Meu Livro Preferido é o Pequeno Príncipe
11 Capítulo 11
Stiles e Lydia ensaiaram a coreografia por quase duas horas e nem mesmo o xerife sabia dizer o que eles dançariam. Os dois ficavam de portas fechadas no quarto de hóspedes e ambos usavam fones de ouvido para que ninguém ouvisse a música que ensaiavam.
Eles só pararam por que Stiles recebeu uma mensagem de Derek em seu celular:
Laura quer saber a cor da roupa que Lydia vai usar.
Stiles levantou a sobrancelha, olhou para a amiga, mostrando a mensagem. Lydia tirou o telefone da mão dele e respondeu rapidamente, contando que sua roupa seria um vestido em tom de amarelo que valorizava seus cabelos e suas maçãs do rosto. A resposta veio rápida:
Ótimo, agora ela me disse que vai tingir o seu terno. Estou indo pra lavanderia. Posso passar aí?
Stiles sorriu feito bobo enquanto ele mesmo respondia daquela vez com uma única palavra:
Claro!
A questão é que Derek ainda demorou a passar e nesse intervalo de tempo Lydia foi embora e Scott apareceu para ajudar Stiles com a prova de Talentos Especiais.
Todos os participantes tinham uma vaga noção sobre o que seus concorrentes iriam fazer. Cada um sabia da peculiaridade de cada raça e apenas os humanos proporcionavam alguma surpresa.
– E você vai apenas deixar crescer os pelos, garras e presas? – Stiles perguntou, enquanto lia um velho pergaminho que tinha trazido consigo da Irlanda.
– Não. Isso os Hale fazem todos os anos e nem tem graça mais. Vou fazer um truque que Deaton me ensinou.
– Truque?
– Sim, vou atravessar uma barreira de Mountain Ash.
– Wow! – Stiles quase saltou em cima do amigo – E você consegue fazer isso mesmo? Não dói?
– Da primeira vez doeu. Meus olhos ficaram ardendo depois disso e Deaton disse que é porque isso fez de mim um alfa e não um ômega solitário mais.
– Cara, se você for um alfa e tiver o seu próprio pack, super quero ser o seu emissário, ok?
– Você nem precisa pedir, bro! Agora me fala, precisa da minha ajuda para quê?
Em poucas palavras, Stiles explicou para Scott o que tinha descoberto sobre a família de sua mãe e as coisas que aprendeu com seu bisavô. E era um dos “truques” irlandeses que Stiles iria apresentar.
– Mas isso é seguro, certo?
– Não vou mentir para você, Scott. Nunca fiz isso antes.
O lobisomem franziu a testa e respirou fundo.
– Ok. Mas tente não me machucar, tá? A gente ainda tem a prova de roupas típicas e traje de gala antes das habilidades especiais e eu não quero aparecer de olho roxo.
Os dois foram para o quintal já que Stiles não sabia muito bem como seus novos dons iriam responder à invocação que ele havia preparado. Scott sentia o suor escorrer pelas suas costas enquanto observava Stiles ficar descalço e puxar um cordão de couro do pescoço, de onde tirou um pó dourado que esfregou nas mãos e na nuca.
Ele começou a murmurar o encantamento e faíscas azuladas começaram a sair da ponta de seus dedos. Logos as faíscas azuladas mudaram para ondas arroxeadas que vibravam na direção de Scott, rodeando o lobisomem, no mesmo momento que Derek atravessou a porta da cozinha, guiado pelo xerife.
Os dois lobisomens se encararam e Derek não conteve o rosnado ao perceber que havia outro lupino perto de Stiles. O filho do xerife, por sua vez, se assustou com o rosnado e acabou perdendo o controle de seus poderes. As ondas arroxeadas se transformaram em cordas que envolveram Scott, amarrando-o e o erguendo de ponta cabeça antes de deixar com que ele caísse no chão.
– Oh merda! – Stiles olhava de Derek para o amigo que parecia tonto após sua cabeça bater com força nas pedras do quintal.
Stiles correu para ajudar Scott, esfregando o pó dourado sobre as cordas mágicas que se desfizeram. Depois ajudou o amigo a se sentar e tirou a camisa para secar o sangue que ainda escorria do corte na testa.
– Desculpe, cara! Desculpe mesmo...
Derek rangia os dentes, enciumado da atenção que Stiles dava a Scott, mas culpado ao mesmo tempo por saber que foi ele a causa da distração que fez o filho do xerife quase nocautear o amigo.
– Está tudo bem. – Scott tranquilizou Stiles, mas aceitou ajuda para levantar e caminhar até a varanda.
Logo o xerife trouxe um copo com água para o rapaz e Scott aceitou, bebendo tudo e se jogando num banquinho.
– O que você fez foi incrível, sabia? – ele disse para Stiles – Mas é melhor ter certeza que Derek vai ficar bem escondido quando formos nos apresentar. Não quero me cortar de novo.
– Não queria atrapalhar. — Derek sorriu, sem graça, e coçou a nuca.
– Não devia ter rosnado, então! – Scott rebateu – Entendo essa coisa de Stiles ser seu companheiro. Mas você também tem que entender que Stiles é do meu pack, então vai ter que se acostumar comigo por perto dele.
– Que bonito, dois cachorrinhos rosnando por minha causa. Agora quem quer um biscoito Scooby? – Stiles brincou e os dois lobisomens mostraram as presas pra ele, que riu alto e disse que ia entrar para preparar algo para eles comerem.
***
– Já faz dois dias que estamos longe das nossas novas celebridades. Este ano contando com 25 concorrentes já que tivemos a infelicidade de desclassificar um dos jovens durante a prova da toalha. E hoje vem a prova que todos esperam a cada edição do concurso: a camiseta molhada. Deve ser algum tipo de fetiche, porque nós já vimos esses meninos sem camisa. Não vejo lógica nisso. O quê? – Finnstock franziu a testa – Ah, a produção está me dizendo que não estão me pagando para dizer o que acho ou não acho lógico. Na verdade, a produção não está me pagando nada, porque eu doei meu cachê pro hospital também!
As pessoas na plateia riam e aplaudiam o apresentador.
– Hoje nós mudamos de cenário e viemos para o Parque Municipal já que a prova envolve muita água e é melhor fazer isso onde haja sol também. Vamos chamar nossa querida Marin Morell para ajudar com a divulgação dos valores arrecadados com o leilão dos meninos.
Marin subiu ao palco usando um belo vestido comprido, de estampa floral, combinando com o ambiente. Era um contraste imenso com o treinador que usava bermuda social e camiseta polo. A jurada pegou o microfone e anunciou:
– A cada edição do concurso, temos em média 30 concorrentes. Esse número de belos homens nos ajuda a arrecadar fundos para obras assistenciais em nossa cidade. Na última edição, conseguimos reformar o telhado do orfanato Saint Patrick graças ao recorde de arrecadação: 46 mil dólares.
O público aplaudiu e até mesmo os jurados pareciam sorrir para aquela informação.
– Este ano, esperávamos repetir o feito e conseguir o suficiente para que a ala de queimados do Hospital Central também fosse ampliada. Da última vez, o concorrente que mais arrecadou fundos foi o bi-campeão Derek Hale. – o rosto de Derek apareceu no telão e Stiles sentiu um frio na barriga ao saber que ele estava na plateia – Mas este ano, Derek abriu mão de participar do concurso. Confesso a vocês que fiquei aborrecida com isso, pensando que não teríamos tantas doações. Derek Hale arrecadou para o orfanato 12.365 dólares, o lance mais alto do último ano!
As pessoas começaram a aplaudir calorosamente e Derek sentia seu rosto aquecendo, sabendo que estava ruborizado.
– E qual não foi a minha surpresa ao notar que este ano nós não apenas conseguimos atingir a meta de arrecadação, como batemos um novo recorde? – o silêncio e a expectativa do público era imenso – Chamo aqui o diretor do Hospital Central, doutor Adriam Benjamin McCoy para receber o cheque de 54.765 dólares!
Depois que o diretor do hospital recebeu o cheque e fez um rápido discurso de agradecimento, Finnstock se aproximou de Morell e perguntou:
– E quem foi o campeão de arrecadação este ano?
– Por que não tenta adivinhar? – a mulher respondeu – Olhe para os rostos inocentes dos nossos meninos aqui atrás e me diga, quem acha que levou o maior lance?
Finnstock andou na frente dos meninos, fazendo caras e bocas para a plateia. Por fim, fez um gesto jogando os braços para o alto e falando:
– Desisto. Não sei mesmo... Se eu fosse dar algum lance, talvez iria com Vernon Boyd.
– Você quase acertou! – Morell sorriu, animada – Aliás, Boyd ficou em segundo lugar apenas no último minuto do leilão, quando um lance gigante colocou Stiles Stilinski em primeiro lugar.
O rosto de surpresa de Stiles só não foi mais engraçado que a expressão de Derek que fechou a cara, pensando em quem teria o atrevimento de dar um lance tão alto assim em seu companheiro. Ele havia dado alguns lances no leilão, mas sabia que não tinha sido ele o ganhador, porque os vencedores são contatados pela produção uma hora antes da transmissão começar.
– Desculpe a indiscrição, Marin, mas quanto o jovem Stilinski está valendo no mercado?
– Nada menos que quinze mil dólares.
– Wo-ho! – o treinador gritou, rodando em torno de si mesmo – Ele? Ele vale tudo isso?
– Pelo visto sim!
– E você vai nos dizer quem é que vai ter a honra, não sei se posso chamar de honra ficar meia hora segurando uma mangueira para ensopar um adolescente, de cuidar das questões hídricas do garoto do xerife?
– Isso é que é curioso, treinador. – Marin tinha um sorriso quase perverso no rosto – Você sabia que há cinco edições os Hale mantêm a liderança nessa parte da competição? Liam Hale, seu irmão Peter Hale por dois anos consecutivos, Derek Hale por mais dois anos. E agora, temos Peter Hale de novo.
A câmera focou o rosto de Peter, que exibia um sorriso arrogante. Finnstock fez um gesto para que ele subisse no palco e o lobisomem não hesitou.
– Peter Hale, tanta generosidade assim é apenas para se manter no concurso? – o apresentador brincou.
– Oh não. Já passei da idade em que preciso mostrar minha beleza assim. Agora, o prazer de ver meus atributos físicos é destinado para poucos afortunados.
– Então, o que fez com que você desse um lance tão alto no rapaz ali?
– Nem foi tanto dinheiro assim. Minhas empresas mantêm um programa assistencial que movimenta dez vezes esse valor aproximadamente. Mas no caso deste concurso, dei o lance apenas para manter os interesses da família. – Peter piscou para Stiles e virou o rosto na direção em que ele sabia que Derek estava sentado.
– Excelente! Não entendi nada do que ele falou, mas isso não importa. O que importa é que está na hora de ligarmos as mangueiras! – Finnstock passou uma das mangueiras para a mão de Peter e chamou os outros vencedores do leilão para que assumissem suas posições.
Nos minutos que se seguiram, os concorrentes viram suas roupas e cabelos ficando ensopados. O short de tactel cor de vinho e a camiseta branca, com gola V, aderiam à pele e mostravam os músculos dos participantes.
As pessoas na plateia gritavam e ás vezes um concorrente mais atrevido corria até a frente do palco e balançava a cabeça para molhar quem estava na primeira fila.
Quando a água foi cortada, o treinador voltou para o palco, agora usando galochas brancas, uma capa de chuva vermelha e um chapéu com um mini guarda-chuva colorido preso no alto.
– Estava ouvindo a Janice ali – ele apontou para uma das juradas – comentar como é possível ficar com a boca seca diante de tanta água. Isso dá quase uma tese de metrado, Janice! Agora, meus queridos... Não sei como chamar vocês. – ele falou diretamente com as pessoas que seguravam as mangueiras – Bom, vão em frente e peguem o seu troféu. A camiseta que os meninos estão usando é de vocês.
As pessoas se aproximaram com cautela, esperando que os concorrentes retirassem a peça de roupa para levarem para casa. Peter esperou que o movimento no palco diminuísse e andou calmamente até onde Stiles estava parado. O rapaz estava arrepiado com o vento que começava a soprar, mas sentiu-se ainda mais incomodado com o modo como o tio de Derek o encarava.
Assim que estava perto o suficiente, Peter ergueu a mão direita, colocando a ponta da garra no fim do decote da camiseta e cortou a peça fora. A plateia delirou com isso e o lobisomem, vendo a expressão chocada no rosto do rapaz, sorriu e disse:
– Você é companheiro de um lobisomem. Melhor se acostumar com o que as garras podem fazer. Ou optar por andar nu quando a lua cheia chegar.
Ele piscou para Stiles mais uma vez e saiu do palco, rodando a camiseta rasgada, fazendo a água respingar em quem estivesse por perto.
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