Meu Livro Preferido é o Pequeno Príncipe
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Era difícil manter em mente que Derek apenas o usava como fachada quando ele recebia olhares carinhosos de Cora e mensagens divertida de Laura falando que nunca viu o irmão tão preocupado em escolher uma roupa.
Assim, quando a campainha tocou no dia seguinte, Stiles sentia-se elétrico. Havia escolhido sua melhor roupa, uma calça bege larga, uma camisa verde musgo e um casaco black jeans. Usou o perfume que Lydia havia lhe dado no último aniversário e tentou parecer casual.
Ao abrir a porta para Derek, sentiu seu nervosismo aumentar. O lobisomem estava incrível. Não havia outra palavra para descrever. Os jeans escolhidos pareciam ter sido vestidos a vácuo já que envolviam cada músculo de suas coxas com perfeição. A camisa branca com o devote em V valorizava os músculos dos braços e a jaqueta de couro não era a mesma de sempre, estilo motociclista. Ela mais parecia um blazer, marrom escuro.
– Você está incrível! – Derek falou para ele, com aquele sorriso tímido que Stiles tanto gostava.
– Eu? Você se olhou no espelho antes de sair de casa?
Derek sentiu o rosto ficando vermelho e apontou para o Camaro, perguntando:
– Está pronto pra ir?
– Sim!
Stiles trancou a porta de casa e seguiu ao lado de Derek para o carro. Eles seguiram em silêncio até o estacionamento do parque. Na bilheteria, Stiles tirou a carteira do bolso, mas Derek segurou sua mão:
– Eu convidei, eu pago.
– Se a gente não dividir a conta, vou considerar isso um encontro. – Stiles brincou.
– Não vejo problema nenhum nisso. – ele pagou as duas entradas e pegou a mão de Stiles, puxando o rapaz para perto de si enquanto andavam pelo espaço movimentado.
Eles andaram por todo o parque, conversaram sobre vários assuntos. Andaram nos brinquedos mais radicais primeiro, depois na roda gigante, tomaram sorvete, comeram cachorro quente e maçã do amor. Derek realmente ganhou um presente para Stiles no Tiro ao Alvo, um boneco de pelúcia do Mestre Yoda e a noite tinha tudo para acabar bem.
– A que horas você tem que ir pra casa? – Derek perguntou, enquanto olhavam distraídos o carrossel iluminado logo a frente.
– As 10. – Stiles respondeu, querendo que já estivessem na varanda de sua casa para ver se a noite de fato terminaria com um beijo, como Derek insinuou ao telefone.
– Ótimo! Então ainda temos tempo para o trem fantasma.
Ele puxou o rapaz na direção do brinquedo e Stiles se deixou ser guiado. Os dois se sentaram num carrinho e mesmo sem outras pessoas na fila, o brinquedo começou a se movimentar. Eles entraram no espaço escuro, onde só era possível ver os bonecos ridículos que imitava bruxas, zumbis e vampiros. Stiles ria mais do que se assustava com os personagens que pulavam de caixões ou caíam sobre suas cabeças.
Na terceira curva, no entanto, o brinquedo parou de funcionar. Ele franziu a testa e olhou para Derek, que deu de ombros e falou:
– Espere aqui! Vou ver o que aconteceu.
Ele saltou do carrinho e seguiu pela trilha por onde tinham vindo. Stiles balançava a perna, inquieto, olhando por onde Derek tinha saído, esperando que ele voltasse logo. Quando cansou de esperar, ele se ergueu para sair do carrinho também. Foi quando ele ouviu um grito familiar dizendo “atirar”, as luzes se acenderam e ele viu que o local estava cheio, todo o time de lacrosse, com exceção de Scott, Isaac e Boyd, estavam lá, segurando armas de paintball.
Em menos de cinco minutos, Stiles não tinha mais uma parte sobre si sem estar coberto de tinta de todas as cores. Sem contar a dor pela falta do equipamento de proteção. Ele sabia que devia apresentar inúmeros hematomas no dia seguinte.
Sem saber como reagir, ele desceu do carrinho e saiu do brinquedo, procurando Derek com os olhos. O riso dos rapazes que fizeram isso com ele se juntou com o das pessoas nas filas dos brinquedos próximos e Stiles começou a se sentir em pânico.
E foi nesse momento que Stiles viu Derek. Ele conversava com Kate Argent, gesticulando muito. A mulher olhou para Stiles na porta do brinquedo, pingando tinta, e sorriu de um jeito cruel, puxando Derek para perto, dando-lhe um beijo na boca.
E Stiles correu.
Assim que saiu do parque, um carro cantou pneu a seu lado e ele olhou assustado, respirando um pouco mais aliviado assim que viu que o carro era de Scott. O rapaz desceu do veículo e abraçou Stiles sem se importar com a tinta que cobria sua roupa.
– Vem, vou te levar para casa.
Ele acomodou Stiles no banco do passageiro, devidamente coberto com um lençol e bateu a porta do carro, pulando por cima do capô para chegar ao outro lado no instante que ouviu Derek gritar.
O lobisomem chamava por Stiles e mesmo sua voz soando desesperada, Scott não deixou que ele se aproximasse, arrancado com o carro em seguida.
Depois de algum tempo, ele explicou ao amigo que Allison descobriu os planos da tia e não concordou, por isso contou a Scott para que ele pudesse fazer alguma coisa. Mas ele lamentava não ter chegado antes.
Stiles apenas balançou a cabeça e permaneceu em silêncio. Quando chegaram à casa do rapaz, ambos desceram do carro e Scott notou, preocupado, que Stiles parecia ter dificuldade em se orientar. Guiou o amigo até a entrada e quando o xerife abriu a porta, Stiles desabou, literalmente.
John, com a ajuda de Scott, levou Stiles para o banheiro, tirou sua roupa e o colocou num banho quente. Enquanto o rapaz apenas sentia a água escorrer, o xerife deixou Scott vigiando o filho e saiu para ligar para a terapeuta de Stiles.
– Alícia, desculpe a hora. – ele falou, aborrecido – Stiles não está bem. Ainda não teve uma crise de pânico, mas acredito que em breve ele vai surtar. No momento ele parece catatônico.
John ouviu o que a médica disse e sentiu o peito apertar.
– Dobrar a dose esta noite? E amanhã levo ele para falar com você? Ok. Obrigado, Alícia!
John foi até o armário de medicamentos e pegou o frasco com os comprimidos que Stiles não usava há um ano e meio. Ele mantinha a medicação em casa, mas a cada dia que passava sem que Stiles precisasse de uma dose de clonazepam ele considerava uma vitória.
Pegou dois comprimidos do frasco, um copo com água e voltou para o banheiro. Stiles aceitou a medicação sem questionar, o que deixava John ainda mais incomodado. Seu filho nunca gostou de tomar remédios.
Depois que colocaram Stiles na cama, vestido apenas com um short e coberto com dois edredons, John sentou-se numa poltrona na sala e olhou para Scott:
– Pode me explicar o que aconteceu? No telefone sua mãe apenas me disse que você saiu para buscar Stiles que, aparentemente, estaria em perigo.
– Também não sei como tudo aconteceu. – Scott começou, sentando-se de frente para o pai de seu melhor amigo.
Em poucas palavras ele narrou o que Stiles vinha passando na escola, o que Allison havia lhe contado naquela noite e o que ele fez para buscar Stiles. No fim, John parecia prestes a explodir de raiva.
– Se ele tivesse me falado...
– O senhor conhece o Stiles, xerife. Ele jamais falaria algo assim.
O mais velho esfregou os olhos sentindo-se derrotado. Justo ele que era a figura da lei em Beacon Hills não conseguiu proteger seu próprio filho.
– Obrigado, Scott. Por estar com ele. Melhor você ir antes que sua mãe fique preocupada. Amanhã vou levar Stiles na psiquiatra e depois dou notícias, ok?
Scott saiu e John ficou em pé, no meio da sala, pensando como seria a vida de Stiles depois daquilo.
Derek praticamente montou acampamento na frente da casa de Stiles e assim que John abriu a porta da frente para pegar o jornal na manhã seguinte, o lobisomem saltou para falar com o xerife.
– Você não devia estar aqui, rapaz! – o pai de Stiles ameaçou.
– Xerife, preciso falar com Stiles. Me desculpar. Ele tem que saber que eu...
– Que você é um desgraçado que fez piada à custa do meu filho e o humilhou diante da cidade inteira? Isso ele já sabe. Muito obrigado por empurrar Stiles de volta para a terapia e para a medicação. Agora se não quiser que eu chame os oficiais de plantão na delegacia é bom dar o fora daqui!
John bateu a porta da casa, sentindo o corpo inteiro tremer. Respirou fundo algumas vezes e olhou no relógio. A consulta de Stiles com a psiquiatra seria em duas horas. Seria melhor chamar o filho e fazer com que ele tomasse um banho antes de sair.
Stiles não tomou o banho. Na verdade, ele sequer admitiu a ideia de sair da cama. Quando John insistiu com o filho e abriu as cortinas, a crise que ele teve foi tão violenta que precisou ser medicado novamente.
A psiquiatra que acompanhava o caso de Stiles desde que o rapaz havia perdido a mãe aceitou atende-lo em casa e pouco antes do almoço ela chegava na residência dos Stilinski. Permaneceu na casa por quase uma hora e meia e quando saiu seu prognóstico não era dos melhores.
– Sinto muito, John. Sinto mesmo ver Stiles nesse estado. Havíamos conseguido um progresso tão grande nos últimos meses. – ela tinha a expressão triste enquanto prescrevia algumas coisas – Se eu pudesse sugerir uma mudança de ares, seria perfeito. Algum lugar sem vínculos com Beacon Hills.
– Mas e a escola? Stiles não admitiria abrir mão de seus estudos. Tudo o que ele aguentou esse tempo todo foi pensando na faculdade.
– Num caso como o dele, posso garantir a você que escola permitirá que ele faça seus exames a distância, desde que diante de uma figura de autoridade escolar, como o diretor de outra escola ou algum secretário de educação. Faço a recomendação agora mesmo se você tiver como proporcionar essa mudança de ares para ele.
– Pode fazer. Sei exatamente para onde enviá-lo.
– Só tem uma coisa, John. Ele tem que manter a terapia lá. Principalmente porque não vai poder fugir do concurso. Ele vai ter que voltar daqui um mês e meio para a competição.
O xerife acenou a cabeça, compreendendo o que a psiquiatra falava. Quando ela saiu da casa, ele telefonou para Melissa, pedindo para que ela viesse ficar com Stiles enquanto ele tomava algumas providências.
John passou o dia correndo atrás de tudo o que Alícia havia indicado: comprou a medicação, acionou seu advogado para intimar a escola a se pronunciar sobre o caso de bullying praticado pelos estudantes, solicitando as cópias das câmeras de segurança que ele sabia que a escola mantinha nos corredores e foi até a direção com o atestado dado pela psiquiatra, autorizando Stiles a realizar os exames fora da escola.
Além disso, ainda deu alguns telefonemas e quando voltou para casa tinha duas passagens aéreas em mãos. Encontrou Stiles assistindo TV, parecendo menos pálido, sentado ao lado de Scott.
– Filho, precisamos conversar.
Stiles desligou a TV e encarou o pai.
– Não quero os detalhes do que aconteceu, não quero explicações sobre o fato de ter escondido tudo de mim. A única coisa que quero é que você faça suas malas.
– Malas? – Scott quem perguntou, preocupado em perder seu melhor amigo.
– Sim, Scott. Stiles vai passar um tempo com os avós na Irlanda. Nós partimos amanhã cedo.
Stiles não discutiu com o pai, apenas deu um gemido cansado e derrotado e subiu para o quarto, seguido de Scott, que queria impedir o amigo de viajar, mas ao mesmo tempo sabia da importância desse período longe.
Sem despedidas, Stiles apenas mandou um e-mail para Lydia informando onde estaria e quando o avião levantou vôo ele não sabia dizer se estava tremendo de ansiedade ou de medo.
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