Notas iniciais
Gente, um milhão de desculpas pela demora!
É que a época dos vestibulares começou, e eu estou com muito medo de não passar O_O
Então estou estudando horrores, acabando por não ter tempo de escrever.
Gomenasai >_
Espero que gostem do capitulo *-*

- Mas... – Intrometeu-se Minho. – Será que o “cara” não tem algum motivo para ser tão frio com todos?

A pergunta sem resposta do moreno deixou Key pensativo. Será que, ao invés de dar uma lição ao nariz empinado, ele não fizera ainda mais mal a ele?

Key passou a manhã inteira pensativo. Entes orgulhoso, agora o jovem mostrava-se confuso. Queria apenas ajudar, mas, será que havia mesmo feito isso?

Taemin observava o amigo de canto, enquanto preparava o almoço. Minho o ajudava, e apenas por contato visual, a dupla se comunicava, entendendo que o rapaz não estava mais tão certo de seus atos, para a felicidade dos dois.

- Então Key... – Iniciou Taemin, secando as mãos em um pano de prato. – Daqui a pouco eu vou buscar o Yoo e o Su para almoçarem aqui... Você... – Olhando brevemente para Minho. – Não quer ir conosco?

- Quero sim. – Disse o jovem, levantando-se do sofá. – Mas eu não vou almoçar com vocês. Vou ficar por lá mesmo... Preciso... Resolver umas coisas. – Saindo da sala em direção ao quarto, para arrumar-se.

- Nossa, parece que a minha pergunta deu mais certo do que eu imaginei. – Comentou o moreno, observando Key entrar em seu quarto.

Após aproximadamente meia hora, os três rapazes já se encontravam em frente ao lindo e gigantesco prédio da universidade.

Sem demora o sinal é ouvido por todos, e logo começam a aparecer estudantes na porta. Minho avista Jaejoong e Yunho de mãos dadas, e acena para o casal. Logo aparecem ChangMin e Kevin, cujo o último citado corre em direção à Key e pula em seus braços, girando e pulando como dois histéricos. Por último aparecem YooChun e Junsu, que abrem um lindo sorriso ao ver seus respectivos companheiros os esperando.

- Eu sabia que você vinha. – Sorriu YooChun, beijando o menor carinhosamente.

- Eu não sabia que você vinha. – Sorriu Junsu encabulado, ao ver o lindo sorriso de Minho.

- Acostume-se. De agora em diante, nunca mais vou te deixar sozinho. – O moreno voltou a sorrir, vendo a coloração avermelhada do menor.

- Tá gente, sério. – Pronunciou-se Jaejoong, desvencilhando-se do abraço do namorado, o permitindo que o abraçasse por trás. – Quando vocês dois vão se pegar? Já está ficando até constrangedor isso gente, pelo amor de Deus!

Os amigos não puderam deixar de rir, ainda mais por ver os dois quase roxos. Um olhar cúmplice foi trocado por YooChun e Junsu, com a promessa do maior que não contaria nada, até a hora certa chegar, deixando Junsu tranquilo.

- Ai amiga, vim aqui para falar com o Ajoo. – Sussurrou Key, um tanto triste.

- Sério mona? Você vai fazer o que? Pedir desculpas? – Indagou Kevin, preocupando-se com o amigo.

- Claro que não né bixa! – Respondeu brabo, mas logo acalmando-se. – Quer dizer... Eu não sei...

- Ai bixa, se decide né, porque ele está vindo aí! – Sussurrou urgentemente Kevin, olhando para o portão.

Ao ver o moreno, Key respirou fundo e foi de encontro ao maior, para o espanto do mesmo.

- Oi. – Key não expressou nenhuma emoção, mas não foi grosso como Ajoo esperava que fosse.

- O-oi. – Respondeu o moreno, surpreso.

- Posso falar com você? Aceita almoçar comigo? – Key se sentia estranho. Desconfortável.

- C-claro. Sem problemas. – Ajoo não entendeu a atitude do jovem, mas estava literalmente enfeitiçado pelo mesmo, e não conseguiria dizer não.

Ao verem Key e Ajoo saindo juntos, o grupo de amigos logo começou a levantar hipóteses sobre o que Key aprontaria desta vez. Mas todos estavam errados.

Em aproximadamente vinte minutos, os dois jovens acharam um restaurante simpático e pouco movimentado.

- Então... Por que me chamou para almoçar? – Indagou o moreno, cortando seu pedaço de carne.

- Quero conversar com você. Te conhecer melhor. – Respondeu o jovem, sem levantar o olhar.

Ajoo estremeceu. “Será que ele está gostando de mim?” indagou-se, eufórico.

O resto da refeição foi silenciosa. Key não sabia o que dizer, e nem como iniciar o assunto que tanto queria saber. Ajoo, por sua vez, estava nervoso e inquieto, ansioso para saber as perguntas de seu anjo enfeitiçado.

Após terminarem de comer, pagaram a conta e saíram em silêncio. Ajoo estava apenas seguindo o menor, que não sabia onde estava indo. Estava um pouco quente, e Key decidiu-se sentar-se embaixo de uma enorme árvore de um parque.

Os dois acabaram por sentar-se em lados opostos da árvore, não tendo contato visual, o que deixava Key mais à vontade, e Ajoo mais nervoso.

- Você está tão curioso que até agora não fez nenhuma pergunta. – Brincou Ajoo, olhando para as flores nas pontas dos galhos da árvore.

- Não sei como perguntar o que eu quero saber. – Respondeu o jovem, totalmente confuso e aflito.

- Então pergunte da maneira que sabe. – Aconselhou o maior, tombando levemente o rosto para o lado, podendo ver o braço do menor.

- Por que você é assim? – Indagou Key após alguns instantes.

- Era. – Corrigiu o moreno.

- Ninguém muda de uma hora para a outra. – Retrucou Key, um pouco ríspido.

- O amor faz milagres. – Explicou Ajoo.

Key ficou sem palavras. Sentiu um pouco de remorso e culpa, que logo foram deixadas de lado quando o maior voltou a falar.

- Ninguém sabe da minha história. Nunca confiei em ninguém para me abrir. Você será a primeira pessoa a ouvi-la, por isso, peço que não conte a ninguém. – Sua voz era carregada e triste, deixando o menor aflito. – Eu tinha uma família feliz. Meu pai e minha mão se amavam, e me amavam com o dobro da força. Me sentia acolhido quando meu pai me abraçava, e amado quando minha mãe me beijava. – Dando um sorriso triste. – Um dia, minha mãe viajou para ver a minha avó. Ela nunca mais voltou. – Deixando uma lágrima lhe escapar dos olhos. – Sofreu um acidente de carro e não resistiu. Eu tinha só seis anos! – Sentindo mais lágrimas lhe molharem o rosto. – Quando meu pai soube, se trancou no quarto por três dias. Eu não o via. Meu mordomo e meus empregados cuidaram de mim. Uma noite, acordei após ter um pesadelo com a minha mãe, e fui até a cozinha tomar um pouco de água. – Sua voz ia mudando gradativamente de dor para raiva. – Antes de entrar, ouvi dois empregados conversando, e um deles disse que meu pai estava era feliz pela morte de minha mãe, porque agora ele podia viver com a sua amante em casa. No dia seguinte, meu pai saiu do quarto radiante, como se nada tivesse acontecido. Eu não entendi, mas fiquei feliz por vê-lo sorrir novamente. Meu motorista me levou à escolinha normalmente, mas quando voltei para casa, vi uma mulher desconhecida me esperando na porta, ao lado de meu pai. Eu desci do carro, sem entender direito, então meu pai abraçou a moça e me disse que ela era a minha nova mãe.

Ajoo permaneceu calado por longos instantes, deixando Key mais culpado e aflito, sentindo o choro lhe incomodar a garganta.

- Ela tinha idade para ser a minha irmã mais velha. Naquele momento, percebi que meu pai nunca amou minha mãe. Que o que os empregados haviam dito era verdade e que tudo não passava de uma farsa. Eu xinguei a moça e corri para meu quarto. Desde esse dia, meu pai nunca mais sorriu para mim ou me abraçou. Começou a tentar me comprar com brinquedos caros e de última geração, para ver se eu começava a falar com a moça. Com o tempo, esses brinquedos foram trocados por carros caros, roupas de marca e joias legítimas. As pessoas começaram a ver como eu era rico e bonito, e começaram a lamber o chão que eu piso para ter um pouco do meu dinheiro e atenção. Mas cada vez que eu vejo as pessoas, só consigo enxergar luxúria e inveja, e não consigo entender coisas como Jaejoong e Yunho, ou ChangMin e Kevin. Eles... Parecem felizes juntos. – Ajoo era confuso, relembrando de cenas felizes que vira das pessoas citadas. – E quando vi você, achei que seria como todos os outros, que é só sorrir e eles se deitam comigo. – Sorriu triste. – Mas você foi diferente. Deixou bem claro que tem nojo de pessoas como eu e que nunca ficaria comigo. Em você, pela primeira vez em anos, eu vi verdade.

Key sentia-se destruído internamente, lembrando do que havia feito.

- E depois que você... Refez minhas atitudes, eu vi como me tornei a pessoa que mais odeio e tenho nojo: Meu pai. – Saindo de seu lugar e ajoelhando-se em frente ao jovem. – Foi graças a você que eu pude ver como me tornei a pessoa mais nojenta do mundo.

- Você não é nojento. – Sussurrou Key, tomado por remorso.

- Sou sim. Nós sabemos disso. – Continuou o moreno, firme. – Mas você apareceu e me acordou. Me deu a chance de mudar e mostrar para todos que eu não sou como meu pai. Que posso ser melhor. Obrigado Key. – Puxando o jovem para um abraço forte, o deixando desconcertado. – Mesmo isso acarretando o meu sofrimento, eu tenho orgulho em dizer que te amo e que foi graças a você que me tornei uma pessoa melhor.

Key sentiu-se a pior pessoa do mundo, mas ao mesmo tempo o melhor sentimento do mundo. Nunca fez algo tão horrível com uma pessoa que na verdade não merecia, e também nunca havia ouvido algo tão maravilhoso e sincero como uma confissão de amor.

A única coisa que conseguiu fazer foi abraçar o maior e chorar.

- Me desculpe! – sussurrou, limpando as lágrimas de seu rosto delicado.

- Não se desculpe. Eu só tenho a agradecer a você. – Sorriu o moreno, desvencilhando-se do abraço. – Agora só me resta afastar-me de você, para sofrer menos. Adeus Key. – Beijando a bochecha do jovem e levantando-se.

Ao ver o moreno indo embora, Key percebeu que não poderia deixar isso acontecer. Ajoo era especial, frágil e desorientado. Sentia que não podia deixa-lo ir embora sem antes amá-lo com todas as suas forças.

Correu até o jovem e puxou seu braço, o impedindo de continuar.

- Acho que nós começamos errado. – Sorriu Key, secando suas lágrimas. – Sou Key. – Estendendo a mão.

Ajoo, após não acreditar que teria mais uma chance, abriu o sorriso mais belo e radiante, abraçando o menor com força.

- Sou Ajoo. – Riu, sentindo o jovem rir também.