Meu Livro Preferido é o Pequeno Príncipe
13 Capítulo 13
Se o concurso de Mister Beacon Hills já chamava atenção da mídia nacional e até internacional, desta vez a audiência subiu consideravelmente. A desclassificação de um concorrente, pela primeira vez na história do concurso, levantou discussões acaloradas na Internet, em páginas do Facebook e inúmeros blogs sobre comportamento.
Psicólogos deram entrevistas em programas de TV e de rádio analisando o comportamento agressivo do concorrente, algo que eles consideraram fruto da pressão sofrida pelos estudantes.
Todas as reações davam a impressão de que uma mudança de postura, de costumes em Beacon Hills seria em breve exigida.
Até, é claro, chegar a parte da apresentação das habilidades especiais. E quando Jackson se transformou num lagarto gigante e escalou uma parede de quinze metros, inclinada num ângulo de 75° toda a plateia esqueceu completamente os acontecimentos anteriores. Afinal, não era todo ano que um kanima se apresentava no concurso.
Scott também teve seu momento de glória quando atravessou a barreira de Mountain Ash. Boyd mostrou sua capacidade de se transformar em vários tipos de animais, de um urso marrom a um inofensivo e charmoso coala. Ainda teve os gêmeos Aiden e Ethan que se uniram numa única criatura com o dobro do tamanho, com uma feição que assustou o público.
Cada criatura sobrenatural mostrou seus talentos e os poucos humanos do grupo se esforçavam com truques de mágica, contorcionismo e até mesmo uma tentativa frustrada de Greenberg de demonstrar seus dotes culinários e cozinhar uma fornada de cupcakes, que Finnstock tratou de batizar como “bolinhos com gosto de inferno”.
– Stilinski será o último candidato a se apresentar esta noite e juro que minha curiosidade está quase me fazendo roer os cotovelos. – o treinador falou, enquanto o rapaz subia ao palco – Vem pra cá, rapaz. Esta é uma fase que me parece favorecer mais as criaturas sobrenaturais que os humanos. O que acha disso?
– Bom, treinador, sem dúvida que os humanos saem prejudicados nessa prova específica. Mas é uma prova entre tantas outras que têm basicamente a mesma pontuação.
– Então, você não acredita que sua classificação vá ser prejudicada?
– Claro que não. Especialmente porque eu não sou humano.
O som que seguiu da plateia dava a entender que todos que assistiam estavam boquiabertos e em choque. Até mesmo o apresentador franzia a testa e piscava, olhando de Stiles para os jurados e novamente para Stiles, sem saber o que dizer.
– Mas... Mas o que... Que porra é essa, Stilinski?
A plateia riu e o treinador fez uma careta, levando a mão esquerda até a orelha.
– Desculpe! Desculpe... Aparentemente eu não posso falar porra porque estamos ao vivo. Ei, não precisa gritar, já entendi. – ele agora encarava o rapaz a sua frente como se estivessem na escola e ele o tivesse pego fazendo alguma coisa muito errada – Agora, rapaz, explique isso para gente. Como assim, você não é humano?
Stiles balançou os ombros, meio sem graça, mas explicou:
– Entendo todo mundo confuso, afinal, meu pai, o xerife Stilinski é humano. E até agora nunca demonstrei habilidade nenhuma além de saber 101 maneiras diferentes de tropeçar nos próprios pés. – as pessoas na plateia deram risadinhas simpáticas para ele – Mas estive recentemente na Irlanda, terra natal da minha mãe e onde boa parte de nossa família ainda reside. E lá aprendi muitas coisas, além de como usar um kilt. E entre essas descobertas, soube que minha mãe não era humana.
– E o que sua mãe era? – a expressão do treinador mudou de irado e curioso para infantil e curioso, como uma criança ouvindo Harry Potter pela primeira vez.
– Minha mãe era uma banshee.
Palmas, gritos, assobios, murmúrios. A agitação na plateia era imensa e os jurados anotavam rápido suas considerações a respeito da nova informação.
– Acho que vamos ter que chamar Marin aqui ao palco, porque até onde me consta, não existem homens banshee.
– Não precisa chamar a senhorita Morell. – Stiles falou tranquilamente – Realmente não existem homens banshee, porque a palavra banshee é derivada do termo Bean Sídhe, que significa Mulher de um Sídhe. Sídhes e Banshees são todos um único povo, descendente das fadas e elfos. Estou certo, senhorita? – ele sorriu para Morell que, mesmo ainda sentada entre os jurados, tinha um microfone entregue pela produção.
– Sim, as informações procedem. – Morell respondeu com um sorriso contido e um olhar de genuína curiosidade.
– Oras, oras... Se esse não é o ano das grandes surpresas! E o que você vai fazer, Stilinski? Gritar aqui e quebrar todos os vidros?
– Oh, não. Sídhes não gritam, treinador. Isso é um dom exclusivo das banshee. Todo sídhe é considerado uma faísca mágica, capaz de executar feitiços. Na maioria das vezes simples encantamentos para favorecer uma colheita ou ajudar a curar um doente. Mas também sabemos como evocar um feitiço de proteção e defesa. Mas para provar isso, vou precisar de um voluntário e meu amigo Scott aceitou ser a cobaia.
O rosto de Scott apareceu no telão e ele deu um de seus sorrisos com cara de filhote de cachorro que arrancava alguns suspiros do público. Mas antes que ele subisse ao palco, Jackson protestou:
– Sem chances! McCall e Stilinski são melhores amigos desde antes de nascerem. E essa conversa agora que Stilinski não é humano está me cheirando a trapaça.
– O senhor desconfia da legitimidade dessa informação, senhor Whittemore? – Finnstock puxou o rapaz para cima do palco.
– Desconfio!
– Então perfeito! Fique aqui como voluntário. Ele serve para o seu truque, Stilinski?
A expressão de Stiles, por um rápido momento, foi quase diabólica. Até que ele se recompôs e respondeu:
– Não vejo por que não serviria, treinador. – Stiles sorriu para Finnstock e depois puxou o cordão que Derek havia lhe dado, em que estava pendurado não apenas a triskele de prata, mas também um pequeno frasco com pó dourado – Veja bem, essa é uma história engraçada, porque foi com esse feitiço que minha mãe conquistou o meu pai.
O burburinho na plateia aumentou.
– Não se empolguem muito, não tenho a menor intenção de conquistar o Jackson! E desculpe contar isso, pai! – ele acenou para o xerife – Mas antes do xerife ali ser esse homem todo fortão e corajoso, ele era meio desengonçado. Esses genes eu puxei a ele. – Stiles ia falando enquanto esfregava o pó dourado na palma das mãos – E um dia ele acabou cercado por um bando de lobisomens com três alfas.
O xerife balançou a cabeça, um sorriso carinhoso em seu rosto lembrando da história de como finalmente conheceu sua esposa. Já fazia meses que ele paquerava Claudia em segredo, mas foi só depois daquele incidente com os alfas que eles começaram a conversar e, depois de um tempo, a namorar.
– Bom, os alfas cercaram meu pai num beco perto da biblioteca, que era onde minha mãe trabalhava na época. Ela estava saindo do serviço e ouviu meu pai apanhando e fez essa coisinha simples que vou mostrar a vocês agora.
Stiles bateu as palmas, girando uma mão para cada lado enquanto fechava os olhos e pronunciava o encantamento aprendido com seu bisavô. Quando abriu os olhos, suas pupilas tinham ficado brancas. Ele abaixou os braços, mas manteve as palmas aberta de onde saíram cordões de luz azul e dourada, indo em direção a Jackson. Assim que atingiram o kanima, os cordões se uniram, assumindo uma coloração arroxeada. A grande corda de energia enrolou em torno do corpo do rapaz, amarrando-o e o suspendendo no ar, de cabeça para baixo. Da mesma forma que tinha sido feito antes com Scott. E cada vez que Jackson tentava se livrar da corda, pequenos choques eram disparados contra ele.
– Minha mãe fez isso para salvar um rapaz que ela nem conhecia. Meu pai sorriu, agradecido. Eles começaram a conversar e, bem, se eu estou aqui hoje a culpa é totalmente desses alfas que ela prendeu.
Jackson saiu do palco tremendo e Stiles foi ovacionado por quase cinco minutos. Depois que o encerramento da etapa foi feito, lembrando ao público que o último dia de competição seria ali mesmo no Arena, mas ao ar livre, do lado do lago, onde aconteceria também a festa de encerramento, que seria um lual, os concorrentes puderam se reunir com seus familiares.
No carro de Melissa, junto com Stiles e o xerife, Scott comentou:
– Não me leve a mal, bro. Mas em nenhum dos nossos ensaios eu levei choque quando você me amarrou.
– Claro que não, Scotty! Você não é Jackson Whittemore.
Todos no carro começaram a rir.
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