Meu Lar
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Santana só foi liberada da clínica no dia seguinte. Mercedes queria acompanhar de perto como seria as reações de seu corpo diante de todo o acontecido. Alícia havia falado com as mães por telefone, dizendo meio chorosa que estava com saudades e que as queria junto dela.
– Amorzinho da Mama, não chora. – Santana dizia compadecida para a filha ao telefone – Amanhã a Mama e a Mamãe Quinnie estarão aí contigo, te enchendo de beijos e carinho. Vamos ficar vários dias abraçadinhas vendo desenhos, filmes e brincando.
– Você promete, Mama? – perguntou fungando.
– Sí, mi angel, yo te prometo.
– No te olvídes que me ha prometido. Able para Mama Quinie que la quiero mucho.
– Yo y tu madre también te quieremos mucho, pación. – Santana falava sob o olhar atento de Quinn – Agora você vai escovar seus dentinhos e vai dormir, ok? Dê um beijo na abuela por nós.
– Boa noite, Mama.
– Boa noite, meu amor. – disse encerrando a ligação.
– Como será que ela vai reagir quando souber a verdade? – uma Quinn totalmente insegura perguntou.
– Vem cá, amor. Deita aqui do meu lado. – disse estendendo os braços e fazendo a loira se aconchegar contra seu corpo, passando logo a acariciar os finos fios dourados – Você acha que a Alí vai deixar de te amar ao saber que tem seu sangue? Acha que isso vai diminuir ao menos um pouquinho o amor que nossa pequena sente por você? Ela te ama, Quinnie. Não sei como, mas ela sempre soube... E mesmo se não soubesse ela ia te amar igual, porque vocês nasceram para serem mãe e filha. – falava de forma carinhosa e a outra ouvia atentamente.
– Eu sempre soube... Meu coração sempre me dizia que ela também era minha. – falou agora sorrindo – Amei aquela pequena no momento em que você falou que tinha uma filha. Senti um calor em meu peito que só aumenta cada vez mais.
– Sabe o que ela me disse quando eu fui para Montana atrás de um emprego e ela ficou com minha mãe? – perguntou e Quinn negou com a cabeça contra seu peito – Que eu não demorasse a voltar para busca-la para sua casa nova, onde ela e o Tobby iriam brincar e correr muito na grama, junto com sua mamãe. Até achei que a mamãe era eu, mas agora eu vejo que ela sabia que eu estava indo te encontrar.
Quinn sorria contra o pescoço de Santana, que beijava levemente os cabelos loiros e sedosos que amava acarinhar.
– No que você está pensando? – perguntou curiosa, ao ver Quinn tão quieta.
– Lembrando do dia que a Mercedes me procurou pedindo para eu ser a doadora para um casal que queria muito engravidar, mas que queriam que a pessoa que fornecesse o sêmen fosse especial, assim como queriam que o bebê fosse. Lembro que falei para Mercedes que aquela ideia dela era insana, que eu não era especial, mas sim um erro da natureza. – confidenciou e Santana a apertou ainda mais contra si – Ela usou tantos argumentos que acho que fiquei tonta e acabei concordando. Mas o que realmente me convenceu foi quando ela disse que vocês seriam as mães mais dedicadas e amorosas que um bebê poderia ter, e isso era exatamente o que sempre quis para um filho meu.
– Oh, Quinnie. – algumas lágrimas escorreram pelo rosto da latina – Obrigada por ter confiado em mim e na BrittBritt.
– Tenho certeza que se a Brittany não tivesse partido, ela seria uma mãe maravilhosa para nossa filha, assim como você é. – falou acariciando o rosto de Santana.
– É com certeza ela seria. – disse melancólica – Nós duas planejamos muito a nossa filha. – suspirou pesado.
– Você parece cansada. O dia foi extremamente agitado, é melhor você dormir agora e amanhã vamos para casa. – concluiu, ajeitando-se para que agora Santana ficasse aninhada em seu peito, como faziam todas as noites.
A enfermeira bateu à porta trazendo a última medicação da noite. Santana tomou-a voltando a se acomodar contra Quinn, pegando no sono logo em seguida.
Quinn ficou um tempo observando Santana dormir. Ainda não conseguia acreditar naquilo tudo que fora revelado, mas dormiu com um leve sorriso nos lábios.
...
– Quinnie! Amor! – chamava Santana, acariciando o rosto alvo da mulher adormecida em seu ombro – Acorda dorminhoca.
– Huuummm. – gemeu – Só mais um pouquinho, San.
– Acorda, amor. Quero ir para casa ver nossa filha. – falou manhosa e finalmente a loira abriu os olhos.
– Bom dia, rainha. – saudou, beijando levemente os lábios da esposa.
– Bom dia, minha vida. – disse ao se afastar levemente.
– Nossa, vocês são melosas demais. – ouviram a voz de Mercedes entrando no quarto – Bem que sua irmã disse que todos estão a beira da diabetes na casa de vocês. É muita doçura para um casal só. – completou rindo.
– Não enche, Cedes. Quando você encontrar o amor da sua vida tenho certeza que vai ser ainda pior. – Quinn falou já sentando na cama – Quando podemos ir embora?
– Você eu não sei, mas vim dar alta para essa latina linda aqui. – brincou, piscando para San de forma sedutora a fim de provocar a amiga.
– Pode ir parando que essa é minha. Vai ciscar em outro terreiro. – disse fingindo-se de brava e as outras duas riram.
– Está me chamando de galinha, Quinn? – Santana entrou no jogo, fingindo-se de brava.
– Nunca, San. Estou só brincando, amor. – disse assustada.
– Domadaaaa. – Mercedes cantarolou entredentes e mais uma vez arrancou risadas de Santana.
– Dra. Jones, a senhora vai dar alta para minha esposa ou não?
– Sim, senhora Fabray, sua esposa já está liberada. – fingiu um tom sério – Santana, repouso absoluto nas próximas duas semanas, viu? Nada de fazer esforço, de se agitar, de carregar peso, evite estar subindo e descendo escadas, não pegue Alícia no colo e principalmente... – fez uma pausa e olhou para Quinn com cara de riso – Nada de sexo enquanto eu não liberar, mesmo que essa pervertida de sua mulher insista.
– Mercedes... – disse uma Quinn vermelha – Eu não sou pervertida. – completou, indignada, arrancando risos das outras duas.
Mercedes ainda provocou Quinn um pouco mais, fazendo Santana rir da interação daquelas duas que demonstravam ter uma grande amizade. Já estava sentada na cadeira de rodas para ser conduzida para fora do local quando viu sua esposa puxando a médica em afetuoso abraço.
– Obrigada por tudo, Cedes.
– Não precisa agradecer, Quinnie. Somos amigas há muito tempo e eu sempre estarei aqui para o que for preciso. – declarou.
– Eu sei. Assim como sempre estarei para você. – abraçou forte a amiga antes de se afastar – E mais uma vez obrigada por ter me convencido a ajudar aquele casal anos atrás.
– Era o destino...
Santana olhava encantada para as duas. Um sorriso brilhava em seus lábios. Abraçou a médica com força quando esta veio se despedir. Com certeza ali nascia uma nova amizade, tão forte quanto a já existente entre Quinn e Mercedes.
...
– MAMAAAAA. – ouviram o grito de Alícia assim que adentraram ao apartamento.
A menina correu até sua mãe e se abraçou às suas pernas com carinho. Santana abaixou-se ficando à altura da filha e a envolveu em um apertado abraço, enchendo-a de beijos.
– Eu estava com saudades... – declarou a pequena – E preocupada com você e o maninho, Mama.
– Agora está tudo bem, bebê. A Mama só tem que descansar como a Mercedes mandou. – explicou.
Quinn olhava as duas encantada com a preocupação de sua pequena com a mãe e o bebê. Abaixou-se ao nível das duas e sorriu para a filha ainda mais apaixonada por aquela criança que agora descobrira ser mais sua do que nunca.
– E eu não ganho abraço, não? – perguntou fazendo beicinho.
– Mamãeeee. – falou, se jogando contra Quinn, fazendo com que a loira caísse com ela por cima, fazendo os demais rirem – Também estava morrendo de saudades de você. – declarou enchendo o rosto de Quinn de beijos.
– É mesmo? Eu já estava com ciúmes achando que você só estava com saudades de sua Mama.
– Não, mamãe. Também senti muito sua falta. – envolveu o pescoço da mãe em um afetuoso abraço que foi retribuído com todo o carinho.
– Vem, agora vamos ajudar a Mama a deitar porque ela tem que repousar e nós vamos cuidar dela com muito carinho, não é mesmo?
– Sim, Mamãe. A Mama é nossa princesa e temos que trata-la muito bem. – declarou e Santana encheu os olhos de lágrimas com o carinho da filha.
– Se eu pudesse te pegava no colo e te enchia de mordidas.
O restante da família que apreciava a cena mais afastada se aproximou e abraçaram Santana com carinho, ainda preocupados com a saúde da latina.
– Vem, San. Senta aqui, não fica muito tempo em pé. – disse uma Marley preocupada com a irmã.
Santana se deixou conduzir pela irmã até o sofá, onde a filha imediatamente fez questão de sentar ao seu lado. Quinn sentou-se de forma que Alícia ficasse entre ela e San. Chegara o momento de contar a todos a revelação que Mercedes fizera.
– O que vocês tinham de tão importante para nos contar? – perguntou uma Kitty extremamente curiosa para saber qual era a revelação que a irmã havia anunciado pelo telefone.
– Não me digam que San está grávida de gêmeos? – Russel questionou esperançoso, fazendo com que Alí mirasse Santana com os olhos brilhando.
– Não é isso, mas é algo tão maravilhoso quanto... – Quinn fez mistério e dirigiu o olhar para Santana, como se pedisse sua autorização para contar a descoberta.
Todos olhavam para o casal com um misto de ansiedade e curiosidade, que só era amenizada em razão do sorriso que as duas estampavam no rosto.
– Na verdade nós temos uma coisa muito importante e ao mesmo tempo maravilhosa para contar para minha princesinha aqui. – Quinn disse bobamente para a filha.
– O que é mamãe? O que vocês vão me contar?
– Você sabe que a Mama San e a Mami Britt queriam muito ter um bebê, não é? – perguntou e a filha assentiu – Como elas eram duas meninas elas tiveram que procurar alguém que conseguisse ajuda-las a ter o bebê que elas tanto queriam. Então elas procuraram a Doutora Mercedes para que ela conseguisse alguém que desse uma sementinha para ajudá-las a fazer esse bebê.
– Assim como você colocou a sementinha dentro da Mama e fizeram o maninho? – perguntou inocente.
– Quase assim. Só que essa sementinha foi colocada dentro da Mami Britt na Clínica da Cedes. – a pequena concordou com a cabeça como se estivesse entendendo tudo, então Quinn prosseguiu, sob o olhar curioso de todos, que não entendiam onde aquela história iria dar – Então a Mercedes procurou a Mamãe Quinn e pediu para que ela desse a sementinha para que o bebê da Mama e da Mami pudesse nascer. A Mamãe não conhecia elas, mas como sabia que iriam amar muito, muito, muito essa criança, eu concordei com o pedido e dei a sementinha para que elas tivessem você. – disse e olhou para a filha com expectativa, para ver se ela estava entendendo o que queria dizer.
A pequena tinha o olhar confuso e intercalava-o entre as mães. Judy e Russel choravam enquanto as demais olhavam espantadas para as duas mulheres a sua frente.
– Aí a Mami Britt me mandou para você de novo. Para que você cuidasse de mim e da Mama. – concluiu sorrindo e Quinn se emocionou com as palavras da filha, abraçando-a forte, com todo o amor que transbordava de seu ser.
– Eu te amo, minha pequena. – chorou agarrada à filha.
– Eu também te amo, Mamãe. – declarou a pequena, retribuindo o afetuoso abraço que recebia.
Santana observava a cena com lágrimas escorrendo pelo rosto. Aquelas duas haviam nascido para ser mãe e filha, e Brittany de alguma forma auxiliou para que elas se encontrassem e pudessem formar a família que se construía e que em breve aumentaria.
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