Meu Lar

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Como foi o findi de vocês? Espero que gostem.

O resto da noite seguiu agradável. Maribel e Alícia não conseguiam conter a felicidade com a notícia do namoro. A criança foi para o colo de Quinn e nem com Santana quis mais ir, causando ciúmes na mãe.

– Agora é assim? Não quer mais saber de sua mãe? – perguntou a Alícia, fingindo indignação, na verdade estava adorando todo aquele carinho que Quinn tinha por sua filha.

– Mas Mama, ela também é minha mãe. É a Mamãe Quinnie. – respondeu inocente, arrancando um sorriso feliz de Quinn.

– Isso mesmo. – Quinn fez questão de incentivar.

– Não a incentive, Quinn. – ralhou. Não queria a filha decepcionada quando Quinn cansasse daquela brincadeira.

Quinn estendeu a mão e envolveu o braço de Santana, puxando-a para sentar em seu colo junto de Alí, na perna desocupada. Pega desprevenida a latina se desequilibrou e acabou caindo ali, sendo logo envolvida pela cintura.

– Por que não? Afinal de contas você é minha namorada. – brincou fazendo a outra trincar os dentes.

– Não por muito tempo. – sussurrou no ouvido da outra, sendo tomada subitamente por uma onda de raiva.

– Enquanto eu quiser. – respondeu também num sussurro, enquanto passava o nariz no pescoço de Santana, que novamente se arrepiou. Olhou mais uma vez para Quinn com raiva e recebeu um sorriso vitorioso de volta.

– Isso não vai ficar assim. – ameaçou fingindo sorrir.

– Não vai mesmo. – completou Quinn tomando os lábios da latina com paixão, sem que essa esperasse por tal atitude. Correspondeu ao beijo com a mesma intensidade que o recebia. Não conseguia pensar em nada, só sentir.

Alícia observou momentaneamente as duas se beijando, mas logo se distraiu com a boneca que tinha em mãos, encostada, meio sonolenta, contra Quinn. Maribel entrou na sala e viu aquela cena, não conseguindo deixar de ficar feliz pela filha. Pressentia que aquelas duas estavam destinadas uma para a outra, mesmo que percebesse uma certa relutância por parte da teimosa Santana.

– Vem, Alí. A abuela vai te colocar para dormir. – falou, fazendo com que as duas interrompessem o contato.

Santana ficou momentaneamente atordoada, não conseguindo perceber o que acontecia, até que a lucidez voltou a tomar conta de sua mente e se arrependeu ferrenhamente de ter correspondido ao beijo com tanta intensidade.

– Não, madre. Deixa que eu a coloco para dormir, como todas as noites. – disse já se levantando do colo de Quinn e pegando Alícia.

Seguiu com a filha nos braços até o quarto da pequena, sem perceber que Quinn a seguia de perto, surpreendendo-se ao se deparar com ela a suas costas. Largou a filha já sonolenta delicadamente sobre a cama e foi pegar seu pijama.

– Mamãe Quinnie, senta aqui du meu ladinhu enquanto a Mama vê meu pijaminha. – disse batendo com a mãozinha do seu lado.

– Claro, pequena. – respondeu sem conseguir disfarçar suas feições de carinho em direção à criança, sentando onde era indicado e logo tendo o pequeno corpo contra si.

– Vem, angelita. – falou colocando-a em pé e tirando a roupinha, sob o atento olhar de Quinn.

Rapidamente Santana terminou de trocar a roupa que Alí vestia pelo pijama e acomodou-a sob as cobertas.

– Boa noite, mi hijá. – disse acariciando os cabelos da filha e beijando sua testa.

– Boa noite, Mama. Boa noite, Mamãe. – disse com os olhinhos já se fechando.

– Boa noite, minha pequena. – disse Quinn baixinho, mas mesmo assim Santana não pode deixar de ouvir e sentir seu coração amolecer mais um pouco.

Como que num acordo silencioso ambas saíram do quarto lado a lado, mas sem dizer nada. Cada uma tomada por um tipo de sentimento diferente.

Quinn tinha um sentimento como se estivesse finalmente completando o vazio dentro de si. A felicidade que sentia era indescritível, como nunca havia sentido antes. Já Santana estava em conflito com seus sentimentos. Uma hora sentia que podia confiar em Quinn em qualquer oportunidade, em outras a loira agia totalmente contrário ao que esperava, fazendo com que se retraísse novamente.

Caminharam sem falar nada lado a lado até a sala, até que Quinn parou e se virou para Santana, admirando o rosto lindo a sua frente.

– Já está tarde. – disse suavemente e Santana apenas assentiu, perdida naquele mar verde que eram os olhos de Quinn – Vou indo então.

Sem esperar qualquer resposta da latina, Quinn a puxou pela cintura e tomou seus lábios delicadamente. O beijo foi calmo e Santana sequer pensou em resistir. O cheiro da loira a estava inebriando e se não fosse a iniciativa dela em interromper o contato, com certeza o teria aprofundado e perdido mais uma vez o controle sobre si.

– Boa noite, San. – falou contra os lábios carnudos.

– Boa noite, Quinn. – conseguiu responder finalmente.

Diante da hesitação de Santana, Quinn sorriu e se afastou lentamente. Começando a ir embora.

– Ãh, Quinn? – chamou, fazendo com que a outra se virasse – Não quero ser abusada... Mas você poderia me emprestar uma das caminhonetas do Rancho amanhã? A minha ainda não ficou pronta...

– Que horas você pretende sair?

– Em torno das oito da manhã, para aproveitar bem o dia com a Alí e minha mãe.

– Tudo bem, mas não precisa pedir, é só você pegar quando quiser. – sorriu – Afinal, você é minha namorada. – concluiu e saiu sem ver a expressão de espanto no rosto de Santana.

Ela só podia ser bipolar.

...

Na manhã seguinte levantou bem cedo e foi acordar Alí para prepara-la para o passeio. Estava animada, pois já fazia algum tempo que não podia se dar ao desfrute de sair para fazer compras e propiciar o que a filha quisesse.

Por mais que tivesse ocorrido o impasse com Quinn em função da ameaça para namorar com ela a fim de assegurar seu emprego, não pretendia sair dali tão cedo. Sentia como se ali fosse seu lugar, mesmo com toda a grosseria e chantagem que sofrera da loira.

Estava saindo pela porta, para pegar uma das caminhonetes quando o veículo de Quinn estacionou em frente a casa e esta desceu com um sorriso encantador no rosto, deixando uma Santana boba a olhando.

– Bom dia, San. – saudou se aproximando.

“De onde ela tirou esse apelido? Nossa que sorriso lindo... Que perfume é esse, meu Deus? Foco, Santana. Foco”.

– Bom dia, Quinn. – respondeu o mais sério que conseguiu, mesmo com vontade de se jogar em seus braços e afundar o nariz naquele pescoço cheiroso – O que faz aqui tão cedo?

– Vim para levá-las à cidade. – sorriu e puxou Santana pela cintura, selando seus lábios com carinho – Agora sim... bom dia. – completou ao se afastar levemente e logo se aproximando novamente.

Sem entender o que acontecia com seu corpo cada vez que se aproximava de Quinn, Santana correspondeu ao beijo com ardor, sentindo uma quentura tomar conta de si. Só se afastaram quando ouviram um pigarro e depararam-se com Maribel as olhando sorridente.

– Bom dia, Quinn. Desculpe interrompe-las, meninas, mas tem um mocinha ansiosa querendo saber quando vamos partir. – falou apontando para o serzinho inquieto ao seu lado.

– Bom dia, sogrinha. Bom dia, minha pequena. – disse se aproximando de Alí e a pegando no colo, enchendo-lhe de beijos.

“Sogrinha?” – pensou Santana espantada.

– Minha pequena está agitada para passear, é? – dizia fazendo cócegas em Alí, que se contorcia rindo.

– Sim, Mamãe. – conseguiu dizer entre risos.

– Então não vamos mais deixá-la em expectativa. – completou já se dirigindo à caminhonete e acomodando a criança no banco de trás, prendendo-a com o cinto de segurança.

Santana e Maribel assistiam a tudo espantadas. Aquela cena resumia uma perfeita relação de mãe e filha. Quinn tratava Alí como se realmente fosse dela, e vice versa.

Sem querer prolongar qualquer discussão frente a sua mãe e filha, Santana dirigiu-se ao veículo, seguida por Maribel, e entrou, acomodando-se ao lado de Quinn. O percurso foi feito em meio a conversas, principalmente entre a latina mais velha e a nora.

Santana mais observava e prestava atenção a elas do que participava do assunto. Não conseguia deixar de se espantar com a facilidade com que Quinn conquistara a sua família. Também estava preocupada com a ida até a delegacia e com a questão que não saía de sua cabeça: será que já haviam descoberto algo?

Logo chegaram à cidade e foram direto ao shopping local, onde deixariam Alí e Maribel. A pequena ficaria no centro de recreações sob os cuidados da avó enquanto as outras duas sairiam para resolver as questões do “Rancho”.

Santana não conseguia disfarçar o nervosismo enquanto Quinn dirigia até a delegacia. A loira afagava sua perna carinhosamente, tentando acalmá-la, sem qualquer sucesso.

– Calma, San. Só vamos conversar com Broddy e ver se ele tem alguma novidade para nós.

– Eu sei, mas parece que agora que estou aqui, prestes a falar com ele para contar minha versão dos fatos, estou revivendo tudo de novo. – disse baixo.

– Não fique assim, meu bem. Não vou deixar que nada de mal te aconteça novamente.

Não sabia por que, mas Santana acreditou naquelas palavras de Quinn. Por mais absurda que fosse a “relação” delas, podia sentir que ela a protegeria em qualquer circunstância, e isso a deixava extremamente dividida em seus sentimentos.

– Obrigada, Quinn. – disse sincera.

– Faço qualquer coisa por você. – falou encarando Santana, descendo da caminhonete e abrindo a porta do carona para que ela também saísse do veículo.

Num impulso rodeou os braços no pescoço de Quinn e a beijou carinhosamente. Mesmo sendo pega de surpresa, a loira se rendeu à latina e correspondeu da mesma forma.

– Obrigada. – Santana sussurrou contra seus lábios, encarando as lindas orbes verdes.

– Vem, vamos acabar logo com isso para irmos encontrar com nossa menina. – disse, espantando mais uma vez Santana, pois a loira falava como se Alí fosse realmente sua filha.

Só conseguiu sorrir para Quinn e alcançar a mão que lhe era estendida, entrelaçando os dedos antes de rumar até a delegacia, onde em seguida foram atendidas por Broddy.

– Boa tarde, senhoras. – disse Broddy, formalmente.

– Olá, meu amigo. – falou Quinn amistosa – Trouxe a Santana para que ela possa prestar depoimento e também para sabermos se você já tem alguma novidade.

Broddy olhou para Santana com um sorriso cativante, mas a latina estava muito nervosa para retribuir aquele gesto, conseguindo apenas acenar com a cabeça. Quinn percebeu que o delegado analisou discretamente o corpo de sua namorada e imediatamente tratou de marcar território envolvendo a cintura desta com um braço protetor.

– Sentem-se para que possamos dar início à nossa conversa. – falou simpático, ao entender o recado que lhe fora lançado.

Santana narrou tudo o que fizera no dia do acidente desde que saíra do rancho até o momento em que os pneus estouraram, concluindo que acordou somente na casa de Quinn. Informou ainda que não havia visto nada de suspeito e que não sabia quem poderia ter sido o autor daquele ato.

– Bom, agora com o seu depoimento e com as análises do seu veículo já poderemos ir mais a fundo nas investigações. As câmeras que tem perto do local só podem ser requisitadas com ordem do Juiz depois dos depoimentos, então como faltava só o seu providenciaremos ainda hoje o pedido. – falou em tom profissional.

– E quanto tempo você acha que demora para conseguir isso? – foi Quinn quem perguntou, não dando qualquer chance de Santana falar.

– Vocês sabem que infelizmente isso não depende de mim e tudo é burocrático, mas pela minha experiência no máximo em uma semana já estaremos com as gravações.

– E você me avisa quando estiver com tudo em mãos?

– Sim, Quinn, eu aviso vocês. – concluiu, rindo do instinto protetor que a amiga estava demonstrando ter por Santana.

– Já estou liberada?

– Sim, Santana. Você e sua protetora estão liberadas. – disse rindo, recebendo uma carranca de Quinn em troca.

Mal se despediram e Santana puxou Quinn pela mão para fora daquele local, não queria ficar ali por nenhum minuto mais.

Notas finais
Espero ao menos ter agradado. Gente, queria agradecer aos comentários de vocês, amo cada um deles e agora acho que consegui responder a todos, e também ao pessoal que mesmo não comentando acompanha a fic. E um agradecimento mega especial a todos que favoritaram. Boa semana para nós. :D