Meu Lar
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Encontraram Maribel na livraria, como haviam combinado antes de entrarem no cinema. A latina mais velha tinha uma pilha de livros em mãos e ainda escolhia mais alguns. Estava distraída em meio aos volumes e nem viu as três se aproximarem com as mais velhas rindo daquela cena.
– Madre, assim você vai levar a livraria inteira. – brincou Santana.
– Ai, mi hija, são tantas opções que estou com dificuldade em escolher. Vou ver apenas uns três para não ficar muito caro. – falou indecisa, equilibrando uns dez livros nos braços.
– Deixa que eu seguro enquanto você olha esse aí, sogrinha. – disse Quinn, piscando para Santana de forma marota.
– Obrigada, minha filha. Vou aceitar, meus braços já estão doendo. – riu.
Assim que entregou os livros à Quinn voltou a se distrair e a loira pegou um carrinho que havia ali perto e carregou Alí para a sessão de livros infantis, sendo seguida de perto por Santana. Tudo o que a pequena gostava ia parar dentro do carro, mesmo sob protestos da latina.
– Quinn, não deixa ela colocar tudo que vê dentro do carrinho. – ralhou – Vai ficar muito caro.
– Deixa ela, San. É importante incentivarmos ela desde agora a gostar de leitura. – falou como se fizesse planos a longo prazo com elas, arrancando um olhar admirado de Santana.
– Sei que é importante, mas não é sempre que vou ter dinheiro para comprar esse monte de coisas. Ela tem que ter limites, Quinn.
– Ok, você venceu. Vamos fazê-la escolher apenas três. – disse marota indo em direção à Alícia – Pequena, venha cá com a Mamãe. – chamou espantando ainda mais Santana – Olha só, eu e a Mama decidimos que você vai poder escolher somente três dos livros hoje, está bem?
– Mas Mamãe, eu gostei tanto de todos. – falou já com os olhinhos cheios de lágrimas, partindo o coração de Quinn.
– Sei que gostou, pequena. Outro dia nós voltamos e você pode escolher mais alguns que não levarmos hoje.
– Tudo bem, Mamãe Quinnie. – falou fungando, engolindo as lágrimas e abrindo um sorriso tímido para a loira.
– Isso mesmo, filha. É assim que a Mama gosta, quando você entende direitinho as coisas. – Santana sorriu – E não esqueça que ainda temos que ir escolher o brinquedo que prometi te dar por ter sido uma boa menina essa semana.
– Obaaaa. – vibrou a criança.
– Depois eu que mimo ela. – murmurou Quinn, mas Santana escutou mesmo assim.
– Eu tinha prometido a ela, Quinn. – justificou Santana com um sorriso maroto.
– Só por isso eu vou te perdoar. – brincou.
Após Alí escolher os livros que queria, Maribel se aproximou com mais alguns para selecionar os que levaria. Sua cara de dúvida fez com que Quinn tomasse os livros que ela tinha em mãos e colocasse rapidamente dentro do carrinho e saísse praticamente correndo por dentro da loja, deixando duas latinas atônitas para trás.
Quando deram por si e pegaram Alí para ir atrás de Quinn a loira já passava tudo no caixa, pedindo rapidez à atendente que percebeu o que ocorria e com um sorriso entrou no jogo.
– Quinn, você não vai vir da próxima vez. – reclamou Santana.
– Mas por quê? – fingiu-se de desentendida.
– Porque além de você comprar essa quantidade de coisas... – apontou para as sacolas — ... você ficou flertando com aquela atendente para ela passar as mercadorias mais rápido. – falou com um ciúme que nem ela entendia.
– Eeeiii, eu não flertei com atendente nenhuma. – defendeu-se, mas de repente parou o que dizia, percebendo que Santana estava com ciúmes... ciúmes dela.
Aquela constatação fez com que quase transbordasse de alegria. Soltou as sacolas desajeitadamente onde estava e puxou-a para um beijo apaixonado, que logo foi retribuído a altura.
– Não tem porque ficar com ciúmes. – disse ao se afastar.
– Não estou com ci...
– Ora, ora, ora. Se não é a latina marrenta e a aberração. – ouviram uma voz debochada atrás delas.
Se viraram ao mesmo tempo e deram de cara com Jesse, que não escondia as feições de repulsa pelas duas. A primeira reação de Santana foi partir para cima dele, mas foi segurada por Quinn, que antes de qualquer coisa verificou que Alí estava mais distante com Maribel, a qual passou a distraí-la assim que percebeu a situação.
– Qual é o seu problema, cara. Quer apanhar de novo? – vociferou Santana – Eu te avisei para nunca mais falar da Quinn assim.
Quinn se espantou ao perceber que toda aquela reação da latina era para lhe defender, assim como fora da outra vez. Quando Jesse falou aquelas atrocidades, nem havia percebido a intensidade com que Santana a defendera, mas agora se dava conta de que talvez estivesse totalmente equivocada e que esta talvez não a rejeitasse, como achou que faria.
– Olha só, defendendo a namoradinha. – riu – Não sabia que era uma mulher interesseira e que chegaria a se submeter a ficar ao lado dessa daí por dinheiro. – debochou.
– Cala a boca, seu nojento. Eu vou arrebentar você. – Santana via tudo em vermelho e só sentia uma pressão segurando fortemente sua cintura.
– Calma, San. Não vale à pena. – Quinn tentava acalmá-la embora ela mesma estivesse possessa e prestes a pular no homem a sua frente.
– É San, fica na sua. – riu mais ainda.
Naquele momento seguranças do shopping que já vinham analisando a cena enquanto se aproximavam chegaram perto deles e conduziram Jesse para fora. O homem ainda se virou para trás com um olhar zombeteiro e um ar de deboche no rosto.
– San? – chamou preocupada ao ver a latina ofegante – San? Você está bem? – perguntou preocupada, agora alisando os cabelos morenos.
– Quinn? – olhou confusa para a loira – Me desculpe. Eu perdi o controle. – disse envergonhada, voltando a si – Cadê a Alí? Ela está bem? – perguntou preocupada, olhando para os lados.
– Sim, sua mãe a levou até a loja de brinquedos. – respondeu com ar triste.
– Ei, não fica assim. – falou envolvendo a cintura de Quinn e a puxando de encontro ao seu corpo – Não leve em consideração nada do que aquele sujeito falou.
– Mas é verdade, não é? As pessoas sempre agiram assim, sempre se aproximaram de mim por algum interesse. – disse magoada.
– Você está sendo injusta, Quinn. Não se deixe afundar nessa auto piedade. Tenho certeza que Emma, Puck e Will, além de várias outras pessoas não estão sempre do seu lado por compaixão ou interesse. Assim como Alícia, eles te amam. – falou aquilo de forma doce.
– Acha que ela me ama mesmo? – seus olhos brilharam e um lampejo de felicidade cruzou por seu rosto.
– Claro que ela ama. – “Quem não amaria?” – Você não percebe a devoção com que ela te olha?
– Só você para levantar meu astral depois do que aconteceu. – disse enquanto alisava o rosto bronzeado do sol, selando seus lábios – Vem, vamos lá ver o que a nossa pequena escolheu de brinquedo. – disse inconscientemente e Santana sorriu.
Após um pequeno showzinho de Alícia que chorou, pois queria levar vários brinquedos, Santana conseguiu convencê-la a levar apenas o combinado. Quinn estava inclinada a levar todos os que a menina queria, mas após receber um olhar severo da latina acabou por desistir de sua ideia e concordou com ela.
A volta para o Rancho foi tranquila, estava quase anoitecendo e Alícia acabou por dormir a maior pare do percurso, cansada pela agitação do dia. Maribel também vinha quieta, quase cochilando ao lado da neta. Santana vinha do lado de Quinn com a mão em sua coxa, perdida em pensamentos. A cabeça das duas fervilhava e o desagradável encontro com Jesse voltava a suas cabeças a todo instante, mesmo que já não tivesse tanta importância para a loira.
Pela primeira vez na vida encontrara uma mulher que a defendera e ainda a acalmara depois de um evento perturbador como aquele. Da primeira vez que Santana enfrentara Jesse, Quinn havia ficado tão transtornada em função de a latina ter descoberto sua condição, que nem se ligara que ela havia perdido as estribeiras e agredido o cowboy apenas para defende-la.
Um sorriso brincou em seus lábios. Talvez Santana pudesse gostar de verdade dela, mesmo que apenas como amiga. Pegou a mão que estava sobre sua coxa e beijou-a, lançando um olhar de lado para a mulher ao seu lado, que não escondeu o sorriso cativante. Como não se apaixonar?
Santana se sentia segura ao lado de Quinn. Ela lhe transmitia uma segurança que jamais havia vivenciado. Pressentia que ela a defenderia do que fosse preciso e quando necessário. O amor que ela dirigia a Alí era mais uma prova de que ela era totalmente confiável e merecia uma chance.
Quem sabe aquele relacionamento que começara de uma forma totalmente errada não se tornasse completamente certo, afinal.
Ao chegarem ao Rancho Tobby correu na direção do veículo, já fazendo festa para Quinn que se abaixou para lhe afagar as orelhas, completando a alegria do animal, que em seguida correu para Santana.
– Pensei que o senhor havia me trocado, danadinho. – falou brincando com o cachorro.
– Está com ciúmes do Tobby? Não acredito. – brincou Quinn, abrindo a porta traseira para que Maribel descesse e já se dirigindo para onde Alícia estava dormindo para pegá-la.
– Esse cachorro vendido, mal te conhece e já faz mais festa para você do que para mim. – reclamou.
– É o meu charme, baby. – falou piscando o olho para Santana, que se derreteu ao vê-la passar com a filha nos braços.
– Duvido muito, acho que isso é um feitiço que você jogou nele e na Alí. – seguiu brincando enquanto envolvia a cintura de Quinn que se dirigia para dentro da casa, logo atrás da sogra.
– Viu só, até você admite que sou encantadora. – riu.
– Feiticeira. – sussurrou antes de dar um rápido beijo em Quinn ainda do lado de fora.
Emma observava toda a cena da janela e tinha um sorriso que mal cabia no rosto. Parecia que sua Quinnie finalmente encontrara a mulher certa. Nunca tinha a visto tão feliz e tampouco alguém sendo tão carinhosa com ela, como Santana estava demonstrando ser.
Sua amiga já havia sofrido demais, já estava na hora de alguém fazê-la feliz.
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