Meu Melhor... Amigo... ?
10 Ajudinha
Kim Jaejoong. Meu anjo eterno.
- DROGA! MERDA! IMBECIL! IMBECIL! – Gritou o jovem, só então percebendo o quão idiota, egoísta e insensível havia sido todos esses anos.
YooChun, que sentava ao lado da janela em sua sala, observava o amigo berrar com ódio de si mesmo.
“ Ele finalmente percebeu.” Sorriu o moreno.
Jaejoong andava de um lado para outro, tonto, perdido. Não sabia se ia atrás de Yunho ou batia sua cabeça na árvore até rachá-la ao meio. Como pôde ser tão idiota? Todos esses anos o moreno esteve sempre lá, só esperando uma palavra de carinho, e ele, egoísta demais, nunca o fez.
- O Yun nunca vai me perdoar. – Sussurrou o ruivo, caindo ao chão e abraçando seus joelhos com força.
YooChun, ao perceber o desespero e tristeza do amigo, resolveu ir consolá-lo.
- Com licença professor. – Levantando a mão.
O homem de meia idade acenou positivamente com a cabeça, e o moreno saiu. Desceu as escadas um pouco apressado, com medo de que o amigo fizesse uma besteira.
Ao chegar ao pátio, percebeu Jaejoong esmurrando compassadamente suas têmporas, parecendo um autista.
- Jae? – Chamou YooChun, hesitante.
Jaejoong não o olhou. Estava concentrado demais no “nada” a sua frente.
- Eu sou um idiota. – Ele sussurrou. – Um imbecil. Egoísta. Lesado.
- Jae, calma. – Ajoelhando-se ao seu lado. – O que aconteceu? – Tentando fingir que não sabia, mas a essa altura, mesmo que gritasse “eu sabia”, Jaejoong não iria desconfiar.
- O Yunho sempre me amou.
- Jura? – Indagou o moreno, realçando e muito seu sarcasmo.
- Juro. – Respondeu o ruivo, fazendo YooChun revirar os olhos ao perceber que o amigo não havia sentido sua ironia. – E agora ele não quer me ver nem pintado de verde.
- Jae... Não é bem assim. – O moreno tentou consolá-lo. – Está certo que o Yunho sente-se muito magoado, e com o orgulho ferido... Mas ele continua te amando.
- Há... – O ruivo riu. – Orgulhoso do jeito que ele é, prefere morrer de amor do que dar o braço a torcer. – Entristecido.
- Jae, fala sério, você está me gozando, né? – Levantando-se e depositando suas mãos na cintura.
- Hã? – Indagou o maior, o olhando com curiosidade.
- Minha nossa, como pode ser tão desligado. – Sussurrou YooChun. – Você conhece TUDO dele Jae. O que ele gosta, com ele se sente, como reage quando está brabo, o que ele pensa...
- E daí? – Indagou novamente.
- Jaejoong, você entrou na fila para ser poio umas 70 vezes né? – Um tanto irritado. – Você pode ficar com ele! É só se esforçar! Mostre a ele que você se deu conta de que é um imbecil egoísta. – Exclamou.
- Só para esclarecer... Você está me consolando? – Indagou o moreno, um pouco sarcástico.
— Anda. Levanta daí, lava esse rosto e vai para a aula. – Ordenou o amigo. – Depois, quando as aulas acabarem, nós conversamos com calma.
Jaejoong sorriu e o obedeceu. Lavou seu rosto com água gelada e seguiu para a sua sala. Sentia-se protegido, pois sabia, que mesmo que Yunho realmente tivesse cansado dele e nunca mais tivessem chance de ficarem juntos, seus amigos não o abandonariam.
O dia pareceu se arrastar. Cada minuto para o ruivo pareciam horas, mas as aulas finalmente chegaram ao fim.
Ao sair de sua sala, deparou-se com seus sorridentes amigos o esperando.
- E ai, me conta! – Vibrou Kevin.
- Ah, nada de mais. – Iniciou Jaejoong, irônico. – Ele só deixou bem claro que nunca mais quer me ver. – Sorrindo.
- Aaaaii, sem graça. – Resmungou Kevin.
- Você está brincando, né? – Indagou ChangMin, preocupado.
- Quem me dera Chang. – Respondeu o ruivo, em um sorriso triste.
- Agora fudeu geral. – Disse Junsu, preocupado.
- Como assim? – Indagou Kevin, brabo. – Não mesmo! É só o morenão ter um ataque de orgulho e você desiste? Você está me gozando, né?
- É incrível como as pessoas me dizem isso. – Refletiu o ruivo.
- Jaejoong, não seja ainda mais idiota! – Exclamou Kevin. – Você deixou esse Deus de lado todos esses anos, e agora que ele literalmente esfregou na sua cara que te ama você vai desistir? Se gruda nessa chance gostosinho! – Exclamou o loiro, deixando todos impressionados com tamanha firmeza.
- É... O Kevin está certo Jae! – Concordou ChangMin. – Você não pode desistir do Yunho só porque ele está magoado. Se ele te ama como eu acho que ama, ele vai te perdoar.
- Mas isso não significa que vai ser fácil. – Comentou Junsu.
- Pelo que eu conheço o Yunho, vai ser é bem difícil. – Concluiu YooChun.
- É, mas nós estamos aqui para te ajudar. – Kevin fez uma pose de super herói ou algo parecido.
- Fico feliz, eu acho. – Jaejoong riu nervosamente.
Enquanto acompanhavam o ruivo até sua casa, os quatro jovens tentavam pensar em algo que pudesse ajudar seu companheiro.
- Você poderia se ajoelhar e pedir perdão. – Sugeriu Junsu.
- Não. Teatral demais. – Disse Jaejoong.
- Que tal escrever uma carta? – Disse YooChun.
- Não daria certo. Papéis não expressam sentimentos. – Comentou o ruivo.
- Faz um strip para ele. – Disse ChangMin, com um ar de naturalidade.
- Eu não sou o Kevin, e o Yun não é você. – Riu Jaejoong, sendo acompanhado por YooChun e Junsu.
- Comigo daria certo. – Sorriu Kevin.
Ao chegarem, Yunho encontrava-se em frente a sua casa, recebendo as cartas do correio. Olhou para os amigos e sorriu, mas ao ver Jaejoong, entristeceu-se.
- Oi morenão! – Kevin foi correndo dar um beijo estalado na bochecha do moreno, que sorriu.
- Oi Kevin. Tudo bem?
- Tudo sim. – Sorrindo como uma criança feliz.
- Desde quando eles são tão íntimos? – Indagou Junsu, curioso.
- Também gostaria de saber. – Resmungou ChangMin.
Jaejoong olhava fixamente para o moreno, que lhe lançava olhares tristonhos.
- Ele está muito triste. – Comentou YooChun.
- Eu nunca vou conseguir chegar perto dele de novo. – Lamentou Jaejoong.
- Eu disse que ele está triste, não brabo. – Consolou o moreno, em um sorriso carinhoso.
- E então morenão, o que vai fazer agora? – Indagou o loiro, pendurado em seu pescoço.
- Vou jogar videogame. – Sorriu Yunho.
- Ah, não! – Kevin fez uma cara feia. – Já está anoitecendo... Venha jantar conosco. – Sorrindo.
- Acho melhor não Kevin. Eu não estou muito bem hoje... – Olhando para Jaejoong, que conversava com Junsu.
- Dá para engolir esse orgulho idiota? – Ralhou o loiro, em sussurros. – Você e o Jae, não sei qual o mais cabeça dura! Quando não é um fazendo bico doce, é o outro! Parem de sofrer e fiquem juntos logo!
- Eu não sei se ainda quero sofrer por mais 10 anos. – Yunho sorriu triste.
- Então acho melhor você tomar essa decisão rápido morenão. Como você bem sabe, ninguém espera para sempre. – Batendo levemente no peitoral forte do moreno.
Yunho refletiu por longos minutos, observando os amigos entrarem na casa ao lado. De fato, a regra do tempo não se aplicava só a ele. Valia mesmo a pena perder o amor de sua vida por orgulho?
- E então Kevin, o que vocês tanto conversaram? – Indagou ChangMin, sentando-se no largo sofá.
- Não é o Jae o principal interessado? – O loiro sorriu maliciosamente, sentindo uma pontada de ciúmes do moreno.
- Eu só estava curioso. Desculpe. – Sorriu.
- A curiosidade matou o gato. – Sentando-se muito perto do maior.
- Até hoje eu nunca morri. – Respondeu sedutoramente.
- Convencido. – Kevin sorriu de maneira hipnotizadora.
- Lindo. – Respondeu ChangMin, em transe pelo menor.
- Sabia que mentir faz o nariz crescer? – Aproximando-se da boca do maior a cada palavra.
- Por isso que o meu está do mesmo tamanho. – Acompanhando o loiro nos movimentos para diminuir a distância.
- KEVIN! – Gritou Jaejoong, do segundo andar.
- FALA BICHA! – Gritou em resposta.
- VEM CÁ ME AJUDAR A ESCOLHER UMA ROUPA!
- JÁ VOU MULHER! – Berrou, um pouco irritado. – Nós continuamos depois. – Sorriu maliciosamente. Ao levantar-se, passou sua boca a milímetros de ChangMin, que salivou de vontade.
- Vou morrer esperando. – Disse o moreno, sedutor.
- Eu te deixo vivinho quando voltar. – Piscando de maneira promíscua para o maior. – Fala Bi! – Chegando ao quarto do amigo.
- Preciso de ajuda. – Suplicou o ruivo, em frente ao closet.
Em poucos minutos, Kevin separou uma roupa para o maior vestir.
- Não sei por que vou me arrumar tanto... Nem sei se ele vai! – Exclamou Jaejoong do banheiro.
- Ele vai sim. – Sussurrou Kevin, sorrindo.
Ao sair do banheiro, Jaejoong trajava um colete de cetim, jaqueta de couro, calça jeans e coturnos. Todas as peças eram pretas, e o destaque do look era o polido e prateado anel em seu peito desnudo.
- Minha. Nossa. Senhora. – Exclamou o loiro, pausadamente.
- E então? – Indagou Jaejoong, bagunçando o cabelo levemente.
- Se não fosse o morenão e... – Olhando para a porta. – Outros fatores... – Eu agarrava você agora mesmo.
- Outros fatores... Chamados de ChangMin? – Perguntou o ruivo, debochado.
- Palhaço. – Resmungou Kevin em meio a risos, após tocar uma almofada no maior.
- Gente, nós vamos nos atrasar.. MINHA NOSSA SENHORA! – Exclamou Junsu, analisando o amigo sexy.
- Junsu, você está bem? – Indagou YooChun, aproximando-se pelo corredor. – Minha nossa senhora!
- Pessoal, está tudo bem? – ChangMin subia as escadas apressado. – Kevin... Eu... Minha nossa senhora! – Observando Jaejoong.
- Gente, deixem a Nossa Senhora em paz! – Riu o ruivo.
- Foi mal. – Disse ChangMin.
- É que... – Gaguejou Junsu.
- Você está... – YooChun não conseguiu continuar.
- Divino. – Sorriu Kevin.
- Obrigado. – Sorrindo envergonhado. – Agora vamos antes que percamos nossa reserva.
- Não está faltando alguém? – Indagou YooChun, malicioso.
DING DONG.
– Não mais. – Sorriu Kevin, ao ouvir o barulho da campainha.
Desceu as escadas correndo, seguido pelos amigos, e após todos estarem na sala, Kevin abriu a porta com um enorme sorriso no rosto.
- Morenão! – Só então o analisando. – Minha nossa senhora.
Yunho trajava uma regata preta colada, camisa verde aberta estilo esportiva, calça jeans azul e All star branco. A regata realçava seu peitoral, onde Kevin teve alguns pensamentos impuros. E a calça, que realçava suas “vantagens”, fez Kevin ter todos os pensamentos impuros.
- Mas deixem essa mulher em paz meu Deus do céu! – Exclamou YooChun.
- Cheguei atrasado? – Indagou o moreno, em um sorriso perfeito.
- Meu amor, nada começa sem você chegar. – O loiro sorriu maliciosamente. – Vamos? – Chamou os amigos, pendurando-se no braço forte do moreno.
Junsu e YooChun foram rindo da cara de Jaejoong e ChangMin o caminho todo. Os amigos estavam possessos com Kevin, que não largava do “morenão”.
- E então, — Iniciou Kevin. – Pensou no que eu te disse?
- Estou pensando ainda. – Respondeu o moreno. – Mas digamos que esse jantar vai ser um tanto esclarecedor.
- Ah, é? – Indagou o loiro, curioso.
- Ah, é. – Respondeu Yunho, com um sorriso malicioso para Kevin.
Ao chegarem ao restaurante, YooChun e Junsu sentaram nas pontas, Jaejoong e ChangMin do lado direito e Yunho e Kevin do lado esquerdo.
Os dois trocavam cochichos e risos baixos, enquanto ChangMin e Jaejoong bufavam de raiva, e YooChun e Junsu se divertiam à beça.
- O que esses dois tanto cochicham? – Indagou ChangMin, rabugento.
- Espero que seja uma maneira de fugir, porque se eu botar a mão no Kevin, eu juro que trituro todos os ossos dele. – Respondeu o ruivo, quase espumando de raiva.
- O que os cavalheiros irão pedir? – Indagou o garçom, cordial.
- Uma salada para ele, — Apontando para o loiro. – E um yakisoba para mim, por favor. – Pediu Yunho.
- Nossa morenão, já me conhece tanto assim? – Brincou maliciosamente, e Yunho o respondeu com um sorriso misterioso.
- Eu vou querer uma sopa. – Pediu YooChun. – E um mordedor para ele. – Apontando para Jaejoong, que espumava de raiva.
- Eu vou querer ramen, por favor. – Junsu mordia os lábios para não rir do amigo.
- Eu vou querer tofu com carne. – Disse ChangMin, sério.
- Estou sem fome. – Resmungou Jaejoong, levantando da mesa.
- Ele vai querer subuta, por favor. – Disse Yunho, levantando-se e indo atrás de Jaejoong.
O ruivo sentia seu sangue ferver de raiva. Sabia que não tinha esse direito, mas era inevitável. Estava a ponto de pular no pescoço de Kevin, como um tigre enfurecido. Ao passar pela porta do restaurante, sentiu um forte puxão em seu braço, que o fez olhar para trás.
- Onde você vai? – Indagou o moreno, sério.
- Embora. – Respondeu, frio. – Algum problema?
- Você ainda não comeu. – Disse Yunho, soltando o braço do menor.
- E você se importa? – Perguntou, sarcástico.
- Não se faça de idiota. – O moreno era sério.
- Volte para a mesa antes que o Kevin venha atrás de você. Não quero interromper nada. – Virando as costas para ir embora, mas sentiu novamente um puxão em seu braço.
- Você vai mesmo fazer esse papel de orgulho ferido? – Indagou o moreno, irritado.
- Não é papel, e não é orgulho ferido, Yunho. – Jaejoong estava visivelmente brabo. – Isso se chama dor, e acontece quando você vê a pessoa que ama esfregando na sua cara que não está nem aí para você. – Puxando seu braço com brutalidade e voltando para o restaurante.
Ao sentar-se de volta em seu lugar, viu seu prato preferido servido.
- Quem pediu isso? – Indagou o ruivo, sentando-se.
Os quatro olharam discretamente para o homem que se aproximava da mesa.
Yunho sentou-se em seu lugar e começou a comer em silêncio. Os amigos sentiram a forte tensão entre os dois e começaram a conversar. Kevin sentiu que seu trabalho já estava feito, e tratou de se portar ao lado de Yunho normalmente, o que deixou ChangMin mais calmo. Tanto Yunho quanto Jaejoong trocaram poucas palavras com os jovens, ficando mais concentrados em suas comidas.
A noite passou rapidamente, e logo já eram quase onze horas.
- E então pessoal, o que faremos? – Indagou Junsu. – Hoje é sexta!
- Poderíamos ir ao Jenk’s hoje. – Sugeriu YooChun. – O que acham?
- Eu topo! – Disse Kevin. – Vamos Chang? – Fazendo uma expressão fofa.
- Vamos. – Sorriu o moreno.
- Eu estou um pouco cansado, vou para casa. – Disse Jaejoong, deixando o pagamento da sua parte sobre a mesa. – Boa noite. – Levantando-se e indo embora.
- Eu também vou para casa. – Comentou o moreno, fazendo o mesmo. – Divirtam-se. – Saindo apressadamente.
Jaejoong caminhava a passos rápidos, e quando Yunho pode avistá-lo, já estava a quase uma quadra de distância. Começou a caminhar na mesma direção que o menor, tentando alcança-lo sem ser percebido.
Duas quadras depois, já a pouco menos de dez metros de distância, Yunho toma um susto quando surgem dois homens enormes da escuridão e abordam Jaejoong.
- Bonito anel. – Disse um deles, tocando na roupa do ruivo.
- Me larga! – Exclamou Jaejoong.
- Calma aí bonitinho, nós só queremos... conversar. – Disse o outro homem, aproximando-se do jovem.
- Deixem ele em paz. – Anunciou o moreno, sério.
Jaejoong levou outro susto quando viu Yunho ali, parado. Sentiu um alívio enorme por vê-lo, mas um pavor maior ainda por perceber que os dois homens haviam mostrado interesse no moreno.
- Dois em uma noite, é muita sorte. – Disse o maior, segurando Jaejoong pelo braço.
- LARGA ELE! – Gritou o moreno, chutando o joelho do homem, que urrou de dor e soltou Jaejoong.
- Corre Jaejoong! – Ordenou o moreno.
O menor ficou sem ação. Viu os dois homens cercarem Yunho, que parecia indefeso em meio aos dois.
- AGORA! – Ordenou novamente.
Jaejoong sentiu a energia da voz do moreno passar por seu corpo, e suas pernas começaram a se mover o mais rápido que podiam. Após sentir o medo diminuir, lembrou-se de um posto militar a duas quadras dali, e dirigiu-se freneticamente para lá.
Yunho segurou o braço de um deles com as duas mãos e o torceu. Sentiu-o imobilizado, mas antes de golpeá-lo, teve o rosto fortemente machucado por uma soqueira inglesa. O sangue rapidamente embaçou seus olhos, e logo sentiu um chute forte em seu estômago. Ajoelhou-se de dor, mas conseguiu dar um soco certeiro no joelho já machucado de um deles, fazendo-o cair no chão. O outro, ainda de pé, desferiu um soco na altura das costelas do moreno, que gritou de dor. Ao sentir que seria morto, percebeu luzes azuis e vermelhas piscando a sua frente, e uma voz familiar lhe dizendo “ Está tudo bem, eu estou aqui.” Tirou a camisa e limpou seus olhos, vendo só então o rosto apavorado de Jaejoong o fitando, preocupado.
- Eu mandei você fugir. – Disse o moreno com dificuldade, pois estava difícil de respirar.
- Eu não ia te deixar sozinho. – Sorriu o ruivo, sentindo uma lágrima lhe gelar a face.
Após os policiais encaminharem os dois meliantes para a delegacia, colocaram os dois dentro da viatura e os levaram até a porta de casa.
- Você é muito corajoso rapaz. – Disse o sargento. – Poucos fariam o que você fez pelo seu amigo.
- Poucos fariam a metade. – Sorriu Yunho, saindo da viatura.
- Obrigado por tudo. – Agradeceu Jaejoong.
- É apenas o nosso trabalho. – Sorriu o soldado. – Cuidem-se. – Arrancando com o carro.
Yunho caminhava com dificuldade. Era difícil respirar, e a cada impacto do passo, era uma ferroada nas costelas.
- Yun, calma. Eu te ajudo. – Segurando o moreno pelo braço.
- Eu não preciso de ajuda. – Disse o moreno, ríspido.
- Será que dá para engolir esse seu orgulho idiota pelo menos agora? – Perguntou, irritado.
Yunho não respondeu, cedendo a ordem do menor.
Jaejoong pegou a chave no bolso do maior e abriu a porta com um pouco de dificuldade. Colocou o moreno cuidadosamente sentado no sofá e voltou para fechar a porta. No supercílio do moreno havia um profundo corte, que sagrava. A boca tinha um pequeno corte, e as mãos estavam inchadas.
Jaejoong correu até a cozinha e trouxe alguns sacos de gelo e um pano umedecido.
- Deita. – Ordenou.
Yunho não retrucou. Com dificuldade, deitou-se no sofá, e Jaejoong sentou-se ao seu lado. Repousou uma das mãos do moreno no sofá e a outra em cima de sua perna e, com muito cuidado, colocou dois sacos de gelo sobre elas. Pegou o pano umedecido e começou a limpar os ferimentos no rosto do jovem, que fazia uma careta a cada vez que o tocava. Os gemidos eram fracos e curtos, pois Yunho não tinha forças para mais, já que suas costelas o estavam castigando.
Enquanto o ruivo limpava os cortes com cuidado, era observado por Yunho. “Como ele é lindo.” Pensou. “Meu anjo eterno.”
- Tira a regata. – Disse Jaejoong.
- Não consigo. – Disse Yunho, tentando levantar a mão, em vão.
O menor levantou-se e buscou uma tesoura. Com cuidado, fez um corte na vertical, conseguindo retirar a regata sem ferir Yunho. Um breve olhar no corpo do moreno fez Jaejoong corar. Os ombros eram fortes e grandes, o peitoral era firme e saliente, e o abdômen era perfeitamente definido. Balançou a cabeça rapidamente e tentou voltar aos ferimentos. Olhou no lado direito do tronco de Yunho e avistou um hematoma na altura do baço. Pegou um saco de gelo e levou até a região, mas sentiu sua mão ser segurada.
- O que foi Yun?
- Tá gelado. – Choramingou.
- É preciso. – Disse o ruivo, calmo. – Prometo que vai ser por pouco tempo. – Colocando o saco de gelo no hematoma, observando a pele do moreno imediatamente se arrepiar.
- Está com frio? – indagou.
- Um pouco. – Respondeu o moreno.
Jaejoong foi em busca de um cobertor, achando após alguns minutos na cômoda do quarto do moreno.
- Aqui está. – Estendendo apenas da cintura para baixo. Sentou-se novamente, examinando os cortes do maior, que já haviam parado de sangrar. – Retire o gelo após um minuto, espere trinta segundos e o recoloque. Faça isso até o gelo derreter. – Explicou o ruivo, examinando brevemente todos os machucados.
Jaejoong fez uma tímida e rápida carícia no ombro do moreno, e ao tentar levantar-se para ir embora, sentiu seu braço delicadamente puxado.
- Fica. – Pediu o moreno, o olhando nos olhos.
- Por que? – Indagou, com sutileza.
- Porque... – Iniciou Yunho. – Eu tenho medo que você vá... E nunca mais volte. – Sentindo seus olhos marejarem.
- Eu nunca vou te deixar Yun. – Jaejoong sorriu. Puxou o grosso tapete para o lado do sofá e sentou-se ali, ao lado do moreno.
Entrelaçaram seus dedos trêmulos e fitaram-se por longas horas, sem uma única palavra. Pois não era preciso.
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