimento diminuir em frente à festa, saindo só então de seu “esconderijo”.
Foi até uma loja de esportes 24h, comprando um taco de baseball de ferro.
- Jae... O que você vai fazer com isso? – Indagou YooChun, assustado.
Jaejoong apenas sorriu, indo em direção à Mercedes.
Um olhar confiante foi lançado aos amigos, antes do vidro ser estourado com a força do taco. Espelhos retrovisores, capô, vidros, lanternas traseiras e dianteiras, calotas, motor e suspensão. Tudo destruído.
Os amigos observavam a fúria de Jaejoong com entusiasmo, vibrando a cada peça caída.
Por fim, Jaejoong tira o batom do bolso e escreve sobre o capô retorcido: Lindo carro. Kim Jaejoong.
- Jae, você está maluco?! – Riu Junsu.
- Sinceramente? – Indagou o ruivo, fazendo os amigos rirem. – Kevin... – Iniciou encabulado. – Eu te devo desculpas. Devia ter acreditado em você desde o início. E sobre o Yun... Eu não tenho o direito de interferir. – Engolindo o choro.
- Bom... Eu ficaria muito feliz em saber disso... Se eu e o Yun tivéssemos algo. – O loiro tentou parecer natural.
- Q-QUE?
- Nós não temos nada Jae. – Sorriu Kevin.
- Mas... Vocês... Tiveram uma noite juntos e... – Jaejoong sentia seu peito explodir de felicidade, mas estava confuso.
- Nós não transamos Jae. – Disse o loiro, sereno.
- C-como assim?
Flash Back On
- Ok morenão, eu vou te colocar no quarto de hóspedes. – Disse Kevin, levantando Yunho, que não se aguentava de pé.
- E por que não na sua cama? – Sorriu malicioso.
Kevin apenas sorriu e obedeceu.
O loiro levou Yunho até o segundo andar, tomando-o em um beijo sedento na porta de seu quarto.
O moreno o beijava com desejo e vontade, arrancando as roupas do menor enquanto caminhava para a cama. Kevin o jogou na enorme cama e arrancou sua camiseta, beijando e mordiscando sua pele amorenada.
- J-Jaee... – Gemeu Yunho, com os olhos cerrados.
Kevin então parou e sorriu. Para ele, não seria nada mais que sexo. Para Yunho, seria uma noite de amor com que realmente amava. Retirou sua calça e o acomodou na cama. O moreno já não respondia mais, e Kevin o tapou com cuidado, ficando de prontidão ao seu lado, caso passasse mal.
- Não se preocupe Yun, não vou tirar essa noite especial de você. – Sorriu Kevin, afagando suas madeixas negras.
Flash back Off
- E-então... Vocês... Não... – Jaejoong não terminou a frase. Pulava de alegria e gritava como uma criança maluca. — Por que você não disse isso antes? – Indagou, sorridente.
- Você não me deixou explicar! – Exclamou. – Saiu dando tapa no Yun e foi para casa que nem um louco!
- Ai meu Deus, o Yun! – A felicidade de Jaejoong foi transformada em apreensão.
Saiu correndo a procura de um taxi, quase se jogando na frente de um para pará-lo.
- Jae! Espera! – Chamou ChangMin.
- Deixa Chang. – YooChun repousou sua mão sobre o forte ombro do amigo. – O Jae vai fazer a coisa certa.
- E nós? O que vamos fazer agora? – Indagou Junsu.
- Eu é que não vou para casa. Perder o show do Ajoo? Nem morto. – Riu Kevin.
- Mais rápido! – Ordenava o ruivo, inquieto.
Os minutos pareciam horas. E cada quilômetro percorrido parecia uma imensidão sem fim. Ao finalmente chegar em frente à sua casa, jogou uma nota de cinquenta dólares no pobre motorista e saltou do carro. Correu até a porta de Yunho, tocando a campainha incessantemente.
- Já vai! – Gritou o moreno, antes de abrir a porta.
Ao abri-la, deu de cara com Jaejoong, em uma expressão ansiosa.
- Jae? – Indagou. – O que você quer? – Ríspido.
O ruivo não conseguiu falar. As marcas no rosto de Yunho eram fundas, parecendo doloridas. Sentiu-se culpado e triste por ter feito aquilo por uma bobagem.
- Eu posso falar com você?
- Eu estou meio ocupado agora. – Respondeu, seco.
- É importante. – Insistiu o ruivo.
- “Eu estou meio ocupado” é uma maneira sutil de dizer que eu não quero falar com você. – Explicou o moreno, friamente, mas com o coração despedaçado.
- Yun, olha... Eu... – Jaejoong sentia seus olhos marejados.
- Olha você Jaejoong, para de inventar desculpas, ok? – Yunho deixou sua raiva sair. – Eu cansei de tudo isso! Passei a minha vida toda atrás de você, como um cachorro sarnento, e tudo que você fazia era sorrir. Nunca me deu uma palavra de carinho Jae! NUNCA! E hoje, briga com o seu melhor amigo, me fere, por um estranho! — O moreno não aguentou o peso das lágrimas, que escorriam contra sua vontade. – Não me deixou explicar coisa alguma na casa do Kevin, preferiu me dar um tapa na cara ao me ouvir. Não foi capaz de se desculpar hoje. Mas por um estranho você corre! – Sua voz mesclava indignação e dor. – Corri atrás de você como um palhaço, e o que eu recebo é um tapa na cara. Para mim chega Jaejoong. Eu cansei! – Batendo a porta bruscamente.
Jaejoong ouviu tudo sem se manifestar. Não podia se manifestar. Não tinha como protestar. Não havia mais o que dizer. Sentou-se na calçada, sem mais sentir os pingos gelados e incessantes, sentindo apenas o amargo das lágrimas em seus lábios trêmulos.
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